O ESPIRITISMO E A CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS
ADIRSON MIGUEL DA ASSUNÇÃO
A Vida de João Teixeira de Faria, o João de Deus.
João de Deus é um homem de semblante humilde, nascido de família simples, desprovido de grande bagagem intelectual, é um homem comum com problemas, defeitos, limitações e suscetível a erros e sofrimentos como a maioria dos seres humanos comuns, como ele mesmo costuma dizer, João precisa fazer um grande esforço para não ser endeusado por aqueles que foram beneficiados por alguma forma de cura. Consta que o tipo de mediunidade que possui é inconsciente, segundo relatos encontrados em alguns livros que trata sobre seus trabalhos mediúnicos. Entre as entidades que incorpora, destacam-se: Dom Inácio de Loyola, Dr. Augusto de Almeida, Dr. Oswaldo Cruz, Dom Ingrid, Dr. Fritz, Dr. Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo, entre outros. Quando incorporado, transfigura-se a ponto de mudar a cor da íris de seus olhos, ocorrendo mistura de várias tonalidades de cores, passando às vezes de verde para um azul brilhante. Em entrevista afirmou que é goiano, mas sente-se mineiro, seus pais eram mineiros. As suas manifestações mediúnicas começaram quando ainda era menino e a primeira visão e premonição aconteceu aos 16 anos de idade quando em companhia de sua mão deslocava-se da cidade de Itapaci para Nova Ponte e em dado instante olhou para o céu e disse à sua mão que iria chover, com o que ela não concordou, mas ele insistiu dizendo para que olhasse a uma determinada nuvem e, neste momento começou a puxá-la pela mão, querendo correr. Chegando em Nova Ponte, um patrimônio de poucas casas, reafirmou que iria chover e que em conseqüência da chuva várias casas iriam ruir, inclusive a de seu irmão. Após três horas aconteceu uma tempestade derrubando as casas. Certa vez em Campo Grande, após mais uma tentativa à procura de trabalho, antes de passar sobre a ponte sentiu grande vontade de ir embaixo da mesma. Ao chegar lá encontrou uma mulher com quem conversou por algumas horas. No dia seguinte, no mesmo horário voltou ao local para conversar novamente com a mulher, mas apenas encontrou um foco de luz e uma voz que ordenava sua saída daquele local. No mesmo dia ao encontrar-se em Campo Grande, em frente de um centro espírita, o qual não conhecia porque era de família católica, chegou à porta que estava aberta, e o presidente do Centro levantou-se e disse: “Senhor João Teixeira de Farias, faça o favor de vir para a mesa. Estamos esperando você”. A princípio pensou que deveria ser outro João porque ali ninguém o conhecia. Ele se aproximou e segurou seu braço e João desmaiou, recobrando os sentidos após três horas ao terminar os trabalhos daquele dia. Comentavam, então, que seu guia havia operado e consultado várias pessoas, cirurgias foram marcadas e outras informações. Assim que pôde falar, explicou que não era profissional e não tinha conhecimento do mundo espiritual nem de Medicina e não sabia explicar o que havia ocorrido nesses momentos de inconsciência. Na ocasião narrou sua difícil caminhada em busca de trabalho e esclareceu que devia ter desmaiado de fome. Passado aquele instante de entendimento foi levado para a casa do presidente e recebido com um verdadeiro banquete, e até um quarto com ventilador e mosquiteiro o esperava. No dia seguinte, por volta das 14 horas, o banquete se repetiu, e ele ainda com idéia de menino pensou: “Vou alimentar-me bem, porque eles vão me mandar embora”. Alimentou-se e mais tarde foi para o Centro Espírita, e após a abertura da sessão pelo presidente passou a atender as pessoas. Desde então não parou mais de realizar trabalhos de cura. Posteriormente teve seu interesse espiritual despertado pelo mestre Yokaanan, quando este abriu o templo religioso da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal, em Itapaci, e por isso guarda imenso carinho e respeito por esse mestre. Em Campo Grande permaneceu de três a quatro meses, passando por várias cidades indo em seguida para Anápolis, enquanto sua família estava sempre contestando a permanência dentro do Espiritismo. Desta foram atendeu e operou o joelho de um médico Dr. Isaías - que acabou por levá-lo para Brasília onde passou a cuidar de autoridades civis e militares, obtendo muito apoio durante nove anos em que ali permaneceu, mudando posteriormente para o Rio de Janeiro, Niterói, e voltando a Anápolis. Perdeu a conta de quantas vezes foi acusado e preso por exercer a chamada “medicina clandestina”. Hoje, porém, atende muitos médicos que o procuram, bem como advogados, delegados e juízes, porém afirma que os pacientes devem procurar a Medicina convencional. “Não há por que desprezá-la, até porque os profissionais da saúde têm uma grande missão a cumprir e são escolhidos e preparados para isso. Para o auxílio espiritual, entregue os casos insolúveis sob o ponto de vista humano, porque o sobrenatural, com a ajuda de Deus vai mais além.” Foi assim que começou a sua missão que iniciou involuntariamente e já caminha para mais de 30 anos. Sempre entrega o seu corpo para a prática da caridade, não sabendo de seu guia cortou alguém ou não, pois fica totalmente inconsciente nestas ocasiões, e o que mais o alegra e o faz continuar a missão é quando uma pessoa chega e diz que ficou curada através de alguma das entidades e que ele afirma ser mais de 30. Diz que não suporta sangue, tem medo de tomar injeção e gostaria de estar consciente enquanto trabalha que faz parte de sua missão advertir os seres humanos sobre a realidade fantástica da vida além da morte. A partir