Empreendedorismo e Desenvolvimento

Postado por jomosil em 20.08.2008

O poder humano é o conhecimento organizado que se expressa por meio de esforços inteligentes. Não se pode dizer que um esforço é organizado senão quando os indivíduos nele empenhados coordenam os seus conhecimentos e energias, num espírito de perfeita harmonia. Napoleon HILL (2004, p.50).[i] 

Nas regiões onde o tempo não parece ter pressa as pessoas vivem com os pés fincados no passado e só vêm o futuro através das faces dos velhos ou do processo de envelhecimento das pessoas que muitos teimam em relacionar com a maturidade, esquecendo ou não compreendendo a totalidade do Ser. Assim como o tempo não tem pressa nessas regiões e para essas populações, assim também ocorre com o desenvolvimento socioeconômico o qual quando acontece é sempre tardio e trazido pelas mãos dos “de fora” e nunca por iniciativa dos “de dentro”. 

Um Diálogo para o Futuro tem que ser um diálogo com o Tempo e temos que ficar atento para os vários tipos de tempo que não apenas os três convencionais: passado, presente e futuro, embora a maioria das pessoas teime em adotar como referência de vida e de negócio mais o passado que o futuro hoje, agora. Aqui estamos interessados no tempo-realização, no tempo-efetividade, no tempo-oportunidade os quais não são necessariamente os tempos tradicionais e conservadores. 

A maioria das pessoas nunca tem tempo para o futuro. Só tem tempo para o passado. Porém, as oportunidades nunca estão no passado elas estão sempre no futuro. Aqui reside uma das várias diferenças entre o empreendedor e o empresário. Isto fica demonstrado através do prisma de visão de mundo que difere entre os indivíduos. Isto também se reflete na vontade de realização das pessoas.  

Cada um tem ou demonstra ter um conjunto próprio de ferramentas que lhes projeta no futuro ou no passado. 

Aqueles que se realizam (ou tentam se realizar) a partir, unicamente, de visões do passado estão aplicando e consumindo suas energias em atividades que lhes irão satisfazer apenas algumas necessidades enquanto aqueles que projetam suas energias no futuro buscam sua satisfação a partir da identificação de oportunidades hoje, agora no presente. 

Existem algumas diferenças interessantes entre o enfoque empresarial e o enfoque empreendedorial considerando uma situação de tempo não tradicional. Eles não são enfoques divergentes e não devem ser tratados de forma separada segundo um direcionamento polarizador e excludente.

Quando nos referimos a esses dois enfoques não o fazemos como se fossem caminhos isolados, separados. Eles são complementares e interdependentes, embora consideremos como forma interpretativa e dimensional a maior amplitude do empreendedorismo em relação ao empresarialismo, sobretudo no que concerne à dimensão temporal (ao uso da variável Tempo). 

E aqui reside um dos pontos interessantes que identifica algumas diferenças entre os indivíduos. O Tempo. 

O Empreendedor está sempre com o seu prisma de visão de mundo voltado para a eficácia de longo prazo e o Empresário está com seu prisma voltado para a eficiência de curto prazo. No caso do empresarialismo as questões negociais são tratadas, basicamente, através de dois ramos de discussão: nas atividades internas o foco se fixa nos resultados do curto prazo (capital de giro, fluxo de caixa, estoques, qualidade interna de produtos, prazo, contas a receber e a pagar, etc.) e nas atividades externas o foco se volta para vendas e negociações (a concorrência, os espaços mercadológicos, a introdução de novos produtos, as relações com os bancos, etc.) tudo isto, como dissemos, considerando um tempo curto e controlável, bem como o baixo risco que se pode incorrer nas transações mercantis e produtivas. 

Contudo, na maioria das vezes, o Empresário conservador de hoje é o mesmo empreendedor criativo, inovador, transformador de ontem. Ambos, porém, são muito importantes para a realização do desenvolvimento e o que precisamos, atualmente, é que os empresários, que um dia foram empreendedores, voltem a ser criativos e inovadores dentro de suas empresas, a fim poder contribuir para um processo de desenvolvimento local e regional duradouro, bem como possibilitar a realização do processo de industrialização que vem sendo adiado há quase três séculos no Brasil.

Nossos trabalhos e nossos estudos estão direcionam-se sempre no sentido da industrialização e defendemos a tese de que o caminho para o desenvolvimento começa na indústria e termina no serviço. Tudo isto, porém, de modo sustentável e holístico a fim de não trazer mais danos para a Natureza.    

Pão, Paz e Liberdade

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[i] HILL, Napoleon. A lei do triunfo 25ª. Ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004.

Diálogos com Edgar Morin

Postado por jomosil em 23.07.2008

A Cabeça Bem-Feita (II) 

O desenvolvimento da inteligência geral requer que seu exercício seja ligado à dúvida… Edgar MORIN (2003, p.22). 

Vamos continuar um diálogo com Edgar Morin, através do seu livro A Cabeça Bem-Feita e começo questionando sobre o problema da complexidade planetária. Considero em princípio o problema da fragmentação do conhecimento que se processa há quase quatro séculos como justificativa para as dificuldades de compreensão dessa complexidade, resultando disto uma variedade de disciplinas que não ajudaram muito o homem a compreender e apreender os valores planetários e apenas gerou uma hiperespecialização que trouxe algumas explicações para resultados de curto prazo, mas não explicou e nem resolveu a questão principal sobre a qual se debruçaram os pensadores, em sentido planetário. 

Há inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre os saberes separados, fragmentados, compartimentados entre disciplinas, e, por outro lado, realidades ou problemas cada vez mais polidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais, planetários. (…) De fato, a hiperespecialização impede de ver o global (que ela fragmenta em parcelas), bem como o essencial (que ela dilui). Ora, os problemas essenciais nunca são parceláveis, e os problemas globais são cada vez mais essenciais. Além disso, todos os problemas particulares só podem ser posicionados e pensados corretamente em seus contextos; e o próprio contexto desses problemas deve ser posicionado, cada vez mais, no contexto planetário.  

Na minha área de atuação, Administração de Negócios, sempre mirei a especialização com ressalvas, considerando apenas como um mal necessário para se poder andar em um labirinto competitivo no qual as partes eram mais interessantes para o contendores do que o todo; ou seja, como as organizações eram tratadas de modo fragmentado em atenção ao mundo com um conhecimento também fragmentado em disciplinas, isto tornava a divisão de tarefas, de saberes, de espaços, o ponto forte de cada negócio e aqueles que caminhavam em sentido oposto (pode-se dizer: em sentido transversal), isto é, com uma visão de mundo generalista, tendia a ficar para trás e não conseguia acompanhar os seus parceiros e concorrentes. Esse retalhamento que gerou as empresas a partir da visão ideológica de mundo no que se refere às economias e às políticas, sobretudo quanto a estas, gerou essa hiperespecialização que afeta a todas as áreas de conhecimento humano. 

