O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (II)

Postado por jomosil em 30.06.2008

OBJETIVO 2: ATINGIR O ENSINO BÁSICO UNIVERSAL No Brasil, os dados são de 2005: 92,5% das crianças e jovens entre 07 e 17 anos estão matriculados no ensino fundamental. Nas cidades, o percentual chega a 95%. O objetivo de universalizar o ensino básico de meninas e meninos foi praticamente alcançado, mas as taxas de freqüência ainda são mais baixas entre os mais pobres e as crianças das regiões norte e nordeste. Outro desafio é com relação à qualidade do ensino recebida. PNUD (2008)

Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões.  O Objetivo 2 refere-se à educação, que considero um dos mais importantes porque através dele todos os demais poderão se tornar mais efetivo sobretudo para o desenvolvimento, que é uma das palavras-chave deste projeto da ONU, o qual só se torna possível ou realizável quando se tem um povo educado. 

Concordo que o programa Bolsa Família já fez uma ação de melhoria muito importante. Contudo, no meu entender cada dólar (ou real) aplicado na educação e na industrialização pode trazer uma melhoria sustentável mais importante para as populações dos estados, e para o país como um todo, com um retorno mais efetivo para todos os atores envolvidos. Não se trata de uma estrada de via única da qual só sai o recurso e não entra resultados sustentáveis como vem acontecendo com os programas sociais em vigor.  

Uma redução mais efetiva e duradoura da pobreza e da fome poderá ser mais consistente através de programas de industrialização que focalizem desde negócios de baixa tecnologia, que é comum no ambiente rural e na periferia das grandes cidades, até negócios de alta tecnologia que podem ser implantados através de micro, pequenas e médias empresas em parques e distritos industriais, em especial na forma de APL e Cooperativas Setoriais de Negócios. Contudo, para que isto pudesse ocorrer seria preciso que o futuro fosse desenhado hoje através de uma visão estratégica e positiva desse futuro. 

A educação é um dos meus temas favoritos nos artigos que apresento nos Blogs e percebo que o interesse por esta questão ainda é muito pequeno ou não faz parte das prioridades das organizações, das comunidades e dos políticos, apesar de aparecer na pauta dos discursos apenas como base para propostas e falação, mas sem qualquer programa efetivamente prático e consistente. 

Como costumo discutir em meus artigos e também em classe para meus estudantes, para os povos ainda em desenvolvimento; para as regiões paradoxais; as duas melhores alternativas ou os dois melhores caminhos para se superar o atraso e adentrar o labirinto do desenvolvimento são: educação e industrialização. São os melhores caminhos para se poder reduzir a pobreza – que é outro tema que discuto com muita freqüência além de fazer parte de meus estudos de Coopreendedorismo – além de contribuir para a redução da violência gerada pelas exclusões que sofrem as pessoas. 

Alcançar as metas deste Desafio será de suma importância para os países Latino-americanos e do Caribe porque assim poderemos competir com os projetos de construção do conhecimento que vêm sendo realizados pelos paises que já estão atuando no mundo pós-capitalista. No caso específico do Brasil, dados referentes a 2003 indicam que tínhamos 80.5% de crianças cursando o quinto ano de modo contínuo sem interrupção desde o primeiro ano (PNUD, 2008)[i]

Os programas sociais, como o “Bolsa Família”, não orientam de modo incisivo para o caminho da Educação e tem-se percebido que o que as famílias arrecadam com esses programas destina-se em grande parte para sanar a fome e pouco se tem destinado à educação das crianças.  

Veja-se este artigo de Antonio Gois da Folha de São Paulo sobre pesquisa realizada pelo IBASE[ii]:  

Ao investigar o grau de segurança alimentar de seus beneficiados, a pesquisa do Ibase mostra que em apenas 17% dos casos eles estavam em situação total de segurança. Outros 28%, no entanto, enquadravam-se no que se chama de insegurança leve: não passam fome ou deixam de consumir alimentos, mas temem que isso aconteça no futuro. Havia ainda 34% das famílias que se encontravam em estágio moderado de insegurança, ou seja, há restrição de alimentos consumidos, mas não há fome.  

Com relação aos demais objetivos, creio que os indicativos de fontes para leitura e consulta que apresento aqui ajudará ao leitor obter uma boa compreensão de como estamos indo e o que devemos fazer para melhorar os indicadores a fim de, se possível, alcançar o máximo até 2015. Convido os leitores a visitar, periodicamente, os sites do Pnud, do IPEA e do IBGE para se manter atualizado em relação aos vários indicadores que medem desde o IDH ao Coeficiente de GINI e estatísticas sobre os ODM. No devido momento voltarei a apreciar o andamento do desempenho dos oito ODM, mas sempre buscando resultados concretos para os Objetivos 1 e 2. Afinal os futuros passam por estes desafios. 

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[i] PNUD. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Visita à página em 29/06/2008 http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_2/

[ii] GOIS, Antônio. Artigo. 28% dos que recebem Bolsa Família temem passar fome. Folha de São Paulo. Visita em 28/06/2008 http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u417114.shtml.   

O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (I)

Postado por jomosil em 23.06.2008

O Brasil já cumpriu o objetivo de reduzir pela metade o número de pessoas vivendo em extrema pobreza até 2015: de 8,8% da população em 1990 para 4,2% em 2005. Mesmo assim, 7,5 milhões de brasileiros ainda têm renda domiciliar inferior a um dólar por dia. Em 2005 o governo se comprometeu a reduzir o número de brasileiros em pobreza extrema a 25% do total existente em 1990 e a acabar com a fome no Brasil até 2015. Diversos programas governamentais estão em curso com o objetivo de alcançar estas metas.  PNUD (2008)[i]. 

O Objetivo I para o Desenvolvimento do Milênio trata da erradicação da pobreza extrema e da fome no Planeta até 2015. Uma meta que foi definida pelas nações trata de reduzir pela metade até 2015 “a proporção de pessoas com renda inferior a US$1/dia”. Conforme relatório da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) em sentido geral os países em desenvolvimento não vêm apresentando desempenho suficiente para garantir o alcance das metas. 

