Um diálogo com Dalmir Sant’Anna
Faço guerra a idéias antiquadas, não a homens antiquados. Proudhon
Tenho recebido e lido regularmente mensagem com o boletim do Jornal Virtual do site Profissão Mestre (Gestão Educacional) o qual sempre traz artigos interessantes que podem ajudar os docentes em suas atividades ou, pelo menos, mantê-los atualizados sobre informações para a educação. O último JV traz um artigo de Dalmir Sant’Anna no qual ele fala sobre empreendedorismo e resolvi marcar um Diálogo com esse autor envolvendo este tema que me é muito familiar e faz parte de meu trabalho diário junto aos cursos de Administração e Sistemas de Informação, além de estar presente em muitos artigos que tenho escrito.
Após a leitura, fiz uma visita ao site do autor (www.dalmir.com.br), no qual li um artigo seu que tem como título “Todo empreendedor tem uma missão”. No outro artigo (“Empreendedorismo pode ser um diferencial nas atitudes diárias?”), que recebi por E-mail do site Gestão Educacional, disponibilizado pela dedicada Priscila Conte, Dalmir apresenta sua posição sobre o papel do empreendedor, seu desempenho e sua capacidade de focalizar oportunidades em seu entorno, o que está de acordo com conceitos que tenho pesquisado de várias linhas acadêmicas sobre Empreendedorismo.
Contudo, no que se refere ao artigo publicado em sua página não concordo com a idéia de Dalmir quando ele faz uma ligeira confusão entre Missão e Visão Empreendedorial. O conteúdo do artigo está coerente com o que Filion, entre outros gurus do Empreendedorismo, denomina como visão. Vejamos, então, a partir da questão inicial elaborada por Dalmir que diz: “Você já constatou que todo empreendedor conta com uma missão definida de onde desejar chegar?” (grifo meu) onde se localiza a confusão. Pelo conceito de Filion, o que o Empreendedor define como foco (onde deseja chegar) está contido na sua Visão e não na sua Missão.
Diz Filion em um de seus artigos que: “Visão é definida como uma projeção: uma imagem projetada no futuro, do lugar que o empreendedor deseja que seu produto venha a ocupar no mercado”[i].
No caso do artigo de Dalmir ele enfatiza a Missão como sendo esse lugar no futuro. O conteúdo do artigo está correto em algumas partes excetuando os pontos que confundem missão com visão (considerando os respectivos conceitos). É certo que para construir uma Missão o empreendedor deve partir de um sonho. Mas o sonho sem visão não vale nada, daí que a Missão sem a Visão também não chegará a se concretizar como o propósito maior de um empreendimento. O empreendedor é antes de tudo um visionário e não um missionário porque a missão é conseqüência de uma visão bem formulada.
O que estou argumentando aqui com este texto não é uma mera crítica ao artigo de Dalmir, mas uma tentativa de completá-lo em alguns detalhes que evitem confundir o leitor, sobretudo no caso de estudantes de Administração com os quais trabalho e que podem ler esse e outros autores que dissertam sobre o tema Empreendedorismo, que tem sido bastante divulgado nos últimos anos e para o qual têm surgindo muitos interpretes, muitos escritores e pesquisadores dentro da academia, e assim ficar desnorteados ao comparar o que se discute.
Trabalho com este tema desde os anos 90 do século passado e já pesquisei muitos e variados textos sobre o assunto como base para completar minhas atividades docentes nos cursos superiores com os quais lido (Administração, Química, Sistemas de Informação), além de pesquisa e estudos que realizei para elaborar minha dissertação de Mestrado, e muito já escrevi e falei em palestras sobre ele. Por isso não poderia me furtar a tratar desta questão após a leitura do trabalho de Dalmir, bem como congratular-me com ele por ser mais um estudioso interessado e preocupado com o desenvolvimento de empreendedores.
Como saliento em artigos disponibilizados no Blog: http://jovinodash.blogspot.com temos como um grande desafio promover o desenvolvimento de pessoas nas empresas, nas escolas, nas faculdades, porque este é o caminho que poderá contribuir para a redução da pobreza, a elevação do IDH em nossas regiões paradoxais e levar o Brasil para uma economia do conhecimento, condição que tem sido evitada pelas elites dominantes, sobretudo as elites dinásticas e patrimonialistas nos ambientes econômico, político, cultural e educacional.
As empresas, os empreendedores que estão efetivamente visionando o futuro, devem investir mais no desenvolvimento humano de seus colaboradores e menos em treinamento ou, se desejar manter seus programas de treinamentos que não descuidem do desenvolvimento de sistemas humanos. Procuro incentivar os profissionais, estudantes, empresários para se tornarem empreendedores e com uma dedicação mais específica para estes estou editando o livro “Além de Empresário Seja Empreendedor” já no prelo e que será lançado no segundo semestre deste ano.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Por uma sociedade cooperativa e mais educada
Vamos colaborar com os ODM e com as Metas Educativas 2021.
Educação: a resposta certa ao trabalho infantil (OIT)
Leia também o Blog: http://jovinodash.blogspot.com
[i] FILION, L. J. Visões e Relações: Elementos de um Metamodelo de Empreendedor. São Paulo: REA, Nov/Dez, 33(6) 50:61, 1993.
