O Futuro da Teoria na Prática I

Postado por jomosil em 16.08.2009

Inicio este novo artigo de Diálogos Para o Futuro com e para estudantes (e alguns profissionais que já estão “prontos” no mercado à espera de oportunidades) o qual é fruto de conversas (diria mesmo diálogos) nos cursos de graduação, em especial de Administração e envolve questões relacionadas com o confronto entre Teoria e Prática.

Deste modo o tema que pensei para este artigo se baseia em várias dúvidas ou questionamentos feitos por estudantes (e também por alguns profissionais recém-formados) sobre o sucesso profissional considerando que, segundo a visão deles, “os cursos são muito mais teóricos que práticos” e, quando estão concorrendo a vagas de estágio ou de posição de trabalho (não gosto da palavra “emprego” porque ela dá a conotação de que a pessoa vai ficar pregada para sempre em uma dada organização sem chances de ser ela mesma em toda a sua capacidade), os recrutadores procuram se basear em experiências curriculares e em respostas sobre práticas gerenciais ou técnicas de trabalho relacionadas com a empresa contratante. Ou seja, a Prática em primeiro lugar e Competência… depois!

 

Já me referi em outras oportunidades a esta dicotomia (se é que existe mesmo uma dicotomia como imaginam os estudantes e os recrutadores) entre Teoria e Prática em outros artigos nos meus Blogs. Mas, consegui identificar algumas questões factuais que sugerem um outro aprofundamento e, até mesmo, um estudo para um uma pesquisa temática e não resisti à tentação de voltar a discutir o tema.

Uma primeira pergunta que me aflorou à mente foi: Por que existe uma fixação de estudantes, profissionais e recrutadores (ou contratadores) de pessoal em relação à Prática? A esta pergunta seguiram muitas outras das quais destaco as seguintes:

 

O que realmente representa a Prática para algumas empresas? Até que ponto a Prática se torna um componente essencial para um profissional ser competitivo e para uma empresa se tornar competitiva? Quais os fatores críticos que impulsionam o estudante a rejeitar a Teoria (ou as teorias relacionadas com as ciências que compõem a macro-disciplina Administração) e se dedicarem mais às Habilidades Técnicas e Experienciais (que cobrem a Prática) desprezando as demais habilidades essenciais da profissão?

 

Outras tantas perguntas surgem quando nos defrontamos com problemas desta ordem e todas elas são importantes para podermos chegar a construir os caminhos que levam à sabedoria.

Pelo menos dois caminhos devem ser considerados no trato destas questões: o primeiro envolve uma frase de Einstein que dizia não haver melhor prática do que uma boa teoria e que direciona no sentido de primeiro se possuir alguma teoria significativa e interessante sobre um dado tema ou assunto antes de se tentar realizar o tema ou o assunto, o que significa antes de levar o assunto à prática.

O segundo caminho, para mim, é que sempre que existe uma prática muito boa (ou excelente, como querem alguns) existe também a possibilidade de se construir, criar uma boa teoria (como tem ocorrido com alguns casos de obter resultado positivo após tentativas e erros em ambientes operacionais ou de “erros” que são cometidos por operários e através dos quais esses operários conseguem visualizar uma nova maneira de resolver um problema de produção ou de qualidade de produto) ou nos casos que chamo de Erros Brilhantes que acabam se transformando em boas teorias.

Embora ainda não tenha elaborado um projeto de pesquisa nesta linha de discussão, vou expor na continuação deste artigo as idéias que construí através de anos de convivência com estudantes e profissionais de Administração, Economia, Agronomia, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, isto apenas no nível de graduação, com as quais tentarei agregar conhecimento a essas perguntas.

Não vou incluir aqui os diálogos com estudantes de pós-graduação tendo em vista se tratar de especializações que não apresentam dificuldade na interação Teoria/Prática e, também, porque os grandes problemas que insinuam questões dessa natureza ocorrem em aulas de graduação.