O Brasil representa uma exceção dentro do bloco latino-americano e mesmo com índices ainda baixos demonstra que chegará ao final dos desafios com este objetivo cumprido. De acordo com artigo do PNUD (2008)[ii]

O Brasil, se mantiver o ritmo do período entre 1990 e 2004, deve conseguir atingir a primeira meta, considerada central nos Objetivos do Milênio, por guardar estreita relação com todas as demais metas: reduzir à metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população vivendo em extrema pobreza. Em 1990, 23,4% da população brasileira viviam abaixo da linha nacional de extrema pobreza; em 2004, essa proporção havia recuado para 14,2%. Para conseguir reduzir a porcentagem de 1990 pela metade ainda são necessários esforços adicionais, mas 78,3% da meta já fomos cumpridas, aponta o relatório. Parte desse avanço, indica o documento, deve-se a projetos sociais, como o Bolsa Escola e o Bolsa Família, apontados como um “dos exemplos mais bem-sucedidos de transferências condicionadas na região”. 

De acordo com relatório de acompanhamento divulgado pelo governo brasileiro, o Brasil já alcançou metade do Objetivo 1, pelo menos para a meta 1 que é reduzir pela metade a pobreza. Vale ressaltar, todavia, que programas sociais como o Bolsa Família, sozinhos não poderão sustentar uma redução da pobreza por muito tempo, não passando, às vezes de mero paliativo para cumprir uma meta, mas não para transformar uma condição social para uma realidade mais promissora. 

Duas situações são discutidas pelos estudiosos e especialistas as quais fazem parte deste objetivo. Uma é a redução da pobreza outra é a erradicação da fome. Nem sempre dispor de mais dinheiro na mão significa que se disporá de mais proteínas nos pratos das pessoas. O que se tem observado, até agora, é uma distribuição quantitativa de renda baseado em recursos não-produtivos, ou seja, que não foram obtidos por meio de trabalho operativo direto como o que provém da industrialização. 

Em verdade, não está ocorrendo uma distribuição de renda no país. O que ocorre é uma disponibilização do estoque de recursos acumulados pelo governo através dos sistemas de arrecadação que ficam disponíveis para aplicação em programas para o desenvolvimento do país e, neste caso, estão sendo canalizados para programas sociais.  

Estes programas sociais são muito importantes. Porém, deve-se levar em conta que programas e responsabilidades sociais são ações derivadas e não ações primárias, que dependem da existência consolidada destas últimas. Ou seja, um programa de desenvolvimento industrial e de produção de conhecimento deve anteceder (como ação primária) um programa de desenvolvimento social (ação derivada). 

A mera distribuição do estoque de recursos monetários do governo não gera retorno e nem mantém a sustentabilidade do sistema econômico. Um exemplo de sustentabilidade é o projeto de micro-crédito realizado na Índia porque as pessoas são co-responsáveis pela sustentação do estoque de dinheiro em caixa do Banco Grameen. Isto implica que é uma contradição colocar ações derivadas antes das ações primárias como se tem feito no Brasil em todos os governos, até agora.  

No caso da Índia o projeto do Prof. Yunus representa uma ação primária que envolve as populações como co-administradoras e co-empreendedoras do sistema de micro-crédito. As ações derivadas são as aplicações que as famílias e as mulheres (em sua maioria) fazem dos recursos captados do Grameen, os quais, por sua vez, vão gerar novos recursos fechando o ciclo de Coopreendedorismo. Portanto, a obtenção em curto prazo de alguma redução da pobreza não garante que a médio e longo prazo se consiga um equilíbrio socioeconômico significativo para a população do país. 

O outro item de significativa importância neste Objetivo 1 é a erradicação da fome. Nem sempre ter dinheiro em mão significa que se obterá uma melhora no cardápio do povo. Ou seja, nem todo o dinheiro distribuído pelo programa Bolsa Família, efetivamente vai aumentar o índice protéico da alimentação dos pobres e isto não significa, em sentido pleno, sair da faixa de miséria, uma vez que à miséria estão associadas várias outras ações negativas como: aumento do analfabetismo, aumento da mortalidade infantil, aumento da violência, depredação do meio ambiente e assim sucessivamente. Até quando o governo disporá de recursos monetários para sustentar ações derivadas como o programa Bolsa Família e outros sem ser preciso onerar ou sacrificar lateralmente a população produtiva? 

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[i] PNUD. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Brasil e o mundo. Visita à página PNUD na Internet em 22/06/2008: http://www.pnud.org.br/odm/objetivo_1/ .

[ii] PNUD. Pobreza cai mais no Brasil que na América Latina, mas Saneamento ainda é problema. PNUD: Folha Informativa, página visitada em 17/06/2008 http://www.pnud.org.br/odm/index.php?lay=odmi&id=odmi. 

O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Postado por jomosil em 18.06.2008

O Brasil tem regredido na tarefa de garantir que todas as crianças completem um ciclo básico de ensino — uma das metas previstas nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, um conjunto de avanços socioeconômicos que os países da ONU se comprometeram a alcançar até 2015). Os dados mais recentes do Ministério da Educação mostram que, se a situação não se alterar, apenas 53,8% dos alunos que em 2005 ingressaram na primeira série do ensino fundamental concluirão a oitava série. (CAMPOS, 2008)[i]

Interesso-me em pautar neste tópico, como parte de um Diálogo Para o Futuro, o projeto da ONU/PNUD sobre o ODM (Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio), tendo em vista, como pude perceber em uma de minhas aulas, que os estudantes, em sua maioria, não estão “ligados” neste assunto/tema e aproveito esta oportunidade para expor algumas idéias e, sobretudo, repetir alguns trechos do relatório da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e do Caribe) para que vocês possam acompanhar em que nível se encontra os desafios que foram postos para os países. No total são oito os Objetivos e tratarei aqui de alguns destaques e indicadores para cada um desses desafios listados abaixo. 

OBJETIVO 1: Erradicar a Pobreza Extrema e a Fome

OBJETIVO 2: Atingir O Ensino Básico Universal

OBJETIVO 3: Promover a Igualdade entre os Sexos e a Autonomia das Mulheres

OBJETIVO 4: Reduzir a Mortalidade InfantilOBJETIVO 5: Melhorar a Saúde Materna

OBJETIVO 6: Combater o HIV/AIDS, a Malária e outras Doenças

OBJETIVO 7: Garantir a Sustentabilidade Ambiental

OBJETIVO 8: Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

 Além destes objetivos existem várias metas. Um total de 18 metas. O relatório também discute um total de 32 indicadores de desempenho relacionados com os objetivos e as metas os quais mostram em que nível se encontram os países da América Latina e Caribe na realização dos ODM. Os índices mostrados nesse relatório ainda não são muito animadores embora alguns revelem que existe um esforço significativo dos países para alcançar os objetivos. No caso particular do Brasil ainda se observa um fraco desempenho em alguns objetivos. Vejamos alguns resultados para os dois primeiros objetivos. Para o Objetivo 1 o desempenho ainda é fraco entre os países. Somente o Chile alcançou o nível esperado após decorrido mais de 50% do prazo que termina em 2015. Conforme o relatório do PNUD, 

A pobreza extrema na América Latina e no Caribe diminuiu cerca de quatro pontos percentuais (de 22,5% para 18,6%) entre 1990 e 2004, um avanço menor do que o necessário para o cumprimento no ano de 2015 desta primeira meta do Milênio. Por outro lado, progrediu-se de maneira satisfatória na redução da fome e da desnutrição infantil, e a maioria dos países provavelmente cumprirá a meta da erradicação da fome. (CEPAL, 2008)[ii].

