Blog 2 Professores
Laboratório e Observatório sobre Educação por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

Paulo Renato Souza

23.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

Educação é o assunto que mais cativa o economista Paulo Renato Souza.

Ex-ministro da Educação durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso, ele criou o Fundef, que garantiu o acesso de todas as crianças à escola, e o primeiro sistema de avaliação de ensino do Brasil.

Aos 63 anos, mais de trinta deles dedicado à vida pública, o deputado federal, PSDB-SP, falou à repórter Lu Scuarcialupi em uma tarde de trânsito em São Paulo.

Foram mais de três horas relembrando os 8 anos à frente da Educação brasileira. Entrevistado em seu escritório nos jardins, entre retratos, fotografias e diplomas, Paulo Renato lembrava o passado com crítica, autocrítica, mas liberdade.

Membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, ele ainda falou dos caminhos que teremos de percorrer na busca por Educação de qualidade para todos no Brasil. 

Qual o real problema da Educação no Brasil hoje?

Paulo Renato Souza: Qualidade. A Educação hoje é o único serviço público universalizado.

A escola pode ser boa ou ruim, mas você tem o serviço. Aí vem o outro problema: boa ou ruim. Há escolas públicas muito boas na periferia.

A questão é porque todas não são boas?Os professores são os mesmos, o salário é o mesmo. Os pais e as mães sabem quais são as boas, há fila na frente das escolas; nas que não são boas, há vagas sobrando, porque isso?

No meu modo de ver, depende do diretor e da participação da comunidade, mas as duas coisas estão ligadas: quando um diretor é um líder, chama a comunidade; e quando a comunidade tem líderes, toma a escola e coloca um diretor bom.

Fonte: UOL Educação, 12/12/2008. Leia entrevista completa ao clicar aqui. 

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O poder das imagens para digerir idéias complexas

22.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

As empresas usam, cada vez mais, ilustrações simples para traduzir conceitos complicados e transformá-los em pepitas facilmente compartilháveis e recordáveis.

A “expressão gráfica e o pensamento visual são parte central da coginição humana”, afirma Neil Cohn, pesquisador de psicologia cognitiva e lingüistíca da Tufts University, de Massachusetts, Estados Unidos.

Essas idéias estão sendo utilizadas com fins diversos: desde para explicar como as empresas vendem o que elas fazem até para definir estratégia.

Um bom exemplo

Quando o diretor-financeiro da Microsoft, Chris Liddell, percebeu a dificuldade de conciliar os diversos relatórios financeiros que recebia, resolveu que a empresa tinha de desenhar em papel o incrivelmente complexo sistema da gigante do software e as ligações dentro desse sistema.

Pôs uma equipe para fazer esboços que exploravam a maneira como a informação era disseminada e, depois, ela sugeriu sistemas mais simples.

Os protótipos finais retratam um painel financeiro que dá ao diretor o que ele necessita em uma única olhada.

“Uma coisa que me surpreendeu foi a ligação emocional com coisas que desenhamos à mão”, diz Joel Creekmore, gerente-financeiro da Microsoft.

“Você não teria a mesma ligação com o conceito se eu o tivesse desenhado no computador.”

Uma afirmação e tanto, vinda dos criadores do Visio, software de comunicação visual.

Fonte: Fast Company (Kate Bonamici Flaim)/HSM Management 71, novembro-dezembro 2008. Para ler artigo completo, clique aqui.

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Uma rede de pessoas reais em contato com amigos reais: Sonico

19.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

rede social voltada aos países latinos Sonico, no Brasil desde setembro próximo passado, tem como objetivo se tornar a principal rede social da América Latina: além do Brasil, o Sonico está presente também em países como Argentina, Colômbia, Chile e Peru. 

Segundo seus criadores, no Sonico eles são conscientes de que atualmente não existe uma plataforma onde os usuários possam estar permanentemente informados sobre o que acontece com seus amigos e conhecidos.

As opções atuais são pouco alentadoras: usuários falsos, relações irrelevantes, convites ilimitados de pessoas desconhecidas e spam permanente nas comunidades e perfis.

O Sonico tem então como meta suprir esta necessidade e oferecer um conjunto de aplicações sociais que permita aos usuários relacionar-se e reencontrar pessoas conhecidas dentro de um marco seguro, com privacidade e ordem.

Para isto, desenvolveram um sistema de moderação proativo e uma equipe de profissionais destinados a garantir que a informação e perfis criados são relevantes.

Estão totalmente seguros que quanto mais real for a sua rede de amigos, mais interessante e divertida será a sua permanência no Sonico.

Dentro do Sonico, os usuários podem personalizar o visual de suas páginas inserindo cores e fundos, compartilhar fotos e vídeos de forma ilimitada, desafiar pessoas em jogos, ler notícias, além de organizar eventos, enviar comentários, visitar comunidades temáticas e organizar uma agenda.

Conheça este portal lançado em 28 de julho de 2007 e com 30 milhões de usuários atualmente em dezembro de 2008. Pode ser acessado ao clicar aqui.

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Comunicado da Anvisa

18.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

Tendo em vista o compromisso de transparência, assumido como valor institucional e reforçado pela atual gestão da Diretoria Colegiada da Anvisa, e em conformidade com o Código de Ética da Agência, solicitamos que brindes e cestas de natal não sejam enviados a funcionários de qualquer posição hierárquica da Agência a fim de evitar a devolução.

A Anvisa entende o simbolismo que o gesto representa para muitas instituições por ocasião de datas comemorativas, mas o considera incompatível com a imagem institucional de uma agência reguladora perante a sociedade.

