Por que os empreendimentos inovadores nascem de uma Visão do Empreendedor e não da Missão?

Postado por jomosil em 15.06.2009

 Um diálogo com Dalmir Sant’Anna

                                         Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados. Proudhon

Tenho recebido e lido regularmente mensagem com o boletim do Jornal Virtual do site Profissão Mestre (Gestão Educacional) o qual sempre traz artigos interessantes que podem ajudar os docentes em suas atividades ou, pelo menos, mantê-los atualizados sobre informações para a educação. O último JV traz um artigo de Dalmir Sant’Anna no qual ele fala sobre empreendedorismo e resolvi marcar um Diálogo com esse autor envolvendo este tema que me é muito familiar e faz parte de meu trabalho diário junto aos cursos de Administração e Sistemas de Informação, além de estar presente em muitos artigos que tenho escrito.

 Após a leitura, fiz uma visita ao site do autor (www.dalmir.com.br), no qual li um artigo seu que tem como título “Todo empreendedor tem uma missão”. No outro artigo (“Empreendedorismo pode ser um diferencial nas atitudes diárias?”), que recebi por E-mail do site Gestão Educacional, disponibilizado pela dedicada Priscila Conte, Dalmir apresenta sua posição sobre o papel do empreendedor, seu desempenho e sua capacidade de focalizar oportunidades em seu entorno, o que está de acordo com conceitos que tenho pesquisado de várias linhas acadêmicas sobre Empreendedorismo. 

Contudo, no que se refere ao artigo publicado em sua página não concordo com a idéia de Dalmir quando ele faz uma ligeira confusão entre Missão e Visão Empreendedorial. O conteúdo do artigo está coerente com o que Filion, entre outros gurus do Empreendedorismo, denomina como visão. Vejamos, então, a partir da questão inicial elaborada por Dalmir que diz: Você já constatou que todo empreendedor conta com uma missão definida de onde desejar chegar?” (grifo meu) onde se localiza a confusão. Pelo conceito de Filion, o que o Empreendedor define como foco (onde deseja chegar) está contido na sua Visão e não na sua Missão.  

Diz Filion em um de seus artigos que: “Visão é definida como uma projeção: uma imagem projetada no futuro, do lugar que o empreendedor deseja que seu produto venha a ocupar no mercado”[i]. 

No caso do artigo de Dalmir ele enfatiza a Missão como sendo esse lugar no futuro. O conteúdo do artigo está correto em algumas partes excetuando os pontos que confundem missão com visão (considerando os respectivos conceitos). É certo que para construir uma Missão o empreendedor deve partir de um sonho. Mas o sonho sem visão não vale nada, daí que a Missão sem a Visão também não chegará a se concretizar como o propósito maior de um empreendimento. O empreendedor é antes de tudo um visionário e não um missionário porque a missão é conseqüência de uma visão bem formulada. 

O que estou argumentando aqui com este texto não é uma mera crítica ao artigo de Dalmir, mas uma tentativa de completá-lo em alguns detalhes que evitem confundir o leitor, sobretudo no caso de estudantes de Administração com os quais trabalho e que podem ler esse e outros autores que dissertam sobre o tema Empreendedorismo, que tem sido bastante divulgado nos últimos anos e para o qual têm surgindo muitos interpretes, muitos escritores e pesquisadores dentro da academia, e assim ficar desnorteados ao comparar o que se discute. 

Trabalho com este tema desde os anos 90 do século passado e já pesquisei muitos e variados textos sobre o assunto como base para completar minhas atividades docentes nos cursos superiores com os quais lido (Administração, Química, Sistemas de Informação), além de pesquisa e estudos que realizei para elaborar minha dissertação de Mestrado, e muito já escrevi e falei em palestras sobre ele. Por isso não poderia me furtar a tratar desta questão após a leitura do trabalho de Dalmir, bem como congratular-me com ele por ser mais um estudioso interessado e preocupado com o desenvolvimento de empreendedores. 

Como saliento em artigos disponibilizados no Blog: http://jovinodash.blogspot.com temos como um grande desafio promover o desenvolvimento de pessoas nas empresas, nas escolas, nas faculdades, porque este é o caminho que poderá contribuir para a redução da pobreza, a elevação do IDH em nossas regiões paradoxais e levar o Brasil para uma economia do conhecimento, condição que tem sido evitada pelas elites dominantes, sobretudo as elites dinásticas e patrimonialistas nos ambientes econômico, político, cultural e educacional.  

As empresas, os empreendedores que estão efetivamente visionando o futuro, devem investir mais no desenvolvimento humano de seus colaboradores e menos em treinamento ou, se desejar manter seus programas de treinamentos que não descuidem do desenvolvimento de sistemas humanos. Procuro incentivar os profissionais, estudantes, empresários para se tornarem empreendedores e com uma dedicação mais específica para estes estou editando o livro “Além de Empresário Seja Empreendedor” já no prelo e que será lançado no segundo semestre deste ano. 

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[i] FILION, L. J. Visões e Relações: Elementos de um Metamodelo de Empreendedor. São Paulo: REA, Nov/Dez, 33(6) 50:61, 1993.

Obsoletismo Humano (III)

Postado por jomosil em 12.04.2009

Nesta última parte, concluindo as idéias críticas sobre a situação do desenvolvimento humano para o país, reafirmo pelo menos três fatores que tenho observado como geradores do obsoletismo que aqui discuto. Passemos ao artigo. 

Três fatores (pelo menos) podem ser considerados críticos para a situação que o país vem enfrentando, desde há muito tempo, desde o início da república. O primeiro é a sub-administração, o segundo a sub-política ou sub-governança e o terceiro é a sub-educação, este último podendo ser uma das raízes que geraram a organização que veio a ser denominada de país Brasil.

A economia seria um fator se não fosse apenas o resultado operacional destes três; se fosse um fator de contribuição para que não pudéssemos alcançar o desenvolvimento sustentável. Mas o fator econômico não é o negativo neste processo de desenvolvimento. Neste caso, o Brasil é um país economicamente rico; mas, sub-administrado, sub-politizado ou sub-governado e sub-educado não conseguirá chegar a nenhum lugar, por melhores que sejam os projetos, mesmo que haja ventos positivos, porque só nos preparamos para a corrupção.  