 Embora o Brasil tenha conseguido alguns resultados importantes os estudiosos e pesquisadores acreditam que não se conseguirá alcançar todas as metas desses objetivos no país como um todo e, mais uma vez, percebe-se que os pontos críticos de deficiência em relação ao desenvolvimento, seja como mostrado pelos resultados do IDH, seja pelo Índice de GINI, dividem o Brasil em áreas críticas como as do Norte e Nordeste que apresentam os piores resultados em relação ao Sul e Sudeste, em especial no quesito educação[iii].


[i] CAMPOS, Osmar Soares de. Brasil retrocede em meta educacional para os ODM. PNUD. Página visitada: http://www.pnud.org.br/educacao/reportagens/index.php?id01=2950&lay=ecu, em 04/06/2008.[ii] CEPAL. OBJETIVO 1: ERRADICAR A POBREZA EXTREMA E A FOME. PNUD, página visitada: http://www.pnud.org.br/arquivos/ODM_CEPAL_1.doc, em 17/06/2008.

[iii] CAMPOS (2008) artigo cit.

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil: 12 de junho

Postado por jomosil em 08.06.2008

Hoy más que nunca, los niños necesitan de una educación y formación de calidad si desean adquirir las calificaciones necesarias para tener éxito en el mercado laboral. Sin embargo, en muchos países, las escuelas a las cuales tienen acceso las familias pobres no disponen de los recursos suficientes y no están adaptadas a sus necesidades. Instalaciones limitadas, clases sobrepobladas y carencia de profesores correctamente formados, son algunos de los elementos que contribuyen a un nivel de educación bastante abajo.[i]. (OIT, 2008)[ii]. 

12 JUNIO – DIA MUNDIAL CONTRA EL TRABAJO INFANTIL  

Este año, el Día mundial contra el trabajo infantil será marcado con un gran número de actividades organizadas en todo el mundo para transmitir el mensaje:  La educación es la respuesta acertada al trabajo infantil.

  •  una educación para todos los niños, al menos hasta la edad mínima de admisión al empleo; 
  •  políticas educativas que luchen contra el problema del trabajo infantil impartiendo una educación de calidad y una formación de calificación con recursos adecuados;
  • una educación para promover la sensibilización sobre la necesidad de luchar contra el trabajo infantil.  Hoje faremos um “Diálogos para o Futuro” diferente.

Não vamos tratar de nenhum texto especial, nem de livros que estamos lendo ou relendo. O assunto hoje é a Criança. É o trabalho infantil como fonte de pobreza, violência e redução do ser humano a um estado de miséria total (ou falência como ser dentro da natureza).  

A mensagem da OIT para divulgar o dia mundial contra o trabalho infantil é bem incisiva e mostra, como exponho acima, três premissas que devem ser observadas por todos: políticos, intelectuais, empresários, educadores e famílias. Como bem salienta o comunicado da OIT (http://www.ilo.org/ipec/Campaignandadvocacy/WDACL/2008/lang–es/index.htm), para a campanha deste ano: 

El derecho a una educación ocupa una posición central entre los derechos humanos, ya que es esencial para el desarrollo y el ejercicio de los otros derechos humanos. Constituye el medio a través del cual los niños y jóvenes, económica y socialmente excluidos, pueden salir de la pobreza. Además, los niños que se han beneficiado de la educación son más propensos a enviar a la escuela a sus propios hijos. (OIT, 2008)[iii]. 

Sempre me preocupei com a relação educação x desenvolvimento associada a uma outra relação desenvolvimento x industrialização. Tão logo se publicou o primeiro RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano), que tomei contato através da Folha de São Paulo que dedicou um caderno ao tema, fiquei impressionado com os resultados do IDH brasileiro, o qual fornecia informações que levou a equipe daquele jornal a fazer uma distribuição dos resultados que mostrou um novo mapa do Brasil: um mapa que mostrava três brasis.  

Depois deste relatório passei a dedicar mais atenção à questão da educação e da distribuição de renda (que, por conseqüência, deve resultar na melhoria da qualidade da saúde infantil que é o terceiro fator da pesquisa do IDH), de modo que tenho escrito vários artigos, realizado observações em várias localidades e apreciado o desempenho de estudantes no sentido de contribuir para que essas relações possam se tornar uma realidade.  

Vale salientar, ainda, que:  Invertir en la educación es también una decisión económicamente válida. Un reciente estudio de la OIT señala que la eliminación del trabajo infantil y su sustitución por una enseñanza universal ofrece grandes beneficios económicos, además de los beneficios sociales. En términos generales, tales beneficios superan los costos en una relación de más de 6 a 1. (OIT, 2008)[iv] 

Tentei, inclusive, desenvolver um projeto que denominei “O Pequeno Empreendedor do Futuro”, mas sem apoio financeiro e, talvez, mais institucional, não consegui concretizar na Região Sudoeste da Bahia, o qual tinha como base promover a divulgação e introduzir programas de empreendedorismo nos cursos de licenciatura, tomando como prática a realização de trabalhos junto às crianças e adolescentes em especial os meninos e meninas de rua, procurando de forma pedagógica educa-los em relação à construção de negócios.  Por isso não poderia deixar em branco sem comentários ou proposições esta data de 12 de junho e utilizei este espaço que fala do futuro hoje para propor aos leitores uma reflexão sobre a importância de se discutir o projeto da OIT, entre outros à disposição nos sites da Internet porque “a educação é a resposta certa ao trabalho infantil”. Não há como reduzir a pobreza sem educação e sem industrialização. Isto vale também para a violência e as várias formas de exclusão. Vale salientar para concluir que Educação é um dos oito desafios do Milênio. 

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Educação: a  resposta certa ao trabalho infantil (OIT)

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[i] (Tradução): Hoje mais do que nunca, as crianças necessitam de uma educação e formação de qualidade se desejam adquirir as qualificações necessárias para ter sucesso no mercado de trabalho. Sem embargo, em muitos paises, as escolas às quais têm as famílias pobres não dispõem dos recursos suficientes e não estão adaptadas a suas necessidades. Instalações limitadas, classes superlotadas e carência de professores corretamente formados, são alguns dos elementos que contribuem para um nível de educação bastante baixo.