Ao mesmo tempo, o retalhamento das disciplinas torna impossível apreender ‘o que é o tecido junto’, isto é, o complexo, segundo o sentido original do termo. Portanto, o desafio da globalidade é também um desafio de complexidade. Existe complexidade, de fato, quando os comportamentos que constituem um todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico) são inseparáveis e existe um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre as partes e o todo, o todo e as partes. Ora, os desenvolvimentos próprios de nosso século e de nossa era planetária nos confrontam, inevitavelmente e com mais e mais freqüência, com os desafios da complexidade. (2003, p.14). (…) 

Efetivamente, a inteligência que só sabe separar fragmenta o complexo do mundo em pedaços separados, fraciona os problemas, unidimensionaliza o multidimensional. Atrofia as possibilidades de compreensão e de reflexão, eliminando assim as oportunidades de um julgamento corretivo ou visão a longo prazo. Sua insuficiência para tratar nossos problemas mais graves constitui um dos mais graves problemas que enfrentamos. De modo que, quanto mais os problemas se tornam multidimensionais, maior a incapacidade de pensar sua multidimensionalidade; quanto mais a crise progride, mais progride a incapacidade de pensar a crise; quanto mais planetários tornam-se os problemas, mais impensáveis eles se tornam. Uma inteligência incapaz de perceber o contexto e o complexo planetário fica cega, inconsciente e irresponsável. (2003, p.14-15) 

Assim, os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, mas também os inconvenientes da superespecialização, do confinamento e do despedaçamento do saber. Não só produziram o conhecimento e a elucidação, mas também a ignorância e a cegueira. (2003, p.15) 

Como o homem, o mundo é desmembrado entre ciências, esfarelado entre as disciplinas, pulverizado em informações. (MORIN, 2002, p.26)[1] 

Acredito que é interessante continuarmos mais tarde a discutir sobre este assunto. Pelo menos no que ficou exporto até aqui está claro que a fragmentação do saber que culminou com a fragmentação das ações e atividades humanas, teve seus pontos fortes e fracos, sendo que, pela minha ótica, percebo muito mais pontos fracos do que fortes, se levarmos em consideração a problemática ambiental cujo ecossistema complexo foi degradado até o ponto de se tornar uma ameaça para a humanidade e para a vida planetária apenas para satisfazer a ambição e a acumulação de riquezas e poderes. 

Pão, Paz e Liberdade

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[1] MORIN, Edgar. O Método: a natureza da natureza. V.1. Porto Alegre: Sulina, 2002.

Diálogos com Edgar Morin

Postado por jomosil em 13.07.2008

 A Cabeça Bem-feita

Mi optimismo se funda en lo improbable”
Edgar Morin[1]

 Após falar em redução da pobreza, combate ao trabalho infantil e realçar a importância do cooperativismo como uma das mais salutares alternativas para humanização do Planeta, volto a conversar com autores e, neste caso, escolhi Edgar Morin.

Devido à profundidade de sua obra, vou iniciar puxando do alforje alguns pensamentos de Morin para preparar nosso futuro dialógico com este autor.   Escolhi um tema que ele também gosta que é a liberdade. Afinal, a assinatura deste Blog é justamente formada por três palavras que fazem parte de meus estudos de Coopreendedorismo: Pão, Paz e Liberdade. Portanto, nada melhor do que ler um pequeno trecho de Morin que fala da liberdade para começar a discutir “A Cabeça Bem-feita”[2]: 

Liberdade

“(…) A liberdade supõe, ao mesmo tempo, a capacidade cerebral ou intelectual de conceber e fazer escolhas, e a possibilidade de operar essas escolhas dentro do meio exterior. Sem dúvida, há casos em que se pode perder toda a liberdade exterior, estar numa prisão, mas conservar a liberdade intelectual. O sujeito pode, eventualmente, dispor de liberdade e exercer liberdades. Mas existe toda uma parte do sujeito que não é apenas dependente, mas submissa. E, de resto, não sabemos realmente quando somos livres”.(In “A cabeça bem-feita”).  

“A complexidade da relação indivíduo, espécie, sociedade, cultura, idéias é a condição da liberdade. Quanto maiores são as complexidades da trindade humana, maior é a parte da autonomia individual, maiores são as possibilidades de liberdade.

(…) Tentei conceber as possibilidades de liberdades humanas dentro e por meio de suas dependências ecológicas, biológicas, sociais, culturais, históricas. Eu tentei ir além do geneticismo, do culturalismo, do sociologismo, mas integrando o gene, a cultura, a sociedade. Eu quis situar o problema da liberdade na relação autonomia-dependência, possessão-possuidor.

(…) O tempo de uma vida humana pode estar totalmente subjugado pela necessidade de sobreviver para viver, ou seja, de submeter o trabalho sem ser assegurado de gozar sua vida, senão apenas por pequenos flashes… Desse modo, em vez de sobreviver para viver, vivemos para sobreviver. Viver para sobreviver mata no embrião as mais importantes possibilidades de liberdade: é uma esmagadora maioria de humanos que, não somente no passado histórico, mas ainda atualmente por todos os lugares do globo, só pôde viver para sobreviver, e na sociedade de baixa complexidade, nas piores condições. 

O espírito (mind) de um ser humano é ao mesmo tempo a sede das submissões e a sede das liberdades. Ele é a sede das submissões quando ele é prisioneiro de sua herança biológica, de sua herança cultural, dos imprintings, das idéias impostas, de um poder do Super-Ego imperativo no interior dele próprio.” (In “La Méthode, 5. L´humanité de l´humanité. L’ identité humaine”; trad: Nurimar Falci)[3] 

Ainda não li “La Méthode, 5”. Pretendo adquirir o livro para aprender um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido por Edgar Morin. Por isso, deverei discutir aqui nos próximos artigos um pouco do texto que utilizo para nomear este artigo: “A Cabeça Bem-feita” e posteriormente poderei trabalhar mais outros textos de Morin, como “Os Sete Saberes Necessários para a Educação do Futuro”. 

Talvez a ânsia por alcançar a liberdade tenha proporcionado ao Homem uma capacidade impar para fragmentar o Universo, uma vez que ele se sentia insignificante para abarcar com fracos conhecimentos uma maravilha fantástica como o planeta Terra e o Cosmos em que ela está posicionada. Esta fragmentação que foi chamada pelos estudiosos de Ciência ao invés de conduzir à tão esperada liberdade tornou o Homem prisioneiro de um saber sem saber quando o que lhe interessava ou o que ele buscava era o conhecimento do conhecimento, para reafirmar Morin.  

