Poeta Gustavo Dourado

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Arquivos de ‘Geral’ Categoria

Domingo
21.06.2009

Cordel da Literatura Brasiliense e
Literatura Brasiliense no Cordel…
Parte I
Gustavo Dourado

JK deu o início:
Poesia na arquitetura…
Lúcio, Oscar e Cardozo:
Versões da arquitextura…
Obra-prima, engenharia:
Na voz da literatura…

Literatura Brasiliense:
Nos eixos da Capital…
Satélites além do Plano:
Apartheid cultural…
As letras fora da mídia:
No Distrito Federal…

Candangos na argamassa:
Palavras em construção…
Cimento, sangue, concreto:
Poiesis da contradição…
Quem ergueu toda a cidade:
Vítimas da exploração…

Suor, cascalho, insônia:
Dia, noite, madrugada…
Construtores de um sonho:
Sol a pino, luarada…
Os versos dos trovadores:
Nos pilares do Alvorada…

Literatura no Cerrado:
Coletânea – Antologia…
Operários da escrita:
A luta do dia a dia…
No Planalto da Nação:
Os sonhos da fantasia…

A luta era ferrenha:
Peleja descomunal…
Poesia em movimento:
Nas vias da Capital:
Pás, enxadas, martelos:
Reverso estrutural…

Romance da epopéia:
Clamor e cosmogonia…
Texto, contexto e ato:
Cálculo e geometria…
Suor que molda o tijolo:
Às vigas da engenharia…

Palavras, semeadura:
A pá, lavra o pensamento…
Lavra à pá a consciência:
A pá lavrou o movimento…
Palavradores de versos:
Poetas do sentimento…

Cordelistas, cantadores:
Os poetas pioneiros…
Edificaram a nave-mãe:
Foram os vates primeiros…
Ergueram os monumentos:
São consagrados obreiros…

Literatura Brasiliense:
Texto em elaboração…
Prosa que sai do barraco:
Do candango em extinção…
Poesia da argamassa:
Cimenta a desilusão…

Poesia não divulgada:
Não aparece em jornal…
Pelo editor, censurada:
Guilhotina visceral…
Não tem vez no suplemento:
Nem no caderno cultural…

Literatura combatida:
Pela midiocridade…
Editores tribisonhos:
Agentes da imoralidade…
Rola um jabaculê:
Fica o verso na saudade…

Pseudoutores sem ética:
Crititicos sem verdade…
Deturpam fatos, notícias:
Divulgam vulgaridade…
Falam mal do que é bom:
Castram a criatividade…

Dispensadores de versos:
Deletam a rebeldia..
Stalinizam o verso:
Hitlerizam a poesia…
Mentem descaradamente:
Dia e noite, noite e dia…

Versos que formam palavras:
Dissecam a realidade…
Brasilíada do Cerrado:
Contra a adversidade…
Romperá trancas-grilhões:
Da vil midiocridade…

Reina o totalitarismo:
Na tv e no jornal…
Lide, relise, resenha:
Etc e coisa e tal:
A poesia vai pro lixo:
Só mentira no final…

A luta é incessante:
A batalha é permanente…
Escritores que resistem:
Ao totalitari$mo vigente…
Libertem a literatura:
Da crititica indecente…

Obras sem distribuição:
Sem política cultural…
Faz-se a censura prévia:
Na tv, rádio, jornal…
Só tem vez a “panelinha”:
Fica o resto marginal…

Salafráridos da Cultura:
Predatores sem moral…
Pseudoutários da mídia:
Burrocratas sem igual…
Entreguistas sem-vergonha:
Jabaculixam o literal…

Reagentes da burguesia:
Da Indústria Cultural…
São movidos a moeda:
A soldo do capital…
Vendem-se descaradamente:
Lacaios do vil metal…

Editadores-Executivos:
Militarizam as Redações…
Censuram a Literatura:
Torturam as criações…
Dão vez aos plagiadores:
Castram as inovações…

Impõem os amiguinhos:
Fabricam a panelinha…
Publicam os aduladores:
Sugadores da maminha:
É grande a cachorrada:
No terreiro da vizinha…