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Diálogos Transparentes II

Postado por jomosil em 09.07.2009

Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquadas (Proudhon)Pela minha visão não é possível existir diálogos e nem transparências quando existe cinismo em uma das partes dialogantes. Isto resulta em que o diálogo se torna monólogo pela supremacia de poder da parte cínica sobre a parte que busca seriedade. Aqui cinismo é no sentido pejorativo mesmo e não apenas no sentido retórico ou praxiológico.Este é o quadro que se percebe atualmente no país: o cinismo do executivo e o medo ou pavor do legislativo e a subserviência do judiciário para evitar panos para as mangas no quadro já por demais desgastado da organização social, política e econômica do país. Vejamos as seguintes palavras e tiremos nossas conclusões:O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que vê apenas “uma divergência” no Senado, e não uma crise. Em entrevista durante o encontro com o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, em Paris, Lula afirmou que só vai tratar do assunto na segunda-feira, quando já estiver de volta ao País. “Eu não vejo crise, só uma divergência no Senado”, afirmou. (Do noticiário da Internet, hoje, 06/07)Ou ele é realmente inocente em relação a todos estes acontecimentos que estão transcorrendo no país – uma vez que sua presença no Planalto é itinerante e nunca permanente por, pelo menos, 30 dias – ou os seus assessores, para torná-lo “invulnerável” aos fenômenos de corrupção que vem atropelando os três poderes, evitam transmitir-lhe relatórios reais sobre as ocorrências do Congresso. E aproveitam o carisma do cidadão Lula para explorar as relações internacionais designando-o como o super-embaixador do Brasil.Hoje (dia 06), por exemplo, os lideres da minoria impuseram uma condição sem retorno para a presidência do Senado, qual seja a de implantar até o final da semana a CPI sob pena de entrarem com um mandado no Supremo transferindo-lhe poderes decisórios para solucionar a crise de identidade jurídico-político-partidária. O prazo terminou na quinta-feira (09) e ao perceberem que a minoria não estava brincando de esconde-esconde o presidente do Senado resolveu assumir, efetivamente, o seu papel deixando de ser naquele momento, uma mera marionete do governo.Hoje (dia 06), por exemplo, os lideres da minoria impuseram uma condição sem retorno para a presidência do Senado, qual seja a de implantar até o final da semana a CPI sob pena de entrarem com um mandado no Supremo transferindo-lhe poderes decisórios para solucionar a crise de identidade jurídico-político-partidária. O prazo terminou na quinta-feira (09) e ao perceberem que a minoria não estava brincando de esconde-esconde o presidente do Senado resolveu assumir, efetivamente, o seu papel deixando de ser naquele momento, uma mera marionete do governo.Com isso abre-se a oportunidade de o Judiciário provocar uma ruptura que obrigará o executivo a exigir uma Constituinte como assim deseja o senhor lula da silva para manter-se por mais dois ou três mandatos no poder, uma vez que a sua candidata (ela existe mesmo?) está perdendo fôlego por um lançamento prematuro (falta de habilidade estratégica do executivo e de seus asseclas, abrindo espaço para o crescimento de outras candidaturas a partir de abril do próximo ano).Vou aguardar até a próxima terça-feira para poder dar continuidade neste Diálogos Transparentes quando então poderei discutir os possíveis cenários que se vislumbram a partir de atitudes de diálogos nada transparentes sobre os problemas do Senado, do DNIT, das ONG e da Petrobrás.(Redação de 06/07/2009, interrompida quando o Senador Álvaro Dias anunciou a petição de um mandado de segurança a ser encaminhado ao Supremo e concluída hoje, dia 09/07/2009)Pão, Paz e LiberdadeAntes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos CustosPor uma sociedade cooperativa e mais educadaVamos colaborar com os ODM e com as Metas Educativas 2021.Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)Leia também os Blogs: http://jovinodash.blogspot.com  e http://aeqi.wordpress.com

 

Diálogos Transparentes

Postado por jomosil em 03.07.2009

 Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados (Proudhon)

Um dos assuntos mais discutidos, no momento, é o da transparência em suas diversas modalidades, em especial na temática da Transparência Política. Para um país que a cinco séculos é dominado por atitudes não-transparentes nas relações interpessoais, intergrupais e interorganizacionais, é algo inusitado que (aparentemente) nos faz acreditar em um futuro mais humano para as próximas sete gerações.

Contudo, existem duas situações críticas que me perturbam e devem chamar a atenção de muitas pessoas minimamente conscientes de seus deveres humanos, sociais, econômicos, políticos e negociais. São dois caminhos muito críticos que deixam os cidadãos muito preocupados com o futuro dessas sete gerações. Trata-se do caminho da Retórica e o caminho da Prática ou da Realização. Ambos podem ser corrompidos ou ser úteis e não meramente bons. Depende do usuário. Lendo um artigo de Tom Coelho no site www.ogerente.com com o título: Anarquia Institucional, senti um alívio sobre a visão dos dois caminhos que aqui estou a me referir.

A citação de Ruy Barbosa como epígrafe foi muito importante, visto que foi uma das primeiras vozes a se erguer para denunciar os defeitos da retórica corrompida e da prática insolente sobre o uso do poder e a utilização dos bens públicos. De acordo com Ruy Barbosa,

 “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” (Rui Barbosa)

Tal pronunciamento do Dr.Ruy parece que foi feito ontem quando um presidente de senado se nega a ser transparente e conta com apoio maciço de pares de diversos partidos e mais ainda de um presidente da república nada transparente, que carrega em seus ombros um dos períodos mais corruptos da história do país, envolvendo os três poderes de que trata o Barão de Montesquieu.

Não costumo citar pessoas nem mesmo acusa-las de algum desmando, de algum desregramento socioeconômico, e procuro seguir o pensamento de Proudhon que está na epígrafe deste texto. Porém, algumas vezes sinto vontade de gritar aos quatro cantos do universo quando vejo um país rico (muito rico) ser jogado no lixo político e no lixo econômico como um dejeto expelido por pessoas insanas que forjam falsas virtudes para enganar os pobres e excluídos que moram nas roças e nas periferias das cidades.

Os nulos e suas nulidades a serviço de uma população medíocre! Estamos comemorando quase um século de cooperativismo humano no Planeta e ainda não somos capazes aqui no Brasil de nos educarmos cooperativamente, pois nem temos e nunca tivemos ao longo desses duzentos anos de poder um ministério de educação e, apenas, temos um ministério de deseducação, de exclusão. Como desenhar, Hoje, Diálogos para o Futuro se os retóricos e os práticos da política e da economia só têm palavras e idéias para seus próprios alforjes?  

Transparência, Transparência, Abre suas asas sobre o Brasil e inocule no cérebro dos mesquinhos e poderosos uma dádiva capaz de levá-los a serem honrados e até mesmo honestos.

