Gerados a partir da fertilização in vitro trigêmeos representam um marco para a ciência no interior do Estado
Bernardo, de cabelos claros, parece ser o mais arteiro. Matheus, o mais comunicativo. E Luccas, muito observador. Os trigêmeos nascidos há 10 anos em Passo Fundo e que foram capa de Zero Hora em 27 de novembro de 2008, com menos de um mês de vida, foram os primeiros bebês de proveta do Interior.
Filhos da publicitária Eliane Beschorner de Souza e do juiz de Direito Clóvis Guimarães de Souza, eles são a realização de um sonho do casal, depois de anos de luta.
– Eu tinha problemas nas trompas. Tentei vários tratamentos e cheguei a ser informada de que não poderia ter filhos. Mas era um grande sonho – lembra Eliane.
Na primeira visita ao consultório do ginecologista Alcides Tarasconi, que comanda a clínica Genesis de reprodução humana, Eliane foi desestimulada. Segundo o médico, as chances de gravidez em casos como o do casal eram de, em média, 40%.
A solução encontrada foi a fertilização in vitro. Como atestam os trigêmeos, o procedimento foi um sucesso.
– Naquele tempo, havia muita gente que não era favorável ao método. Tive de lutar contra algumas crenças. Mas agora…Ah…Eles (os filhos) são uma bênção! – derrete-se a mãe.
Eliane teve três óvulos usados na reprodução. Por isso os meninos são tão diferentes fisicamente. Cada um pegou características de um dos pais, ao contrário do que ocorre com gêmeos do mesmo óvulo.
– É bom contribuir para a realização do um sonho de um casal. Essas crianças também acabam sendo como meus filhos – comemora Tarasconi.
Custo do procedimento varia entre R$ 8 mil e R$ 12 mil
Apesar da pouca idade, o trio de ouro dos Souza sabe que veio ao mundo a partir de procedimento diferente do método tradicional. Matheus, o mais falante, orgulha-se do fato de ele e os irmãos terem nascido a partir de uma experiência inédita no Interior à época.
A despeito de toda a diferença física e comportamental, os irmãos – que têm quartos separados – dormem juntos todas noites. Para o ginecologista Álvaro Petracco, de Porto Alegre, um dos pioneiros na área no Estado na década de 80, a oferta de novas tecnologias no setor ajuda casais com dificuldade para ter filhos:
– Na época em que começamos, as chances de gravidez eram de 10%. Hoje, esta taxa pode chegar a 50%.
A técnica começou a ser usada na Capital em 1986, mas não há estatística sobre os procedimentos feitos até hoje.
Embora esteja se popularizando, o método ainda é caro. O preço pode oscilar entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. O alto custo se deve aos medicamentos importados usados no tratamento para estimular a ovulação. Custo que, para Clóvis e Eliane, valeu a pena.