Faz parte também de Diálogos Para o Futuro provocar a busca de uma totalidade na complexidade para podermos nos aproximar de uma liberdade mesmo que tardia diante de um Planeta devastado e de uma população em crise de existência que enfrenta diariamente o monstro da desigualdade socioeconômica e da violência medíocre, da miséria material e da pobreza intelectual que são as sobras desta fragmentação improdutiva. 

Pão, Paz e Liberdade

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Mensagem ICA 2008: “Luta contra a mudança climática através das cooperativas”

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[1] Tradução: Meu otimismo se funda no improvável. Ver o site: http://www.edgarmorin.com/.

[2] MORIN, Edgar. A Cabeça Bem-Feira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003

[3] Para obter mais informações sobre Edgar Morin visite o site: http://edgarmorin.sescsp.org.br/.

Por um Futuro Cooperativista

Postado por jomosil em 06.07.2008

As cooperativas estão enfrentando a mudança climática numa escala e ritmo que mostram a sua liderança em numerosos países e setores no mundo. Embora algumas se comprometam a reduzir as emissões de gases das estufas, outras se esforçam para neutralizar os efeitos do carbono e todas trabalham para conseguir a sustentabilidade econômica, social e ambiental. Afinal, a mudança climática é mais do que uma simples preocupação ambiental; tem um impacto inegável no bem estar econômico e social dos povos em todo o mundo. (ACI, Mensagem, 2008)[1] 

Falar em Cooperativismo é falar do futuro; é sem dúvida, dialogar com o futuro, em especial aqui no Brasil onde este tema ainda encontra forte resistência tanto da política ideológica quanto da economia pragmática negativa e exploratória. Mas continuamos insistindo em por em ação os princípios cooperativistas a discutir com garra a importância da conscientização de uma filosofia cooperativista. 

Já tive oportunidade de discutir em outro momento (V. Blog http://jovinodash.blogspot.com) sobre este tema e retomo a ele para lembrar aos interessados que, além de se comemorar o dia internacional das cooperativas devemos considerar que todos os dias têm que ser construídos com uma base cooperativista para as relações interpessoais de todas as pessoas. 

O Cooperativismo é desenvolvimento 

Sim. E é desenvolvimento em sentido amplo e macro visto que no ambiente cooperativista ele ocorre em todos os sentidos ou em todos as direções sociais, econômicas, políticas, culturais e, muito especial, educacionais, sendo por isso considerado a melhor e mais importante via de transformação socioeconômica e de redução da pobreza que até agora foi criada pelo Homem. 

O Cooperativismo é educação 

Sim. Ele consegue tornar as pessoas mais educadas em todos os sentidos: no sentido comportamental, no sentido cultural, no sentido social, no sentido econômico, no sentido ambiental e, em especial, no sentido espiritual. Tudo isto ocorre porque a psicologia do cooperativismo procura proporcionar aos humanos a consciência grupal, a qual não é nova porque os humanos se tornaram humanos justamente porque conseguiram alcançar nos idos da pré-história, os primeiros níveis de uma conscientização grupal que mais tarde tem como modelo a família (o clã familiar). 

O Cooperativismo é economia 

Sim e em meus estudos e pesquisas tenho nomeado o cooperativismo como o Quarto Setor Econômico justamente porque ele é uma das mais consistentes realizações econômicas da sociedade humana, uma vez que não visa o lucro no sentido capitalista, não se propõe ao gratuitismo exagerado como no socialismo e no fascismo e nem se prende a unanimidade como na democracia. Por tudo isto o Cooperativismo é uma instância superior, avançada da economia humana. É o único caminho socioeconômico capaz de abolir ou minimizar o conceito radical de propriedade e de individualismo negativo.  

O Cooperativismo é futuro hoje 

Sim. Veja-se o modelo de Mondragon (para citar apenas um caso de sucesso coletivo), na Espanha. Se o Cooperativismo deu certo e está dando certo ali, acredito que poderá dar certo em tantas outras regiões paradoxais como as que temos no Brasil e na América Latina. Na mensagem da ACI (disponível em http://www.ica.coop e http://www.ilo.org/) para o dia Internacional das Cooperativas, são apresentados outros exemplos. Hoje, pelo que tenho estudado e pesquisado, vejo que uma das melhores alternativas socioeconômicas para redução da pobreza e geração de renda está no Cooperativismo. Veja a campanha da ACI pela redução da pobreza em: http://www.ica.coop/outofpoverty/index.html cujo lema vai listado abaixo. 

O Cooperativismo é Empreendedorismo 

Sim. Vejo nas experiências da cooperação familiar alguns dos melhores modelos para desenvolvimento humano e negocial. Como resultado de minhas observações e estudos investigativos criei a expressão Coopreendedorismo para melhor explicar e caracterizar o empreendedorismo familiar que temos aqui no interior do Brasil e que não é ainda bem estudado ou bem compreendido pelos especialistas em economia. Acredito que o mesmo acontece nos demais países da América Latina e Caribe e em outros continentes. 

Em agosto (6/8 a 8/8) estaremos mais uma vez reunidos com os companheiros da América Latina e Caribe para discutir a importância e o valor do Cooperativismo para nossos países no V Encontro de Pesquisadores Latino-Americanos de Cooperativismo, em Ribeirão Preto – São Paulo. Naquela oportunidade estarei apresentando dois trabalhos nos quais discuto conclusões sobre Coopreendedorismo e algumas abordagens sobre a educação de jovens segundo os aspectos filosóficos do Cooperativismo. 

Este ano a ACI propõe como tema para comemorar o Dia Internacional das Cooperativas a luta contra a depredação do meio ambiente e pela preservação ecológica do Planeta. Isto representa um importante diálogo com o futuro entre tantos outros que temos salientado aqui em várias de atividade humana. A Cooperação é um dos elementos essenciais de nosso sistema CACHHH aplicado ao desenvolvimento e amadurecimento de sistemas humanos. 

Pão, Paz e Liberdade

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Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)

Mensagem ICA 2008: “Luta contra a mudança climática através das cooperativas”

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[1] ACI. Mensagem para o Dia Internacional das Cooperativas. http://www.ica.coop/outofpoverty/index.html.