Aos jornalistas honestos:
Aqui faço deferência…
Quem pratica a verdade
E a arte da decência…
Não discrimina o escritor:
Age com inteligência…

Comunicólogos de carteirinha:
De atuação deletéria…
Eu vou mudar de toada:
E falar de coisa séria…
Narrar a literatura:
Que é uma boa matéria…

A literatura vencerá:
Ocorrerá a ruptura…
A falsidade vai morrer:
Surgirá nova estrutura…
A arte vai sobreviver:
À midiota ditadura…

Escritores que se foram:
Na Sinfonia da Alvorada…
Água de beber era pura:
Catetinho, camarada…
Vinícius moldou o verso:
Fez poesia na jornada…

Bagana, primeiro livro:
Diz o dado cultural…
A obra de Rui Carneiro:
Registro documental…
Prenúncio para o futuro:
Da arte escritural…

Escritor Clemente Luz:
Fez a crônica da cidade…
Poesia, verso e reverso:
Gritos da sociedade…
Poesia, lama e concreto:
Tempo que deixou saudade…

Cassiano Nunes da UnB::
Cultor da literatura….
Bibliófilo sapiente:
Pesquisador da cultura…
Publicou diversos livros:
Fez a crítica com ternura…

Crítico e poeta audaz:
Era uma vez Oswaldino…
Desancou a crititica:
Foi leitor desde menino…
Na UnB deu o seu grito:
De um condor nordestino…

Lembro Samuel Rawett:
De Contos do Imigrante…
Fascínio, drama, mistério:
Sete sonhos…Diamante…
Crônica de um vagabundo:
Em um mundo trans.errante…

Recordarei alguns nomes:
Muitos longe já estão…
Altino, Ramsés, Miketen:
E João Emílio Falcão…
Esmerino Magalhães:
Eudoro…Luiz Beltrão…

Pompeu…Hélder…Godoy:
Jonatra, Esaú, Bandeira…
Carlos Castelo Branco:
Helena, Mauro, Oliveira…
Guimarães, Dobal, Garay:
Marinho, Penna, Ferreira…

Rossi, Almeida, Manzolillo:
Nery…Yolanda Jordão…
Benedita, Guiomar, Lourdes:
João Guilherme Aragão…
Celina Lamounier:
Fernandes da Conceição…

Omar Brasil, Otávio Afonso:
Luiz Adolfo Pinheiro:
Paulo Bertran…Marcos Braga…
E Aliomar Baleeiro…
Fernando Mendes Vianna:
Esaú…Nélson Carneiro…

Alvina, Lupe, Maria:
Guido, Celso, Aderbal…
Anderson, Danilo, Edísio:
E Victor Nunes Leal…
José Dilermando Meireles:
Estellita e Roberval…

Antônio Girão, Fausto Alvim:
Carlos Brasil…Ascendino…
Dário de Castro Alves:
E o poeta Severino…
Diana Bernardes e Cyro:
Fischer, Reinaldo, Levino…

Eliezer Bezerra…Geraldo Costa:
Tanuri…Arnaldo Brandão…
Dário Macedo…Setti, Cansi:
Salles e Antônio Girão…
Da Costandrade e Brandes :
Francisco Morojó Pezzão…

Hermes Lima…Aloysio Chaves…
Wolney Milhomem…Valdemar…
Newton Rossi…José Newton…
Ronald Figueiredo…Osmar…
Olympíades Guimarães:
Vou contextualizar…

Anderson Araújo/Maria Braga:
Berecil…Aluísio Napoleão…
Benedita Damasceno:
Francisca, José, João…
Joaquim Francisco de Matos:
História em primeira mão…

São tantos as escritoras:
Escritores em ação…
Muitos os que se foram:
Ficam na recordação…
Posso esquecer alguém:
Farei rememoração…

Depois falarei dos vivos:
E de sua atualidade…
Vou tirar leite de pedra:
Ir à contemporaneidade…
Aqui fico por enquanto:
Releio o livro da saudade…