Embora seja otimista em relação à Educação como fator de transformação e desenvolvimento de Sistemas Humanos, sou um tanto cético quanto ao (atual) projeto “Todos pela Educação”, em especial quando vejo os resultados das provas do IDEB, do ENEM e do ENADE e outros testes e exames feitos por nossos estudantes, nos quais são ou reprovados ou têm conceito insuficiente. Junte-se a estes números o uso da máquina pública pelos empresários e lobistas que, cada vez mais, se fortalecem com a “limpeza” dos cofres através dos poderosos incrustados nos palácios governamentais e nas assembléias, secretarias, fóruns e ministérios do país.  

Parece que me torno repetitivo e, às vezes, sinto que estou andando em círculo quando fico tratando deste assunto aqui. Mas uma coisa realmente acontece com a população brasileira como resultado do mau uso destes três fatores assinalados aqui: as pessoas estão cada vez mais se tornando obsoletas e parecem satisfeita (em parte) com os programas do tipo “Pão e Celular” que os políticos descobriram ser mais eficientes que os programas “Pão e Circo” da onda maquiavélica.

Afinal, estamos no século 21, iniciando a Era do Conhecimento, e quase não precisamos mais de Maquiavel quando temos nossos Marcola, Beira-mar, e outros líderes que sabem usar as tecnologias disponíveis para promover planejamentos e vídeo-conferência com seus comandados de dentro da prisão-hotel e, assim, realizar de forma bastante concreta a caminhada para o Obsoletismo Humano.  

Por que, então, gastar dinheiro com educação, com livros, se o povo não sabe usar estes instrumentos e preferem usar outros menos complexos e que exige menos habilidades essenciais para colocar em ação? Projetos educacionais não dão votos, que o diga o último candidato a presidente que, em sua campanha garantiu elevar o IDH do país tomando como ponto crítico a educação. (Uma arma, mesmo tecnicamente sofisticada, é mais fácil de lidar do que um livro por mais simples que seja o seu conteúdo. A arma requer APENAS treinamento, instrução que se consegue realizar em algumas horas ou alguns dias, enquanto o livro requer EDUCAÇÃO e aprendizagem que só se consegue realizar em quinze, vinte ou mais anos de trabalho intensivo. Nesta questão o Marcola ganha de folga para os administradores públicos do país).  

O que se vê, então, é usar todo o dinheiro que se destina a instrumentalização do Processo Educacional Brasileiro em benefício próprio, enviando-o para os paraísos fiscais, através de projetos bem mais maldosos que os dos traficantes.  

Para mim não existe diferença entre lavar dinheiro, sobrefaturar obras, extrair nota fiscal fria, fazer lobby para construção civil e outros projetos sociais, econômicos, tecnológicos ou montar bingos, ONGs e empresas fantasmas, e o “trabalho” que os líderes do tráfico realiza na guerra civil que assola o país. Políticos e traficantes, boleiros e lobbistas todos estão no mesmo pé de igualdade quando se trata de promover o Obsoletismo Humano no país (salvo raríssimas exceções entre os políticos). 

Concluo usando uma frase muito bem elaborada por Proudhon: “Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados”[i]. Precisamos de uma Nova Educação e de uma Nova Esperança.

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[i] PROUDHON, P-J. A Nova Sociedade. Porto: Edição Rés, s.d.

Obsoletismo Humano (II)

Postado por jomosil em 04.04.2009

Continuando com o artigo concluo nesta segunda parte as reflexões sobre a (suposta) entrevista do “Sr. Marcola” e prossigo colocando minhas idéias sobre o que conceituo como Obsoletismo Humano: 

Como Marcola, nós também lemos, estudamos e usamos como referência bibliográfica em nossos trabalhos sobre estratégia e prospectiva textos como o de Carl von Clausewitz e, mesmo assim, não conseguimos formar cidadãos proativos, que não fogem da incerteza, que não se distanciam do poder, que têm coragem de ousar e ser criativos, porque ser criativo requer que sejamos anarquistas, visto que só pode criar alguma coisa quando se está livre e/ou na ilegalidade e isto o Marcola sabe fazer muito bem. Apenas a diferença entre o meu ser criativo e o ser criativo do Marcola está na qualidade do bem criado e a sua destinação coletiva.

Aqui desejamos desenvolver pessoas para um futuro positivo; lá eles desejam criar pessoas para um presente destrutivo e negativo. Mas, vale esta citação do Clausewitz, para este momento: Quando o discernimento é claro e profundo o resultado não pode ser outra coisa que não princípios gerais e vistas de ação de um alto nível; é nestes princípios que está ancorada a opinião em cada caso particular imediatamente considerado. (…) Nestes casos, muitas vezes, nada mais nos pode ajudar senão uma máxima imperativa, independente de raciocínio, e que logo o controla: a máxima é, em todos os casos duvidosos, deve aderir-se à primeira opinião, e não desistir dela até que a isso sejamos forçados por uma convicção clara. Portanto, seja ou não verdadeira a reportagem (uma vez que não tive acesso ao original de O Globo) fico com a máxima de Clausewitz[i].

 Entre as reflexões que podemos destacar relativa a essas e outras questões estão aquelas concernentes à educação que, para mim, é um dos pontos cruciais do obsoletismo humano nacional. Nesta segunda parte o artigo procurou focalizar este tópico. Vejamos então: 

Falar sobre educação tecendo críticas às metodologias pedagógicas atuais é correr o risco de ser tachado de obsoleto ou desvairado ou mesmo de desfocalizado porque se trata de um assunto perigoso quando se está vivendo em uma sociedade minimamente democrática.

Mas, ainda existem pensadores corajosos que insistem em tratar deste assunto a despeito do descaso daqueles que se locupletam com os recursos públicos sem ser necessário desenvolver qualquer tipo de produto intelectual, seja escrever artigos, livros, desenvolver projetos de pesquisa e outras (bobagens) que nós, professores, pesquisadores e pensadores, fazemos no nosso labor universitário ou mesmo escolar, e da pobre maioria que desconhece o que seja educação pelo simples fato de que fora excluída dela ou de forma proposital por aqueles que estão passeando pelos poderes a séculos e fazendo uso da riqueza da nação em benefício próprio ou para seus descendentes, ou por mero desconhecimento como algo deveras importante para as suas vidas. Sabemos que somos minoria, mas não vamos desistir de pensar no futuro a partir de uma idéia de educação no presente. Em particular, faço isto por atitude e determinação.