O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (II)

Postado por jomosil em 30.06.2008

OBJETIVO 2: ATINGIR O ENSINO BÁSICO UNIVERSAL No Brasil, os dados são de 2005: 92,5% das crianças e jovens entre 07 e 17 anos estão matriculados no ensino fundamental. Nas cidades, o percentual chega a 95%. O objetivo de universalizar o ensino básico de meninas e meninos foi praticamente alcançado, mas as taxas de freqüência ainda são mais baixas entre os mais pobres e as crianças das regiões norte e nordeste. Outro desafio é com relação à qualidade do ensino recebida. PNUD (2008)

Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões.  O Objetivo 2 refere-se à educação, que considero um dos mais importantes porque através dele todos os demais poderão se tornar mais efetivo sobretudo para o desenvolvimento, que é uma das palavras-chave deste projeto da ONU, o qual só se torna possível ou realizável quando se tem um povo educado. 

Concordo que o programa Bolsa Família já fez uma ação de melhoria muito importante. Contudo, no meu entender cada dólar (ou real) aplicado na educação e na industrialização pode trazer uma melhoria sustentável mais importante para as populações dos estados, e para o país como um todo, com um retorno mais efetivo para todos os atores envolvidos. Não se trata de uma estrada de via única da qual só sai o recurso e não entra resultados sustentáveis como vem acontecendo com os programas sociais em vigor.  

Uma redução mais efetiva e duradoura da pobreza e da fome poderá ser mais consistente através de programas de industrialização que focalizem desde negócios de baixa tecnologia, que é comum no ambiente rural e na periferia das grandes cidades, até negócios de alta tecnologia que podem ser implantados através de micro, pequenas e médias empresas em parques e distritos industriais, em especial na forma de APL e Cooperativas Setoriais de Negócios. Contudo, para que isto pudesse ocorrer seria preciso que o futuro fosse desenhado hoje através de uma visão estratégica e positiva desse futuro. 

A educação é um dos meus temas favoritos nos artigos que apresento nos Blogs e percebo que o interesse por esta questão ainda é muito pequeno ou não faz parte das prioridades das organizações, das comunidades e dos políticos, apesar de aparecer na pauta dos discursos apenas como base para propostas e falação, mas sem qualquer programa efetivamente prático e consistente. 

Como costumo discutir em meus artigos e também em classe para meus estudantes, para os povos ainda em desenvolvimento; para as regiões paradoxais; as duas melhores alternativas ou os dois melhores caminhos para se superar o atraso e adentrar o labirinto do desenvolvimento são: educação e industrialização. São os melhores caminhos para se poder reduzir a pobreza – que é outro tema que discuto com muita freqüência além de fazer parte de meus estudos de Coopreendedorismo – além de contribuir para a redução da violência gerada pelas exclusões que sofrem as pessoas. 

Alcançar as metas deste Desafio será de suma importância para os países Latino-americanos e do Caribe porque assim poderemos competir com os projetos de construção do conhecimento que vêm sendo realizados pelos paises que já estão atuando no mundo pós-capitalista. No caso específico do Brasil, dados referentes a 2003 indicam que tínhamos 80.5% de crianças cursando o quinto ano de modo contínuo sem interrupção desde o primeiro ano (PNUD, 2008)[i]

Os programas sociais, como o “Bolsa Família”, não orientam de modo incisivo para o caminho da Educação e tem-se percebido que o que as famílias arrecadam com esses programas destina-se em grande parte para sanar a fome e pouco se tem destinado à educação das crianças.  

Veja-se este artigo de Antonio Gois da Folha de São Paulo sobre pesquisa realizada pelo IBASE[ii]:  

Ao investigar o grau de segurança alimentar de seus beneficiados, a pesquisa do Ibase mostra que em apenas 17% dos casos eles estavam em situação total de segurança. Outros 28%, no entanto, enquadravam-se no que se chama de insegurança leve: não passam fome ou deixam de consumir alimentos, mas temem que isso aconteça no futuro. Havia ainda 34% das famílias que se encontravam em estágio moderado de insegurança, ou seja, há restrição de alimentos consumidos, mas não há fome.  

Com relação aos demais objetivos, creio que os indicativos de fontes para leitura e consulta que apresento aqui ajudará ao leitor obter uma boa compreensão de como estamos indo e o que devemos fazer para melhorar os indicadores a fim de, se possível, alcançar o máximo até 2015. Convido os leitores a visitar, periodicamente, os sites do Pnud, do IPEA e do IBGE para se manter atualizado em relação aos vários indicadores que medem desde o IDH ao Coeficiente de GINI e estatísticas sobre os ODM. No devido momento voltarei a apreciar o andamento do desempenho dos oito ODM, mas sempre buscando resultados concretos para os Objetivos 1 e 2. Afinal os futuros passam por estes desafios. 

Pão, Paz e Liberdade

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Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)

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[i] PNUD. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Visita à página em 29/06/2008 http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_2/

[ii] GOIS, Antônio. Artigo. 28% dos que recebem Bolsa Família temem passar fome. Folha de São Paulo. Visita em 28/06/2008 http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u417114.shtml.   

O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (I)

Postado por jomosil em 23.06.2008

O Brasil já cumpriu o objetivo de reduzir pela metade o número de pessoas vivendo em extrema pobreza até 2015: de 8,8% da população em 1990 para 4,2% em 2005. Mesmo assim, 7,5 milhões de brasileiros ainda têm renda domiciliar inferior a um dólar por dia. Em 2005 o governo se comprometeu a reduzir o número de brasileiros em pobreza extrema a 25% do total existente em 1990 e a acabar com a fome no Brasil até 2015. Diversos programas governamentais estão em curso com o objetivo de alcançar estas metas.  PNUD (2008)[i]. 

O Objetivo I para o Desenvolvimento do Milênio trata da erradicação da pobreza extrema e da fome no Planeta até 2015. Uma meta que foi definida pelas nações trata de reduzir pela metade até 2015 “a proporção de pessoas com renda inferior a US$1/dia”. Conforme relatório da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) em sentido geral os países em desenvolvimento não vêm apresentando desempenho suficiente para garantir o alcance das metas. 

O Brasil representa uma exceção dentro do bloco latino-americano e mesmo com índices ainda baixos demonstra que chegará ao final dos desafios com este objetivo cumprido. De acordo com artigo do PNUD (2008)[ii]

O Brasil, se mantiver o ritmo do período entre 1990 e 2004, deve conseguir atingir a primeira meta, considerada central nos Objetivos do Milênio, por guardar estreita relação com todas as demais metas: reduzir à metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população vivendo em extrema pobreza. Em 1990, 23,4% da população brasileira viviam abaixo da linha nacional de extrema pobreza; em 2004, essa proporção havia recuado para 14,2%. Para conseguir reduzir a porcentagem de 1990 pela metade ainda são necessários esforços adicionais, mas 78,3% da meta já fomos cumpridas, aponta o relatório. Parte desse avanço, indica o documento, deve-se a projetos sociais, como o Bolsa Escola e o Bolsa Família, apontados como um “dos exemplos mais bem-sucedidos de transferências condicionadas na região”. 