Desejamos a todos um Feliz Natal e próspero Ano Novo!

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA.

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Aprovar ou reprovar, eis a questão!

16.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

O economista Claudio de Moura Castro, articulista da Revista Veja, em artigo nesta semana, capa 17 de dezembro 2008, pergunta: “Aprovar quem não aprendeu?” e comenta a tese de Luciana Luz, orientada pelo Professor Rios Neto (UFMG), que examinou um problema fundamental: no final do ano, o que fazer com um aluno que não aprendeu o suficiente?

Dar bomba, para que repita o ano? Ou deixá-lo passar?

A tese permite comparar um aluno que repetiu o ano por não saber a matéria com outro que foi aprovado em condições similares.

Os números mostram com meridiana precisão, informa Castro. Um ano depois, os repetentes aprenderam menos do que alunos aprovados sem saber o bastante.

Ainda entre as citações está o exemplo da Finlândia e do Uruguai, onde há professores cuja tarefa é dar uma atenção especial aos mais fracos.

E vale a frase “o medo da repetência leva o aluno de classe média a estudar, para evitar castigos. Nas famílias mais modestas não há medo nem pressão para que os filhos estudem.”

Fonte: Veja, 17 de dezembro, 2008 - Claudio de Moura Castro. Leia matéria completa ao clicar aqui, assinantes da revista.

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Vale a pena ler de novo…e a situação um ano depois…

12.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

Matéria publicada na revista Nova Escola em novembro de 2007

NOVA ESCOLA e IBOPE entrevistaram professores de redes públicas de todo o país e concluíram: eles amam a profissão, mas só 21% estão satisfeitos com ela. E, apesar de classificarem a formação inicial como excelente, reconhecem não estar preparados para a realidade da sala de aula.

Pesquisa exclusiva

Você conhece bem esta realidade: o professor adora a profissão,mas não está satisfeito com ela. Sabe que é parte de sua função preparar os alunos para um futuro melhor e gosta de ver as crianças aprendendo, porém se ressente por ter de providenciar a Educação global (valores, hábitos de higiene etc.) que a família não dá.

NOVA ESCOLA e Ibope conversaram com 500 professores de redes públicas em todas as capitais brasileiras e os números são muito reveladores da situação em que se encontram nossos educadores.

  • 63% relatam viver em nível significativo de estresse.
  • 48% sentem falta de mais segurança contra a violência.
  • 54% estão descontentes com os benefícios, 47% com o salário e 47% com a sobreposição de papéis (em relação à família dos alunos).
  • 21% estão satisfeitos com a profissão (um número assustador: em pesquisas similares o índice oscila entre 40 e 60%, chegando a 80% em algumas áreas que podem ser chamadas de privilegiadas).

Ao mesmo tempo, muitos se queixam do trabalho duro e (o pior) não reconhecido pela sociedade.

  • 53% têm no amor à profissão sua principal motivação.
  • 63% trabalham no que gostam.
  • 83% têm consciência da importância da profissão de professor.
  • 80% já participaram de cursos de capacitação depois de formados.

A pesquisa foi feita com o objetivo principal de investigar como os professores brasileiros se relacionam com o trabalho, os alunos e a escola e de que forma eles enxergam o futuro da profissão. Nesta reportagem, você vai encontrar diversos números – e também uma análise muito especial para refletir sobre alguns desses dados.

Para debater os resultados obtidos, NOVA ESCOLA convidou um grupo de educadores de diferentes áreas, todos com contato direto com a sala de aula e com a formação inicial e continuada dos nossos docentes.

São eles: Celso Favaretto, filósofo da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Lino de Macedo, pedagogo do Instituto de Psicologia da USP, Luis Carlos de Menezes, do Instituto de Física da USP, Maria Cristina Mantovanini, psicopedagoga do Instituto Vera Cruz, em São Paulo, Sônia Kruppa, socióloga da USP e da Fundação Santo André, Telma Weisz, especialista em Psicologia da Aprendizagem e assessora pedagógica da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, e Vera Trevisan, psicóloga da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Base frágil

As três maiores surpresas da pesquisa apareceram justamente nas questões sobre a relação do professor com seu público-alvo e com o ambiente de trabalho.

Os alunos são vistos como desinteressados e indisciplinados e são percebidos, junto com a família, como os principais problemas da sala de aula. “Quando o profissional não se sente capaz de cumprir sua tarefa – no caso, planejar, ensinar e fazer com que a maioria adquira conhecimento –, tende a responsabilizar fatores externos, apontando justamente para os lados mais frágeis do sistema”, afirma Maria Cristina Mantovanini.

A formação inicial é apontada pela maioria como “excelente”. Mas, ao mesmo tempo, reconhecem não estarem preparados para o dia-a-dia dentro da sala de aula.“Como a relação entre a motivação e a prática de ensino quase não aparece, muitos provavelmente não se dão conta de como a graduação foi ineficiente”, observa Telma Weisz.

As secretarias (municipais e estaduais) de Educação e o Ministério da Educação praticamente não aparecem como atores importantes da realidade do Magistério. É igualmente preocupante porque essas instituições deveriam ser as provedoras não só das políticas públicas mas também de toda a infra-estrutura e das condições gerais para que a aprendizagem ocorra. “O professor não se enxerga como parte do sistema e, por isso, se sente tão sozinho na difícil tarefa de ensinar”, enfatiza Sônia Kruppa.