[ii] OIT. Día mundial contra el trabajo infantil 2008 - La educación: La respuesta acertada al trabajo infantil. http://www.ilo.org/ipec/Campaignandadvocacy/WDACL/2008/lang–es/index.htm..

[iii] (Tradução): O direito a uma educação ocupa uma posição central entre os direitos humanos, já que é essencial para o desenvolvimento e o exercício dos outros direitos humanos. Constitui o meio através do qual as crianças e jovens, econômica e socialmente excluídos, podem sair da pobreza. Além disso, as crianças que se beneficiam da educação são mais propensos a enviar à escola seus próprios filhos.

[iv] (Tradução) Investir na educação é também uma decisão economicamente válida. Um recente estudo da OIT assinala que a eliminação do trabalho infantil e sua substituição por um ensino universal oferece grandes benefícios econômicos, além dos benefícios sociais. Em termos gerais, tais benefícios superam os custos em uma relação de mais de 6 a 1. 

Uma lição do passado como diálogo para o futuro

Postado por jomosil em 03.06.2008

Instrua-se e, principalmente, eduque-se o povo; a fim de que ele possa sentir o desejo de engrandecer-se materialmente e moralmente; a fim de que possa compreender a necessidade de ser previdente e de garantir o futuro; a fim de que se interesse seriamente pelo bem-estar físico e moral de sua família, cuja responsabilidade o ignorante desconhece… (Luiz Tarquínio, Apud DUMÊT, 1999, p.73)[i]. 

Depois que assisti a apresentação do trabalho em equipe de estudantes do curso de Administração das FIJ, coordenada pela estudante Sara Liana, Sétimo Semestre, na disciplina Empreendimento e Negócios I, que trabalhou o tema “Luiz Tarquínio: Uma abordagem da visão e liderança do empreendedor e da responsabilidade social empresarial”, fiquei muito emocionado, sobretudo porque me sentia como se estivesse em outro país, em outro mundo e num futuro bem longínquo que mais se assemelhava a uma das minhas utopias. 

E não resisti à tentação de desenhar um Diálogo para o Futuro com uma figura impar dentro da historia da Bahia e do Brasil: Luiz Tarquínio. Por que falar com Luiz Tarquínio é falar com o Futuro? Lendo a primorosa biografia feita por Eliana Dumêt (1999) bisneta de Luiz, percebe-se muito bem que estamos falando com um homem que surgiu de repente pela graça de uma ex-escrava para se tornar um dos maiores e melhores empreendedores brasileiros e ainda assim totalmente esquecido pela história e pelos historiadores, economistas, sociólogos, contadores, sociólogos, cientistas sociais e administradores.  

Por que Luiz Tarquínio nunca é lembrado como um dos grandes empreendedores brasileiros e dos maiores batalhadores pelo processo de industrialização do Brasil? Por que a História da Bahia e do Brasil não dedica um amplo espaço para falar, discutir, criticar até se preciso, as idéias, o trabalho, a criatividade e a visão empreendedorial de Luiz Tarquínio? 

Num primeiro momento pela minha idéia, penso que as pessoas que trabalhavam no sentido de fazer o Futuro Hoje na sociedade brasileiras dos séculos passados não eram bem vistas ou compreendidas para serem discutidas na academia e nas escolas elementares e secundárias do país. Principalmente quando essas pessoas buscavam tornar realidade idéias que pareciam aos olhares e leituras desses intelectuais ideológicos parte das utopias que eles rejeitavam em particular no que se refere à construção social de uma realidade humana includente.  Nas palavras de Eliana, 

O país, que mal estava entrando no regime de trabalho livre, distante das reivindicações de classe, tinha dificuldade em entender um homem de negócios que falava em direito dos trabalhadores, injustiça de salários e saneamento do ambiente de trabalho, que transformou em um lugar mais alegre e saudável para os operários (p.17). 

Luiz Tarquínio rompeu todos os conceitos e preconceitos da época para modelar uma organização na qual defendia o capital, dignificando e amparando o trabalho e o trabalhador. (…) Tornou-se o precursor da justiça social no Brasil, por ter reconhecido desde cedo os direitos do trabalho e do trabalhador, que o capital não pode esquecer. Sua visão clarividente anteviu, há mais de 100 anos, quando apenas começava a indústria, a necessidade de celebrar a conciliação entre capital e trabalho. (p.18-19). 

Luiz Tarquínio conseguiu mesmo sem diploma, sem cursos formalmente realizados em colégios e academias demonstrar a milhares de teóricos das ciências sociais e econômicas o significado de justiça social e a forma de promovê-la com desenvolvimento econômico. (DUMÊT, 1999, p.20). Foi chamado por alguns de louco e visionário e por outros de comunista como foi o caso de Ruy Barbosa seu contemporâneo, que, como ele, também estava conversando com o futuro diante de pessoas que só olhavam para o passado. 

Em verdade, apreciar a biografia de Luiz Tarquínio é realizar um diálogo gratificante porque nos mostra que, apesar da resistência de grupos agropecuários e políticos para dificultar o desenvolvimento industrial do Brasil ao longo dos últimos 200 anos, nossa revolução industrial ainda não ocorreu não foi por falta de pessoas com visão positiva do futuro e este empreendedor é um exemplo disso.  

Precisamos, efetivamente, criar nossa história social, política e econômica para que possamos formar os empreendedores e transformadores socioeconômicos de amanhã a partir de agora. Sobretudo porque ainda não temos uma história com H que possa contribuir para a construção do pensar brasileiro.  

Os historiadores precisam deixar de lado essa medíocre idéia de que tudo que se relaciona com empresas, com indústrias, com capital representa uma afronta à formação humana e social das pessoas. Mesmo porque os regimes centralizados não conseguiram se sustentar em virtude de que, naquelas sociedades em que se instalaram, havia uma História e um povo. Os que ainda estão em vigor fragilmente devem-se ou à fraca história do povo (Cuba, Coréia do Norte) ou a uma identificação, de certo modo precária, com a burocracia que reinava antes dessas revoluções como é o caso da China com seu estilo confuciano de administrar. Sem industrialização não existe desenvolvimento e isto Luiz Tarquínio nos mostrou há mais de cem anos.