Sugiro ao leitor visitar o Blog: http://aeqi.wordpress.com para ler o último artigo postado no qual dou continuação a uma breve história da qualidade total. Chamo a sua atenção para a minha divisão de poderes dentro de uma organização (que pode ser uma empresa, uma comunidade e um país) a qual se encontra cheia de animo para uma visão cooperativada de negócios. Esta semana se comemorou o dia internacional do cooperativismo e aqui no Brasil ainda estamos sob o regime dos coronéis agrícolas e longe de alcançar uma fidelidade de poderes como está no Espírito das Leis.

Hoje os três poderes são mais de mil dependendo do interesse de cada um dos executivos que deles se apossam. Infelizmente no Brasil, tanto o caminho da retórica como o da prática estão abertos para aqueles que sabem usurpar os recursos e as riquezas do país.

 

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Postado por jomosil em 03.07.2009

 

Por que os empreendimentos inovadores nascem de uma Visão do Empreendedor e não da Missão?

Postado por jomosil em 15.06.2009

 Um diálogo com Dalmir Sant’Anna

                                         Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados. Proudhon

Tenho recebido e lido regularmente mensagem com o boletim do Jornal Virtual do site Profissão Mestre (Gestão Educacional) o qual sempre traz artigos interessantes que podem ajudar os docentes em suas atividades ou, pelo menos, mantê-los atualizados sobre informações para a educação. O último JV traz um artigo de Dalmir Sant’Anna no qual ele fala sobre empreendedorismo e resolvi marcar um Diálogo com esse autor envolvendo este tema que me é muito familiar e faz parte de meu trabalho diário junto aos cursos de Administração e Sistemas de Informação, além de estar presente em muitos artigos que tenho escrito.

 Após a leitura, fiz uma visita ao site do autor (www.dalmir.com.br), no qual li um artigo seu que tem como título “Todo empreendedor tem uma missão”. No outro artigo (“Empreendedorismo pode ser um diferencial nas atitudes diárias?”), que recebi por E-mail do site Gestão Educacional, disponibilizado pela dedicada Priscila Conte, Dalmir apresenta sua posição sobre o papel do empreendedor, seu desempenho e sua capacidade de focalizar oportunidades em seu entorno, o que está de acordo com conceitos que tenho pesquisado de várias linhas acadêmicas sobre Empreendedorismo. 

Contudo, no que se refere ao artigo publicado em sua página não concordo com a idéia de Dalmir quando ele faz uma ligeira confusão entre Missão e Visão Empreendedorial. O conteúdo do artigo está coerente com o que Filion, entre outros gurus do Empreendedorismo, denomina como visão. Vejamos, então, a partir da questão inicial elaborada por Dalmir que diz: Você já constatou que todo empreendedor conta com uma missão definida de onde desejar chegar?” (grifo meu) onde se localiza a confusão. Pelo conceito de Filion, o que o Empreendedor define como foco (onde deseja chegar) está contido na sua Visão e não na sua Missão.  

Diz Filion em um de seus artigos que: “Visão é definida como uma projeção: uma imagem projetada no futuro, do lugar que o empreendedor deseja que seu produto venha a ocupar no mercado”[i]. 

No caso do artigo de Dalmir ele enfatiza a Missão como sendo esse lugar no futuro. O conteúdo do artigo está correto em algumas partes excetuando os pontos que confundem missão com visão (considerando os respectivos conceitos). É certo que para construir uma Missão o empreendedor deve partir de um sonho. Mas o sonho sem visão não vale nada, daí que a Missão sem a Visão também não chegará a se concretizar como o propósito maior de um empreendimento. O empreendedor é antes de tudo um visionário e não um missionário porque a missão é conseqüência de uma visão bem formulada. 

O que estou argumentando aqui com este texto não é uma mera crítica ao artigo de Dalmir, mas uma tentativa de completá-lo em alguns detalhes que evitem confundir o leitor, sobretudo no caso de estudantes de Administração com os quais trabalho e que podem ler esse e outros autores que dissertam sobre o tema Empreendedorismo, que tem sido bastante divulgado nos últimos anos e para o qual têm surgindo muitos interpretes, muitos escritores e pesquisadores dentro da academia, e assim ficar desnorteados ao comparar o que se discute. 

Trabalho com este tema desde os anos 90 do século passado e já pesquisei muitos e variados textos sobre o assunto como base para completar minhas atividades docentes nos cursos superiores com os quais lido (Administração, Química, Sistemas de Informação), além de pesquisa e estudos que realizei para elaborar minha dissertação de Mestrado, e muito já escrevi e falei em palestras sobre ele. Por isso não poderia me furtar a tratar desta questão após a leitura do trabalho de Dalmir, bem como congratular-me com ele por ser mais um estudioso interessado e preocupado com o desenvolvimento de empreendedores. 

Como saliento em artigos disponibilizados no Blog: http://jovinodash.blogspot.com temos como um grande desafio promover o desenvolvimento de pessoas nas empresas, nas escolas, nas faculdades, porque este é o caminho que poderá contribuir para a redução da pobreza, a elevação do IDH em nossas regiões paradoxais e levar o Brasil para uma economia do conhecimento, condição que tem sido evitada pelas elites dominantes, sobretudo as elites dinásticas e patrimonialistas nos ambientes econômico, político, cultural e educacional.  