A pesquisa

  • AMOSTRA: 500 professores das redes públicas municipais,est adual e federal
  • IDADE: De 25 a 55 anos
  • TÉCNICA DE PESQUISA: Entrevistas individuais,c om questionário estruturado,realizadas de 20 de junho a 19 de julho de 2007
  • DISTRIBUIÇÃO REGIONAL: 50% Sudeste 21% Nordeste 11% Norte 10% Centro-Oeste 8% Sul

Dê quem é a responsabilidade pela educação ruim?

Uma das perguntas do questionário tinha 23 itens. Entre eles, a falta de didática e de metas de aprendizagem. Mas, na hora de listar os principais problemas do dia-a-dia dentro da sala de aula, os 500 professores entrevistados colocaram os seguintes três: a não-participação dos pais no dia-a-dia da escola, a desmotivação dos alunos e a indisciplina dentro da classe (e o primeiro está fora da sala).

Por que a família é vista tão mal? Ao comparar a escola pública com a particular, os professores dão algumas pistas: 72% dizem que quem leciona na rede pública faz também o papel de assistente social, enquanto apenas 3% apontam que quem está na privada tem essa mesma função (será mesmo?).

O termo mais usado é sobreposição. Para 25% da amostra,“a escola está no lugar da família”. E outros 38% reforçam que, na escola pública,“o professor não ensina, mas ajuda o aluno a sobreviver”. Em outra resposta, 64% afirmam que o nível socioeconômico das crianças intervém no aprendizado (negativamente, no caso da pública, e positivamente, no caso da particular).

As causas do problema

“Durante décadas, o professor montou uma representação-padrão de estudante, projetando o desejo de que ele venha de casa educado, com os parentes providenciando todos os requisitos básicos para que eles convivam em sociedade e aprendam. Esse quadro não existe”, diz Lino de Macedo. Da mesma forma, é fictícia a concepção de família ideal.Pai e mãe trabalham fora e nem sempre moram na mesma casa – e os dois fatores levam à diminuição do tempo dedicado às crianças e, com isso, dos momentos de “formação doméstica”.

A tendência é fazer, inconscientemente, o que Luis Carlos de Menezes chama de enquadramento social: “A ampliação da escolarização no Brasil fez com que crianças e jovens de comunidades antes excluídas entrassem no sistema. Equivocadamente, o professor acha que a origem cultural do garoto e da mocinha os impede de aprender. Além disso, como não quer assumir a função de formá-los, ele desiste de ensinar”.

Houve consenso entre os debatedores: não é a família que tem de ser responsabilizada pelo insucesso da garotada, mas a escola, que precisa rever sua missão e seu projeto pedagógico para atender a todos, com ou sem problemas socioeconômicos.

Além das transformações sociais, existem as culturais, políticas, econômicas e tecnológicas – que, de maneira geral, a escola não acompanha. Ao longo dos anos, a defasagem do currículo e dos conteúdos, a falta de relação com a realidade e uma série de outros fatores tiveram reflexos na não-aprendizagem.

O professor acredita que sua responsabilidade sobre a Educação é muito grande, mas as notas ruins nos testes de avaliação levam a sociedade a repetir que o ensino vai mal.“Sentindo-se impotente, ele procura causas externas, criando uma situação que o prende: já que não pode mudar a família do aluno, ele acha que não é possível ensinar”, analisa a psicopedagoga Maria Cristina Mantovanini.

Para refletir

Sim, a participação da família é fundamental para que a criança se desenvolva como estudante.Por isso, ela deve ser motivo de preocupação. “Não dá para correr atrás de resultados de ensino sem pensar em reeducar os pais, que não conhecem a proposta pedagógica da escola, o que ela oferece aos filhos e como eles aprendem”, diz Maria Cristina.

Reuniões de pais e atividades conjuntas nos fins de semana podem ser planejadas especialmente para promover essa integração. Uma saída é conscientizar-se de que o novo papel do professor inclui atender o aluno que não vem pronto de casa para adquirir conhecimento.

Lino de Macedo acredita que, ao perceber que a sociedade mudou e que agora é preciso fazer isso, sem esquecer de ensinar conteúdos, você se preocupa também em dar o exemplo. Assim, a angústia diminui: “Com menos ressentimento, fica mais fácil aproximar-se, melhorar a relação com o estudante e, em conseqüência, as condições de aprendizagem”.

Em conjunto, redes de ensino, direção e corpo docente deveriam estar preocupados com a definição do currículo.“Ninguém vai se sentir motivado a conhecer algo que não tem relação nenhuma com a vida”, ressalta Menezes. “É necessário levar para a escola a cultura da comunidade e voltar a prática para a formação total do aluno. O que não dá é ficar esperando que ele saia correndo atrás dos conteúdos para dominá-los.”

Outro caminho para diminuir a tal desmotivação é deixar de lado o vício pedagógico de buscar sempre a passividade do educando: “As crianças são curiosas por natureza e gostam de fazer perguntas, mas elas só aprendem se tiverem espaço para a participação. E isso existe quando há conversa, fala,movimentação e argumentação e não um ambiente de apatia”, ressalta Menezes.

Nunca é demais lembrar que só consegue motivar quem conhece (e utiliza) boas práticas de ensino.

Chegamos assim à segunda contradição apontada pela pesquisa: o professor acha que foi bem formado, mas acaba admitindo não estar preparado para o dia-a-dia em clas se nem saber como enfrentar os problemas da sala de aula, como o famoso desinteresse e a não menos decantada indisciplina.

Por que a formação não prepara para o dia-a-dia?

A maioria dos entrevistados não tem dúvida: para 64%, a formação inicial foi excelente. Porém 49% reconhecem que não estão preparados para a realidade da sala de aula.

