OBJETIVO 2: ATINGIR O ENSINO BÁSICO UNIVERSAL No Brasil, os dados são de 2005: 92,5% das crianças e jovens entre 07 e 17 anos estão matriculados no ensino fundamental. Nas cidades, o percentual chega a 95%. O objetivo de universalizar o ensino básico de meninas e meninos foi praticamente alcançado, mas as taxas de freqüência ainda são mais baixas entre os mais pobres e as crianças das regiões norte e nordeste. Outro desafio é com relação à qualidade do ensino recebida. PNUD (2008)
Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões. O Objetivo 2 refere-se à educação, que considero um dos mais importantes porque através dele todos os demais poderão se tornar mais efetivo sobretudo para o desenvolvimento, que é uma das palavras-chave deste projeto da ONU, o qual só se torna possível ou realizável quando se tem um povo educado.
Concordo que o programa Bolsa Família já fez uma ação de melhoria muito importante. Contudo, no meu entender cada dólar (ou real) aplicado na educação e na industrialização pode trazer uma melhoria sustentável mais importante para as populações dos estados, e para o país como um todo, com um retorno mais efetivo para todos os atores envolvidos. Não se trata de uma estrada de via única da qual só sai o recurso e não entra resultados sustentáveis como vem acontecendo com os programas sociais em vigor.
Uma redução mais efetiva e duradoura da pobreza e da fome poderá ser mais consistente através de programas de industrialização que focalizem desde negócios de baixa tecnologia, que é comum no ambiente rural e na periferia das grandes cidades, até negócios de alta tecnologia que podem ser implantados através de micro, pequenas e médias empresas em parques e distritos industriais, em especial na forma de APL e Cooperativas Setoriais de Negócios. Contudo, para que isto pudesse ocorrer seria preciso que o futuro fosse desenhado hoje através de uma visão estratégica e positiva desse futuro.
A educação é um dos meus temas favoritos nos artigos que apresento nos Blogs e percebo que o interesse por esta questão ainda é muito pequeno ou não faz parte das prioridades das organizações, das comunidades e dos políticos, apesar de aparecer na pauta dos discursos apenas como base para propostas e falação, mas sem qualquer programa efetivamente prático e consistente.
Como costumo discutir em meus artigos e também em classe para meus estudantes, para os povos ainda em desenvolvimento; para as regiões paradoxais; as duas melhores alternativas ou os dois melhores caminhos para se superar o atraso e adentrar o labirinto do desenvolvimento são: educação e industrialização. São os melhores caminhos para se poder reduzir a pobreza – que é outro tema que discuto com muita freqüência além de fazer parte de meus estudos de Coopreendedorismo – além de contribuir para a redução da violência gerada pelas exclusões que sofrem as pessoas.
Alcançar as metas deste Desafio será de suma importância para os países Latino-americanos e do Caribe porque assim poderemos competir com os projetos de construção do conhecimento que vêm sendo realizados pelos paises que já estão atuando no mundo pós-capitalista. No caso específico do Brasil, dados referentes a 2003 indicam que tínhamos 80.5% de crianças cursando o quinto ano de modo contínuo sem interrupção desde o primeiro ano (PNUD, 2008)[i].
Os programas sociais, como o “Bolsa Família”, não orientam de modo incisivo para o caminho da Educação e tem-se percebido que o que as famílias arrecadam com esses programas destina-se em grande parte para sanar a fome e pouco se tem destinado à educação das crianças.
Veja-se este artigo de Antonio Gois da Folha de São Paulo sobre pesquisa realizada pelo IBASE[ii]:
Ao investigar o grau de segurança alimentar de seus beneficiados, a pesquisa do Ibase mostra que em apenas 17% dos casos eles estavam em situação total de segurança. Outros 28%, no entanto, enquadravam-se no que se chama de insegurança leve: não passam fome ou deixam de consumir alimentos, mas temem que isso aconteça no futuro. Havia ainda 34% das famílias que se encontravam em estágio moderado de insegurança, ou seja, há restrição de alimentos consumidos, mas não há fome.
Com relação aos demais objetivos, creio que os indicativos de fontes para leitura e consulta que apresento aqui ajudará ao leitor obter uma boa compreensão de como estamos indo e o que devemos fazer para melhorar os indicadores a fim de, se possível, alcançar o máximo até 2015. Convido os leitores a visitar, periodicamente, os sites do Pnud, do IPEA e do IBGE para se manter atualizado em relação aos vários indicadores que medem desde o IDH ao Coeficiente de GINI e estatísticas sobre os ODM. No devido momento voltarei a apreciar o andamento do desempenho dos oito ODM, mas sempre buscando resultados concretos para os Objetivos 1 e 2. Afinal os futuros passam por estes desafios.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)
Leia também o Blog: http://jovinodash.blogspot.com
[i] PNUD. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Visita à página em 29/06/2008 http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_2/
[ii] GOIS, Antônio. Artigo. 28% dos que recebem Bolsa Família temem passar fome. Folha de São Paulo. Visita em 28/06/2008 http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u417114.shtml.