Sem industrialização não podemos promover a educação e a redução da pobreza e da violência no país e nem elevar nossos índices de desenvolvimento humano, itens que Luiz Tarquínio já havia vislumbrado desde a adolescência, o que o tornou uma pessoa detentora de um conhecimento eclético e um exemplo de que devemos mudar nossos modelos e paradigmas pedagógicos a fim de tornar as pessoas mais livres para aprender: a pensar, a ler, a interpretar, a desenvolver (criar), a estudar e a reaprender continuamente.  

Esta é uma tese andragógica que é rejeitada pela academia e por aqueles que são preparados na academia para promover a educação. E para concluir um pouco mais do seu pensamento: A inteligência, a atividade, o trabalho e a dedicação dos pobres e plebeus só têm valor, só merecem apreços para os grandes corações, para as almas nobres, para os espíritos privilegiados… (Tarquínio, Apud DUMÊT, 1999, p.31). 

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[i] DUMÊT, Eliana Bittencourt. Luiz Tarquínio, O semeador de Idéias. São Paulo: Gente, 1999.

Educar a Individualidade

Postado por jomosil em 28.05.2008

Atualmente existe um acúmulo de conhecimentos sobre o cérebro que revela a obsolescência de nossos sistemas educacionais, que ainda praticam um ensino baseado em concepções do cérebro e da aprendizagem que já estão superadas. (YUS, 2002)[1]. 

Das minhas leituras e releituras deste livro de Rafael YUS um capítulo que me chamou a atenção (entre todos os que me chamaram a atenção) foi o 3 que tem por título: Educar a Individualidade, pelo fato de tratar de um assunto que sempre me intrigou nos meus primeiros anos de aprendizagem da Arte de Ler, que era o cérebro humano e seu papel na educação do homem. Neste capítulo, Yus trata de algumas conclusões que chegaram alguns pesquisadores sobre o cérebro e escolhe o trabalho de Caine e Caine (1991, Apud YUS, 2002), que apresentam como resultados de suas pesquisas doze princípios, de grande relevância para a escola, pois supõem as bases para os tipos de aprendizagem compatíveis para o cérebro (p.53). 

Vou sintetizar aqui estes princípios que, para mim, representam um significativo Diálogo para o Futuro porque fornece as bases para as (possíveis e necessárias) mudanças do sistema pedagógico como venho alertando em vários artigos. Estes princípios são um convite irrecusável aos pedagogos e professores de todos os níveis que desejam contribuir para a transformação deste país em uma nação promissora e feliz. Vamos à leitura destes princípios. 

Princípio 1: O cérebro é um sistema adaptativo complexo. Talvez a característica mais potente do cérebro é sua capacidade para funcionar em muitos níveis e de muitas formas simultaneamente. (…) Os pensamentos, as emoções, a imaginação, as predisposições e a psicologia trabalham normal e interativamente (…). A educação deve ser realizada com a natureza multifacetada do aprendiz humano. 

Princípio 2: O cérebro é um cérebro social. No primeiro ou segundo ano de vida fora da matriz, nossos cérebros se encontram em um estado mais flexível, impressionável e receptivo do que nunca. Começamos a formar nossa mente enquanto nossos cérebros/mentes interagem como nosso primeiro ambiente e com nossas relações interpessoais. (…) Por isso, a aprendizagem está profundamente influenciada pela natureza das relações sociais dos aprendizes. 

Princípio 3: A busca de significado é inata. Em termos gerais, a busca de significado se refere ao dar sentido para nossas experiências. (…) A busca de significado é encontrar um sentido de identidade, uma exploração de nosso potencial e de nossa busca pela transcendência. 

Princípio 4: A busca de significado acontece por meio da “modelação”. Na modelação são incluídos os mapas esquemáticos e as categorias, ambos adquiridos e inatos. (…) A educação efetiva deve dar aos alunos a oportunidade de formular seus próprios modelos de compreensão. 

Princípio 5: As emoções são críticas para a “modelação”. (…) As emoções e os pensamentos não podem ser separados. (…) Isso explica como estratégias, tal qual a aprendizagem cooperativa, proporcionem efeitos positivos para as conquistas e a auto-estima da criança. 

Princípio 6: Todo cérebro percebe simultaneamente, e cria partes e conjuntos. Os dois hemisférios cerebrais mantêm uma estreita interação, não importando se a pessoa está trabalhando com as palavras, matemática, música ou arte. Princípio

7: O aprendizado envolve a atenção focalizada e a percepção periférica. O cérebro absorve informação do que diretamente consciente, mas também absorve diretamente a informação que está além do centro de atenção imediato. 

Princípio 8: A aprendizagem sempre envolve processos conscientes e inconscientes. (…) Isso significa que muito da compreensão pode não ocorrer durante uma aula, mas horas, semanas ou meses depois. Isso implica o desenho apropriado do contexto, a incorporação da reflexão, as atividades metacognitivas e os caminhos para ajudar criativamente os alunos a elaborar idéias, habilidades e experiências. O ensino vem a ser, assim, uma questão que consiste em ajudar os alunos a tornar visível o que invisível. 

Princípio 9: Temos ao menos duas formas de memória organizativa. Apesar de existirem muitos modelos de memória, um que proporciona uma excelente base para os educadores é considerar que temos uma memória espacial/autobiográfica, que não precisa ser repetida e permite lembrar da experiência no “instante”, estando sempre envolvida, sendo inesgotável e motivada pela novidade. 

Princípio 10: Aprendizagem é desenvolvimento. (…) O cérebro compreende e lembra melhor quando os fatos e as habilidades estão impregnados na memória espacial natural. (…) Entretanto a aprendizagem é ilimitada: os neurônios continuam sendo capazes de estabelecer novas conexões durante toda a vida. 

Princípio 11: A aprendizagem complexa é reforçada pelo desafio e inibida pela ameaça. O cérebro/mente aprende muito (estabelece conexões máximas) quando é desafiado de maneira apropriada em um ambiente em que se estimula a atitude de correr riscos. No entanto o cérebro/mente “enfraquece” quando percebe uma ameaça. (…) Dada a percepção ameaçadora das provas, é recomendável avaliar de maneira alternativa, em um ambiente de alerta relaxado, utilizando os desempenhos e as produções (portfólios). 

Princípio 12: Cada cérebro está organizado de maneira única. (…) As inteligências múltiplas e os estilos de aprendizagem são aspectos característicos do ser humano e nos mostram a necessidade de educar partindo da individualidade de cada pessoa. 

Deixo a análise, a reflexão e discussão destes doze princípios para o próprio leitor. Eles são importantes e merecem um estudo mais aprofundado. A leitura do livro pode ampliar as idéias e ajudar-nos a pensar melhores formas de proporcionar a aprendizagem em nossas aulas. 