E isso porque 90% se declaram satisfeitos com a própria didática. Contraditório, não? O simples fato de freqüentar uma universidade e ter a chance de ler, estudar e debater as teses de grandes nomes da Pedagogia mundial é, sem dúvida, uma experiência interessante.

No entanto, é possível que muitos professores não questionem a qualidade desses cursos. Estudar as teorias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon, entre muitos outros, é fundamental, mas não basta.

A capacitação inicial tem variadas (e complexas) dimensões e a faculdade é o primeiro lugar para um profissional se apropriar das ferramentas para ensinar – e, com isso, poder enfrentar as dificuldades do dia-a-dia na escola (como a desmotivação, a indisciplina e as diferentes realidades sociais e culturais dos alunos). O que não dá é para não aceitar essa realidade.

As causas do problema

Só recentemente as faculdades de Educação e Pedagogia começaram a se preocupar com as especificidades da formação docente. Por muitos anos, tanto os futuros professores como os futuros diretores, orientadores e supervisores recebiam os mesmos conteúdos.

Os especialistas reunidos por NOVA ESCOLA concordam: as didáticas específicas de cada área deveriam ser a principal matéria-prima dos cursos de formação inicial. O currículo deveria ter por obrigação contemplar a didática da alfabetização, a da Matemática, a da leitura e da escrita, a das Ciências e assim por diante.

Dentro de cada uma delas estariam os conteúdos, os processos de aprendizagem (que envolvem o conhecimento sobre como as crianças transformam informação em saber e o que elas pensam quando estão em contato com os problemas escolares) e, claro, as intervenções pedagógicas mais adequadas para garantir que todos aprendam.

“Sem explorar e ensinar corretamente as didáticas específicas, é como se as faculdades colocassem um lenço nos olhos e vendassem o futuro professor e o soltassem no mundo.

É óbvio que, nessa situação, não dá para saber o que fazer”, afirma Telma Weisz.

Na opinião de Regina Scarpa, só a certeza de dominar os conteúdos e as melhores maneiras de ensinálos fará com que o educador enfrente com tranqüilidade a dura realidade da sala de aula: “Toda criança gosta de aprender de maneira desafiadora”.

O problema persiste quando os cursos de capacitação continuada, em vez de oferecerem atualização nas áreas específicas, tentam suprir as deficiências da faculdade. Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados acreditam que esses programas interferem positivamente no ensino e o surpreendente índice de 80% disse já ter participado de algum curso desse tipo.

Mas nem por isso se sentem mais preparados para a rotina escolar.“A maioria dos cursos de formação continuada não leva em conta as necessidades cotidianas do professor. É por isso que fica a sensação de que nada se resolve depois de freqüentálos”, analisa Vera Trevisan.

Para refletir

A mudança de foco dos cursos de formação inicial é um processo longo, mas nem por isso pode ser esquecida pela categoria.Num prazo menor, dizem os analistas, o ideal é apoiar-se mais fortemente na coordenação pedagógica.

Os próprios entrevistados começam a perceber isso: 21% acreditam que a coordenação colabora muito, e 42%, o suficiente para melhorar o ensino. Porém 34% ainda se sentem desamparados, dizendo ter pouco ou nenhum apoio. “Já passou da hora de os coordenadores pedagógicos assumirem sua responsabilidade pela qualidade do ensino na escola. Eles precisam se colocar no papel de formadores do corpo docente”, exige Regina Scarpa.

Organizar momentos de formação em serviço (nos horários de trabalho pedagógico coletivo), com troca de experiências e reflexão sobre a prática, é muito eficiente para resolver problemas cotidianos.

A formação de grupos de trabalho preocupados em melhorar as ações em sala de aula é viável e necessária. Já para aperfeiçoar os cursos de formação continuada, uma saída é chamar os alunos em potencial para ajudar na elaboração do programa, pois só eles conseguem expor suas necessidades.

Vera Trevisan alerta ainda para a importância de haver uma pessoa que coordene essa formação, principalmente quando um pequeno grupo é convidado a participar – para depois socializar o aprendizado com os colegas.

Infelizmente, quem está à frente da sala de aula não tem poder sobre as políticas públicas e a definição de rumos da Educação – nos sistemas municipais, estaduais e federal. O problema, como veremos a seguir, é que essas entidades estão cada vez mais distantes do discurso do professorado brasileiro.

Cadê o Estado? Ninguém sabe, ninguém viu…

As pesquisas revelam muitas informações pelo que é dito, mas também pelo não dito.Um dos tópicos que mais chamaram a atenção dos analistas foi a ausência do Estado (Ministério e secretarias estaduais e municipais) quando o assunto é qualidade do ensino e quem é responsável por isso.

Ele só aparece enquanto empregador (aquele que paga salário e benefícios e proporciona estabilidade no emprego e liberdade de ação em sala de aula – o que significa não cobrar resultados).

O curioso é que os entrevistados não vêem no poder público o papel de elaborar as políticas e de providenciar a estrutura necessária para o processo de ensino e aprendedizagem.

No ranking sobre as influências negativas no ensino – o mesmo em que alunos e famílias surgem nas primeiras posições –, os itens associados ao orçamento e às diretrizes da Educação são citados nas últimas colocações.

“Ao responsabilizar os alunos e as famílias pelo fracasso escolar, o educador deixa de analisar o papel da escola e as possibilidades que ele tem de agir como o agente público que de fato é, como membro de uma instituição igualmente pública – a escola – que precisa se relacionar com o sistema para funcionar com eficiência”, analisa Sônia Kruppa.

