Estatística, Informação E Desenvolvimento Em Um PAÍS DO FUTURO IV
Geral 11.10.2008Os próximos dez anos verão um re-aparecimento de artesãos como uma força econômica (Intuit-IFTF, 2008)[i].
A terceira parte do Relatório da Intuit-IFTF trata de uma prospecção que sinaliza um cenário de negócios no qual a peça chave é o Artesão. Aqui também três tópicos são destacados pelos pesquisadores.
1) No primeiro bloco são discutidas as tendências para o que foi denominado de Economia “Barbell”[ii], assemelhando-se quase a uma ampulheta, ou seja:
A maioria das indústrias se moverá com uma estrutura semelhante a um “barbell”: algumas corporações gigantescas em uma ponta, um meio estreito, e um grupo grande de negócios pequenos que equilibram na outra extremidade. Como mais indústrias se movem em uma estrutura “barbell”, negócios pequenos acharão oportunidades para florescer em nichos intactos à esquerda dos gigantes globais. Negócio pequeno e corporações grandes também colaborarão mais – especialmente em áreas como vendas, marketing, e inovação. (Intuit-IFTF, 2008).
2) No segundo bloco o relatório discute uma redução no peso da infra-estrutura seguida da redução nas barreiras e um aumento de oportunidades para negócios pequenos, ou seja:
Muitos custos de infra-estrutura empresariais serão reduzidos na medida em que surgem sistemas de manufatura e componentes mais inteligentes mais leves e menores. As barreiras para obter infra-estrutura empresarial grande serão dramaticamente reduzidas e disponíveis para os negócios pequenos e pessoais com risco mais baixo, numa estrutura de custo variável. (Intuit-IFTF, 2008).
3) O último bloco discutido neste terceiro capítulo trata de negócios sem limites que movimentarão a próxima onda de globalização. Deste modo,
Através dos limites para as oportunidades empresariais, melhorias em tecnologia e reduções no custo de exportar dirigirão a globalização de negócios pequenos e aumentarão substancialmente o número desses negócios dos Estados Unidos globalmente na comercialização. (Intuit-IFTF, 2008).
Quero destacar o fato de que, segundo o Relatório, a nova onda econômica trará de volta a figura do artesão, daquela empresa de uma só pessoa, que desenvolve seu trabalho em casa tendo em vista que o modelo Barbell tenderá a reduzir o número de grandes empresas, enxugar as empresas medianas e aumentar consideravelmente o número de pequenas empresas, com o que ocorrerá muito mais oportunidades de negócio no comércio glocal (global/local).
Outro fato de destaque é o aumento das exigências do consumidor que passam a desejar bens e serviços customizados, o que abre um leque sem limites para os novos artesãos do século 21. Nas palavras dos investigadores:
Os próximos dez anos verão um re-aparecimento de artesãos como uma força econômica. Como os seus antecessores medievais na Europa pré-industrial e na Ásia, essa próxima geração de artesãos manipulará o seu comércio fora dos muros do negócio grande, enquanto ganham dinheiro com as suas habilidade e conhecimento. Mas isso também será marcado por diferenças. Em muitos casos, o cérebro se misturará com a força muscular como software e tecnologia substituíram o ferro e o trabalho pesado. Ainda em muitos aspectos, o resultado será igual ao que era séculos atrás: os artesãos não só farão os seus bens, mas amoldarão a economia com um efeito que alcança além dos seus bairros, até mesmo das suas nações. (Intuit-IFTF, 2008).
A leitura e interpretação de relatórios como este da Intuit-IFTF é muito importante para a realização de projetos estratégicos orientados para o desenvolvimento socioeconômico, sobretudo de nossas regiões paradoxais e deveriam ser discutidos no ambiente educacional de cursos como economia, administração e ciências contábeis, tendo em vista possibilitar aos estudantes conhecimentos sobre prospectiva e estratégia.
Foi com esta intensão prospectiva que realizei este Diálogos para o Futuro usando como base o Intuit Future of Small Business Report, um documento em três capítulos que pode ser consultado conforme as notas no rodapé destes artigos. Através de relatos de pesquisa como este se percebe quanto temos que avançar em termos de industrialização no Brasil. Pelas projeções do relatório esses negócios pequenos irão dominar o comércio global e assim vamos continuar aqui sendo meros consumidores de produtos que serão produzidos pelos novos artesãos que não estão em nosso território. Pelo que temos percebido, estaremos nos próximos dez anos dando cada vez mais ênfase à produção de commodities (que tem como fator negativo gerar riquezas para poucos e miséria para muitos) que serão exportadas a preço ridículo para serem transformadas em produtos com a cara dos consumidores e vendidos no comércio global. Esses novos artesãos serão os geradores de novas patentes em número crescente e isto já se percebe quando lemos outro relatório (emitido pela OMPI – Organização Mundial de Propriedade Intectual) sobre registros de propriedade intelectual (patentes) em 2007, o qual mostra como estamos bem atrasados neste campo[iii]. Em 2007, das 156.100 patentes do mundo, o Brasil apresentou apenas 384, segundo o artigo editorial do site Empreendedor.
Aqui, como lá fora, a maioria das patentes são devidas a pessoas isoladas ou pequenas equipes de inventores que se dedicam à criação de novos produtos, e no caso brasileiro, a maioria das vezes sem qualquer apoio institucional e, ainda por cima enfrentando a espinhosa maratona gerada pela burocracia para registrar seus trabalhos. Nas palavras dos investigadores da Intuit-IFTF:
A próxima década verá o forte crescimento de manufaturas de artesãos. As novas tecnologias industriais bem como novos métodos ampliarão a gama de produtos que podem ser feitos por artesãos. A demanda crescerá com mais consumidoras procurando por produtos de artesão, e os compradores e vendedores se acharão um ao outro no ambiente de mercado on-line. O resultado será a formação de muitos novos artesãos e novo fabricantes pequenos. (Intuit-IFTF, 2008, p.16).
Como mostra o relatório, a infra-estrutura do tipo “plug-and-play” tornará os negócios pequenos mais competitivos e mais bem sucedidos (p.18) e a mudança da infra-estrutura para variáveis de baixo custo nas operações para os negócios essenciais aumentará a oportunidade para os negócios pequenos (p.19) e tudo isto trará mudanças significativas nas relações de trabalho, nas formas de terceirização de atividades essenciais, inclusive a busca pelas empresas de pequenos negócios para desenvolverem atividades de inovação para seus processos. Isto implica que os grandes negócios não mais investirão em inovação e, sim, adquirirão por meio de terceiros, no caso pequenos negócios, as inovações que necessitarem para seus processos com o que se ampliarão muito as oportunidades para as pequenas empresas e as empresas pessoais.
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[i] Cf. The Future of Small Business report Third Installment: Technology Trends and Small Business, Parte III. Intuit-IFTF, January 2007, SR-1037A, www.intuit.com/futureofsmallbusiness[ii] Expressão criada por consultores da firma McKinsey para designar a projeção de posicionamento dos negócios em relação ao ritmo que terá a nova economia no futuro. Cf. Artigo de Ian Davis e Elizabeth Stephenson “Ten trends to watch in 2006”, in: McKinsey Quarterly, 2006.[iii] Uma sugestão de leitura sobre este assunto é o editorial do site Empreendedor: http://empreendedor.uol.com.br/_novo/_br/?secao=Noticias&categoria=167&codigo=8360
