Um diálogo com F. Capra[i]
Comecei meu diálogo com Capra durante o curso de Mestrado, quando realizei a leitura e discussão do seu livro “O Tao da Física”. Daí em diante realizei leituras de “O Ponto de Mutação”, “A Teia da Vida” e “As Conexões Ocultas”, que escolhi para apreciar neste Diálogos para o Futuro. “As Conexões Ocultas” é um livro dividido em duas partes. Na primeira parte Capra discute o surgimento da vida no planeta: a vida, a mente humana e a sociedade bem como a sua realidade social. Na segunda parte o autor aprecia alguns desafios para o século XXI e aqui ele aborda o papel da liderança nas organizações, as novas tecnologias e suas influências nas mudanças socioeconômicas, em especial a biotecnologia. Fiz várias leituras sobre o surgimento da vida no Planeta, de Darwin a Oparin, e outras leituras complementares. Alguns pontos interessantes, mas para mim, ainda não conclusivos, ficaram esclarecidos. Não vou dialogar sobre a origem da vida, mas sobre redes e conexões que são temas mais presentes e que podem representar importantes achados paras o futuro. Concordo com uma ciência da consciência e aprecio muito a Teoria da Cognição de Santiago, desenvolvida por Maturana e Varela, sobretudo porque considero a Autopoiese uma das mais importantes mudanças para o paradigma científico, abrindo espaço para novos achados em vários campos do conhecimento.
Capra: Na minha opinião, a teoria da cognição de Santiago é a primeira teoria científica a superar a cisão cartesiana entre mente e matéria, e por isso terá conseqüências das mais momentosas. A mente e a matéria já não parecem pertencer a duas categorias diferentes, mas podem ser concebidas como dois aspectos complementares do fenômeno da vida – processo e estrutura. Em todos os níveis da vida, a começar com o da célula mais simples, a mente e a matéria, o processo e a estrutura, acham-se inseparavelmente unidos.
Concordo que precisamos nos conhecer mais, que precisamos viver mais a existência do ser humano ou definir melhor o conceito de vida e como ela avançou neste Planeta para podermos alcançar um nível de consciência bem mais amadurecido. Creio que assim poderemos melhor nos considerar Humanos. E uma questão fica pendente, ainda, que se refere a uma ciência da consciência que possa contribuir para que possamos chegar a um novo iluminismo capaz de superar fragmentação cartesiana que gerou o primeiro iluminismo do saber e do conhecimento.
Capra: Embora os cientistas e filósofos da cognição tenham proposto muitas maneiras diferentes de proceder ao estudo da consciência, e tenham as vezes se engajado em acalorados debates, parece que se está chegando a um consenso cada vez maior quanto a dois pontos de grande importância. O primeiro, como já dissemos, é o reconhecimento do fato de que a consciência é um processo cognitivo que surge de uma atividade neural complexa. O segundo é a distinção entre dois tipos de consciência – em outras palavras, dois tipos de experiências cognitivas – que surgem em níveis diferentes de complexidade neurológica. O primeiro tipo, chamado de “consciência primária”, surge quando os processos cognitivos passam a ser acompanhados por uma experiência básica de percepção, sensação e emoção. (…) O segundo tipo de consciência, chamado às vezes de “consciência de ordem superior”, envolve a autoconsciência – uma noção de si mesmo, formulada por um sujeito que pensa e reflete.
Ficaríamos aqui discutindo por longo tempo, mas não é este o objetivo desta página. Apenas o que nos interessou aqui foi trazer para o leitor um pouco do trabalho de Fritijof Capra que representa um excelente diálogo para o futuro, para esse futuro que nós precisamos fazer hoje, mas que terá que ser diferente do que estamos vivendo hoje, sobretudo pelo aumento do grau de conscientização que carecemos e que estamos buscando a cada dia que passa: conscientização em relação à vida, em relação à Natureza, em relação ao Planeta. Leiam este e outros livros de Capra porque o seu trabalho contribui para aumentar o nosso esclarecimento científico sobre temas importantes que tratam do Ser Humano, da Natureza, do Ambiente e, sobretudo, da vida.
[i] CAPRA, Fritjof. As Conexões Ocultas. São Paulo: CULTRIX, 2002.