As causas do problema

“O docente simplesmente não enxerga o Estado porque ele é omisso em vários aspectos da vida dele”, ressalta Luis Carlos de Menezes.

O sistema não é cobrado pelas deficiências e também não aparece quando uma experiência dá certo: “Se a escola vai bem, o mérito é de uns poucos mestres dedicados ou da direção eficiente”. Nem é preciso lembrar que sucessos isolados não levam à melhoria da Educação como um todo.

O filósofo Celso Favaretto acredita que a escola perdeu a confiança nela mesma e, com isso, deixou de se posicionar como instituição: “Ao perder a exclusividade de divulgadora do conhecimento – papel que hoje compartilha com os meios de comunicação –, ela não consegue mais enxergar sua missão original, que é debater e realizar o bem comum e as políticas sociais, culturais e educacionais”.

O professor também entra nesse compasso e cada vez mais se sente à parte, isolado. Sônia Kruppa acredita que essa ruptura tem origem no que ela chama de falta de vínculo: todos os anos há mudanças no quadro docente e fica difícil organizar e implantar um projeto em conjunto. Ao ser removido, o professor não se sente pertencente nem à escola e à comunidade nem à instituição e ao sistema.

Para refletir

A Educação é um processo coletivo, que se dá em determinado espaço, uma instituição chamada escola. Essa, por sua vez, é regida por políticas públicas, que deveriam ter como objetivo a realização do bem comum para responder às demandas imediatas e as de longo prazo da sociedade.

“A relação educacional não se resume ao dueto professor/aluno”, lembra Vera Trevisan. Existem ainda os agentes de ensino das secretarias, o diretor, o coordenador pedagógico e todos os colegas.“ Como o professor pode se sentir sozinho e tomar para si toda a responsabilidade?”, questiona ela.

Para Sônia Kruppa, só o grupo pode assumir a formação do educando e, para que esse coletivo se forme, é preciso haver permanência na escola e continuidade nas políticas públicas.

Com isso, ela acredita ser possível a comunidade construir um projeto pedagógico democrático para atender à população tal qual ela é.

Protagonistas do progresso

Um sistema educativo deve ser entendido como a articulação de três subsistemas: o escolar (a escola e todas as instâncias envolvidas com ela), o sociocultural (espaços como bibliotecas, ludotecas, cinemas, teatros etc.) e o familiar (que tem o dever de valorizar os outros dois e propiciar o acesso a eles).

Essa tríplice aliança é a chave do sucesso da reaprende de ensino da Finlândia, primeira colocada nas principais avaliações internacionais. “Mesmo com todas as deficiências apontadas, o subsistema escolar brasileiro tem as condições necessárias para proporcionar as experiências educacionais e culturais de que as crianças necessitam.

Por isso, é muito bom observar que, na pesquisa, 83% dos professores se vêem como protagonistas desse processo”, afirma Regina Scarpa.

A “desistência” da escola, enquanto instituição, e o desânimo do professor poderiam significar um desastre a longo prazo. Com a divulgação (e análise) desses números, NOVA ESCOLA acredita estar contribuindo para uma reflexão coletiva que aponte caminhos para melhorar ainda mais a Educação, em especial na rede pública de nosso país.

Fonte: Revista Nova Escola, data publicação 12/11/2007.

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Mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros

11.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

Desde a abertura comercial, no início dos anos 90, os brasileiros estão acostumados a consumir artigos importados. A prolongada queda do dólar, causada pela maciça entrada de recursos nos últimos anos e pelos superávits comerciais, acentuou a presença dos artigos estrangeiros no país, como vinhos, alimentos e veículos. Mas esse cenário deve mudar nos próximos meses. A persistência da moeda americana em níveis acima dos 2 reais e a necessidade de reposição dos estoques dos importadores com uma taxa de câmbio maior devem pesar no bolso dos brasileiros. A resposta será uma redução do consumo de artigos que não possuem similar nacional ou a troca do importado por um concorrente verde-amarelo.

Um dos setores que já sentem claramente a disparada do dólar, desde meados de outubro, é o de turismo. Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav), as vendas de pacotes internacionais estão 30% abaixo da expectativa do que seria comercializado. Desse percentual (??), a metade veio de clientes que trocaram uma viagem ao exterior por um destino no Brasil. O restante simplesmente não fechou nenhum pacote. Quem mais sofreu foram os destinos mais caros, como a Europa e o Extremo Oriente. Já as mais beneficiadas foram as cidades litorâneas do Nordeste e do Rio de Janeiro. “Num primeiro momento, a instabilidade do dólar pesa mais que o valor do pacote. As pessoas ficam inseguras para fechar uma viagem”, afirma Leonel Rossi Júnior, diretor de Assuntos Internacionais da Abav.

O retorno dos destinos nacionais ao roteiro da classe média e média alta é detectado também por outros observadores. Segundo Altair Rossatto, sócio da consultoria Deloitte para a área de varejo, uma pesquisa feita em conjunto com a consultoria Gouvêa de Souza & MD mostrou que 91% das intenções de viagem dos brasileiros para os próximos dois anos são para cidades brasileiras, o que indica o peso do dólar nas decisões.

Como quem viaja precisa de um lugar para se hospedar, o setor hoteleiro também assiste a uma reação verde-amarela. “Desde outubro, há mais brasileiros nos hotéis”, afirma Álvaro Bezerra de Mello, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih). Segundo Mello, esse fluxo já vinha crescendo desde que o dólar começou a cair, pois o Brasil começou a ficar “caro” para os estrangeiros. Por valores similares de pacote, muitos estrangeiros preferiram conhecer outros destinos, abrindo espaço para os brasileiros nos hotéis. No longo prazo, se a moeda americana se mantiver cara, Mello acredita que parte dos turistas de fora volte. Mas a participação brasileira continuará forte, porque viajar para o exterior ainda pesará no bolso.

