Nesta última parte, concluindo as idéias críticas sobre a situação do desenvolvimento humano para o país, reafirmo pelo menos três fatores que tenho observado como geradores do obsoletismo que aqui discuto. Passemos ao artigo.
Três fatores (pelo menos) podem ser considerados críticos para a situação que o país vem enfrentando, desde há muito tempo, desde o início da república. O primeiro é a sub-administração, o segundo a sub-política ou sub-governança e o terceiro é a sub-educação, este último podendo ser uma das raízes que geraram a organização que veio a ser denominada de país Brasil.
A economia seria um fator se não fosse apenas o resultado operacional destes três; se fosse um fator de contribuição para que não pudéssemos alcançar o desenvolvimento sustentável. Mas o fator econômico não é o negativo neste processo de desenvolvimento. Neste caso, o Brasil é um país economicamente rico; mas, sub-administrado, sub-politizado ou sub-governado e sub-educado não conseguirá chegar a nenhum lugar, por melhores que sejam os projetos, mesmo que haja ventos positivos, porque só nos preparamos para a corrupção.
Embora seja otimista em relação à Educação como fator de transformação e desenvolvimento de Sistemas Humanos, sou um tanto cético quanto ao (atual) projeto “Todos pela Educação”, em especial quando vejo os resultados das provas do IDEB, do ENEM e do ENADE e outros testes e exames feitos por nossos estudantes, nos quais são ou reprovados ou têm conceito insuficiente. Junte-se a estes números o uso da máquina pública pelos empresários e lobistas que, cada vez mais, se fortalecem com a “limpeza” dos cofres através dos poderosos incrustados nos palácios governamentais e nas assembléias, secretarias, fóruns e ministérios do país.
Parece que me torno repetitivo e, às vezes, sinto que estou andando em círculo quando fico tratando deste assunto aqui. Mas uma coisa realmente acontece com a população brasileira como resultado do mau uso destes três fatores assinalados aqui: as pessoas estão cada vez mais se tornando obsoletas e parecem satisfeita (em parte) com os programas do tipo “Pão e Celular” que os políticos descobriram ser mais eficientes que os programas “Pão e Circo” da onda maquiavélica.
Afinal, estamos no século 21, iniciando a Era do Conhecimento, e quase não precisamos mais de Maquiavel quando temos nossos Marcola, Beira-mar, e outros líderes que sabem usar as tecnologias disponíveis para promover planejamentos e vídeo-conferência com seus comandados de dentro da prisão-hotel e, assim, realizar de forma bastante concreta a caminhada para o Obsoletismo Humano.
Por que, então, gastar dinheiro com educação, com livros, se o povo não sabe usar estes instrumentos e preferem usar outros menos complexos e que exige menos habilidades essenciais para colocar em ação? Projetos educacionais não dão votos, que o diga o último candidato a presidente que, em sua campanha garantiu elevar o IDH do país tomando como ponto crítico a educação. (Uma arma, mesmo tecnicamente sofisticada, é mais fácil de lidar do que um livro por mais simples que seja o seu conteúdo. A arma requer APENAS treinamento, instrução que se consegue realizar em algumas horas ou alguns dias, enquanto o livro requer EDUCAÇÃO e aprendizagem que só se consegue realizar em quinze, vinte ou mais anos de trabalho intensivo. Nesta questão o Marcola ganha de folga para os administradores públicos do país).
O que se vê, então, é usar todo o dinheiro que se destina a instrumentalização do Processo Educacional Brasileiro em benefício próprio, enviando-o para os paraísos fiscais, através de projetos bem mais maldosos que os dos traficantes.
Para mim não existe diferença entre lavar dinheiro, sobrefaturar obras, extrair nota fiscal fria, fazer lobby para construção civil e outros projetos sociais, econômicos, tecnológicos ou montar bingos, ONGs e empresas fantasmas, e o “trabalho” que os líderes do tráfico realiza na guerra civil que assola o país. Políticos e traficantes, boleiros e lobbistas todos estão no mesmo pé de igualdade quando se trata de promover o Obsoletismo Humano no país (salvo raríssimas exceções entre os políticos).
Concluo usando uma frase muito bem elaborada por Proudhon: “Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados”[i]. Precisamos de uma Nova Educação e de uma Nova Esperança.
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[i] PROUDHON, P-J. A Nova Sociedade. Porto: Edição Rés, s.d.