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[1] YUS, Rafael. Educação integral: Uma educação holística para o século XXI. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Os Estatutos do Homem (Thiago de Mello)

Postado por jomosil em 19.05.2008

Dentre as minhas releituras favoritas uma é o expressivo e contagiante poema de Thiago de Mello Os Estatutos do Homem, o qual, certamente, alguns de vocês já tiveram a oportunidade de ler. Nada melhor, nestes dias sombrios de indefinição política, econômica, cultural (no caso específico do Brasil), do que conversar um pouco com Thiago de Mello através de seu poema. No Brasil, pelo que posso perceber e venho sentindo isto desde a juventude, não existe o hábito pela leitura da poesia e de poemas, o que faz deste país, possivelmente (que me conteste aqueles que possuam informações mais precisas e atuais), um país sem poetas e sem poemas, embora sejamos bons trovadores, pelo menos em alguns rincões desse imenso território (como é possível perceber no Nordeste, nos já quase esquecidos livrinhos de cordel o que vem ainda mais reforçar minhas idéias de que não somos ou deixamos de ser trovadores, poetas e declamadores). Creio que a poesia é a mais sublime forma de expressão da liberdade humana e se considerarmos que essa liberdade é uma utopia disso resulta que não vivemos uma vida verdadeira. Assim… 

Thiago de Mello: Fica decretado / que agora vale a verdade. / Agora vale a vida, / e de mãos dadas, / trabalharemos todos / pela vida verdadeira. 

Então fica decretado, também, que os dias tristes, os momentos modorrentos da cotidianidade sombria, cinzenta, como dizem alguns, também deverão ser postos de lado a fim de podermos trabalhar como se todos os dias fossem domingos? 

Thiago de Mello: Fica decretado / que todos os dias da semana, / inclusive as terças-feiras / mais cinzentas, têm direito / a converter-se em manhãs / de domingo. 

Em sentido poético isto realmente é maravilhoso, mas como as pessoas irão ou poderão fazer isto acontecer, quando vivemos num mundo em que a desconfiança é a referência padrão para todos e perdemos o contato com uma realidade pedagógica que poderia contribuir para a transformação do Homem num ser integral? Então… 

Thiago de Mello: Fica decretado que o homem / não precisará nunca mais / duvidar do homem. / Que o homem confiará no homem / como a palmeira confia no vento, / como o vento confia no ar, / como o ar confia no campo azul / do céu.O homem confiará no homem como/ um menino confia em outro menino. 

Isto é muito interessante. Porém, fico a meditar como poderemos em um mundo cartesiano que se pauta por dicotomias e dilemas tendo sempre como referência dois pólos para todas as coisas do mundo: um bom e outro ruim; um verdadeiro e outro falso; ou um que lhe interessa e outro que ele pensa que não lhe interessa ou que tende a lhe causar algum prejuízo num jogo de verdade/mentira. 

Thiago de Mello: Fica decretado que os homens / estão livres do jugo da mentira. / Nunca mais será preciso usar / a couraça do silêncio / nem a armadura de palavras. / O homem se sentará à mesa / com seu olhar limpo / porque a verdade passará a ser servida / antes da sobremesa. 

Neste caso… 

Thiago de Mello: Por decreto irrevogável / fica estabelecido o reinado permanente / da justiça e da claridade, / e a alegria será uma bandeira generosa / para sempre desfraldada / na alma do povoFica decretado que o dinheiro / não poderá nunca mais comprar o sol / das manhãs vindouras. / Expulso do grande baú do medo, /o dinheiro se transformará / em uma espada fraternal / para defender o direito de cantar / e a festa do dia que chegou. 

… finalizando, podemos dizer que hoje é o futuro de uma nova utopia e o futuro será o agora da grande realização do Homem e do Planeta, por isso… 

Thiago de Mello: Fica proibido / o uso da palavra liberdade, / a qual será suprimida dos dicionários / e do pântano enganoso das bocas. / A partir deste instante / a liberdade será algo vivo e transparente / como um fogo ou um rio, / ou como a semente do trigo / e a sua morada será sempre / o coração do homem. 

Foi muito bom conversar com Thiago de Mello. Mais ainda porque uma oportunidade como esta de rever, reler e reinterpretar um poema como Os Estatutos do Homem não é fácil de achar sempre. Espero que este diálogo contribua, um pouco mais, para melhorar a nossa compreensão da Natureza, do Planeta e do Homem. 

Pão, Paz e Liberdade

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O Caminho para uma Administração Total

Postado por jomosil em 12.05.2008

O Ser Total[i]. O caminho para uma Administração Integral 

Seja imprevisível e esteja em constante mudança. Nunca pare de mudar e nunca pare de ser imprevisível; somente assim a vida pode ser uma alegria. OSHO (2004)[ii] 

Conversar com o Prof. Caravantes é mais que gratificante, é uma viagem dialógica fascinante que nos projeta em um futuro presente. Podemos perceber bem esta projeção quando lemos o “O Ser Total”. Criador, juntamente com W. Bjur, da Metodologia (ou princípio científico) denominado ReAdministração, conversa aqui comigo e com os leitores e nos apresenta um pouco do que ele chama de Ser Total. O que é mesmo esse Ser Total? 

Num mundo crescentemente organizacional, as macroorganizações e as estruturas são normalmente consideradas os pontos fulcrais de análise. Pois, ainda que seja assim, creio que possa e mesmo deva ser diferente. As organizações – pouco importa seu tamanho – são extensões do homem, são ficções legais, produto e obra da imaginação desse próprio homem. Portanto, se algo ou alguém deve ser considerado o centro das atenções e o ponto de partida, eu não tenho nenhuma dúvida, este é o homem. (p.16). 

O que você denomina Ser Total eu denomino Homem Integral. Neste caso estou considerando o Homem em, pelo menos, quatro grandes esferas segundo nos foi legado por T. Chardin, como sejam: Noosfera; Hilosfera; Logosfera; Biosfera. Creio que para alcançarmos uma condição de Ser Total dentro das organizações, independente do tamanho que elas apresentem, teremos que imprimir uma transformação, uma mudança, sobretudo educacional, que vai afetar alguns paradigmas que estão incrustados no comportamento desse homem pelo menos desde o Iluminismo.  

