Charutos explosivos, cápsulas de veneno, sapatos radioativos, fungos letais: a CIA tentou de tudo para matar Fidel Castro. Mas, 50 anos depois da Revolução, lembrados na próxima quinta-feira, foi mesmo o peso da idade que fez o Comandante deitar-se em um leito de hospital. Aos 82 anos, a imagem de Fidel combalido pouco remete ao esbelto guerrilheiro de farda verde-oliva que entrou na capital cubana a bordo de um tanque de guerra tomado do próprio exército de Fulgêncio Batista, que dias antes fugira da ilha.
Cinqüenta anos depois do movimento rebelde que incendiou o continente com seu fervor de igualdade, inspirou lutas sociais mundo afora e ousou desafiar debaixo de suas barbas a maior potência do planeta, direita e esquerda, apaixonados e delatores de um dos episódios mais importantes do século 20 perguntam-se: assim como Fidel, Raúl e seus comandados, a Revolução envelheceu?
Para alguns, a Revolução cubana é ainda hoje uma história de heroísmo. Para outros, trata-se de um símbolo de autoritarismo. Fidel derrubou uma ditadura para instalar outra no lugar. E, apesar dos avanços em áreas como educação, saúde e esporte, o regime sempre foi – e continua sendo – opressor.
Para o escritor Carlos Tablada, professor da Universidade de Havana, a melhor forma de os cubanos celebrarem o 50º aniversário da Revolução é fazendo uma autocrítica:
– A maioria da população cubana não quer voltar ao capitalismo, mas não quer ficar com o socialismo que temos hoje. Há uma insatisfação gigantesca, em todos os setores da sociedade cubana.