 Tenho lido muitos artigos que tratam do descalabro da educação nacional, para usar aqui uma expressão do saudoso Darcy Ribeiro, em especial quando estão apreciando os resultados de testes, provas e avaliações divulgados nos últimos meses sobre o desempenho de estudantes brasileiros e dos seus cursos. Tenho sido otimista em relação à Educação e, por isso, não paro de discutir este tema e aborda-lo nos Blog, nos artigos que faço, nas discussões em sala de aula, e muito discuto nas reuniões com colegas. É bem perceptível que existe uma preocupação de alguns grupos de pensadores neste país com a Educação, mas apenas preocupar-se não é suficiente porque este é um tema mais do que falado e discutido nos discursos políticos, em especial nas épocas de eleições. Tivemos até um candidato a presidente que tinha como principal lema de campanha a Educação. Ao lado da preocupação vamos encontrar os projetos elaborados pelos governos voltados para promover a Educação e, como sempre, não passam de projetos encadernados para atender a alguma campanha publicitária de marketing político no sentido de angariar simpatizantes ou manter os que já assumiram este papel. Neste rol de projetos surge, agora, mais um, o projeto “Todos pela Educação”, para o qual estão sendo destinados bilhões de reais, os quais, provavelmente, nunca chegarão a ser aplicados efetivamente em educação, como já é comum neste país se considerarmos que a referência administrativa pública que temos é de usurpação dos recursos públicos para benefícios pessoais.  Vem à mente, então, as seguintes perguntas: por que se gasta tanto dinheiro com educação no Brasil e o país continua sub-educado, com o analfabetismo se disseminando através de outras modalidades que não apenas a de saber ler e escrever? Por que o jovem brasileiro não gosta de estudar, de ir à escola, de ler e, no Brasil, se lê menos que na Argentina e no Chile que têm populações muito menores que a nossa? Quais os pontos fracos do Processo Educacional Brasileiro (PEB)? Será que se falha apenas por falta de qualidade ou será que não se está usando efetivamente ferramentas de qualidade que sejam adequadas para um processo que já amarga uma doença de improdutividade e insuficiência intelectual há dezenas e dezenas de anos? Por que países como Coréia do Sul, Irlanda, China e outros fazem projetos educacionais com prazos de 20, 30, 40 anos e conseguem obter resultados positivos ao longo desses anos projetados e nossos projetos e seus resultados são ruins? Não posso ser pessimista com a Educação quando vejo resultados como o da Irlanda (conforme foi mostrado no programa “Mundo S.A.” que a rede Globo leva ao ar às terças-feiras às 06h45min da manhã) que conseguiu se transformar em uma realidade educacional e econômica em quarenta anos graças a investimentos em educação. 

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[i] CLAUSEWITZ, C von. Da Guerra. Lisboa: Publicações Europa-América, s.d.

Obsoletismo Humano (I)

Postado por jomosil em 27.03.2009

Depois de discutir, no artigo anterior, as leituras que realizei sobre a Universidade da Singularidade, fiz um retiro mental (mais um além daquele que realizei nos meses de dezembro e janeiro) procurando digerir uma grande quantidade de interrogações, sobretudo retratando dúvidas em relação ao Brasil e ao desenvolvimento do Conhecimento e da Ciência em nosso território. Estava, e ainda estou, sentado na ante-sala do Conhecimento procurando compreender e interpretar a crise brasileira,  a qual se distingue da crise mundial, embora receba dessa grandes impactos tectônicos.

Fazendo uma busca nos artigos que publiquei e que preparei para publicar nos Blogs, encontrei um que gostaria de repetir, em especial para os estudantes que estão chegando agora às universidades e faculdades (os calouros) e o faço nestes Diálogos em virtude do seu conteúdo focalizar o futuro. Trata-se do artigo Obsoletismo Humano, que vou dividir em três partes e inserir alguns pontos que possam melhorar o contexto. O artigo envolve uma crítica à educação brasileira, ao modelo pedagógico que insistimos em preservar como uma vaca sagrada e representa um dos mais resistentes paradigmas que insistimos em não mudar, ainda.

 Eis o  artigo, escrito em junho de 2007, em sua primeira parte: 

Continuo me perguntando aonde chegaremos no futuro se não conseguimos nem mesmo construir um presente digno de um ser humano para viver dentro da natureza. O presente do futuro no Brasil parece apresentar um quadro humano frágil, improdutivo, ingênuo, imaturo (como um velho de 500 anos com a mente de 10 anos ou menos), pessimista, improdutivo, sem criatividade, desinteressado, sem objetivo claro ou bem definido, sem visão crítica do futuro, preocupado em obter as coisas de forma fácil não importa por qual meio: como pedinte, como corrupto, como trambiqueiro ou outros meios “criados” para este fim… é um quadro feio e pode-se dizer um tanto aterrador para se definir um país.

Mas, mesmo com todos estes pontos negativos que atrasam nossa realização como povo, como nação, muita coisa boa pode ser filtrada dessa lama, desse quadro que se assemelha ao Inferno de Dante. E aqui chego a um ponto que me chamou, ainda mais, a atenção. Trata-se de uma mensagem em pps que recebi já faz alguns dias que tinha como título: Estamos no Inferno e cujo conteúdo tratava de uma (talvez suposta) entrevista que o “Sr. Marcola” concedeu ao jornal O Globo.

Nessa entrevista, entre outras coisas, o citado entrevistado revela um grau de discernimento sobre as coisas do mundo e do seu entorno de dar inveja a muitos universitários de hoje (e de ontem também). Ele se diz um grande leitor e, inclusive, que já leu mais livros do que algumas das pessoas que estão nos poderes em vários níveis ou escalões de mando segundo informações de outras reportagens.

Sem pretender jogar lenha na fogueira vou colocar aqui para que façamos algumas reflexões, sem qualquer conotação política partidária, mas apenas no sentido daquilo que venho discutindo com meus amigos sobre o Desenvolvimento e Amadurecimento dos Sistemas Humanos (DASH) em minhas aulas, meus trabalhos de consultorias, meus artigos e papers, as seguintes citações da referida entrevista.

Em uma das falas do “Sr. Marcola” ao reporte, a qual mais me chamou a atenção, ele dizia o seguinte: Estamos diante de uma “Pós-Miséria”. Isso. A “Pós-Miséria” gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma “mutação da Espécie Social”, são fungos de um grande erro sujo.

E mais adiante, quando o reporte pergunta: “Mas, o que devemos fazer?”, ele responde com cinismo, ironia e uma ênfase de poder: Vou dar um toque, mesmo contra mim. Tem deputado, senador, tem generais, tem até um ex-presidente do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas, quem vai fazer isto? O Exército? Com que grana? Eles não têm dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado! Sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano e o LULA ainda aumenta os gastos públicos “empregando 40 mil picaretas”. Você acha que o Exército vai lutar contra o P.C.C. ou o C.V.? Estou lendo “Clausewitz”, “sobre a guerra”…”.