Entendo aqui o homem em seu sentido mais amplo, total e completo e não apenas o homem funcional, o homem-mosaico, dividido e esfacelado entre as múltiplas exigências da vida organizacional moderna. Na minha visão pessoal, ou somos capazes de nos repensarmos como homens, de nos autodesenvolvermos e nos aperfeiçoarmos – e de forma acelerada – ou então estamos fadados a um futuro nada promissor. (p.16). Às vezes tenho a nítida sensação de que criamos um mundo tão complexo, tão intrincado, que nós próprios acabamos por não mais entendê-lo. Outras vezes eu procuro comparar a época em que meus pais passaram sua juventude com a que eu hoje vivo; definitivamente não há muito em comum. (p.19). 

No que concerne às organizações estamos vivendo sucessivas mudanças, em grande parte estruturais e muito pouco comportamentais, e muitas delas as vezes trazem consigo denominações que sugerem, quase sempre, arranjos e afirmações  teóricos quando, no meu modo de estudar, se tratam de meras técnicas gerenciais. Eu ainda não consigo vislumbrar teorias de administração e continuo a imaginar a administração como uma grande e complexa disciplina, a qual tem encontrado apoio científico significativo em várias áreas de conhecimento e em várias ciências, como é o caso da Biologia com a Teoria dos Sistemas Gerais. 

Tal teoria, que teve seu ponto de partida na Biologia, permitiu, por exemplo, que as organizações fossem vistas como sistemas abertos, inter-relacionados com o ambiente e preocupados com a eficácia, com os resultados, e não somente com seu processamento interno. (p.29). 

A educação formal, especializada, passou, pouco a pouco, a substituir a experiência que, tradicionalmente, era obtida pela vivência, pelo exercício contínuo de determinada função. Cada vez mais fica a produtividade do indivíduo dependente de sua capacidade de incorporar novas teorias e conceitos aprendidos na escola, e a de transferi-los para a atividade diária. (p.29). 

Nesse novo contexto, as organizações e os papéis que desempenham deverão ser reinterpretados segundo uma abordagem radicalmente diferente, e os seus dirigentes, mais do que simples treinamento, deverão buscar um auto-desenvolvimento que os capacite a entender, conviver e administrar a nova realidade (p.31-2). 

Nada menos que um novo conceito de administração se faz necessário, e que se pode correr o risco de batizar com o nome de Administração Transpessoal. Atrevo-me a, mais do que o risco de cunhar nomes, tentar estabelecer um conceito para Administração Transpessoal: um novo campo de pesquisa em Administração, de caráter multidisciplinar, onde conhecimentos científicos das áreas de Behavior, Ciências do Comportamento Aplicadas, Psicologia, Antropologia Cultural, Comunicação, Cibernética e Estratégia, bem como técnicas como Programação Neurolingüística e Hipnose são contemplados (p.32). 

Penso que para alcançar a esfera de ser total, ser integral, para o Homem é preciso mudar os paradigmas educacionais em todos os sentidos, sobretudo aqui no Brasil. Em especial as empresas devem investir menos em Treinamento e mais em Desenvolvimento de Sistemas Humanos. 

O grande desafio com que nos defrontamos é a busca de uma sociedade auto-renovável, isto é, imune à decadência e à entropia. (p.50). (…) E este homem capaz de auto-renovação com toda certeza não pode ser produto de treinamento pura e simplesmente. Minha distinção entre indivíduo treinado e indivíduo desenvolvido é que o primeiro é preparado especificamente para desempenhar uma tarefa ou função predeterminada e não para discutir sua real validade. Ele é capaz de implementar com maior ou menor precisão o que lhe foi atribuído ou ordenado. E o que são indivíduos desenvolvidos? (…) são cônscios de que a realidade não está lá fora, esperando para ser descoberta, mas que cada um é participante efetivo da realidade social, ainda que o caráter dessa participação possa diferir de um para outro. (p.55). 

Sei que poderíamos continuar por longos textos conversando com o Prof. Caravantes, em especial neste tema que ambos gostamos, relativo a uma Administração Transpessoal que, no meu trabalho está incluída no contexto para Administração Integral. A leitura de Ser Total e outros livros do Prof. Caravantes é muito importante para a formação de administradores para administrar as organizações deste século e enfrentar os desafios de uma sociedade infoeconômica glocal. 

Pão, Paz e Liberdade.

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[i] CARAVANTES, G. R. O Ser Total. Porto Alegre: AGE, 2002.

[ii] OSHO. Pepitas de Ouro. São Paulo: Gente, 2004.

Diálogos para o Futuro

Postado por jomosil em 05.05.2008

Um Diálogo com a Arte de Ler. Ou o desencontro entre Leituras.

Oh! Bendito o que semeia

Livros… livros à mão cheia…

E manda o povo pensar!

Castro Alves (1847-1871)[i]

Quando na segunda metade do século 19 para Castro Alves distribuir livros a mão cheia representava o melhor caminho para se conseguir promover as transformações culturais para um país, hoje em pleno século 21, obscurecer as mentes através de uma sub-cultura mecanicista parece ser o instrumento mais eficiente para sustentar políticos e ideologias medíocres. 

É difícil, pela minha leitura sociológica, se alcançar a liberdade sem que se possa construir uma base para o auto-conhecimento das pessoas e isto passa pela educação, pela leitura, pela Arte de Ler. Não vejo possível, ainda, aqui neste país, qualquer Diálogo para o Futuro quando o brasileiro lê não mais que 1,8 livros por ano. Creio que, em sentido contrário, a aquisição ou mesmo a apreensão per capita de músicas tipo “Creu” e outras de estilo (?) musical duvidoso seja muito maior que 10 ou 12 por ano.  

Ou seja, nossa população está mais preparada para absorver mediocridades e menos preparada para absorver intelectualidades. Tal quadro dificulta o desenvolvimento local sustentável e ficamos reféns dos negócios estrangeiros e não passamos de meros (e péssimos) consumidores de produtos (inclusive os “Creus da vida”) que vêm de fora, bem como do que aqui se produz.

Estou vivendo em um estado brasileiro que amarga um dos mais altos índices de analfabetismo e, ainda assim, nesse estado, em uma cidade do sudoeste, um grupo de abnegados professores, alunos, funcionários de uma universidade ousa desenvolver, criar, implementar um projeto sobre leitura infanto-juvenil! Parece-me que estou sonhando, que estou no futuro e não aqui e agora diante deste quadro de plena deseducação do povo, como deseja muito dos que se arvoram donos do poder.

Construir um diálogo com a Arte de Ler é, sem dúvida, nestas paragens do Sudoeste da Bahia, o cenário de um futuro que não se descortinará cedo como realidade presente; é um dos maiores desafios que uma pessoa letrada (pelo menos) tem diante de si. É o confronto entre o letramento e o aletramento.  Entre o esclarecimento e a alheamento. E isto fica bem patente quando um projeto como o ENLLIJ não recebe o apoio social, cultural, político, financeiro (econômico), científico que merece pela sua grandiosidade e até mesmo da população que carece de informações e de comunicação relacionadas com a educação.  