Sou Baiano-Brasiliense:
Gosto de ficar no tom…
Estudo a literatura:
Vem de berço esse dom…
Sou o Gustavo Dourado:
Poeta do Amargedom…

Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br

Quinta-feira
18.06.2009

Cordel  para Patativa do Assaré:

Centenário do poeta cearense…

Gustavo Dourado

Antônio Gonçalves da Silva:
Um criador destemido…
Grão-mestre do improviso
O Patativa conhecido…
Patativa do Assaré:
Poeta lido e ouvido…

Nasceu em 5 de março:
1909,o ano…
No Estado do Ceará:
Um poeta soberano
Exímio compositor:
Ritmo fagneriano…

A Triste Partida…Meu Protesto
O Poeta da Roça:Vou Vorá
Apelo dum Agricultor
Vaca Estrela e Boi Fubá
Coisas do Rio de Janeiro:
“Cante Lá que eu Canto Cá”…

Se Existe Inferno:
Mote/Glosas a rimar…
Peixe…Você se Lembra?
Poeta a nos encantar…
Patativa do Assaré:
Num galope a beira mar…

Inspiração Nordestina – 1956:
Primeiro livro de poesia…
Cantos do Patativa -1967:
Carrego na fantasia…
“Cante Lá que Eu Canto Cá”:
Consagrada alquimia…

Ispinho e Fulô – 1988:
Patativa e Outros Poetas de Assaré…
Cordéis – 1993:
Aqui Tem Coisa: Não é?!
Biblioteca de Cordel, Balceiro:
Ao pé da mesa, seu Zé…

Poeta bem popular:
Exímio compositor…
Filho da contradição:
Vate interlocutor…
Mote, peleja, desafio:
Faro improvisador…

Veio de família pobre:
Da arte da agricultura…
Lutou pela sobrevivência:
Sem perder sua candura…
Lavoura, subsistência:
Doença, fome, amargura…

Ficou cego de um olho:
Ainda bem pequenino…
Padeceu o sofrimento
Desde o tempo de menino…
Aos oito anos de idade:
Sofreu mais um desatino…

Antônio perdeu o pai:
E precisou trabalhar…
Para ajudar a família:
Foi a terra cultivar…
Era preciso resistir:
Para a fome não matar…

A roça era o caminho:
Para poder sobreviver…
Tempo de analfabetismo:
Poucos lá sabiam ler…
Quem não sabe a leitura:
Muito pouco pode ver…

Aos 12 anos na escola:
Começou a aprender:
Logo é alfabetizado:
Passou a compreender
A arte da Aritmética:
Matematiza o viver…

Fluiu criatividade:
No ritmo do improviso…
É a poesia que nasce:
Sem licença, sem aviso:
Mistura verso e dor:
Sem perder o seu sorriso…

Repente, cordel, cantoria:
Começa a se apresentar…
Eventos, festividades:
Patativa está no ar…
É ouvido na Araripe:
Por Arraes de Alencar…

Por volta dos 20 anos:
É chamado Patativa…
O seu canto tem beleza:
Sua poesia é altiva…
Patativa do Assaré:
De poesia sempre-viva…

No Cratoe no Juazeiro:
Poesia de arte fina…
Publica o primeiro livro:
Inspiração Nordestina…
Os Cantos do Patativa:
Com a verve cristalina…

Patativa do Assaré:
Novos poemas comentados…
Em coletânea poética:
Textos bem apreciados…
“Cante lá que eu canto cá”:
Os seus versos consagrados…

Nove filhos com Belinha:
Esposa de toda a vida….
Amava o Cariri:
A sua terra querida…
Memorizava o verso:
Fez da arte sua lida…

Nordestino Sim, Nordestinado Não:
Apelo dum Agricultor…
Vaca estrela e Boi Fubá:
De A Triste Partida, criador…
Coisas do Rio de Janeiro:
Versos de um cantador…