As empresas, os empreendedores que estão efetivamente visionando o futuro, devem investir mais no desenvolvimento humano de seus colaboradores e menos em treinamento ou, se desejar manter seus programas de treinamentos que não descuidem do desenvolvimento de sistemas humanos. Procuro incentivar os profissionais, estudantes, empresários para se tornarem empreendedores e com uma dedicação mais específica para estes estou editando o livro “Além de Empresário Seja Empreendedor” já no prelo e que será lançado no segundo semestre deste ano. 

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[i] FILION, L. J. Visões e Relações: Elementos de um Metamodelo de Empreendedor. São Paulo: REA, Nov/Dez, 33(6) 50:61, 1993.

Obsoletismo Humano (III)

Postado por jomosil em 12.04.2009

Nesta última parte, concluindo as idéias críticas sobre a situação do desenvolvimento humano para o país, reafirmo pelo menos três fatores que tenho observado como geradores do obsoletismo que aqui discuto. Passemos ao artigo. 

Três fatores (pelo menos) podem ser considerados críticos para a situação que o país vem enfrentando, desde há muito tempo, desde o início da república. O primeiro é a sub-administração, o segundo a sub-política ou sub-governança e o terceiro é a sub-educação, este último podendo ser uma das raízes que geraram a organização que veio a ser denominada de país Brasil.

A economia seria um fator se não fosse apenas o resultado operacional destes três; se fosse um fator de contribuição para que não pudéssemos alcançar o desenvolvimento sustentável. Mas o fator econômico não é o negativo neste processo de desenvolvimento. Neste caso, o Brasil é um país economicamente rico; mas, sub-administrado, sub-politizado ou sub-governado e sub-educado não conseguirá chegar a nenhum lugar, por melhores que sejam os projetos, mesmo que haja ventos positivos, porque só nos preparamos para a corrupção.  

Embora seja otimista em relação à Educação como fator de transformação e desenvolvimento de Sistemas Humanos, sou um tanto cético quanto ao (atual) projeto “Todos pela Educação”, em especial quando vejo os resultados das provas do IDEB, do ENEM e do ENADE e outros testes e exames feitos por nossos estudantes, nos quais são ou reprovados ou têm conceito insuficiente. Junte-se a estes números o uso da máquina pública pelos empresários e lobistas que, cada vez mais, se fortalecem com a “limpeza” dos cofres através dos poderosos incrustados nos palácios governamentais e nas assembléias, secretarias, fóruns e ministérios do país.  

Parece que me torno repetitivo e, às vezes, sinto que estou andando em círculo quando fico tratando deste assunto aqui. Mas uma coisa realmente acontece com a população brasileira como resultado do mau uso destes três fatores assinalados aqui: as pessoas estão cada vez mais se tornando obsoletas e parecem satisfeita (em parte) com os programas do tipo “Pão e Celular” que os políticos descobriram ser mais eficientes que os programas “Pão e Circo” da onda maquiavélica.

Afinal, estamos no século 21, iniciando a Era do Conhecimento, e quase não precisamos mais de Maquiavel quando temos nossos Marcola, Beira-mar, e outros líderes que sabem usar as tecnologias disponíveis para promover planejamentos e vídeo-conferência com seus comandados de dentro da prisão-hotel e, assim, realizar de forma bastante concreta a caminhada para o Obsoletismo Humano.  

Por que, então, gastar dinheiro com educação, com livros, se o povo não sabe usar estes instrumentos e preferem usar outros menos complexos e que exige menos habilidades essenciais para colocar em ação? Projetos educacionais não dão votos, que o diga o último candidato a presidente que, em sua campanha garantiu elevar o IDH do país tomando como ponto crítico a educação. (Uma arma, mesmo tecnicamente sofisticada, é mais fácil de lidar do que um livro por mais simples que seja o seu conteúdo. A arma requer APENAS treinamento, instrução que se consegue realizar em algumas horas ou alguns dias, enquanto o livro requer EDUCAÇÃO e aprendizagem que só se consegue realizar em quinze, vinte ou mais anos de trabalho intensivo. Nesta questão o Marcola ganha de folga para os administradores públicos do país).  

O que se vê, então, é usar todo o dinheiro que se destina a instrumentalização do Processo Educacional Brasileiro em benefício próprio, enviando-o para os paraísos fiscais, através de projetos bem mais maldosos que os dos traficantes.  

Para mim não existe diferença entre lavar dinheiro, sobrefaturar obras, extrair nota fiscal fria, fazer lobby para construção civil e outros projetos sociais, econômicos, tecnológicos ou montar bingos, ONGs e empresas fantasmas, e o “trabalho” que os líderes do tráfico realiza na guerra civil que assola o país. Políticos e traficantes, boleiros e lobbistas todos estão no mesmo pé de igualdade quando se trata de promover o Obsoletismo Humano no país (salvo raríssimas exceções entre os políticos). 

Concluo usando uma frase muito bem elaborada por Proudhon: “Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados”[i]. Precisamos de uma Nova Educação e de uma Nova Esperança.

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[i] PROUDHON, P-J. A Nova Sociedade. Porto: Edição Rés, s.d.