Por quê? Está bem claro que tal situação acontece porque ela não proporcionará aos poderosos condições de continuidade no poder através do voto do leitor, da pessoa letrada, a qual só conseguiria atingir este nível importante para a construção de sua liberdade através da Arte de Ler.

Esta falta de apoio ficou bem patente pela falta de divulgação ou falta de interesse dos órgãos de mídia local. A mídia só tem interesse maior por temas ou assuntos que não impliquem uma leitura mais amadurecida por parte do ouvinte ou leitor de jornal. Assuntos que sejam capazes de construir eleitores em lugar de leitores (parafraseando, aqui, o Dr. Maurício Cavalcante em sua fala na abertura do II ENLLIJ) interessam mais aos políticos em geral, e o jornalismo local segue esta mesma cartilha de estar devidamente atrelada (e à sombra) daqueles que estão no poder. Afinal, a mídia também é maquiavélica.

A isto eu chamo desencontro entre Leituras. Enquanto um grupo pequeno (pequeno mesmo ou, diria, micro) de pessoas realmente interessado em promover uma Leitura Real das coisas e do mundo, realmente interessados em promover Diálogos para o Futuro, um grupo maior (pode-se dizer macro) está fazendo o inverso, promovendo a não-leitura do texto e do contexto, promovendo o não-diálogo porque as incursões políticas para caça de votos são preferencialmente monológicos e não dialógico, para evitar que o e-leitor faça muitas perguntas ou mesmo cobranças de promessas que foram feitas, ex ante, na eleição passada.

Ler ainda é uma utopia ou um estado de arte utópico para uma vasta população de não-alfabetizados, por isso pessoas que fazem projetos como o II ENLLIJ estão no futuro enquanto a grande maioria está no passado e dificilmente chegará a este futuro. Mas, recuso diálogos pessimistas e por isso ainda acredito que nossa utopia é válida e chegará a se tornar uma realidade, contrariando vontades políticas e desdém jornalisticos.

Pão, Paz e Liberdade.

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[i] ALVES, A. de Castro. Poesias Completas de Castro Alves. EDIOURO, 1966.

Redes e Conexões

Postado por jomosil em 26.04.2008

Um diálogo com F. Capra[i] 

Comecei meu diálogo com Capra durante o curso de Mestrado, quando realizei a leitura e discussão do seu livro “O Tao da Física”.  Daí em diante realizei leituras de “O Ponto de Mutação”, “A Teia da Vida” e “As Conexões Ocultas”, que escolhi para apreciar neste Diálogos para o Futuro. “As Conexões Ocultas” é um livro dividido em duas partes. Na primeira parte Capra discute  o surgimento da vida no planeta: a vida, a mente humana e a sociedade bem como a sua realidade social. Na segunda parte o autor aprecia alguns desafios para o século XXI e aqui ele aborda o papel da liderança nas organizações, as novas tecnologias e suas influências nas mudanças socioeconômicas, em especial a biotecnologia.  Fiz várias leituras sobre o surgimento da vida no Planeta, de Darwin a Oparin, e outras leituras complementares. Alguns pontos interessantes, mas para mim, ainda não conclusivos, ficaram esclarecidos. Não vou dialogar sobre a origem da vida, mas sobre redes e conexões que são temas mais presentes e que podem representar importantes achados paras o futuro. Concordo com uma ciência da consciência e aprecio muito a Teoria da Cognição de Santiago, desenvolvida por Maturana e Varela, sobretudo porque considero a Autopoiese uma das mais importantes  mudanças para o paradigma científico, abrindo espaço para novos achados em vários campos do conhecimento. 

Capra: Na minha opinião, a teoria da cognição de Santiago é a primeira teoria científica a superar a cisão cartesiana entre mente e matéria, e por isso terá conseqüências das mais momentosas. A mente e a matéria já não parecem pertencer a duas categorias diferentes, mas podem ser concebidas como dois aspectos complementares do fenômeno da vida – processo e estrutura. Em todos os níveis da vida, a começar com o da célula mais simples, a mente e a matéria, o processo e a estrutura, acham-se inseparavelmente unidos. 

Concordo que precisamos nos conhecer mais, que precisamos viver mais a existência do ser humano ou definir melhor o conceito de vida e como ela avançou neste Planeta para podermos alcançar um nível de consciência bem mais amadurecido. Creio que assim poderemos melhor nos considerar Humanos. E uma questão fica pendente, ainda, que se refere a uma ciência da consciência que possa contribuir para que possamos chegar a um novo iluminismo capaz de superar fragmentação cartesiana que gerou o primeiro iluminismo do saber e do conhecimento. 

Capra: Embora os cientistas e filósofos da cognição tenham proposto muitas maneiras diferentes de proceder ao estudo da consciência, e tenham as vezes se engajado em acalorados debates, parece que se está chegando a um consenso cada vez maior quanto a dois pontos de grande importância. O primeiro, como já dissemos, é o reconhecimento do fato de que a consciência é um processo cognitivo que surge de uma atividade neural complexa. O segundo é a distinção entre dois tipos de consciência – em outras palavras, dois tipos de experiências cognitivas – que surgem em níveis diferentes de complexidade neurológica. O primeiro tipo, chamado de “consciência primária”, surge quando os processos cognitivos passam a ser acompanhados por uma experiência básica de percepção, sensação e emoção. (…) O segundo tipo de consciência, chamado às vezes de “consciência de ordem superior”, envolve a autoconsciência – uma noção de si mesmo, formulada por um sujeito que pensa e reflete. 

Ficaríamos aqui discutindo por longo tempo, mas não é este o objetivo desta página.  Apenas o que nos interessou aqui foi trazer para o leitor um pouco do trabalho de Fritijof Capra que representa um excelente diálogo para o futuro, para esse futuro que nós precisamos fazer hoje, mas que terá que ser diferente do que estamos vivendo hoje, sobretudo pelo aumento do grau de conscientização que carecemos e que estamos buscando a cada dia que passa: conscientização em relação à vida, em relação à Natureza, em relação ao Planeta. Leiam este e outros livros de Capra porque o seu trabalho contribui para aumentar o nosso esclarecimento científico sobre temas importantes que tratam do Ser Humano, da Natureza, do Ambiente e, sobretudo, da vida.


[i] CAPRA, Fritjof. As Conexões Ocultas. São Paulo: CULTRIX, 2002.


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