Automóveis

Outro setor que deve sentir o baque é o de carros importados. “O dólar alto afeta sim os negócios, e já se começa a perceber isso”, afirma Jörg Henning Dornbusch, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). Assim como no setor de turismo, por enquanto, o que mais assusta os clientes não é o preço do dólar, mas a sua forte volatilidade - ou seja, o fato de ser difícil prever em que patamar ele vai estabilizar. “Isso torna mais difícil para o comprador tomar uma decisão”, diz.

Segundo Henning, o estoque de veículos à disposição dos brasileiros ainda foi importado com um câmbio menor que o atual. Por isso, muitas revendedoras ainda não repassaram o aumento. Mas é provável que comecem a fazê-lo a partir de janeiro. Entre o final de agosto e esta quarta-feira (10/12), o dólar acumula uma alta de 49%. Como a pancada é muito grande, Henning afirma que é provável que as importadoras não repassem integralmente o aumento aos clientes.

A queda das vendas já é sentida nos últimos meses. Em outubro (últimos dados disponíveis da Abeiva), foram emplacados 3.236 importados no país. O volume é 8,51% menor que em setembro. Mas o problema aqui, segundo Henning, não foi o dólar caro, mas a crise financeira, que tornou o crédito mais caro e mais difícil. O impacto do dólar só virá nos próximos meses. “O que vai acontecer, com certeza, é que em 2009 os pedidos de importação vão ser reduzidos”, diz.

Alimentos e bebidas

Os bens de consumo não-duráveis, como alimentos e bebidas, também não escaparão. “Com o dólar no patamar atual, em breve o consumidor vai começar a trocar seus hábitos”, diz o professor Miguel Lima, coordenador dos MBAs em Comércio Exterior e Negócios Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. Para Lima, essa alteração já deve ser percebida a partir de janeiro ou fevereiro.

Os vinhos importados, cada vez mais populares nas mesas da classe média, estarão entre as vítimas. Altair Rossatto, da Deloitte, acredita que o vinho deve perder espaço para a cerveja entre os brasileiros - movimento inverso ao que foi observado nos últimos dois anos. Para o professor Nuno Fouto, do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/FIA), haverá duas reações. Parte dos consumidores trocará os importados por concorrentes nacionais. Outros, mais resistentes a mudanças, se limitarão a reduzir o consumo de importados, mas sem substituí-los por rótulos brasileiros. O mesmo vale para alimentos finos, como os queijos.

Um sinal de que o consumo de alimentos e bebidas mais sofisticados está caindo são os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A média diária de importação de bebidas e álcool caiu 4,4% de outubro para novembro, passando para 1,562 milhão de dólares. A cifra é, inclusive, 1,7% inferior à de novembro do ano passado. Já as compras de leite derivados (onde se contabilizam os queijos) baixaram 12,9% de outubro para novembro, chegando a 841 mil dólares por dia. As importações de peixes e crustáceos (em que são registradas iguarias como o bacalhau e o caviar) recuaram 9,1% na mesma base, para 2,980 milhões de dólares por dia. “A classe média vai ser a mais impactada pela alta do dólar, pois é quem adquiriu condições de consumir importados nos últimos anos”, diz Fouto, do Provar/FIA.

Informática

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) rebaixou a previsão de vendas de computadores pessoais para este ano de 13 milhões para 12 milhões de unidades. Entre os motivos alegados, está a alta do dólar, que encareceu os equipamentos. No caso dos importados, o câmbio mais alto eleva diretamente o preço de venda. Já para as máquinas fabricadas no Brasil, o encarecimento dos componentes importados pesa no custo final e precisa ser repassado - ainda que em parte - para os consumidores.

Por isso, Lima, da FGV, espera um aumento do chamado “mercado cinza”, composto por máquinas montadas de modo artesanal e, muitas vezes, com componentes de procedência duvidosa.

Os especialistas não têm dúvidas de que a persistência do dólar nos atuais níveis vai mexer com os consumidores. Seja trocando importados por similares nacionais, seja reduzindo as compras, os artigos estrangeiros freqüentarão menos os lares brasileiros nos próximos meses. “O dólar exerce um efeito muito forte sobre o poder de compra”, diz Fouto, do Provar/FIA. Muita gente vai se adaptar - de preferência, em algum resort do Nordeste.

Fonte: Portal Exame, 11/12/2008, Márcio Juliboni e João Sandrini. Maiores informações, clique aqui.

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Pesquisa Qualitativa ou Pesquisa Quantitativa? Que tal Quantilativa?

10.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

Pesquisa Quantilativa: O caso no qual combinar qualitativa e quantitativa.

Por Omar Mahmoud (*)

No eNews da ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa de dezembro, foi publicado um artigo de Omar Mahmoud*, sobre o dilema pesquisa qualitativa x pesquisa quantitativa.  

Recentemente, eu conheci um jovem pesquisador que me indagou “Você é um pesquisador quali ou quanti?” Eu respondi inocentemente “Eu faço as duas”. Eu achei a pergunta estranha, apesar de saber que não é incomum no mundo da pesquisa.

E eu já ouvi fortes argumentos dos dois lados. Alguns modeladores de pesquisa gabam-se de não terem participado de uma discussão em grupo nos últimos cinco anos. E os especialistas em qualitativa com freqüência admitem que os únicos números dos quais gostam são seus números da sorte.Eu tentei responder a pergunta, mas não consegui.