De acordo com relatório de acompanhamento divulgado pelo governo brasileiro, o Brasil já alcançou metade do Objetivo 1, pelo menos para a meta 1 que é reduzir pela metade a pobreza. Vale ressaltar, todavia, que programas sociais como o Bolsa Família, sozinhos não poderão sustentar uma redução da pobreza por muito tempo, não passando, às vezes de mero paliativo para cumprir uma meta, mas não para transformar uma condição social para uma realidade mais promissora. 

Duas situações são discutidas pelos estudiosos e especialistas as quais fazem parte deste objetivo. Uma é a redução da pobreza outra é a erradicação da fome. Nem sempre dispor de mais dinheiro na mão significa que se disporá de mais proteínas nos pratos das pessoas. O que se tem observado, até agora, é uma distribuição quantitativa de renda baseado em recursos não-produtivos, ou seja, que não foram obtidos por meio de trabalho operativo direto como o que provém da industrialização. 

Em verdade, não está ocorrendo uma distribuição de renda no país. O que ocorre é uma disponibilização do estoque de recursos acumulados pelo governo através dos sistemas de arrecadação que ficam disponíveis para aplicação em programas para o desenvolvimento do país e, neste caso, estão sendo canalizados para programas sociais.  

Estes programas sociais são muito importantes. Porém, deve-se levar em conta que programas e responsabilidades sociais são ações derivadas e não ações primárias, que dependem da existência consolidada destas últimas. Ou seja, um programa de desenvolvimento industrial e de produção de conhecimento deve anteceder (como ação primária) um programa de desenvolvimento social (ação derivada). 

A mera distribuição do estoque de recursos monetários do governo não gera retorno e nem mantém a sustentabilidade do sistema econômico. Um exemplo de sustentabilidade é o projeto de micro-crédito realizado na Índia porque as pessoas são co-responsáveis pela sustentação do estoque de dinheiro em caixa do Banco Grameen. Isto implica que é uma contradição colocar ações derivadas antes das ações primárias como se tem feito no Brasil em todos os governos, até agora.  

No caso da Índia o projeto do Prof. Yunus representa uma ação primária que envolve as populações como co-administradoras e co-empreendedoras do sistema de micro-crédito. As ações derivadas são as aplicações que as famílias e as mulheres (em sua maioria) fazem dos recursos captados do Grameen, os quais, por sua vez, vão gerar novos recursos fechando o ciclo de Coopreendedorismo. Portanto, a obtenção em curto prazo de alguma redução da pobreza não garante que a médio e longo prazo se consiga um equilíbrio socioeconômico significativo para a população do país. 

O outro item de significativa importância neste Objetivo 1 é a erradicação da fome. Nem sempre ter dinheiro em mão significa que se obterá uma melhora no cardápio do povo. Ou seja, nem todo o dinheiro distribuído pelo programa Bolsa Família, efetivamente vai aumentar o índice protéico da alimentação dos pobres e isto não significa, em sentido pleno, sair da faixa de miséria, uma vez que à miséria estão associadas várias outras ações negativas como: aumento do analfabetismo, aumento da mortalidade infantil, aumento da violência, depredação do meio ambiente e assim sucessivamente. Até quando o governo disporá de recursos monetários para sustentar ações derivadas como o programa Bolsa Família e outros sem ser preciso onerar ou sacrificar lateralmente a população produtiva? 

Pão, Paz e Liberdade

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Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)Leia também o Blog: http://jovinodash.blogspot.com


[i] PNUD. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Brasil e o mundo. Visita à página PNUD na Internet em 22/06/2008: http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_1/ .

[ii] PNUD. Pobreza cai mais no Brasil que na América Latina, mas Saneamento ainda é problema. PNUD: Folha Informativa, página visitada em 17/06/2008 http://www.pnud.org.br/odm/index.php?lay=odmi&id=odmi. 

O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Postado por jomosil em 18.06.2008

O Brasil tem regredido na tarefa de garantir que todas as crianças completem um ciclo básico de ensino — uma das metas previstas nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, um conjunto de avanços socioeconômicos que os países da ONU se comprometeram a alcançar até 2015). Os dados mais recentes do Ministério da Educação mostram que, se a situação não se alterar, apenas 53,8% dos alunos que em 2005 ingressaram na primeira série do ensino fundamental concluirão a oitava série. (CAMPOS, 2008)[i]

Interesso-me em pautar neste tópico, como parte de um Diálogo Para o Futuro, o projeto da ONU/PNUD sobre o ODM (Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio), tendo em vista, como pude perceber em uma de minhas aulas, que os estudantes, em sua maioria, não estão “ligados” neste assunto/tema e aproveito esta oportunidade para expor algumas idéias e, sobretudo, repetir alguns trechos do relatório da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e do Caribe) para que vocês possam acompanhar em que nível se encontra os desafios que foram postos para os países. No total são oito os Objetivos e tratarei aqui de alguns destaques e indicadores para cada um desses desafios listados abaixo. 

OBJETIVO 1: Erradicar a Pobreza Extrema e a Fome

OBJETIVO 2: Atingir O Ensino Básico Universal

OBJETIVO 3: Promover a Igualdade entre os Sexos e a Autonomia das Mulheres

OBJETIVO 4: Reduzir a Mortalidade InfantilOBJETIVO 5: Melhorar a Saúde Materna

OBJETIVO 6: Combater o HIV/AIDS, a Malária e outras Doenças

OBJETIVO 7: Garantir a Sustentabilidade Ambiental

OBJETIVO 8: Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

 Além destes objetivos existem várias metas. Um total de 18 metas. O relatório também discute um total de 32 indicadores de desempenho relacionados com os objetivos e as metas os quais mostram em que nível se encontram os países da América Latina e Caribe na realização dos ODM. Os índices mostrados nesse relatório ainda não são muito animadores embora alguns revelem que existe um esforço significativo dos países para alcançar os objetivos. No caso particular do Brasil ainda se observa um fraco desempenho em alguns objetivos. Vejamos alguns resultados para os dois primeiros objetivos. Para o Objetivo 1 o desempenho ainda é fraco entre os países. Somente o Chile alcançou o nível esperado após decorrido mais de 50% do prazo que termina em 2015. Conforme o relatório do PNUD, 

A pobreza extrema na América Latina e no Caribe diminuiu cerca de quatro pontos percentuais (de 22,5% para 18,6%) entre 1990 e 2004, um avanço menor do que o necessário para o cumprimento no ano de 2015 desta primeira meta do Milênio. Por outro lado, progrediu-se de maneira satisfatória na redução da fome e da desnutrição infantil, e a maioria dos países provavelmente cumprirá a meta da erradicação da fome. (CEPAL, 2008)[ii].

