Poeta Gustavo Dourado

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Arquivos de 06.2009

Domingo
21.06.2009

Cordel da Literatura Brasiliense e
Literatura Brasiliense no Cordel…
Parte I
Gustavo Dourado

JK deu o início:
Poesia na arquitetura…
Lúcio, Oscar e Cardozo:
Versões da arquitextura…
Obra-prima, engenharia:
Na voz da literatura…

Literatura Brasiliense:
Nos eixos da Capital…
Satélites além do Plano:
Apartheid cultural…
As letras fora da mídia:
No Distrito Federal…

Candangos na argamassa:
Palavras em construção…
Cimento, sangue, concreto:
Poiesis da contradição…
Quem ergueu toda a cidade:
Vítimas da exploração…

Suor, cascalho, insônia:
Dia, noite, madrugada…
Construtores de um sonho:
Sol a pino, luarada…
Os versos dos trovadores:
Nos pilares do Alvorada…

Literatura no Cerrado:
Coletânea – Antologia…
Operários da escrita:
A luta do dia a dia…
No Planalto da Nação:
Os sonhos da fantasia…

A luta era ferrenha:
Peleja descomunal…
Poesia em movimento:
Nas vias da Capital:
Pás, enxadas, martelos:
Reverso estrutural…

Romance da epopéia:
Clamor e cosmogonia…
Texto, contexto e ato:
Cálculo e geometria…
Suor que molda o tijolo:
Às vigas da engenharia…

Palavras, semeadura:
A pá, lavra o pensamento…
Lavra à pá a consciência:
A pá lavrou o movimento…
Palavradores de versos:
Poetas do sentimento…

Cordelistas, cantadores:
Os poetas pioneiros…
Edificaram a nave-mãe:
Foram os vates primeiros…
Ergueram os monumentos:
São consagrados obreiros…

Literatura Brasiliense:
Texto em elaboração…
Prosa que sai do barraco:
Do candango em extinção…
Poesia da argamassa:
Cimenta a desilusão…

Poesia não divulgada:
Não aparece em jornal…
Pelo editor, censurada:
Guilhotina visceral…
Não tem vez no suplemento:
Nem no caderno cultural…

Literatura combatida:
Pela midiocridade…
Editores tribisonhos:
Agentes da imoralidade…
Rola um jabaculê:
Fica o verso na saudade…

Pseudoutores sem ética:
Crititicos sem verdade…
Deturpam fatos, notícias:
Divulgam vulgaridade…
Falam mal do que é bom:
Castram a criatividade…

Dispensadores de versos:
Deletam a rebeldia..
Stalinizam o verso:
Hitlerizam a poesia…
Mentem descaradamente:
Dia e noite, noite e dia…

Versos que formam palavras:
Dissecam a realidade…
Brasilíada do Cerrado:
Contra a adversidade…
Romperá trancas-grilhões:
Da vil midiocridade…

Reina o totalitarismo:
Na tv e no jornal…
Lide, relise, resenha:
Etc e coisa e tal:
A poesia vai pro lixo:
Só mentira no final…

A luta é incessante:
A batalha é permanente…
Escritores que resistem:
Ao totalitari$mo vigente…
Libertem a literatura:
Da crititica indecente…

Obras sem distribuição:
Sem política cultural…
Faz-se a censura prévia:
Na tv, rádio, jornal…
Só tem vez a “panelinha”:
Fica o resto marginal…

Salafráridos da Cultura:
Predatores sem moral…
Pseudoutários da mídia:
Burrocratas sem igual…
Entreguistas sem-vergonha:
Jabaculixam o literal…

Reagentes da burguesia:
Da Indústria Cultural…
São movidos a moeda:
A soldo do capital…
Vendem-se descaradamente:
Lacaios do vil metal…

Editadores-Executivos:
Militarizam as Redações…
Censuram a Literatura:
Torturam as criações…
Dão vez aos plagiadores:
Castram as inovações…

Impõem os amiguinhos:
Fabricam a panelinha…
Publicam os aduladores:
Sugadores da maminha:
É grande a cachorrada:
No terreiro da vizinha…

Aos jornalistas honestos:
Aqui faço deferência…
Quem pratica a verdade
E a arte da decência…
Não discrimina o escritor:
Age com inteligência…

Comunicólogos de carteirinha:
De atuação deletéria…
Eu vou mudar de toada:
E falar de coisa séria…
Narrar a literatura:
Que é uma boa matéria…

A literatura vencerá:
Ocorrerá a ruptura…
A falsidade vai morrer:
Surgirá nova estrutura…
A arte vai sobreviver:
À midiota ditadura…

Escritores que se foram:
Na Sinfonia da Alvorada…
Água de beber era pura:
Catetinho, camarada…
Vinícius moldou o verso:
Fez poesia na jornada…

Bagana, primeiro livro:
Diz o dado cultural…
A obra de Rui Carneiro:
Registro documental…
Prenúncio para o futuro:
Da arte escritural…