Obsoletismo Humano (II)

Postado por jomosil em 04.04.2009

Continuando com o artigo concluo nesta segunda parte as reflexões sobre a (suposta) entrevista do “Sr. Marcola” e prossigo colocando minhas idéias sobre o que conceituo como Obsoletismo Humano: 

Como Marcola, nós também lemos, estudamos e usamos como referência bibliográfica em nossos trabalhos sobre estratégia e prospectiva textos como o de Carl von Clausewitz e, mesmo assim, não conseguimos formar cidadãos proativos, que não fogem da incerteza, que não se distanciam do poder, que têm coragem de ousar e ser criativos, porque ser criativo requer que sejamos anarquistas, visto que só pode criar alguma coisa quando se está livre e/ou na ilegalidade e isto o Marcola sabe fazer muito bem. Apenas a diferença entre o meu ser criativo e o ser criativo do Marcola está na qualidade do bem criado e a sua destinação coletiva.

Aqui desejamos desenvolver pessoas para um futuro positivo; lá eles desejam criar pessoas para um presente destrutivo e negativo. Mas, vale esta citação do Clausewitz, para este momento: Quando o discernimento é claro e profundo o resultado não pode ser outra coisa que não princípios gerais e vistas de ação de um alto nível; é nestes princípios que está ancorada a opinião em cada caso particular imediatamente considerado. (…) Nestes casos, muitas vezes, nada mais nos pode ajudar senão uma máxima imperativa, independente de raciocínio, e que logo o controla: a máxima é, em todos os casos duvidosos, deve aderir-se à primeira opinião, e não desistir dela até que a isso sejamos forçados por uma convicção clara. Portanto, seja ou não verdadeira a reportagem (uma vez que não tive acesso ao original de O Globo) fico com a máxima de Clausewitz[i].

 Entre as reflexões que podemos destacar relativa a essas e outras questões estão aquelas concernentes à educação que, para mim, é um dos pontos cruciais do obsoletismo humano nacional. Nesta segunda parte o artigo procurou focalizar este tópico. Vejamos então: 

Falar sobre educação tecendo críticas às metodologias pedagógicas atuais é correr o risco de ser tachado de obsoleto ou desvairado ou mesmo de desfocalizado porque se trata de um assunto perigoso quando se está vivendo em uma sociedade minimamente democrática.

Mas, ainda existem pensadores corajosos que insistem em tratar deste assunto a despeito do descaso daqueles que se locupletam com os recursos públicos sem ser necessário desenvolver qualquer tipo de produto intelectual, seja escrever artigos, livros, desenvolver projetos de pesquisa e outras (bobagens) que nós, professores, pesquisadores e pensadores, fazemos no nosso labor universitário ou mesmo escolar, e da pobre maioria que desconhece o que seja educação pelo simples fato de que fora excluída dela ou de forma proposital por aqueles que estão passeando pelos poderes a séculos e fazendo uso da riqueza da nação em benefício próprio ou para seus descendentes, ou por mero desconhecimento como algo deveras importante para as suas vidas. Sabemos que somos minoria, mas não vamos desistir de pensar no futuro a partir de uma idéia de educação no presente. Em particular, faço isto por atitude e determinação.

 Tenho lido muitos artigos que tratam do descalabro da educação nacional, para usar aqui uma expressão do saudoso Darcy Ribeiro, em especial quando estão apreciando os resultados de testes, provas e avaliações divulgados nos últimos meses sobre o desempenho de estudantes brasileiros e dos seus cursos. Tenho sido otimista em relação à Educação e, por isso, não paro de discutir este tema e aborda-lo nos Blog, nos artigos que faço, nas discussões em sala de aula, e muito discuto nas reuniões com colegas. É bem perceptível que existe uma preocupação de alguns grupos de pensadores neste país com a Educação, mas apenas preocupar-se não é suficiente porque este é um tema mais do que falado e discutido nos discursos políticos, em especial nas épocas de eleições. Tivemos até um candidato a presidente que tinha como principal lema de campanha a Educação. Ao lado da preocupação vamos encontrar os projetos elaborados pelos governos voltados para promover a Educação e, como sempre, não passam de projetos encadernados para atender a alguma campanha publicitária de marketing político no sentido de angariar simpatizantes ou manter os que já assumiram este papel. Neste rol de projetos surge, agora, mais um, o projeto “Todos pela Educação”, para o qual estão sendo destinados bilhões de reais, os quais, provavelmente, nunca chegarão a ser aplicados efetivamente em educação, como já é comum neste país se considerarmos que a referência administrativa pública que temos é de usurpação dos recursos públicos para benefícios pessoais.  Vem à mente, então, as seguintes perguntas: por que se gasta tanto dinheiro com educação no Brasil e o país continua sub-educado, com o analfabetismo se disseminando através de outras modalidades que não apenas a de saber ler e escrever? Por que o jovem brasileiro não gosta de estudar, de ir à escola, de ler e, no Brasil, se lê menos que na Argentina e no Chile que têm populações muito menores que a nossa? Quais os pontos fracos do Processo Educacional Brasileiro (PEB)? Será que se falha apenas por falta de qualidade ou será que não se está usando efetivamente ferramentas de qualidade que sejam adequadas para um processo que já amarga uma doença de improdutividade e insuficiência intelectual há dezenas e dezenas de anos? Por que países como Coréia do Sul, Irlanda, China e outros fazem projetos educacionais com prazos de 20, 30, 40 anos e conseguem obter resultados positivos ao longo desses anos projetados e nossos projetos e seus resultados são ruins? Não posso ser pessimista com a Educação quando vejo resultados como o da Irlanda (conforme foi mostrado no programa “Mundo S.A.” que a rede Globo leva ao ar às terças-feiras às 06h45min da manhã) que conseguiu se transformar em uma realidade educacional e econômica em quarenta anos graças a investimentos em educação. 