 Embora o Brasil tenha conseguido alguns resultados importantes os estudiosos e pesquisadores acreditam que não se conseguirá alcançar todas as metas desses objetivos no país como um todo e, mais uma vez, percebe-se que os pontos críticos de deficiência em relação ao desenvolvimento, seja como mostrado pelos resultados do IDH, seja pelo Índice de GINI, dividem o Brasil em áreas críticas como as do Norte e Nordeste que apresentam os piores resultados em relação ao Sul e Sudeste, em especial no quesito educação[iii].


[i] CAMPOS, Osmar Soares de. Brasil retrocede em meta educacional para os ODM. PNUD. Página visitada: http://www.pnud.org.br/educacao/reportagens/index.php?id01=2950&lay=ecu, em 04/06/2008.[ii] CEPAL. OBJETIVO 1: ERRADICAR A POBREZA EXTREMA E A FOME. PNUD, página visitada: http://www.pnud.org.br/arquivos/ODM_CEPAL_1.doc, em 17/06/2008.

[iii] CAMPOS (2008) artigo cit.

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil: 12 de junho

Postado por jomosil em 08.06.2008

Hoy más que nunca, los niños necesitan de una educación y formación de calidad si desean adquirir las calificaciones necesarias para tener éxito en el mercado laboral. Sin embargo, en muchos países, las escuelas a las cuales tienen acceso las familias pobres no disponen de los recursos suficientes y no están adaptadas a sus necesidades. Instalaciones limitadas, clases sobrepobladas y carencia de profesores correctamente formados, son algunos de los elementos que contribuyen a un nivel de educación bastante abajo.[i]. (OIT, 2008)[ii]. 

12 JUNIO – DIA MUNDIAL CONTRA EL TRABAJO INFANTIL  

Este año, el Día mundial contra el trabajo infantil será marcado con un gran número de actividades organizadas en todo el mundo para transmitir el mensaje:  La educación es la respuesta acertada al trabajo infantil.

  •  una educación para todos los niños, al menos hasta la edad mínima de admisión al empleo; 
  •  políticas educativas que luchen contra el problema del trabajo infantil impartiendo una educación de calidad y una formación de calificación con recursos adecuados;
  • una educación para promover la sensibilización sobre la necesidad de luchar contra el trabajo infantil.  Hoje faremos um “Diálogos para o Futuro” diferente.

Não vamos tratar de nenhum texto especial, nem de livros que estamos lendo ou relendo. O assunto hoje é a Criança. É o trabalho infantil como fonte de pobreza, violência e redução do ser humano a um estado de miséria total (ou falência como ser dentro da natureza).  

A mensagem da OIT para divulgar o dia mundial contra o trabalho infantil é bem incisiva e mostra, como exponho acima, três premissas que devem ser observadas por todos: políticos, intelectuais, empresários, educadores e famílias. Como bem salienta o comunicado da OIT (http://www.ilo.org/ipec/Campaignandadvocacy/WDACL/2008/lang–es/index.htm), para a campanha deste ano: 

El derecho a una educación ocupa una posición central entre los derechos humanos, ya que es esencial para el desarrollo y el ejercicio de los otros derechos humanos. Constituye el medio a través del cual los niños y jóvenes, económica y socialmente excluidos, pueden salir de la pobreza. Además, los niños que se han beneficiado de la educación son más propensos a enviar a la escuela a sus propios hijos. (OIT, 2008)[iii]. 

Sempre me preocupei com a relação educação x desenvolvimento associada a uma outra relação desenvolvimento x industrialização. Tão logo se publicou o primeiro RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano), que tomei contato através da Folha de São Paulo que dedicou um caderno ao tema, fiquei impressionado com os resultados do IDH brasileiro, o qual fornecia informações que levou a equipe daquele jornal a fazer uma distribuição dos resultados que mostrou um novo mapa do Brasil: um mapa que mostrava três brasis.  

Depois deste relatório passei a dedicar mais atenção à questão da educação e da distribuição de renda (que, por conseqüência, deve resultar na melhoria da qualidade da saúde infantil que é o terceiro fator da pesquisa do IDH), de modo que tenho escrito vários artigos, realizado observações em várias localidades e apreciado o desempenho de estudantes no sentido de contribuir para que essas relações possam se tornar uma realidade.  

Vale salientar, ainda, que:  Invertir en la educación es también una decisión económicamente válida. Un reciente estudio de la OIT señala que la eliminación del trabajo infantil y su sustitución por una enseñanza universal ofrece grandes beneficios económicos, además de los beneficios sociales. En términos generales, tales beneficios superan los costos en una relación de más de 6 a 1. (OIT, 2008)[iv] 

Tentei, inclusive, desenvolver um projeto que denominei “O Pequeno Empreendedor do Futuro”, mas sem apoio financeiro e, talvez, mais institucional, não consegui concretizar na Região Sudoeste da Bahia, o qual tinha como base promover a divulgação e introduzir programas de empreendedorismo nos cursos de licenciatura, tomando como prática a realização de trabalhos junto às crianças e adolescentes em especial os meninos e meninas de rua, procurando de forma pedagógica educa-los em relação à construção de negócios.  Por isso não poderia deixar em branco sem comentários ou proposições esta data de 12 de junho e utilizei este espaço que fala do futuro hoje para propor aos leitores uma reflexão sobre a importância de se discutir o projeto da OIT, entre outros à disposição nos sites da Internet porque “a educação é a resposta certa ao trabalho infantil”. Não há como reduzir a pobreza sem educação e sem industrialização. Isto vale também para a violência e as várias formas de exclusão. Vale salientar para concluir que Educação é um dos oito desafios do Milênio. 

Pão, Paz e Liberdade

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Educação: a  resposta certa ao trabalho infantil (OIT)

Leia também o Blog: http://jovinodash.blogspot.com


[i] (Tradução): Hoje mais do que nunca, as crianças necessitam de uma educação e formação de qualidade se desejam adquirir as qualificações necessárias para ter sucesso no mercado de trabalho. Sem embargo, em muitos paises, as escolas às quais têm as famílias pobres não dispõem dos recursos suficientes e não estão adaptadas a suas necessidades. Instalações limitadas, classes superlotadas e carência de professores corretamente formados, são alguns dos elementos que contribuem para um nível de educação bastante baixo.