Ela soava como “Você prefere entender ou mensurar?”AS MELHORES SOLUÇÕESHá muitas razões para argumentar sobre a necessidade de utilizar ambas, mas a questão mais importante é que é a combinação dos dois tipos de pesquisa que gera as melhores soluções e insights para os desafios de negócios.

Dados quantitativos e qualitativos podem ser combinados para oferecer um entendimento de 360 graus do comportamento do consumidor. Bebidas e salgadinhos são diferentes de muitas outras categorias, no sentido que os produtos e sabores consumidos podem ser segmentados – não apenas por grupos de consumidores, como também por ocasiões de consumo.

A mesma pessoa poderia comprar tamanhos e sabores diferentes de uma bebida para ocasiões diferentes: versões mais leves para o dia e mais fortes para a noite. A quantitativa pode nos dar o número de pessoas consumindo cada produto em cada ocasião. Entretanto, é a qualitativa que oferece insights sobre as emoções associadas a cada ocasião.

A qualitativa pode ajudar a dar insights simples para transformar problemas de marketing em grandes oportunidades. Nossa área de desenvolvimento de produtos havia identificado uma tecnologia revolucionária de limpeza para um novo limpador de uso geral.

Entretanto, a pesquisa quantitativa voltou com resultados decepcionantes. Visitas aos domicílios com uma pequena amostra mista de entrevistados satisfeitos e insatisfeitos revelou um insightimportantíssimo; a minoria que havia usado o produto com um determinado acessório de limpeza havia obtido resultados extraordinários. Bingo: o produto foi lançado, vendido e demonstrado com o acessório.

Uma solução simples

A qualitativa consegue explicar os resultados da quantitativa no mercado real. Havíamos expandido um gel de banho recém-lançado em um novo mercado de uma mesma região. Dada a aparente semelhança entre os mercados da região, decidiu-se lançar o mesmo produto, embalagem e campanha publicitária, sem se fazer qualquer pesquisa.

Os resultados?

Alto conhecimento da marca e baixíssima experimentação, resultando em vendas abaixo da meta. A qualitativa deu-nos uma explicação simples: nossa propaganda mostrava um homem tomando banho pela manhã, enquanto o hábito no país era de banhos à tardinha. Sorvete na testa!

Qualitativa pode ajudar a adaptar um posicionamento global às necessidades locais. Nossa tecnologia 2-em-1 era valorizada em muitos países por dar resultados excelentes sem fazer bagunça alguma, economizando o tempo despendido em trabalhos domésticos para gastar em atividades mais prazerosas.

Porém, apesar da reação positiva ao produto, este posicionamento provocou uma reação morna nos entrevistados que habitavam uma sociedade fechada com poucas oportunidades para atividades ao ar livre, particularmente para mulheres.

 “Nós gostamos da bagunça!” exclamaram as mulheres nas discussões em grupo.

O produto foi lançado com um novo posicionamento enfocando no excelente desempenho resultante da nova tecnologia, e dando menos ênfase ao aspecto de economia de tempo. A pesquisa quantitativa do conceito confirmou o insight da qualitativa.

A qualitativa pode ajudar a modelar a pesquisa quantitativa mais adequada. Em grupos de discussão em uma cultura conservadora, jovens entrevistados reagiram com entusiasmo à propaganda de novos produtos de barbear, conforme ficou evidente por sua linguagem corporal, risadinhas e gestos.

Entretanto, assim que o moderador começou a fazer perguntas diretas, o tom mudou, na medida que os participantes adotaram uma postura socialmente correta e expressaram sua reação negativa às indecentes propagandas ocidentais que não se encaixavam em seus honrados valores e tradições.

A lição foi clara: se quiséssemos que nossa pesquisa quantitativa que se seguiria tivesse algum valor, ela precisaria adotar uma metodologia de propósito oculto.Agora, se eu prefiro pesquisa qualitativa ou quantitativa? Pesquisa quantilativa, é óbvio!

(*) Omar Mahmoud é chefe de Conhecimento de Mercado da UNICEF

Artigo publicado no web site da ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, para maiores informações, clique aqui.

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Livro em defesa da formação em jornalistmo

09.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

aojornalistmo.jpgColetânea de artigos de professores, profissionais e juristas, o livro: “Formação Superior em Jornalismo - Uma exigência que interessa à sociedade“, apresenta diversas análises em favor da formação superior específica para o exercício profissional. Traz, ainda, trechos das argumentações do advogado João Roberto Piza Fontes, na defesa do diploma, e do juiz Manoel Álvares, relator no histórico julgamento favorável à categoria, no Tribunal Regional Federal de São Paulo (TRF da 3ª Região), em outubro de 2006. Hoje, o processo tramita no STF e está prestes a ter seu julgamento final. 

Trata-se da segunda publicação organizada pela FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas, dentro da campanha em defesa da obrigatoriedade de formação universitária específica para o exercício da profissão. Por trás da iniciativa da entidade e dos vários lançamentos que estão ocorrendo nos Estados, está o esforço da Federação e dos Sindicatos em disseminar, ampliar e aprofundar o debate sobre o tema no País. 

O primeiro livro, em 2002, “foi lançado quando já tramitava a ação que busca tirar dos jornalistas um dos pilares da sua regulamentação profissional e, por conseqüência, uma das garantias da população brasileira de receber um Jornalismo de qualidade, democrático, plural e exercido com responsabilidade e ética”, disse Sérgio Murillo, presidente da FENAJ.