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[i] CLAUSEWITZ, C von. Da Guerra. Lisboa: Publicações Europa-América, s.d.

Obsoletismo Humano (I)

Postado por jomosil em 27.03.2009

Depois de discutir, no artigo anterior, as leituras que realizei sobre a Universidade da Singularidade, fiz um retiro mental (mais um além daquele que realizei nos meses de dezembro e janeiro) procurando digerir uma grande quantidade de interrogações, sobretudo retratando dúvidas em relação ao Brasil e ao desenvolvimento do Conhecimento e da Ciência em nosso território. Estava, e ainda estou, sentado na ante-sala do Conhecimento procurando compreender e interpretar a crise brasileira,  a qual se distingue da crise mundial, embora receba dessa grandes impactos tectônicos.

Fazendo uma busca nos artigos que publiquei e que preparei para publicar nos Blogs, encontrei um que gostaria de repetir, em especial para os estudantes que estão chegando agora às universidades e faculdades (os calouros) e o faço nestes Diálogos em virtude do seu conteúdo focalizar o futuro. Trata-se do artigo Obsoletismo Humano, que vou dividir em três partes e inserir alguns pontos que possam melhorar o contexto. O artigo envolve uma crítica à educação brasileira, ao modelo pedagógico que insistimos em preservar como uma vaca sagrada e representa um dos mais resistentes paradigmas que insistimos em não mudar, ainda.

 Eis o  artigo, escrito em junho de 2007, em sua primeira parte: 

Continuo me perguntando aonde chegaremos no futuro se não conseguimos nem mesmo construir um presente digno de um ser humano para viver dentro da natureza. O presente do futuro no Brasil parece apresentar um quadro humano frágil, improdutivo, ingênuo, imaturo (como um velho de 500 anos com a mente de 10 anos ou menos), pessimista, improdutivo, sem criatividade, desinteressado, sem objetivo claro ou bem definido, sem visão crítica do futuro, preocupado em obter as coisas de forma fácil não importa por qual meio: como pedinte, como corrupto, como trambiqueiro ou outros meios “criados” para este fim… é um quadro feio e pode-se dizer um tanto aterrador para se definir um país.

Mas, mesmo com todos estes pontos negativos que atrasam nossa realização como povo, como nação, muita coisa boa pode ser filtrada dessa lama, desse quadro que se assemelha ao Inferno de Dante. E aqui chego a um ponto que me chamou, ainda mais, a atenção. Trata-se de uma mensagem em pps que recebi já faz alguns dias que tinha como título: Estamos no Inferno e cujo conteúdo tratava de uma (talvez suposta) entrevista que o “Sr. Marcola” concedeu ao jornal O Globo.

Nessa entrevista, entre outras coisas, o citado entrevistado revela um grau de discernimento sobre as coisas do mundo e do seu entorno de dar inveja a muitos universitários de hoje (e de ontem também). Ele se diz um grande leitor e, inclusive, que já leu mais livros do que algumas das pessoas que estão nos poderes em vários níveis ou escalões de mando segundo informações de outras reportagens.

Sem pretender jogar lenha na fogueira vou colocar aqui para que façamos algumas reflexões, sem qualquer conotação política partidária, mas apenas no sentido daquilo que venho discutindo com meus amigos sobre o Desenvolvimento e Amadurecimento dos Sistemas Humanos (DASH) em minhas aulas, meus trabalhos de consultorias, meus artigos e papers, as seguintes citações da referida entrevista.

Em uma das falas do “Sr. Marcola” ao reporte, a qual mais me chamou a atenção, ele dizia o seguinte: Estamos diante de uma “Pós-Miséria”. Isso. A “Pós-Miséria” gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma “mutação da Espécie Social”, são fungos de um grande erro sujo.

E mais adiante, quando o reporte pergunta: “Mas, o que devemos fazer?”, ele responde com cinismo, ironia e uma ênfase de poder: Vou dar um toque, mesmo contra mim. Tem deputado, senador, tem generais, tem até um ex-presidente do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas, quem vai fazer isto? O Exército? Com que grana? Eles não têm dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado! Sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano e o LULA ainda aumenta os gastos públicos “empregando 40 mil picaretas”. Você acha que o Exército vai lutar contra o P.C.C. ou o C.V.? Estou lendo “Clausewitz”, “sobre a guerra”…”.

Ficam, então, algumas questões para que nós, os que lidamos com a educação, desenvolvamos algumas reflexões voltadas para o futuro: Quanto nós contribuímos ou estamos contribuindo para reduzir ou, mesmo, evitar o obsoletismo humano? Por acaso os Marcolas da vida são ou não são frutos de nossa obsoleta metodologia de educação e, também, do obsoletismo de nossas instituições o qual é defendido com unhas e dentes pelos doutores das leis, da justiça, da política e da polícia? Como promover o Amadurecimento dos Sistemas Humanos, tão importante para que possamos dar um salto para o futuro em qualidade de produtos, em criatividade, em inovação, em conhecimento, em saúde, em conservação e sustentabilidade do meio ambiente, quando estamos o tempo todo sendo minimizados diante das grandes mediocridades que fazem manchetes nas mídias como a absurda diferença entre o maior salário pago aos políticos (excluo aqui os executivos das multinacionais e até das nacionais porque eles, pelo menos, estão suando a cabeça e a camisa para trazer ou fazer divisas para o país) e o menor salário pago a uma empregada doméstica?

