A imprensa noticiou que a IBM fez uma oferta de US$ 7 bilhões para adquirir a Sun Microsystems, famosa pelos servidores que fabrica. À primeira vista, isso poderia ser interpretado como uma mudança de estratégia da “Big Blue”, que nos últimos tempos tem paulatinamente deixado os negócios ligados à fabricação de hardware: em 2003 vendeu sua unidade de discos rígidos à Hitachi do Japão e em 2005 vendeu sua divisão de PCs à chinesa Lenovo.
O mercado comenta que a IBM estaria oferecendo US$ 10 por ação da Sun, aproximadamente o dobro do preço registrado em bolsa no dia 17 de março, data em que a oferta passou a ser comentada; no dia seguinte, os papéis subiram cerca de 80%, fechando a US$ 8,89.
Apesar de os dirigentes das duas empresas terem se negado a comentar o assunto, analistas dizem que o interesse da IBM pela Sun, cujos servidores são utilizados em data centers de grande porte, decorre de aspectos estratégicos ligados a software.
Apesar da interessante fatia que detém no mercado de servidores, a Sun também vem tentando expandir seus negócios ligados à software, buscando evitar as conseqüências do processo de comoditização do hardware, que leva seus preços para baixo e que conduziu a Sun a uma situação financeira não muito confortável. A Sun vem sofrendo forte concorrência de servidores baseados em microprocessadores de baixo custo fabricados pela AMD e Intel utilizando tecnologia ligada ao ambiente PC; os principais concorrentes da Sun nessa área são a Dell e a HP.
Em termos de software, a Sun criou o sistema operacional Solaris, baseado em Unix, e a linguagem Java, além de ferramentas ligada a essa última. Java parece ter um futuro bastante promissor, sendo utilizada amplamente, inclusive em aplicações ligadas à telefonia celular, área que vive um período de crescimento intenso; Java é também uma das mais ensinadas linguagens nos cursos de Ciência da Computação.
Java é muito utilizada pela IBM, que inclusive criou o Eclipse, uma plataforma para desenvolvimento baseada em Java, que em termos práticos concorre com essa última. Se a aquisição ocorresse, provavelmente a IBM uniria Java e Eclipse, posicionando-se melhor para concorrer com a Microsoft e suas ferramentas Windows.
Há no entanto um obstáculo à efetivação dessa estratégia: as leia anti-truste em vigor nos Estados Unidos. Juntas, IBM e Sun teriam 65% do mercado dos servidores que rodam Unix e 42% do total do mercado - esses percentuais referem-se ao valor das máquinas. Do ponto de vista de quantidade de servidores, essa participação cairia para 18%, deixando claro que a fatia das empresas se concentra nas máquinas mais caras.
Este obstáculo tende a ser menos grave pelo fato de as leis anti-truste serem aplicadas de maneira mais branda em períodos de recessão, pois as autoridades preocupam-se em incentivar os negócios. Resta ver como o assunto vai se desenvolver e preparamo-nos para eventuais conseqüências em nossas organizações.
Vivaldo José Breternitz (vjbreternitz@mackenzie.br) é profissional oriundo da área de Informática, tendo atuado em empresas de grande porte (Prodesp, Prodam, Banespa etc.). Mestre em Engenharia, doutorando em Administração (FEA/USP), é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie
1 comentário
Julian Scatamachia
20|Apr|2009 1Oi Prof… a Oracle, mais uma vez, apareceu antes…
http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/reuters/2009/04/20/ult3949u5741.jhtm
Mais uma empresa para a coleção da Oracle. A pergunta: a Oracle comprou para a IBM não comprar?
Abraços
Julian Scatamachia
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