Escritor Clemente Luz:
Fez a crônica da cidade…
Poesia, verso e reverso:
Gritos da sociedade…
Poesia, lama e concreto:
Tempo que deixou saudade…

Cassiano Nunes da UnB::
Cultor da literatura….
Bibliófilo sapiente:
Pesquisador da cultura…
Publicou diversos livros:
Fez a crítica com ternura…

Crítico e poeta audaz:
Era uma vez Oswaldino…
Desancou a crititica:
Foi leitor desde menino…
Na UnB deu o seu grito:
De um condor nordestino…

Lembro Samuel Rawett:
De Contos do Imigrante…
Fascínio, drama, mistério:
Sete sonhos…Diamante…
Crônica de um vagabundo:
Em um mundo trans.errante…

Recordarei alguns nomes:
Muitos longe já estão…
Altino, Ramsés, Miketen:
E João Emílio Falcão…
Esmerino Magalhães:
Eudoro…Luiz Beltrão…

Pompeu…Hélder…Godoy:
Jonatra, Esaú, Bandeira…
Carlos Castelo Branco:
Helena, Mauro, Oliveira…
Guimarães, Dobal, Garay:
Marinho, Penna, Ferreira…

Rossi, Almeida, Manzolillo:
Nery…Yolanda Jordão…
Benedita, Guiomar, Lourdes:
João Guilherme Aragão…
Celina Lamounier:
Fernandes da Conceição…

Omar Brasil, Otávio Afonso:
Luiz Adolfo Pinheiro:
Paulo Bertran…Marcos Braga…
E Aliomar Baleeiro…
Fernando Mendes Vianna:
Esaú…Nélson Carneiro…

Alvina, Lupe, Maria:
Guido, Celso, Aderbal…
Anderson, Danilo, Edísio:
E Victor Nunes Leal…
José Dilermando Meireles:
Estellita e Roberval…

Antônio Girão, Fausto Alvim:
Carlos Brasil…Ascendino…
Dário de Castro Alves:
E o poeta Severino…
Diana Bernardes e Cyro:
Fischer, Reinaldo, Levino…

Eliezer Bezerra…Geraldo Costa:
Tanuri…Arnaldo Brandão…
Dário Macedo…Setti, Cansi:
Salles e Antônio Girão…
Da Costandrade e Brandes :
Francisco Morojó Pezzão…

Hermes Lima…Aloysio Chaves…
Wolney Milhomem…Valdemar…
Newton Rossi…José Newton…
Ronald Figueiredo…Osmar…
Olympíades Guimarães:
Vou contextualizar…

Anderson Araújo/Maria Braga:
Berecil…Aluísio Napoleão…
Benedita Damasceno:
Francisca, José, João…
Joaquim Francisco de Matos:
História em primeira mão…

São tantos as escritoras:
Escritores em ação…
Muitos os que se foram:
Ficam na recordação…
Posso esquecer alguém:
Farei rememoração…

Depois falarei dos vivos:
E de sua atualidade…
Vou tirar leite de pedra:
Ir à contemporaneidade…
Aqui fico por enquanto:
Releio o livro da saudade…

Sou Baiano-Brasiliense:
Gosto de ficar no tom…
Estudo a literatura:
Vem de berço esse dom…
Sou o Gustavo Dourado:
Poeta do Amargedom…

Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br

Quinta-feira
18.06.2009

Cordel  para Patativa do Assaré:

Centenário do poeta cearense…

Gustavo Dourado

Antônio Gonçalves da Silva:
Um criador destemido…
Grão-mestre do improviso
O Patativa conhecido…
Patativa do Assaré:
Poeta lido e ouvido…

Nasceu em 5 de março:
1909,o ano…
No Estado do Ceará:
Um poeta soberano
Exímio compositor:
Ritmo fagneriano…

A Triste Partida…Meu Protesto
O Poeta da Roça:Vou Vorá
Apelo dum Agricultor
Vaca Estrela e Boi Fubá
Coisas do Rio de Janeiro:
“Cante Lá que eu Canto Cá”…

Se Existe Inferno:
Mote/Glosas a rimar…
Peixe…Você se Lembra?
Poeta a nos encantar…
Patativa do Assaré:
Num galope a beira mar…

Inspiração Nordestina – 1956:
Primeiro livro de poesia…
Cantos do Patativa -1967:
Carrego na fantasia…
“Cante Lá que Eu Canto Cá”:
Consagrada alquimia…

Ispinho e Fulô – 1988:
Patativa e Outros Poetas de Assaré…
Cordéis – 1993:
Aqui Tem Coisa: Não é?!
Biblioteca de Cordel, Balceiro:
Ao pé da mesa, seu Zé…

Poeta bem popular:
Exímio compositor…
Filho da contradição:
Vate interlocutor…
Mote, peleja, desafio:
Faro improvisador…