Ficam, então, algumas questões para que nós, os que lidamos com a educação, desenvolvamos algumas reflexões voltadas para o futuro: Quanto nós contribuímos ou estamos contribuindo para reduzir ou, mesmo, evitar o obsoletismo humano? Por acaso os Marcolas da vida são ou não são frutos de nossa obsoleta metodologia de educação e, também, do obsoletismo de nossas instituições o qual é defendido com unhas e dentes pelos doutores das leis, da justiça, da política e da polícia? Como promover o Amadurecimento dos Sistemas Humanos, tão importante para que possamos dar um salto para o futuro em qualidade de produtos, em criatividade, em inovação, em conhecimento, em saúde, em conservação e sustentabilidade do meio ambiente, quando estamos o tempo todo sendo minimizados diante das grandes mediocridades que fazem manchetes nas mídias como a absurda diferença entre o maior salário pago aos políticos (excluo aqui os executivos das multinacionais e até das nacionais porque eles, pelo menos, estão suando a cabeça e a camisa para trazer ou fazer divisas para o país) e o menor salário pago a uma empregada doméstica?

Isto para não falar que mesmo no caso de professores ainda fica um grande hiato entre o salário deles e os dos senhores políticos da capital de Pindorama. Assim fica difícil contribuir para a redução do obsoletismo humano de que já tratei em outra mensagem [Educação, Economia e Administração: Fatores para o Desenvolvimento de Pessoas, abril-junho de 2007 que penso seria interessante reprisar aqui].

Continuarei com o artigo.

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Idéias Boas, Idéias Úteis

Postado por jomosil em 27.02.2009

“Para desembarcar en la isla de la sabiduría hay que navegar en un océano de aflicciones.”

Sócrates

Estamos recomeçando as atividades docentes e acadêmicas. Estamos sob a influência de mais um Efeito Jano que vem sendo traduzido por muitos estudiosos (e também pelos curiosos leitores) como crise. Mas, aqui estamos interessados no Futuro através do que uma minoria de pensadores de nível 1[i] fez no passado ou mesmo na contemporaneidade criando idéias boas e úteis.

Nesse intervalo do meu Inverno[ii] estive lendo muito: livros, artigos, mensagens de e-mail, etc. e preparando meu lado direito do cérebro para realizar reflexões que possam ser mais do que boas idéias e possam se tornar, também, em idéias úteis para todos.

Como o espaço deve ser respeitado não será possível falar de tudo ao mesmo tempo e, por isso, escolhi para começar um site interessante por estar coerente com o escopo deste Blog e convido o internauta a fazer uma visita. Trata-se da página da Singularity University (http://singularityu.org/). O nome desta universidade me chamou a atenção; visitei o seu site e cliquei no FAQ para investigar as razões que levaram os criadores a darem um nome singelo (?) a uma universidade: Universidade da Singularidade (Singularity University).

Em resumo esta universidade está voltada para o futuro. Ela lida com conhecimentos que irão impactar a sociedade humana daqui a algumas dezenas de ano, muito embora já se estejam sinalizando hoje algumas dessas transformações pela rapidez com que se desenvolvem as tecnologias. Vejamos num único período a que se propõe (como missão) a SU:

 Singularity University derives its name from Dr. Ray Kurzweil’s book “The Singularity is Near.” The term Singularity refers to a theoretical future point of unprecedented advancement caused by the accelerating development of various technologies including biotechnology, nanotechnology, artificial intelligence, robotics and genetics.  

Em tradução livre tem-se que a:

Universidade da Singularidade deriva seu nome do livro do Dr. Ray Kurzweil “A Singularidade está Próxima”. O termo Singularidade recorre a um ponto futuro teórico de avanço sem precedente causado pelo desenvolvimento acelerando de várias tecnologias incluindo biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial, robótica e genéticas.

Tenho acompanhado o trabalho do Dr. Kurzweil através de Newsletter que recebo regularmente de sua página (http://www.kurzweilai.net/index.html?flash=1) e percebo sua preocupação com o avanço das tecnologias inteligentes (aquelas relacionadas com equipamentos – computadores auto-programáveis, robôs, etc. – e com a vida do ser humano no planeta), as quais estão, segundo suas pesquisas, superando em conhecimento o próprio Homem. O nome da SU foi baseado no livro do Dr. Kurzweil e a expressão

  A “Singularidade” (ou “Singularidade tecnológica”) é uma frase cunhada em 1993 através do writer/computer e cientista Vernor Vinge que tomou emprestado da astrofísica segundo a qual uma “singularidade” é o centro extremo-comprimido de um buraco negro onde as condições de nosso universo normal já não se aplicam. Vinge escolheu este termo por causa das incertezas projetadas como sendo o resultado do crescimento exponencial de uma gama de tecnologias poderosas. (Tradução livre).[iii] 

A SU foi criada com “O apoio do Google e da Nasa demonstra a crescente aceitação dos pontos de vista de Kurzweil entre as correntes científicas predominantes. Kurzweil afirma que antes da metade deste século, a inteligência artificial vai superar os seres humanos, lançando a civilização em uma nova era. A Singularity University vai funcionar no Ames Research Center da Nasa, que fica bem perto da Googleplex, a sede da Google. Ela vai oferecer cursos de biotecnologia, nanotecnologia e inteligência artificial”.[iv]  

O que tudo isto tem a ver com Administração? E com Crises, Turbulências e Transformações Socioeconômicas (como mudanças de Paradigmas)? Aqui vão dois sites para leitura e baixar artigos e notícias sobre tecnologias, inovações, etc.:

a) http://www.tendencias21.net/ (em espanhol)

b) http://www.inovacaotecnologica.com.br/ (em português) Assim, começamos nosso Diálogos Para o Futuro falando do próprio futuro. Veremos mais. 

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[i] Aqui estou me referindo ao Método 1-2-3-4 (um dos produtos SHENG) que desenvolvi para estudar o comportamento criativo e empreendedorial de estudantes, colaboradores e empresários.

[ii] Aqui utilizo as idéias de Diane Dreher em O Tao da Liderança Pessoal, Ediouro, 1998.

[iii] Cf. o Site: http://singularityu.org/.