[ii] OIT. Día mundial contra el trabajo infantil 2008 - La educación: La respuesta acertada al trabajo infantil. http://www.ilo.org/ipec/Campaignandadvocacy/WDACL/2008/lang–es/index.htm..

[iii] (Tradução): O direito a uma educação ocupa uma posição central entre os direitos humanos, já que é essencial para o desenvolvimento e o exercício dos outros direitos humanos. Constitui o meio através do qual as crianças e jovens, econômica e socialmente excluídos, podem sair da pobreza. Além disso, as crianças que se beneficiam da educação são mais propensos a enviar à escola seus próprios filhos.

[iv] (Tradução) Investir na educação é também uma decisão economicamente válida. Um recente estudo da OIT assinala que a eliminação do trabalho infantil e sua substituição por um ensino universal oferece grandes benefícios econômicos, além dos benefícios sociais. Em termos gerais, tais benefícios superam os custos em uma relação de mais de 6 a 1. 

Uma lição do passado como diálogo para o futuro

Postado por jomosil em 03.06.2008

Instrua-se e, principalmente, eduque-se o povo; a fim de que ele possa sentir o desejo de engrandecer-se materialmente e moralmente; a fim de que possa compreender a necessidade de ser previdente e de garantir o futuro; a fim de que se interesse seriamente pelo bem-estar físico e moral de sua família, cuja responsabilidade o ignorante desconhece… (Luiz Tarquínio, Apud DUMÊT, 1999, p.73)[i]. 

Depois que assisti a apresentação do trabalho em equipe de estudantes do curso de Administração das FIJ, coordenada pela estudante Sara Liana, Sétimo Semestre, na disciplina Empreendimento e Negócios I, que trabalhou o tema “Luiz Tarquínio: Uma abordagem da visão e liderança do empreendedor e da responsabilidade social empresarial”, fiquei muito emocionado, sobretudo porque me sentia como se estivesse em outro país, em outro mundo e num futuro bem longínquo que mais se assemelhava a uma das minhas utopias. 

E não resisti à tentação de desenhar um Diálogo para o Futuro com uma figura impar dentro da historia da Bahia e do Brasil: Luiz Tarquínio. Por que falar com Luiz Tarquínio é falar com o Futuro? Lendo a primorosa biografia feita por Eliana Dumêt (1999) bisneta de Luiz, percebe-se muito bem que estamos falando com um homem que surgiu de repente pela graça de uma ex-escrava para se tornar um dos maiores e melhores empreendedores brasileiros e ainda assim totalmente esquecido pela história e pelos historiadores, economistas, sociólogos, contadores, sociólogos, cientistas sociais e administradores.  

Por que Luiz Tarquínio nunca é lembrado como um dos grandes empreendedores brasileiros e dos maiores batalhadores pelo processo de industrialização do Brasil? Por que a História da Bahia e do Brasil não dedica um amplo espaço para falar, discutir, criticar até se preciso, as idéias, o trabalho, a criatividade e a visão empreendedorial de Luiz Tarquínio? 

Num primeiro momento pela minha idéia, penso que as pessoas que trabalhavam no sentido de fazer o Futuro Hoje na sociedade brasileiras dos séculos passados não eram bem vistas ou compreendidas para serem discutidas na academia e nas escolas elementares e secundárias do país. Principalmente quando essas pessoas buscavam tornar realidade idéias que pareciam aos olhares e leituras desses intelectuais ideológicos parte das utopias que eles rejeitavam em particular no que se refere à construção social de uma realidade humana includente.  Nas palavras de Eliana, 

O país, que mal estava entrando no regime de trabalho livre, distante das reivindicações de classe, tinha dificuldade em entender um homem de negócios que falava em direito dos trabalhadores, injustiça de salários e saneamento do ambiente de trabalho, que transformou em um lugar mais alegre e saudável para os operários (p.17). 

Luiz Tarquínio rompeu todos os conceitos e preconceitos da época para modelar uma organização na qual defendia o capital, dignificando e amparando o trabalho e o trabalhador. (…) Tornou-se o precursor da justiça social no Brasil, por ter reconhecido desde cedo os direitos do trabalho e do trabalhador, que o capital não pode esquecer. Sua visão clarividente anteviu, há mais de 100 anos, quando apenas começava a indústria, a necessidade de celebrar a conciliação entre capital e trabalho. (p.18-19). 

Luiz Tarquínio conseguiu mesmo sem diploma, sem cursos formalmente realizados em colégios e academias demonstrar a milhares de teóricos das ciências sociais e econômicas o significado de justiça social e a forma de promovê-la com desenvolvimento econômico. (DUMÊT, 1999, p.20). Foi chamado por alguns de louco e visionário e por outros de comunista como foi o caso de Ruy Barbosa seu contemporâneo, que, como ele, também estava conversando com o futuro diante de pessoas que só olhavam para o passado. 

Em verdade, apreciar a biografia de Luiz Tarquínio é realizar um diálogo gratificante porque nos mostra que, apesar da resistência de grupos agropecuários e políticos para dificultar o desenvolvimento industrial do Brasil ao longo dos últimos 200 anos, nossa revolução industrial ainda não ocorreu não foi por falta de pessoas com visão positiva do futuro e este empreendedor é um exemplo disso.  

Precisamos, efetivamente, criar nossa história social, política e econômica para que possamos formar os empreendedores e transformadores socioeconômicos de amanhã a partir de agora. Sobretudo porque ainda não temos uma história com H que possa contribuir para a construção do pensar brasileiro.  

Os historiadores precisam deixar de lado essa medíocre idéia de que tudo que se relaciona com empresas, com indústrias, com capital representa uma afronta à formação humana e social das pessoas. Mesmo porque os regimes centralizados não conseguiram se sustentar em virtude de que, naquelas sociedades em que se instalaram, havia uma História e um povo. Os que ainda estão em vigor fragilmente devem-se ou à fraca história do povo (Cuba, Coréia do Norte) ou a uma identificação, de certo modo precária, com a burocracia que reinava antes dessas revoluções como é o caso da China com seu estilo confuciano de administrar. Sem industrialização não existe desenvolvimento e isto Luiz Tarquínio nos mostrou há mais de cem anos.

Sem industrialização não podemos promover a educação e a redução da pobreza e da violência no país e nem elevar nossos índices de desenvolvimento humano, itens que Luiz Tarquínio já havia vislumbrado desde a adolescência, o que o tornou uma pessoa detentora de um conhecimento eclético e um exemplo de que devemos mudar nossos modelos e paradigmas pedagógicos a fim de tornar as pessoas mais livres para aprender: a pensar, a ler, a interpretar, a desenvolver (criar), a estudar e a reaprender continuamente.  