Isto para não falar que mesmo no caso de professores ainda fica um grande hiato entre o salário deles e os dos senhores políticos da capital de Pindorama. Assim fica difícil contribuir para a redução do obsoletismo humano de que já tratei em outra mensagem [Educação, Economia e Administração: Fatores para o Desenvolvimento de Pessoas, abril-junho de 2007 que penso seria interessante reprisar aqui].

Continuarei com o artigo.

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Idéias Boas, Idéias Úteis

Postado por jomosil em 27.02.2009

“Para desembarcar en la isla de la sabiduría hay que navegar en un océano de aflicciones.”

Sócrates

Estamos recomeçando as atividades docentes e acadêmicas. Estamos sob a influência de mais um Efeito Jano que vem sendo traduzido por muitos estudiosos (e também pelos curiosos leitores) como crise. Mas, aqui estamos interessados no Futuro através do que uma minoria de pensadores de nível 1[i] fez no passado ou mesmo na contemporaneidade criando idéias boas e úteis.

Nesse intervalo do meu Inverno[ii] estive lendo muito: livros, artigos, mensagens de e-mail, etc. e preparando meu lado direito do cérebro para realizar reflexões que possam ser mais do que boas idéias e possam se tornar, também, em idéias úteis para todos.

Como o espaço deve ser respeitado não será possível falar de tudo ao mesmo tempo e, por isso, escolhi para começar um site interessante por estar coerente com o escopo deste Blog e convido o internauta a fazer uma visita. Trata-se da página da Singularity University (http://singularityu.org/). O nome desta universidade me chamou a atenção; visitei o seu site e cliquei no FAQ para investigar as razões que levaram os criadores a darem um nome singelo (?) a uma universidade: Universidade da Singularidade (Singularity University).

Em resumo esta universidade está voltada para o futuro. Ela lida com conhecimentos que irão impactar a sociedade humana daqui a algumas dezenas de ano, muito embora já se estejam sinalizando hoje algumas dessas transformações pela rapidez com que se desenvolvem as tecnologias. Vejamos num único período a que se propõe (como missão) a SU:

 Singularity University derives its name from Dr. Ray Kurzweil’s book “The Singularity is Near.” The term Singularity refers to a theoretical future point of unprecedented advancement caused by the accelerating development of various technologies including biotechnology, nanotechnology, artificial intelligence, robotics and genetics.  

Em tradução livre tem-se que a:

Universidade da Singularidade deriva seu nome do livro do Dr. Ray Kurzweil “A Singularidade está Próxima”. O termo Singularidade recorre a um ponto futuro teórico de avanço sem precedente causado pelo desenvolvimento acelerando de várias tecnologias incluindo biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial, robótica e genéticas.

Tenho acompanhado o trabalho do Dr. Kurzweil através de Newsletter que recebo regularmente de sua página (http://www.kurzweilai.net/index.html?flash=1) e percebo sua preocupação com o avanço das tecnologias inteligentes (aquelas relacionadas com equipamentos – computadores auto-programáveis, robôs, etc. – e com a vida do ser humano no planeta), as quais estão, segundo suas pesquisas, superando em conhecimento o próprio Homem. O nome da SU foi baseado no livro do Dr. Kurzweil e a expressão

  A “Singularidade” (ou “Singularidade tecnológica”) é uma frase cunhada em 1993 através do writer/computer e cientista Vernor Vinge que tomou emprestado da astrofísica segundo a qual uma “singularidade” é o centro extremo-comprimido de um buraco negro onde as condições de nosso universo normal já não se aplicam. Vinge escolheu este termo por causa das incertezas projetadas como sendo o resultado do crescimento exponencial de uma gama de tecnologias poderosas. (Tradução livre).[iii] 

A SU foi criada com “O apoio do Google e da Nasa demonstra a crescente aceitação dos pontos de vista de Kurzweil entre as correntes científicas predominantes. Kurzweil afirma que antes da metade deste século, a inteligência artificial vai superar os seres humanos, lançando a civilização em uma nova era. A Singularity University vai funcionar no Ames Research Center da Nasa, que fica bem perto da Googleplex, a sede da Google. Ela vai oferecer cursos de biotecnologia, nanotecnologia e inteligência artificial”.[iv]  

O que tudo isto tem a ver com Administração? E com Crises, Turbulências e Transformações Socioeconômicas (como mudanças de Paradigmas)? Aqui vão dois sites para leitura e baixar artigos e notícias sobre tecnologias, inovações, etc.:

a) http://www.tendencias21.net/ (em espanhol)

b) http://www.inovacaotecnologica.com.br/ (em português) Assim, começamos nosso Diálogos Para o Futuro falando do próprio futuro. Veremos mais. 

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[i] Aqui estou me referindo ao Método 1-2-3-4 (um dos produtos SHENG) que desenvolvi para estudar o comportamento criativo e empreendedorial de estudantes, colaboradores e empresários.

[ii] Aqui utilizo as idéias de Diane Dreher em O Tao da Liderança Pessoal, Ediouro, 1998.

[iii] Cf. o Site: http://singularityu.org/.