[iv] Cf. o Site: http://www.revistadigital.com.br/ideias_numeros.asp?CodMateria=4530#. Visita em: 25/02/2009 

O Efeito Jano (II)

Postado por jomosil em 30.12.2008

Jano (em latim Janus) foi um deus romano que deu origem ao nome do mês de Janeiro. Era o porteiro celestial, sendo representado com duas cabeças, representando os términos e os começos, o passado e o futuro. De fato, era o responsável por abrir as portas para o ano que se iniciava, e toda porta se volta para dois lados diferentes. (Wikipédia) 

Alguns escritores e artistas descrevem Jano como tendo duas cabeças, outros como possuindo duas faces. Prefiro considerá-lo como possuindo duas faces para assim poder caracterizar o homem como um ser bifronte, usando aqui o que expressa Arthur Koestler[i] em seu livro O Fantasma da Máquina. 

A idéia que me ocorreu, quando procurei simplificar a discussão sobre os perfis empreendedoriais para os estudantes, foi criar uma metáfora que identificasse um sistema orientado para diagnosticar situações criticas em ambientes organizacionais, focalizando o Empreendedor (Empresário) e a empresa (o negócio) no sentido das decisões tomadas.  

Como a metáfora estava relacionada com o tempo transcorrido e não o tempo do cronometrado, a figura de Jano atendeu bem ao que me propus realizar para o estudo da Administração Estratégica e da Prospectiva, bem como para a construção de um sistema de apoio à decisão. Isto resultou na Matriz que denominei de Efeito Jano. 

Estudar o Efeito Jano no ambiente negocial estratégico SHENG é uma atividade importante para identificar as situações críticas relacionadas com o comportamento negocial (empresa) e pessoal (empreendedor).  

A figura de Jano – com uma face voltada para o Passado e outra voltada para o Futuro – é bem incisiva para mostrar aos estudantes (e aos empresários) os sentidos de Retroatividade e de Proatividade com os quais se procura a orientação para o sucesso dos negócios.  

No primeiro sentido podemos identificar uma visão de negócio voltada para a sobrevivência e no segundo sentido outra voltada para a prosperidade.  Estas situações não são bipolares, mas bifrontais, ou seja, em estratégia não buscamos a polarização dos fenômenos porque as suas ocorrências sempre se dão por ações diretas e indiferenciadas.  

Em outras palavras, quando se busca soluções não importa aqui a polarização entre A e B, mas o resultado de A e B e qual deles apresenta melhor agregação de valor à organização. Ao se considerar um resultado como insuficiente não se está com isso isolando um polo de discussão, mas separando as variáveis que tenham menor influência no sentido de uma vantagem competitiva. 

Quando utilizo as ferramentas que caracterizam o Efeito Jano uma das variáveis importantes que se salientam diante dos problemas empresariais é o Tempo em sua dimensão dinâmica Não o tempo cronometrado (relógio), mas o tempo realizado (História) em termos de eficiência e eficácia a partir do momento Presente. 

Como salientei na parte I, problema e futuro andam de mãos dadas porque não existe problema no passado. Contudo as soluções que foram encontradas (e classificadas como Melhores Práticas) e que já são passado, tendem a entusiasmar as pessoas no momento de tomar decisões para o futuro, o que nem sempre é bom, pois o que se deve fazer não é simplesmente adotar as velhas soluções boas como boas soluções novas porque só se obterá resposta das decisões no futuro e, nesse momento, já não há mais tempo para correções ou redirecionamento de rumos. E mesmo que se tente isto será muito dispendioso o que resulta em perdas ou custos doentes (investimento sem retorno) como afirmo para os estudantes e empresários. 

A experiência, a boa solução de ontem, representam uma espécie de espelho retrovisor que chamo de a face do passado na figura de Jano. Elas nos informam o que aconteceu, todavia não são capazes de nos dizer como acontecerá ou se acontecerá de novo. E mesmo que o resultado bom de ontem se repita hoje pode não agregar valor em termos de qualidade e quantidade globais de que necessita uma empresa, agora, para ser competitiva, nem garantir a prosperidade de um negócio, senão apenas a sua sobrevivência.  

Se esta boa solução é suficiente, então o empresário não deve mexer no seu futuro e arcar com a permanência involutiva de seu negócio, e ser reativo. Se isto não é suficiente, então o empresário deverá abandonar as soluções de ontem e ser proativo, não ter medo da incerteza e assumir riscos programados e isto é Administrar com Estratégia. É Prospectiva.É ir Além das Montanhas. 

Para finalizar este tema recorro a uma citação de Nietzsche: Aquele que não sabe repousar no limiar do momento, esquecendo todo o passado, aquele que não sabe se soerguer, como o gênio da vitória, sem vertigens e sem temor, nunca vai saber o que é a felicidade e, o que é pior, nunca vai fazer algo que possa tornar felizes os outros.[ii] 

Encerro um ano de bons trabalhos e bons textos lidos e relidos com os quais procurei dialogar no sentido de buscar o futuro hoje. O passado já ocorreu; nada mais podemos fazer pela história, senão esquece-la; o presente está ocorrendo o que nos anima a fazer uma nova história quando o futuro assim chegar. Ver-nos-emos em 2009.

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[i] KOESTLER, A. O Fantasma da Máquina. São Paulo: Melhoramentos, 1965.[ii] NIETZSCHE, F. Da Utilidade e do Inconveniente da História para a Vida. São Paulo: Escala, 2008.

O Efeito Jano (I)

Postado por jomosil em 24.11.2008

A metáfora Diálogos Para o Futuro procura ver e sentir Hoje     (Presente) os possíveis cenários que podem influenciar nos acontecimentos de Amanhã (Futuro). Procura apreciar (avaliar) o que aconteceu Ontem (Passado) que representa o que se desejou que fosse realizado, sem ficar preso a esse passado.  

Estes Diálogos procuram construir caminhos que possam identificar Ações para vários Futuros. Estas Ações podem resultar de um sonho ou de uma visão e se transformar numa efetiva bagagem para a aprendizagem ou para soluções de possíveis problemas que originariam esses Futuros.  

Problema e Futuro têm o mesmo sentido e mesmas raízes sociais, econômicas, políticas, culturais e científicas. Representam as linhas mestras da complexidade organizacional ou pessoal. Em outras palavras, só existe futuro porque existe problema e sempre que ocorre um problema ele nos conduzirá inexoravelmente a um ou vários futuros. Deste modo, não existem problemas no passado, por isso o passado não é complexo. Problema e Futuro são as bases da Administração Estratégica. 

