Bebe dá sinais de vida durante velório

bebe canela O caso do recém-nascido Bryan Velho Padilha, que teria apresentado sinais de vida durante seu velório, na madrugada de quarta-feira, virou caso de Polícia. O delegado Luis Rogério Carvalho de Lima pediu ontem ao Instituto Médico-Legal de Caxias do Sul, a exumação do corpo, que estava sepultado no cemitério Ibama. A criança nasceu de parto normal no Hospital de Caridade de Canela, às 22h09 de terça-feira, sem sinais vitais, segundo a casa de saúde. Na madrugada de quarta, no velório, os familiares suspeitaram que o bebê estava emitindo sons.
O delegado começou a ouvir os depoimentos ontem. “Há duas hipóteses. Uma é de que o bebê tenha nascido morto. A outra, que nasceu com vida. A exumação é para ajudar a esclarecer’’, comenta. Lima diz que a Polícia não tem como fazer um pré-julgamento sem provas. “Por isso, estamos colhendo todos os depoimentos e pedimos a exumação.’’ A finalidade é verificar se a criança respirou ao nascer. Caso seja comprovada a existência de ar nos pulmões e constatado erro médico, os envolvidos serão indiciados por homicídio culposo. O laudo preliminar da perícia deverá ficar pronto na segunda-feira. O resultado sobre a causa da morte, em 30 dias.

“No velório começamos a ouvir chorinhos”, diz avô
“Estávamos no velório quando começamos a ouvir uns chorinhos. No começo foi fraquinho, mas depois aumentou. Então abrimos o caixão e ele estava se mexendo. Levamos para o hospital e o médico plantonista constatou que tinha sinais de vida’’, relata Arlindo da Silva, 42, avô materno do recém-nascido. Segundo ele, no laudo médico a causa da morte foi parada cardiorrespiratória.
O pai do bebê, Jonas Herold Padilha, 21 anos, e os avós maternos Margarete Velho, 41, e Silva, prestaram depoimentos ontem na Delegacia de Polícia de Canela. A mãe da criança, Jéssica Velho, 18, estava em repouso na residência, no bairro Distrito Industrial. Padilha revelou que todos estão sofrendo muito com a situação e a família acredita que houve negligência médica. “Não nos conformamos. Queremos justiça. Ele foi o nosso primeiro filho. Estamos sofrendo muito.’’
A avó materna conta que a filha Jéssica realizou todo o pré-natal e tudo estava bem. “Desde a primeira contração até o bebê nascer levou em torno de 12 horas. E depois nos informaram que Bryan tinha nascido morto com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Que tentaram reanimá-lo, mas que não resistiu’’, explica Margarete. O delegado Luis Carvalho de Lima diz que os envolvidos prestarão depoimentos.
Agente funerária teve dúvidas
A agente funerária Giovana Bohrer dos Santos, 26 anos, conta que nunca, em dois anos de experiência, tinha visto um corpo emitir qualquer tipo de som. “Quando cheguei no necrotério, que fica junto ao hospital, escutei um suspiro, que vinha do bebê. Então fui no corredor e falei com uma enfermeira, que disse para eu não me preocupar, porque era normal. Tentei ouvir os batimentos cardíacos, mas não havia’’, afirma.
Giovana assegurou que, como ficou com receio, não fez nenhum procedimento funerário. “Era como se estivesse respirando fundo, com um pouco de gemido. Apenas coloquei ele no caixão e levei para a capela, à 0h30, onde seria velado”.
A agente funerária conta que explicou para a família que era normal o bebê fazer um pouco de barulho, conforme a enfermeira havia explicado. Às 2h30, a família da criança ligou dizendo que o barulho estava ainda mais forte. “Fui até a capela, mas já tinham levado o corpo para o hospital’’, completa.
Hospital de Caridade está apurando fatos
A direção do Hospital de Caridade de Canela emitiu, ontem à noite, uma nota oficial sobre o caso, onde afirma que instaurou Comissão de Sindicância para apurar internamente o acontecido e diz que “a Sociedade de Pediatria, inclusive, já apoiou os procedimentos adotados pela médica.”
Segundo a versão da casa de saúde, a mãe Jéssica Velho da Silva deu entrada no hospital às 10h40 de terça-feira, em trabalho de parto. Teve dez atendimentos, incluindo avaliações médicas e exames, e às 22h09 nasceu de parto normal a criança do sexo masculino sem sinais vitais. A direção afirma que foram realizados os procedimentos necessários para reanimação e a criança permaneceu sem reação. “O ato foi acompanhado por médico obstetra, pediatra, enfermeira e técnica em enfermagem tendo recebido medicamentos, berço aquecido, cuidados precípuos para o melhor atendimento possível, contudo, foi constatado o óbito de acordo com os protocolos médicos.”
A casa de saúde explica que, por motivos que estão sendo apurados, inclusive pelas autoridades policiais, durante o velório, na madrugada de quarta-feira, os familiares da criança suspeitaram que ela estava emitindo sons. Às 3h53 o bebê deu entrada novamente no hospital tendo sido retomados os procedimentos de ressuscitação, porém, sem êxito.
Lamentando o ocorrido, a direção do hospital diz que “até que se apurem os fatos não podem as pessoas emitir juízo a respeito, pois inclusive existem casos semelhantes na literatura médica”.
Cremers abre sindicância para investigar o caso
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) abriu sindicância para averiguar o caso do bebê Bryan Velho Padilha. O pedido partiu do presidente da entidade, Marco Antônio Becker. O procedimento, segundo ele, é rotina e não se trata de um pré-julgamento dos envolvidos. Antes da conclusão da sindicância, Becker explica que só fala em tese, devido à delicadeza do fato.
“Tudo precisa ser averiguado. Vamos conversar com os envolvidos e analisar todos os fatos. Temos que ter muito cuidado quando apuramos um caso desses’’, salienta. Becker lembra que já chegaram diversos casos semelhantes ao conselho e que depois da investigação, nem tudo correspondia ao que foi narrado. Tanto as possíveis causas da morte quanto os movimentos do corpo no velório podem ter ocorrido. “Existem movimentos musculares que podem acontecer um tempo depois da verificação da parada cardíaca’’, diz.

Universia Marcas: , , ,

Comente!