Com organização dos professores e diretores da FENAJ Sérgio Murillo de Andrade e Valci Zuculoto, capa de Maria José Coelho e Leo Bretãs, editoração de Sandra Werle e revisão de Tânia Machado, a obra conta com artigos dos professores e pesquisadores Celso Augusto Schröder, Eduardo Meditsch, Gerson Martins, Luiz Martins, Muniz Sodré, Nilson Lage, Valéria Tótaro. Também são co-autores, com artigos no livro, os juristas Antônio Álvares, Celso Spitzcovsky, Domingos Fabiano Cosenza e os profissionais Barbosa Lima Sobrinho, Carlos Chagas, Cláudio Abramo e Lucídio Castelo Branco.

O primeiro livro impresso, lançado e organizado pelo professor Francisco Karam, está esgotado, mas se encontra disponível on-line no site da FENAJ, em www.fenaj.org.br . Para ter acesso integral ao seu conteúdo basta clicar no banner da capa da publicação no site.

As duas publicações, assim como outras iniciativas da FENAJ e dos Sindicatos de Jornalistas de todo o País, em defesa da obrigatoriedade da formação, fazem parte de lutas maiores da categoria, especialmente pela qualidade do ensino, do próprio jornalismo oferecido à sociedade brasileira e pela democracia na comunicação. “Por exemplo, ao liderarem a formulação e aplicação de um completo e extenso Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação em Jornalismo, a Federação e seus Sindicatos têm demonstrado que suas preocupações vão muito além da justa garantia de conquistas corporativas: estão, acima de tudo, baseadas na defesa de direitos da sociedade”, concluiu o presidente da FENAJ. 

SERVIÇO

Evento: Coquetel de Lançamento do livro: 
“Formação Superior em Jornalismo -
Uma exigência que interessa à sociedade”
Onde: Livraria da Vila - rua Fradique Coutinho, 915 - Piso Superior 
Vila Madalena - São Paulo/SP - Tel.: 3814-5811

Quando: dia 17 de dezembro(quarta-feira), às 18h e 30m

Fonte: ÍCONE Comunicação e Notícias

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Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

08.12.2008 por Sandra Maria Martini e Alfredo Passos

A resolução CNE/CES nº1 de 03/04/2001, estende à categoria curso MBA, a prerrogativa de ser regulado e reconhecido como pós-graduação lato sensu, desde que obedecendo às normas ali descritas.

As diretrizes da resolução indicam a necessidade de um trabalho de curso, mencionando o termo Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) como parte dos requisitos para aprovação dos alunos no curso.

Com esta resolução, o curso de MBA passa a ser considerado como lato sensu, com os alunos adquirindo Titulação de Especialista.   

A resolução nº1 de 08/07/2007, estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de especialização.

O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto nos arts. 9o- , inciso VII, e 44, inciso III, da Lei no-9.394, de 20 de dezembro de 1996, e com fundamento no Parecer CNE/CES no- 263/2006, homologado por Despacho do Senhor Ministro da Educação em 18 de maio de 2007, publicado no DOU de 21 de maio de 2007, resolve: 

Art. 5o- Os cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de especialização, têm duração mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas, nestas não computado o tempo de estudo individual ou em grupo, sem assistência docente, e o reservado, obrigatoriamente, para elaboração individual de monografia ou trabalho de conclusão de curso.

Monografia no curso de Administração

O livro das Professoras doutoras Claudia Rosa Acevedo e Jouliana Jordan Nohara, Editora Atlas, cujo título está acima, tem como objetivo auxiliar estudantes na elaboração de uma monografia científica.

A experiência das autoras em ministrar aulas de Trabalhos de Conclusão de Curso, TCC, levou-as a compreender que a principal dificuldade do aluno de Administração de Empresas ao iniciar a monografia é entender o que é ciência no contexto da disciplina de Administração.

Segundo as autoras, muito freqüentemente, o estudante não percebe a diferença entre gerenciar a empresa e fazer pesquisa científica em Administração.

Além disso, apresentar o relatório final sob as normas da ABNT não é uma das tarefas mais fáceis para os estudantes que estão redigindo suas monografias.

Conceitos preliminares

Monografia refere-se a um trabalho escrito sobre um único assunto e que é fruto de pesquisa científica.

Assim, a unicidade do tema é a característica primordial da monografia.

Claudia Acevedo e Jouliana Nohara, ressaltam que a monografia não se caracteriza por sua extensão, mas pela profundidade com que trata um tema específico, pela utilização do método científico para se conduzir a investigação e pelo alcance dos objetivos da pesquisa.

A parte textual da monografia é composta pelas seguintes seções:

  1. Introdução
  2. Revisão da Literatura
  3. Hipóteses do trabalho
  4. Metodologia
  5. Resultados
  6. Discussão e
  7. Conclusão

Como cada um destes tópicos pode corresponder a um capítulo, as autoras sugerem a seguinte estrutura para organizar o capítulo:

  • apresentação do assunto;
  • importância ou justificativa da escolha do assunto (por que é importante estudá-lo);
  • problema a ser investigado;
  • objetivo do estudo;
  • definição dos termos utilizados; e
  • organização do trabalho.

Continuo o assunto em próximo post.

Fonte: Acevedo, Claudia Rosa e Nohara, Jouliana Jordan. Monografia no curso de administração: guia completo de conteúdo e forma: inclui normas atualizada da ABNT, TCC, TGI, trabalhos de estágio, MBA, dissertações, teses. 3.ed. - São Paulo: Atlas, 2007.

Maiores informações sobre este livro, clique aqui.

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