Quando as pessoas se aferram ao passado é porque “não querem ter problemas” e preferem que as coisas não aconteçam para evitar, com isto, o comprometimento ou ter que assumir responsabilidades para as quais não se sentem bem em realizar. Neste sentido, muitas pessoas preferem adiar o futuro ou transferir as responsabilidades pelo futuro para outros (que geralmente são pessoas ego-dirigidas e que assumem os riscos que pode acontecer amanhã com os problemas que foram identificados hoje). 

Para poder identificar ou caracterizar esses atores (pessoas, empresas, comunidades) dentro de uma estrutura organizacional cunhei a metáfora que denominei Efeito Jano que aplico a Administração Estratégica como ferramenta para iniciar um pré-diagnóstico sobre as situações de uma empresa e a execução de seus propósitos negociais e empresariais. 

Através do pré-diagnóstico o consultor poderá identificar se a administração da empresa está presa a um efeito reativo (retrospectivo), um efeito ativo (conservador), adaptativo (transformador) ou um efeito proativo (prospectivo).

Qual a importância de realizar este trabalho preliminar antes de adentrar na investigação das dificuldades ou do estudo dos efeitos identificados pelo dono do negócio? 

A importância se deve ao fato de que, com a matriz do Efeito Jano, você pode avaliar algumas das características do negócio partindo de evidências (passado) e concentrando-se nos valores vigentes nos diversos processos da empresa (presente) e com isto formular os principais problemas ou verificar a consistência dos problemas que forem apresentados pelos diretivos da empresa. Com isto torna-se possível traçar caminhos que possam nos conduzir ao diagnóstico para o futuro ou à solução dos problemas efetivamente definidos. 

Porque Jano? Pensem e façam algumas reflexões sobre esta pergunta. No curso de Administração Estratégica que leciono para estudantes de Administração discuto esta questão e outras, bem como faço uma síntese sobre o Efeito Jano. Continuarei com o assunto. 

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Para uma Liberdade de Voar além das Crises. Um diálogo com Richard Bach

Postado por jomosil em 31.10.2008

Aqueles que não amam a mudança não são, verdadeiramente, visitantes da Terra. Richard BACH[i]

Neste momento em que o mundo se vê aferrado por uma crise de valores que leva ao desespero as pessoas acostumadas ou viciadas com a permanência, como se o sistema que montaram para ganhar fácil por não ter coragem de enfrentar o difícil nunca fosse ruir, nada melhor que dialogar com Richard Bach. Nada melhor do que conversar com Fernão Capelo Gaivota e sentir que Longe é um lugar que não existe e que A Ponte para Sempre está no coração de cada um de nós. Assim…

Fernão Capelo Gaivota disse:

 Sempre há uma razão para se viver. Podemos nos elevar sobre nossa ignorância, podemos nos descobrir como criaturas de perfeição, inteligência e habilidade. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar! 

Existe uma relação interessante entre a mudança e a vontade de viver, vontade de ser, e ser livre. Aqueles que não desejam mudar com certeza não sabem também viver e o tempo passa, o mundo passa e ele não percebe o futuro agora! A frase em epígrafe é bem incisiva e dela podemos inferir uma variedade de idéias relacionadas com a vida como um todo e, em particular, com as crises que ocorrem e que sempre pensamos que não ocorreriam, porque estávamos bem assentados nos resultados promissores de um falso sentido econômico (ou social, ou cultural, ou político).

Para Fernão Capelo Gaivota A única lei verdadeira é aquela que nos conduz à liberdade. E a falta de coragem para encarar as Ilusões impede que vejamos a Liberdade dentro de nós; ou seja: Se desejas tanto a liberdade e a felicidade não vês que ambas estão dentro de ti? Pensa que as tens e as terás. Age como se fossem tuas e serão.

Richard Bach nos fala ainda mais sobre a liberdade quando diz em Um, que O importante não é se algo já está feito, mas que temos infinitas possibilidades de escolha. Nossas escolhas nos levam a experiências que nos fazem compreender que não somos as criaturas pequenas que parecemos ser. Somos expressões interdimensionais da vida, espelhos do espírito. E, através de Fernão Capelo Gaivota diz que Cada um de nós é na verdade uma idéia ilimitada da liberdade. Devemos rejeitar tudo o que nos limite.

Apegar-se ao hábito negativo de que nada muda pode levar à falsa ilusão de que a permanência é o ponto forte daqueles que acumulam fortunas e não sabedorias. Portanto, Não creias no que os teus olhos dizem. Eles só mostram limitações. Olha com a tua inteligência, descobre o que já sabes e encontrarás a maneira de voar, como afirma Fernão Capelo Gaivota.

Afinal, A única coisa que destrói os sonhos é resignar-se às concessões. E isto é significativo hoje quando muitos políticos fazem concessões para assegurar-se no poder; quando muitas pessoas fazem concessões a certas regras, normas e paradigmas para não perder o “bem bom” que é conseguido à custa da escassez de benefícios para aqueles que bem merece mais, muito mais do que se lhes é dado, hoje, nestas sociedades exclusoras. Estas ações negativas tendem a limitar A Ponte Para Sempre que muitos tentam criar para que suas visões emergentes avancem na formação dos seus futuros desejados e, assim, tornarem-se verdadeiros visitantes da Terra.

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[i] BACH, Richard. Mensagens para Sempre. São Paulo: Vergara e Ribas Editoras, 2004.

Empreendedorismo e Desenvolvimento: Um Diálogo com Carlos Hilsdorf

Postado por jomosil em 19.10.2008

Realizar Diálogos Para o Futuro com Carlos Hilsdorf é uma oportunidade mágica[i] e, porque não dizer, impar, pois estou conversando com um articulista, palestrante e pensador que faz parte de um grupo de pessoas que, neste país, realiza trabalhos voltados para a divulgação de uma proposta empreendedorial que contribui para a formação de estudantes (e profissionais) visionários com sonhos empreendedores. Assim, reedito hoje um artigo muito interessante (e importante) de Hilsdorf para vocês ficarem mais próximos de suas contribuições para o empreendedorismo[ii]. Vamos ao artigo: 

Pequenos Grandes Negócios

Os nossos artigos do newsletter deste mês são dedicados aos pequenos e médios empresários e empresárias.

Quando o gestor de uma pequena e média empresa lê um livro sobre negócios ou participa de uma palestra ou de um seminário aberto, fica com a sensação de que o conteúdo só é relevante e aplicável para empresas grandes que dispõem de muito capital para implantar as ações sugeridas. Esta é uma ilusão que precisamos vencer.