desta constatação fica mais fácil encontrar as provas que estão reservadas a cada um de nós neste cenário de provas e expiações. A simples cura da enfermidade física não é o mais importante, e sim a busca de medicamentos para melhora do corpo espiritual; este é imortal, ao passo que a vestimenta da carne é transitória e um grande número de doenças é causado por espíritos obsessores. É sabido que a humildade é uma qualidade indispensável a todos os que se dedicam a se tornar instrumentos divinos. A mediunidade inversamente ao que muitos imaginam não é uma ferramenta que a justiça divina empresta, de forma proporcional, para serem utilizadas no resgate positivo das dívidas cármicas contraídas em vidas pregressas. Pelo fato de ficar inconsciente e não lembrar o que ocorre é que João de Deus hesita em dar entrevistas. Alega falta de assunto para relatar e que é somente um instrumento das entidades espirituais. Um médium que recebe energia de um ser supremo de Deus. Tem conhecimento das cirurgias realiza, através de filmes e fotos do acervo casa. Também já foi auto-operado, não tendo lembrança do fato nem da dor. Seu grande sonho é construir uma creche, um abrigo para ancião e um hospital espiritual. É comum que o médium o João de Deus, antes de dirigir-se à sala de cirurgia, já descalço para que a energia possa flui melhor, realizar orações do tipo “Senhor, orientai a minha mão a vosso serviço para que ela possa continuar a curar os necessitados”, além de rezar o pai-nosso e, geralmente, antes de terminar a oração, acorre a incorporação e sem nenhum estardalhaço, como ocorre em outras seitas. Há relatos que quando incorporado, a médium João de Deus, pode se apresentar manso ou ríspido, humilde ou arrogante, orgulhoso ou compreensivo, conforme a entidade que o possua. Os médiuns que o acompanham há longo tempo, já conhecem a entidade no momento em que ocorre a incorporação. Dentre vários casos, consta que João de Deus atuou também no Fenômeno Poltergeist, ocorrido na Fazenda Mondongo, a 80 km de Pirinópolis-GO. Nesta fazenda, vários lavradores viviam em uma casa isolada e passaram a serem surrados e receberem pedradas. As facas voavam e as cobertas saíam da cama sem explicação plausível dos fatos. O episódio foi fotografado e documentado pelo Sr. Marconi Barreto do jornal “Diário da Manhã”, de Goiás. Suas atividades de cura não se restringem a Abadiânia. Recebe convites dos mais diversos pontos do país, dando assistência nos finais de semana. Também atendendo a convites do exterior, o médium já esteve nos Estados Unidos, Peru, Paraguai, Bolívia, Argentina e Portugal, sendo sempre alvo de estudo por parte de pesquisadores. Seu trabalho é divulgado por jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, brasileiras e estrangeiras. É possível constatar a presença de equipes de reportagens acompanhando o trabalho em Abadiânia. Atualmente, João de Deus dedica todo o tempo disponível à missão de cura. Diz ser católico e que não há religião ruim, o que deixa a desejar são alguns dos dirigentes, e que cada ser humano, dentro de sua crença, deveria lembrar o grande mandamento: amar ao próximo como a si mesmo. Na vida profissional o Sr. João Teixeira de Farias trabalhou de diversas formas, tendo trabalhado por um período como carregador de barro em uma olaria de fazer tijolos, mas como sua produção era insuficiente foi dispensado. Em Campo Grande montou uma alfaiataria, mas como dentro de um mês, ninguém procurou seus serviços devido ao forte e constante calor comum na região, abandonou o serviço de alfaiate e dentre outras atividades, João de Deus foi Servidor Público onde ocupou o cargo de alfaiate do Exército Brasileiro em Brasília, e atendendo solicitações, realizava tratamentos espirituais aos integrantes da corporação e seus dependentes, hoje o médium é proprietário de fazendas, jazidas de garimpo, dentre outros negócios, dos quais tira seu sustento. João Teixeira é muito sereno e discreto, além de possuir uma postura ética como um profissional de outras áreas: não revela nomes das pessoas que o procuram. Para o médium, nenhuma pessoa é mais importante que outra e sentencia: “Todos são filhos de Deus” Apesar da discrição do médium, sabe-se que o ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori e seu filho, bem como a atriz Shirley MacLaine, procuraram sua ajuda a fim de serem tratados por João de Deus, segundo relatos da reportagem da revista Manchete na edição de 16/03/91, João de Deus revela que não é espírita. Porque espírita que conhece “é o amigo Francisco Cândido Xavier, um médium que considero o papa da espiritualidade e… E quem sou, perto dele? Uma gota d’água!”. O médium João se autodefine: “Se eu fosse perfeito, não estaria nesta missão na Terra. Devo ter sido um grande pecador. Estou me preparando para outras encarnações”. Ele não deixa de ser um enigma, e não admite ser chamado de “curandeiro” ou “milagreiro”. Por ocasião de seu aniversário, no dia 24 de Junho, é impressionante o número de pessoas atendidas: em três dias aumenta consideravelmente e ultrapassa o número de cinco mil. Apesar de ser considerado por alguns como impostor, mistificador, charlatão, dotado de poderes sobrenaturais, paranormal, sensitivo, muitas dessas pessoas vão ao seu encontro à busca de cura, outras para agradecer e cumprimentá-lo por ocasião de seu aniversário. Esta festa repete-se todo ano, e independente dessa data, o mesmo recebe manifestação de carinho diariamente. Observou-se que os médiuns auxiliares e pacientes sentem-se honrados em desfrutar de sua companhia, mesmo que por alguns segundos.