Inicio este novo artigo de Diálogos Para o Futuro com e para estudantes (e alguns profissionais que já estão “prontos” no mercado à espera de oportunidades) o qual é fruto de conversas (diria mesmo diálogos) nos cursos de graduação, em especial de Administração e envolve questões relacionadas com o confronto entre Teoria e Prática.
Deste modo o tema que pensei para este artigo se baseia em várias dúvidas ou questionamentos feitos por estudantes (e também por alguns profissionais recém-formados) sobre o sucesso profissional considerando que, segundo a visão deles, “os cursos são muito mais teóricos que práticos” e, quando estão concorrendo a vagas de estágio ou de posição de trabalho (não gosto da palavra “emprego” porque ela dá a conotação de que a pessoa vai ficar pregada para sempre em uma dada organização sem chances de ser ela mesma em toda a sua capacidade), os recrutadores procuram se basear em experiências curriculares e em respostas sobre práticas gerenciais ou técnicas de trabalho relacionadas com a empresa contratante. Ou seja, a Prática em primeiro lugar e Competência… depois!
Já me referi em outras oportunidades a esta dicotomia (se é que existe mesmo uma dicotomia como imaginam os estudantes e os recrutadores) entre Teoria e Prática em outros artigos nos meus Blogs. Mas, consegui identificar algumas questões factuais que sugerem um outro aprofundamento e, até mesmo, um estudo para um uma pesquisa temática e não resisti à tentação de voltar a discutir o tema.
Uma primeira pergunta que me aflorou à mente foi: Por que existe uma fixação de estudantes, profissionais e recrutadores (ou contratadores) de pessoal em relação à Prática? A esta pergunta seguiram muitas outras das quais destaco as seguintes:
O que realmente representa a Prática para algumas empresas? Até que ponto a Prática se torna um componente essencial para um profissional ser competitivo e para uma empresa se tornar competitiva? Quais os fatores críticos que impulsionam o estudante a rejeitar a Teoria (ou as teorias relacionadas com as ciências que compõem a macro-disciplina Administração) e se dedicarem mais às Habilidades Técnicas e Experienciais (que cobrem a Prática) desprezando as demais habilidades essenciais da profissão?
Outras tantas perguntas surgem quando nos defrontamos com problemas desta ordem e todas elas são importantes para podermos chegar a construir os caminhos que levam à sabedoria.
Pelo menos dois caminhos devem ser considerados no trato destas questões: o primeiro envolve uma frase de Einstein que dizia não haver melhor prática do que uma boa teoria e que direciona no sentido de primeiro se possuir alguma teoria significativa e interessante sobre um dado tema ou assunto antes de se tentar realizar o tema ou o assunto, o que significa antes de levar o assunto à prática.
O segundo caminho, para mim, é que sempre que existe uma prática muito boa (ou excelente, como querem alguns) existe também a possibilidade de se construir, criar uma boa teoria (como tem ocorrido com alguns casos de obter resultado positivo após tentativas e erros em ambientes operacionais ou de “erros” que são cometidos por operários e através dos quais esses operários conseguem visualizar uma nova maneira de resolver um problema de produção ou de qualidade de produto) ou nos casos que chamo de Erros Brilhantes que acabam se transformando em boas teorias.
Embora ainda não tenha elaborado um projeto de pesquisa nesta linha de discussão, vou expor na continuação deste artigo as idéias que construí através de anos de convivência com estudantes e profissionais de Administração, Economia, Agronomia, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, isto apenas no nível de graduação, com as quais tentarei agregar conhecimento a essas perguntas.
Não vou incluir aqui os diálogos com estudantes de pós-graduação tendo em vista se tratar de especializações que não apresentam dificuldade na interação Teoria/Prática e, também, porque os grandes problemas que insinuam questões dessa natureza ocorrem em aulas de graduação.
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