É verdade que a maioria dos Best Sellers de negócios trata de cases de grandes empresas, mas não é verdade que o conhecimento contido neles não é aplicável aos pequenos negócios. Vejamos:

Se você administra uma pequena empresa, não possuirá um departamento de marketing, um departamento de vendas, um departamento de RH, um departamento financeiro, etc. Mas você precisa de pessoas que cuidem do marketing, cuidem das vendas, cuidem do RH e cuidem do financeiro.

Assim a primeira regra para aproveitar os conhecimentos e as estratégias de sucesso oriundas das grandes empresas é: Transforme o que são estratégias dos departamentos de uma grande empresa em AÇÕES para a pequena empresa.

Não importa que você não tenha um departamento de marketing, mas é fundamental que você possua ações que serão responsáveis pelo êxito da sua comunicação e posicionamento no mercado (como o mercado enxerga a sua empresa).

Tudo bem que você não tenha um departamento de RH, mas você precisa ter ações de RH, pois são elas que vão estabelecer um relacionamento de qualidade entre a empresa e seus funcionários (talentos).

Transforme o que seriam atribuições de um departamento de uma grande empresa em ações atribuídas a uma pessoa (mesmo que seja somente você) na sua empresa.

Planeje suas ações. Isso significa estabelecer: o que fazer, como fazer e quando fazer. Pergunte-se no início do mês o que eu vou fazer (quais as ações) para melhorar meu marketing, minhas vendas, meu RH e meu financeiro neste mês. Estabeleça prioridades e… FAÇA!

O Planejamento sozinho não faz nada pela sua empresa. Ele depende de suas atitudes efetivas para concretizá-lo no dia-a-dia da empresa.

Outra ilusão muito comum quando as pequenas empresas se comparam com as grandes consiste em dizer que as pequenas não possuem verba para fazer o que as grandes fazem, consideradas as proporções. Isso não é verdade, a frase correta seria: Não temos tanta disponibilidade de verba quanto elas para fazer o que elas fazem. E, em geral, as pequenas e médias empresas se esquecem de destinar parte do lucro para ser reinvestido no negócio em ações específicas para cada área que mencionamos.

Se você não dedica uma verba para marketing e RH, apenas para citar dois exemplos, na sua empresa (independentemente do seu tamanho) está investindo primeiro no seu concorrente e, segundo,  em problemas futuros!

Assim a segunda regra para aproveitar os conhecimentos e as estratégias de sucesso oriundas das grandes empresas é: Não importa o tamanho do seu fôlego financeiro, encontre ações compatíveis com ele.

Ao invés de reclamar que você não pode investir tanto quanto uma grande empresa, dedique-se a investir o quanto você efetivamente pode.

O que não podemos fazer não deve jamais ser desculpa para não fazer aquilo que podemos e devemos fazer!

Estabeleça ações de acordo com o seu fôlego, mas não deixe de agir. Se você não pode fazer uma convenção para seus funcionários, faça reuniões produtivas com eles. Se não puder oferecer um jantar fino para as pessoas mais importantes no seu negócio, ofereça uma confraternização, programe uma pizzaria… ofereça sempre o melhor que as condições permitirem.

Na vida, mais importante do que as coisas que você faz é como você faz as coisas!

Adapte sua verba, seja criativo, não deixe de realizar as ações fundamentais em cada área do seu negócio!Não se esconda atrás de desculpas nobres que sempre escondem atitudes pobres… Seja rico em atitudes!

A terceira regra para aproveitar os conhecimentos e as estratégias de sucesso oriundas das grandes empresas é: As melhores empresas estão continuamente focadas em crescer e se aperfeiçoar!

Faça do princípio número um da qualidade total “Todo trabalho pode e deve ser aperfeiçoado” o lema da sua empresa. Acorde a cada manhã com olhos de aperfeiçoamento, mantenha-se interessado e entusiasmado com o seu trabalho e com as pessoas que ajudam a torná-lo realidade.

O tamanho do seu negócio não é o tamanho do seu lucro ou do seu fôlego financeiro. O tamanho do seu negócio é o tamanho da sua capacidade de empreender, agir, ousar e manter-se focado na melhoria contínua.

A função de um empresário e de uma empresária é construir a melhor versão possível de futuro para o negócio. Dedique-se a construir um futuro sempre melhor. Uma empresa nunca será maior que seu administrador, dedique-se a crescer sempre como pessoa e como profissional. A vida, o mundo e todos a quem você ama aguardam ansiosamente pelas suas próximas conquistas e realizações. Dedique-se!

Pequenas empresas, grandes negócios! Viva este slogan!

Fica aqui a minha mais profunda admiração e reconhecimento por todas as fantásticas contribuições que o SEBRAE e seus talentos deram e continuam dando ao Brasil e a seus empreendedores.O futuro pertence aos melhores, esteja entre eles!

Carlos Hilsdorf

Considerado um dos 10 melhores palestrantes do Brasil. Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha). Autor do bestseller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Presença constante nos principais Congressos e Fóruns de Administração, RH, Liderança, Marketing e Vendas do país e da América Latina. Referência nacional em desenvolvimento humano.

www.carloshilsdorf.com.br - Download em 16/10/2008

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Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)

Mensagem ICA 2008: “Luta contra a mudança climática através das cooperativas”

Campaña Cooperativa Global Contra la Pobreza: Cooperando Fuera de la Pobreza

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[i] “Oportunidade Mágica” aqui quer significar um contato acima do simples dialogar sem uma contribuição maior capaz de tornar um pensamento bom em pensamento útil, além, é claro, das habilidades de Hilsdorf para ilustrar suas palestras com momentos intrigantes e alegres como somente ele sabe fazer.

[ii] O presente artigo está sendo publicado com a permissão escrita do Autor.

Estatística, Informação E Desenvolvimento Em Um PAÍS DO FUTURO IV

Postado por jomosil em 11.10.2008

Os próximos dez anos verão um re-aparecimento de artesãos como uma força econômica (Intuit-IFTF, 2008)[i]. 

A terceira parte do Relatório da Intuit-IFTF trata de uma prospecção que sinaliza um cenário de negócios no qual a peça chave é o Artesão. Aqui também três tópicos são destacados pelos pesquisadores.  

1) No primeiro bloco são discutidas as tendências para o que foi denominado de Economia “Barbell”[ii], assemelhando-se quase a uma ampulheta, ou seja: 

A maioria das indústrias se moverá com uma estrutura semelhante a um “barbell”: algumas corporações gigantescas em uma ponta, um meio estreito, e um grupo grande de negócios pequenos que equilibram na outra extremidade. Como mais indústrias se movem em uma estrutura “barbell”, negócios pequenos acharão oportunidades para florescer em nichos intactos à esquerda dos gigantes globais. Negócio pequeno e corporações grandes também colaborarão mais – especialmente em áreas como vendas, marketing, e inovação. (Intuit-IFTF, 2008). 