Veio de família pobre:
Da arte da agricultura…
Lutou pela sobrevivência:
Sem perder sua candura…
Lavoura, subsistência:
Doença, fome, amargura…

Ficou cego de um olho:
Ainda bem pequenino…
Padeceu o sofrimento
Desde o tempo de menino…
Aos oito anos de idade:
Sofreu mais um desatino…

Antônio perdeu o pai:
E precisou trabalhar…
Para ajudar a família:
Foi a terra cultivar…
Era preciso resistir:
Para a fome não matar…

A roça era o caminho:
Para poder sobreviver…
Tempo de analfabetismo:
Poucos lá sabiam ler…
Quem não sabe a leitura:
Muito pouco pode ver…

Aos 12 anos na escola:
Começou a aprender:
Logo é alfabetizado:
Passou a compreender
A arte da Aritmética:
Matematiza o viver…

Fluiu criatividade:
No ritmo do improviso…
É a poesia que nasce:
Sem licença, sem aviso:
Mistura verso e dor:
Sem perder o seu sorriso…

Repente, cordel, cantoria:
Começa a se apresentar…
Eventos, festividades:
Patativa está no ar…
É ouvido na Araripe:
Por Arraes de Alencar…

Por volta dos 20 anos:
É chamado Patativa…
O seu canto tem beleza:
Sua poesia é altiva…
Patativa do Assaré:
De poesia sempre-viva…

No Cratoe no Juazeiro:
Poesia de arte fina…
Publica o primeiro livro:
Inspiração Nordestina…
Os Cantos do Patativa:
Com a verve cristalina…

Patativa do Assaré:
Novos poemas comentados…
Em coletânea poética:
Textos bem apreciados…
“Cante lá que eu canto cá”:
Os seus versos consagrados…

Nove filhos com Belinha:
Esposa de toda a vida….
Amava o Cariri:
A sua terra querida…
Memorizava o verso:
Fez da arte sua lida…

Nordestino Sim, Nordestinado Não:
Apelo dum Agricultor…
Vaca estrela e Boi Fubá:
De A Triste Partida, criador…
Coisas do Rio de Janeiro:
Versos de um cantador…

Se Existe Inferno, Você se Lembra?
Peixe, A Terra é Naturá…
Tantos versos pela vida:
Meu Protesto, Vou Vorá…
O Poeta da Roça, Mote/Glosas:
Cante Lá que eu Canto Cá…

Patativa e Outros Poetas de Assaré:
Ispinho e Fulô, Balceiro…
Aqui tem coisa, Cordéis:
Poetás bem brasileiro…
Biblioteca de Cordel:
Lido até no estrangeiro…

Antologia Poética de Patativa:
Digo e Não Peço Segredo
Ao pé da mesa, com Geraldo:
Foi poeta sem degredo…
Um vate de alta verve:
Homem que não teve medo…

Cidadão de Fortaleza:
“Medalha da Abolição”…
Enredo de Escola de Samba:
Honoris Causa do Sertão…
Homenagem da SBPC:
Pela arte da criação…

Memorial Patativa do Assaré:
Prêmio do Ministério da Cultura:
No Teatro José de Alencar:
A voz da literatura…
Prêmio Unipaz no Ceará:
Holismo, terra, ternura…

Diploma de “Amigo da Cultura”:
“Medalha Francisco de Aguiar”:
Troféu “Sereia de Ouro”:
Prêmio da Cultura Popular…
Em o “Cearense do Século”:
Tirou Terceiro Lugar…

“Biblioteca Pública Patativa do Assaré”:
“Artista do Turismo Cearense”:
Prêmio FIEC, Fortaleza:
Cidadão Norte-Rio-Grandense…
Honoris da UFC e da UECE:
Cidadão caririense…

Título de Doutor em Sergipe:
“Cidadão Empreendedor”…
Troféu do MST:
Pela terra, lutador…
Medalha Ambientalista:
Poeta preservador…

Doutor Honoris Causa:
Títulos e premiações…
Fama e homenagens:
Glórias e celebrações…
Foi poeta popular:
Das cidades aos sertões…

Poeta da agricultura:
Do verso foi lavra-a-dor…
Palavrava a poesia…
Cultivava a sua dor…
Venceu a morte com arte:
Cantou a vida e o amor…

Poesia de sapiência:
De sabença popular…
Memória de elefante:
Mestre no improvisar…
Oralidade fluente:
Feito as ondas do mar…

Dominava o soneto:
A linguagem corporal…
Voz, pausa, entonação:
A expressão facial…
Apreciava Camões:
Foi poeta sem igual…

Metrificava com classe:
Religião, filosofia…
A terra, a fome, o sertão:
A luta do dia a dia…
Praticava a poética:
Ia além da teoria…

Foi poeta veemente:
E mestre na ironia…
Sextilha, décima, soneto:
Era bom no que fazia…
Feiticeiro da palavra:
Um mago da poesia…

Gustavo Dourado

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