Durante quatro anos, o psiquiatra Adrian Raine visitou presídios de segurança máxima na Inglaterra, onde estudou imagens de altíssima definição do cérebro de sociopatas, criminosos e “serial killers”. O resultado da pesquisa causou polêmica quarta-feira na abertura do IV Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, que termina hoje no Rio Grande do Sul. Segundo Raine, 50% do comportamento violento dos presos estudados pode ser atribuído à predisposição genética, 35% a fatores ambientais e 15% ao histórico familiar.
As imagens que ilustram o estudo de Raines foram produzidas por Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET), uma espécie de ressonância magnética de última geração que revela o nível da atividade dos neurônios. Para uma melhor visualização da função cerebral do indivíduo, o médico injetou móleculas de glicose radioativas no sangue do paciente e estabeleceu diferentes cores para representar o grau de atividade metabólica dos neurônios. Por fim, comparou a tomografia dos assassinos com a de pessoas normais.
“Certas disfunções cerebrais atribuídas a comportamentos violentos e anti-sociais podem ser detectados ainda na infância. Com isso, temos condições de intervir no desenvolvimento cerebral de crianças agressivas e evitar que alguns transtornos de conduta evoluam para quadros mais graves”, avalia o neurocientista André Palmini, acrescentando que medidas simples, como uma dieta saudável ¿ à base de Ômega 3, que ativa a função cerebral ¿ e afetividade familiar, já seriam suficientes para reverter a situação.
Traumas interferem
Para o psiquiatra Jair Mari, da Universidade Federal de São Paulo, fatores como a predisposição genética, o ambiente social e o histórico familiar não devem ser analisados isoladamente porque estão sempre relacionados entre si. Segundo ele, desde uma gravidez de alto risco até maus-tratos na infância, passando por abuso sexual na adolescência, entre outros traumas, podem interferir no amadurecimento não só psicológico, mas também neurológico do indivíduo.
“Sabemos que a violência tem múltiplas causas. O que não imaginávamos é que a gravidez na adolescência e o uso precoce de drogas poderiam repercutir no desenvolvimento cerebral. No futuro, intervenções precoces poderão evitar resultados desastrosos”, acredita Jair.
O Dia