2) No segundo bloco o relatório discute uma redução no peso da infra-estrutura seguida da redução nas barreiras e um aumento de oportunidades para negócios pequenos, ou seja: 

Muitos custos de infra-estrutura empresariais serão reduzidos na medida em que surgem sistemas de manufatura e componentes mais inteligentes mais leves e menores. As barreiras para obter infra-estrutura empresarial grande serão dramaticamente reduzidas e disponíveis para os negócios pequenos e pessoais com risco mais baixo, numa estrutura de custo variável. (Intuit-IFTF, 2008). 

3) O último bloco discutido neste terceiro capítulo trata de negócios sem limites que movimentarão a próxima onda de globalização. Deste modo, 

Através dos limites para as oportunidades empresariais, melhorias em tecnologia e reduções no custo de exportar dirigirão a globalização de negócios pequenos e aumentarão substancialmente o número desses negócios dos Estados Unidos globalmente na comercialização. (Intuit-IFTF, 2008). 

Quero destacar o fato de que, segundo o Relatório, a nova onda econômica trará de volta a figura do artesão, daquela empresa de uma só pessoa,  que desenvolve seu trabalho em casa tendo em vista que o modelo Barbell tenderá a reduzir o número de grandes empresas, enxugar as empresas medianas e aumentar consideravelmente o número de pequenas empresas, com o que ocorrerá muito mais oportunidades de negócio no comércio glocal (global/local). 

Outro fato de destaque é o aumento das exigências do consumidor que passam a desejar bens e serviços customizados, o que abre um leque sem limites para os novos artesãos do século 21. Nas palavras dos investigadores: 

Os próximos dez anos verão um re-aparecimento de artesãos como uma força econômica. Como os seus antecessores medievais na Europa pré-industrial e na Ásia, essa próxima geração de artesãos manipulará o seu comércio fora dos muros do negócio grande, enquanto ganham dinheiro com as suas habilidade e conhecimento. Mas isso também será marcado por diferenças. Em muitos casos, o cérebro se misturará com a força muscular como software e tecnologia substituíram o ferro e o trabalho pesado. Ainda em muitos aspectos, o resultado será igual ao que era séculos atrás: os artesãos não só farão os seus bens, mas amoldarão a economia com um efeito que alcança além dos seus bairros, até mesmo das suas nações. (Intuit-IFTF, 2008). 

A leitura e interpretação de relatórios como este da Intuit-IFTF é muito importante para a realização de projetos estratégicos orientados para o desenvolvimento socioeconômico, sobretudo de nossas regiões paradoxais e deveriam ser discutidos no ambiente educacional de cursos como economia, administração e ciências contábeis, tendo em vista possibilitar aos estudantes conhecimentos sobre prospectiva e estratégia. 

Foi com esta intensão prospectiva que realizei este Diálogos para o Futuro usando como base o Intuit Future of Small Business Report, um documento em três capítulos que pode ser consultado conforme as notas no rodapé destes artigos. Através de relatos de pesquisa como este se percebe quanto temos que avançar em termos de industrialização no Brasil. Pelas projeções do relatório esses negócios pequenos irão dominar o comércio global e assim vamos continuar aqui sendo meros consumidores de produtos que serão produzidos pelos novos artesãos que não estão em nosso território.  Pelo que temos percebido, estaremos nos próximos dez anos dando cada vez mais ênfase à produção de commodities (que tem como fator negativo gerar riquezas para poucos e miséria para muitos) que serão exportadas a preço ridículo para serem transformadas em produtos com a cara dos consumidores e vendidos no comércio global. Esses novos artesãos serão os geradores de novas patentes em número crescente e isto já se percebe quando lemos outro relatório (emitido pela OMPI – Organização Mundial de Propriedade Intectual) sobre registros de propriedade intelectual (patentes) em 2007, o qual mostra como estamos bem atrasados neste campo[iii]. Em 2007, das 156.100 patentes do mundo, o Brasil apresentou apenas 384, segundo o artigo editorial do site Empreendedor. 

Aqui, como lá fora, a maioria das patentes são devidas a pessoas isoladas ou pequenas equipes de inventores que se dedicam à criação de novos produtos, e no caso brasileiro, a maioria das vezes sem qualquer apoio institucional e, ainda por cima enfrentando a espinhosa maratona gerada pela burocracia para registrar seus trabalhos. Nas palavras dos investigadores da Intuit-IFTF: 

A próxima década verá o forte crescimento de manufaturas de artesãos. As novas tecnologias industriais bem como novos métodos ampliarão a gama de produtos que podem ser feitos por artesãos. A demanda crescerá com mais consumidoras procurando por produtos de artesão, e os compradores e vendedores se acharão um ao outro no ambiente de mercado on-line. O resultado será a formação de muitos novos artesãos e novo fabricantes pequenos. (Intuit-IFTF, 2008, p.16). 

Como mostra o relatório, a infra-estrutura do tipo “plug-and-play” tornará os negócios pequenos mais competitivos e mais bem sucedidos (p.18) e a mudança da infra-estrutura para variáveis de baixo custo nas operações para os negócios essenciais aumentará a oportunidade para os negócios pequenos (p.19) e tudo isto trará mudanças significativas nas relações de trabalho, nas formas de terceirização de atividades essenciais, inclusive a busca pelas empresas de pequenos negócios para desenvolverem atividades de inovação para seus processos. Isto implica que os grandes negócios não mais investirão em inovação e, sim, adquirirão por meio de terceiros, no caso pequenos negócios, as inovações que necessitarem para seus processos com o que se ampliarão muito as oportunidades para as pequenas empresas e as empresas pessoais.  

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[i] Cf. The Future of Small Business report Third Installment: Technology Trends and Small Business, Parte III. Intuit-IFTF, January 2007, SR-1037A, www.intuit.com/futureofsmallbusiness[ii] Expressão criada por consultores da firma McKinsey para designar a projeção de posicionamento dos negócios em relação ao ritmo que terá a nova economia no futuro. Cf. Artigo de Ian Davis e Elizabeth Stephenson “Ten trends to watch in 2006”, in: McKinsey Quarterly, 2006.[iii] Uma sugestão de leitura sobre este assunto é o editorial do site Empreendedor: http://empreendedor.uol.com.br/_novo/_br/?secao=Noticias&categoria=167&codigo=8360  


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