Diálogos com Edgar Morin
Geral 13.07.2008A Cabeça Bem-feita
Mi optimismo se funda en lo improbable”
Edgar Morin[1]
Após falar em redução da pobreza, combate ao trabalho infantil e realçar a importância do cooperativismo como uma das mais salutares alternativas para humanização do Planeta, volto a conversar com autores e, neste caso, escolhi Edgar Morin.
Devido à profundidade de sua obra, vou iniciar puxando do alforje alguns pensamentos de Morin para preparar nosso futuro dialógico com este autor. Escolhi um tema que ele também gosta que é a liberdade. Afinal, a assinatura deste Blog é justamente formada por três palavras que fazem parte de meus estudos de Coopreendedorismo: Pão, Paz e Liberdade. Portanto, nada melhor do que ler um pequeno trecho de Morin que fala da liberdade para começar a discutir “A Cabeça Bem-feita”[2]:
Liberdade
“(…) A liberdade supõe, ao mesmo tempo, a capacidade cerebral ou intelectual de conceber e fazer escolhas, e a possibilidade de operar essas escolhas dentro do meio exterior. Sem dúvida, há casos em que se pode perder toda a liberdade exterior, estar numa prisão, mas conservar a liberdade intelectual. O sujeito pode, eventualmente, dispor de liberdade e exercer liberdades. Mas existe toda uma parte do sujeito que não é apenas dependente, mas submissa. E, de resto, não sabemos realmente quando somos livres”.(In “A cabeça bem-feita”).
“A complexidade da relação indivíduo, espécie, sociedade, cultura, idéias é a condição da liberdade. Quanto maiores são as complexidades da trindade humana, maior é a parte da autonomia individual, maiores são as possibilidades de liberdade.
(…) Tentei conceber as possibilidades de liberdades humanas dentro e por meio de suas dependências ecológicas, biológicas, sociais, culturais, históricas. Eu tentei ir além do geneticismo, do culturalismo, do sociologismo, mas integrando o gene, a cultura, a sociedade. Eu quis situar o problema da liberdade na relação autonomia-dependência, possessão-possuidor.
(…) O tempo de uma vida humana pode estar totalmente subjugado pela necessidade de sobreviver para viver, ou seja, de submeter o trabalho sem ser assegurado de gozar sua vida, senão apenas por pequenos flashes… Desse modo, em vez de sobreviver para viver, vivemos para sobreviver. Viver para sobreviver mata no embrião as mais importantes possibilidades de liberdade: é uma esmagadora maioria de humanos que, não somente no passado histórico, mas ainda atualmente por todos os lugares do globo, só pôde viver para sobreviver, e na sociedade de baixa complexidade, nas piores condições.
O espírito (mind) de um ser humano é ao mesmo tempo a sede das submissões e a sede das liberdades. Ele é a sede das submissões quando ele é prisioneiro de sua herança biológica, de sua herança cultural, dos imprintings, das idéias impostas, de um poder do Super-Ego imperativo no interior dele próprio.” (In “La Méthode, 5. L´humanité de l´humanité. L’ identité humaine”; trad: Nurimar Falci)[3]
Ainda não li “La Méthode, 5”. Pretendo adquirir o livro para aprender um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido por Edgar Morin. Por isso, deverei discutir aqui nos próximos artigos um pouco do texto que utilizo para nomear este artigo: “A Cabeça Bem-feita” e posteriormente poderei trabalhar mais outros textos de Morin, como “Os Sete Saberes Necessários para a Educação do Futuro”.
Talvez a ânsia por alcançar a liberdade tenha proporcionado ao Homem uma capacidade impar para fragmentar o Universo, uma vez que ele se sentia insignificante para abarcar com fracos conhecimentos uma maravilha fantástica como o planeta Terra e o Cosmos em que ela está posicionada. Esta fragmentação que foi chamada pelos estudiosos de Ciência ao invés de conduzir à tão esperada liberdade tornou o Homem prisioneiro de um saber sem saber quando o que lhe interessava ou o que ele buscava era o conhecimento do conhecimento, para reafirmar Morin.
Faz parte também de Diálogos Para o Futuro provocar a busca de uma totalidade na complexidade para podermos nos aproximar de uma liberdade mesmo que tardia diante de um Planeta devastado e de uma população em crise de existência que enfrenta diariamente o monstro da desigualdade socioeconômica e da violência medíocre, da miséria material e da pobreza intelectual que são as sobras desta fragmentação improdutiva.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)
Mensagem ICA 2008: “Luta contra a mudança climática através das cooperativas”
Campaña Cooperativa Global Contra la Pobreza: Cooperando Fuera de la PobrezaLeia também o Blog: http://jovinodash.blogspot.com
[1] Tradução: Meu otimismo se funda no improvável. Ver o site: http://www.edgarmorin.com/.
[2] MORIN, Edgar. A Cabeça Bem-Feira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003
[3] Para obter mais informações sobre Edgar Morin visite o site: http://edgarmorin.sescsp.org.br/.

24.07.2008 às 21:03
Jovino,
parabéns pela iniciativa. São oportunas suas inserções. Diálogos, como já manifestei, contribui. Penso convidar meus alunos para também beberem desta fonte, pelo menos de vez em quando. Abraço.
Agenor