Esta é uma tese andragógica que é rejeitada pela academia e por aqueles que são preparados na academia para promover a educação. E para concluir um pouco mais do seu pensamento: A inteligência, a atividade, o trabalho e a dedicação dos pobres e plebeus só têm valor, só merecem apreços para os grandes corações, para as almas nobres, para os espíritos privilegiados… (Tarquínio, Apud DUMÊT, 1999, p.31). 

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[i] DUMÊT, Eliana Bittencourt. Luiz Tarquínio, O semeador de Idéias. São Paulo: Gente, 1999.

Educar a Individualidade

Postado por jomosil em 28.05.2008

Atualmente existe um acúmulo de conhecimentos sobre o cérebro que revela a obsolescência de nossos sistemas educacionais, que ainda praticam um ensino baseado em concepções do cérebro e da aprendizagem que já estão superadas. (YUS, 2002)[1]. 

Das minhas leituras e releituras deste livro de Rafael YUS um capítulo que me chamou a atenção (entre todos os que me chamaram a atenção) foi o 3 que tem por título: Educar a Individualidade, pelo fato de tratar de um assunto que sempre me intrigou nos meus primeiros anos de aprendizagem da Arte de Ler, que era o cérebro humano e seu papel na educação do homem. Neste capítulo, Yus trata de algumas conclusões que chegaram alguns pesquisadores sobre o cérebro e escolhe o trabalho de Caine e Caine (1991, Apud YUS, 2002), que apresentam como resultados de suas pesquisas doze princípios, de grande relevância para a escola, pois supõem as bases para os tipos de aprendizagem compatíveis para o cérebro (p.53). 

Vou sintetizar aqui estes princípios que, para mim, representam um significativo Diálogo para o Futuro porque fornece as bases para as (possíveis e necessárias) mudanças do sistema pedagógico como venho alertando em vários artigos. Estes princípios são um convite irrecusável aos pedagogos e professores de todos os níveis que desejam contribuir para a transformação deste país em uma nação promissora e feliz. Vamos à leitura destes princípios. 

Princípio 1: O cérebro é um sistema adaptativo complexo. Talvez a característica mais potente do cérebro é sua capacidade para funcionar em muitos níveis e de muitas formas simultaneamente. (…) Os pensamentos, as emoções, a imaginação, as predisposições e a psicologia trabalham normal e interativamente (…). A educação deve ser realizada com a natureza multifacetada do aprendiz humano. 

Princípio 2: O cérebro é um cérebro social. No primeiro ou segundo ano de vida fora da matriz, nossos cérebros se encontram em um estado mais flexível, impressionável e receptivo do que nunca. Começamos a formar nossa mente enquanto nossos cérebros/mentes interagem como nosso primeiro ambiente e com nossas relações interpessoais. (…) Por isso, a aprendizagem está profundamente influenciada pela natureza das relações sociais dos aprendizes. 

Princípio 3: A busca de significado é inata. Em termos gerais, a busca de significado se refere ao dar sentido para nossas experiências. (…) A busca de significado é encontrar um sentido de identidade, uma exploração de nosso potencial e de nossa busca pela transcendência. 

Princípio 4: A busca de significado acontece por meio da “modelação”. Na modelação são incluídos os mapas esquemáticos e as categorias, ambos adquiridos e inatos. (…) A educação efetiva deve dar aos alunos a oportunidade de formular seus próprios modelos de compreensão. 

Princípio 5: As emoções são críticas para a “modelação”. (…) As emoções e os pensamentos não podem ser separados. (…) Isso explica como estratégias, tal qual a aprendizagem cooperativa, proporcionem efeitos positivos para as conquistas e a auto-estima da criança. 

Princípio 6: Todo cérebro percebe simultaneamente, e cria partes e conjuntos. Os dois hemisférios cerebrais mantêm uma estreita interação, não importando se a pessoa está trabalhando com as palavras, matemática, música ou arte. Princípio

7: O aprendizado envolve a atenção focalizada e a percepção periférica. O cérebro absorve informação do que diretamente consciente, mas também absorve diretamente a informação que está além do centro de atenção imediato. 

Princípio 8: A aprendizagem sempre envolve processos conscientes e inconscientes. (…) Isso significa que muito da compreensão pode não ocorrer durante uma aula, mas horas, semanas ou meses depois. Isso implica o desenho apropriado do contexto, a incorporação da reflexão, as atividades metacognitivas e os caminhos para ajudar criativamente os alunos a elaborar idéias, habilidades e experiências. O ensino vem a ser, assim, uma questão que consiste em ajudar os alunos a tornar visível o que invisível. 

Princípio 9: Temos ao menos duas formas de memória organizativa. Apesar de existirem muitos modelos de memória, um que proporciona uma excelente base para os educadores é considerar que temos uma memória espacial/autobiográfica, que não precisa ser repetida e permite lembrar da experiência no “instante”, estando sempre envolvida, sendo inesgotável e motivada pela novidade. 

Princípio 10: Aprendizagem é desenvolvimento. (…) O cérebro compreende e lembra melhor quando os fatos e as habilidades estão impregnados na memória espacial natural. (…) Entretanto a aprendizagem é ilimitada: os neurônios continuam sendo capazes de estabelecer novas conexões durante toda a vida. 

Princípio 11: A aprendizagem complexa é reforçada pelo desafio e inibida pela ameaça. O cérebro/mente aprende muito (estabelece conexões máximas) quando é desafiado de maneira apropriada em um ambiente em que se estimula a atitude de correr riscos. No entanto o cérebro/mente “enfraquece” quando percebe uma ameaça. (…) Dada a percepção ameaçadora das provas, é recomendável avaliar de maneira alternativa, em um ambiente de alerta relaxado, utilizando os desempenhos e as produções (portfólios). 

Princípio 12: Cada cérebro está organizado de maneira única. (…) As inteligências múltiplas e os estilos de aprendizagem são aspectos característicos do ser humano e nos mostram a necessidade de educar partindo da individualidade de cada pessoa. 

Deixo a análise, a reflexão e discussão destes doze princípios para o próprio leitor. Eles são importantes e merecem um estudo mais aprofundado. A leitura do livro pode ampliar as idéias e ajudar-nos a pensar melhores formas de proporcionar a aprendizagem em nossas aulas. 

Pão, Paz e Liberdade

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[1] YUS, Rafael. Educação integral: Uma educação holística para o século XXI. Porto Alegre: Artmed, 2002.


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