[iv] Cf. o Site: http://www.revistadigital.com.br/ideias_numeros.asp?CodMateria=4530#. Visita em: 25/02/2009 

O Efeito Jano (II)

Postado por jomosil em 30.12.2008

Jano (em latim Janus) foi um deus romano que deu origem ao nome do mês de Janeiro. Era o porteiro celestial, sendo representado com duas cabeças, representando os términos e os começos, o passado e o futuro. De fato, era o responsável por abrir as portas para o ano que se iniciava, e toda porta se volta para dois lados diferentes. (Wikipédia) 

Alguns escritores e artistas descrevem Jano como tendo duas cabeças, outros como possuindo duas faces. Prefiro considerá-lo como possuindo duas faces para assim poder caracterizar o homem como um ser bifronte, usando aqui o que expressa Arthur Koestler[i] em seu livro O Fantasma da Máquina. 

A idéia que me ocorreu, quando procurei simplificar a discussão sobre os perfis empreendedoriais para os estudantes, foi criar uma metáfora que identificasse um sistema orientado para diagnosticar situações criticas em ambientes organizacionais, focalizando o Empreendedor (Empresário) e a empresa (o negócio) no sentido das decisões tomadas.  

Como a metáfora estava relacionada com o tempo transcorrido e não o tempo do cronometrado, a figura de Jano atendeu bem ao que me propus realizar para o estudo da Administração Estratégica e da Prospectiva, bem como para a construção de um sistema de apoio à decisão. Isto resultou na Matriz que denominei de Efeito Jano. 

Estudar o Efeito Jano no ambiente negocial estratégico SHENG é uma atividade importante para identificar as situações críticas relacionadas com o comportamento negocial (empresa) e pessoal (empreendedor).  

A figura de Jano – com uma face voltada para o Passado e outra voltada para o Futuro – é bem incisiva para mostrar aos estudantes (e aos empresários) os sentidos de Retroatividade e de Proatividade com os quais se procura a orientação para o sucesso dos negócios.  

No primeiro sentido podemos identificar uma visão de negócio voltada para a sobrevivência e no segundo sentido outra voltada para a prosperidade.  Estas situações não são bipolares, mas bifrontais, ou seja, em estratégia não buscamos a polarização dos fenômenos porque as suas ocorrências sempre se dão por ações diretas e indiferenciadas.  

Em outras palavras, quando se busca soluções não importa aqui a polarização entre A e B, mas o resultado de A e B e qual deles apresenta melhor agregação de valor à organização. Ao se considerar um resultado como insuficiente não se está com isso isolando um polo de discussão, mas separando as variáveis que tenham menor influência no sentido de uma vantagem competitiva. 

Quando utilizo as ferramentas que caracterizam o Efeito Jano uma das variáveis importantes que se salientam diante dos problemas empresariais é o Tempo em sua dimensão dinâmica Não o tempo cronometrado (relógio), mas o tempo realizado (História) em termos de eficiência e eficácia a partir do momento Presente. 

Como salientei na parte I, problema e futuro andam de mãos dadas porque não existe problema no passado. Contudo as soluções que foram encontradas (e classificadas como Melhores Práticas) e que já são passado, tendem a entusiasmar as pessoas no momento de tomar decisões para o futuro, o que nem sempre é bom, pois o que se deve fazer não é simplesmente adotar as velhas soluções boas como boas soluções novas porque só se obterá resposta das decisões no futuro e, nesse momento, já não há mais tempo para correções ou redirecionamento de rumos. E mesmo que se tente isto será muito dispendioso o que resulta em perdas ou custos doentes (investimento sem retorno) como afirmo para os estudantes e empresários. 

A experiência, a boa solução de ontem, representam uma espécie de espelho retrovisor que chamo de a face do passado na figura de Jano. Elas nos informam o que aconteceu, todavia não são capazes de nos dizer como acontecerá ou se acontecerá de novo. E mesmo que o resultado bom de ontem se repita hoje pode não agregar valor em termos de qualidade e quantidade globais de que necessita uma empresa, agora, para ser competitiva, nem garantir a prosperidade de um negócio, senão apenas a sua sobrevivência.  

Se esta boa solução é suficiente, então o empresário não deve mexer no seu futuro e arcar com a permanência involutiva de seu negócio, e ser reativo. Se isto não é suficiente, então o empresário deverá abandonar as soluções de ontem e ser proativo, não ter medo da incerteza e assumir riscos programados e isto é Administrar com Estratégia. É Prospectiva.É ir Além das Montanhas. 

Para finalizar este tema recorro a uma citação de Nietzsche: Aquele que não sabe repousar no limiar do momento, esquecendo todo o passado, aquele que não sabe se soerguer, como o gênio da vitória, sem vertigens e sem temor, nunca vai saber o que é a felicidade e, o que é pior, nunca vai fazer algo que possa tornar felizes os outros.[ii] 

Encerro um ano de bons trabalhos e bons textos lidos e relidos com os quais procurei dialogar no sentido de buscar o futuro hoje. O passado já ocorreu; nada mais podemos fazer pela história, senão esquece-la; o presente está ocorrendo o que nos anima a fazer uma nova história quando o futuro assim chegar. Ver-nos-emos em 2009.

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[i] KOESTLER, A. O Fantasma da Máquina. São Paulo: Melhoramentos, 1965.[ii] NIETZSCHE, F. Da Utilidade e do Inconveniente da História para a Vida. São Paulo: Escala, 2008.


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