Se Existe Inferno, Você se Lembra?
Peixe, A Terra é Naturá…
Tantos versos pela vida:
Meu Protesto, Vou Vorá…
O Poeta da Roça, Mote/Glosas:
Cante Lá que eu Canto Cá…

Patativa e Outros Poetas de Assaré:
Ispinho e Fulô, Balceiro…
Aqui tem coisa, Cordéis:
Poetás bem brasileiro…
Biblioteca de Cordel:
Lido até no estrangeiro…

Antologia Poética de Patativa:
Digo e Não Peço Segredo
Ao pé da mesa, com Geraldo:
Foi poeta sem degredo…
Um vate de alta verve:
Homem que não teve medo…

Cidadão de Fortaleza:
“Medalha da Abolição”…
Enredo de Escola de Samba:
Honoris Causa do Sertão…
Homenagem da SBPC:
Pela arte da criação…

Memorial Patativa do Assaré:
Prêmio do Ministério da Cultura:
No Teatro José de Alencar:
A voz da literatura…
Prêmio Unipaz no Ceará:
Holismo, terra, ternura…

Diploma de “Amigo da Cultura”:
“Medalha Francisco de Aguiar”:
Troféu “Sereia de Ouro”:
Prêmio da Cultura Popular…
Em o “Cearense do Século”:
Tirou Terceiro Lugar…

“Biblioteca Pública Patativa do Assaré”:
“Artista do Turismo Cearense”:
Prêmio FIEC, Fortaleza:
Cidadão Norte-Rio-Grandense…
Honoris da UFC e da UECE:
Cidadão caririense…

Título de Doutor em Sergipe:
“Cidadão Empreendedor”…
Troféu do MST:
Pela terra, lutador…
Medalha Ambientalista:
Poeta preservador…

Doutor Honoris Causa:
Títulos e premiações…
Fama e homenagens:
Glórias e celebrações…
Foi poeta popular:
Das cidades aos sertões…

Poeta da agricultura:
Do verso foi lavra-a-dor…
Palavrava a poesia…
Cultivava a sua dor…
Venceu a morte com arte:
Cantou a vida e o amor…

Poesia de sapiência:
De sabença popular…
Memória de elefante:
Mestre no improvisar…
Oralidade fluente:
Feito as ondas do mar…

Dominava o soneto:
A linguagem corporal…
Voz, pausa, entonação:
A expressão facial…
Apreciava Camões:
Foi poeta sem igual…

Metrificava com classe:
Religião, filosofia…
A terra, a fome, o sertão:
A luta do dia a dia…
Praticava a poética:
Ia além da teoria…

Foi poeta veemente:
E mestre na ironia…
Sextilha, décima, soneto:
Era bom no que fazia…
Feiticeiro da palavra:
Um mago da poesia…

Gustavo Dourado

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Tags: Patativa  do  Assaré    Antônio  Gonçalves  da  Silva    Ceará    Triste  Partida    Nordeste    Crato    Juazeiro    Cordel    cantoria  Cariri    improviso    Gustavo  Dourado

Segunda-feira
09.03.2009

Cordel para Euclides da Cunha 

Por Gustavo Dourado

Euclides da Cunha, gênio
Escritor monumental…
Nordeste e Amazônia:
O Sertão é seu quintal…
Os Sertões é obra-prima:
Da cultura nacional…

Entusiasta do Brasil:
Pensamento social…
Jornalista e filósofo:
Verve temperamental…
Na veia a rebeldia:
Práxis consciencial…

Filho de Manoel e Eudóxia:
Nascido em Cantagalo…
Santa Rita do Rio Negro:
A vida a abordá-lo…
Província do Rio de Janeiro:
Veio ao mundo num estalo…

Nasceu o grande escritor:
Na Fazenda da Saudade…
Foi um homem de ciência:
Lutou pela liberdade…
Sua vida foi difícil:
Sôfrega adversidade…

Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha:
O seu pai era baiano…
Eudóxia Moreira, mãe:
De Euclides, célebre arcano…
Brasilidade na alma:
De um criador soberano…

Manuel ficou viúvo:
Em momento de agrura…
Para cuidar da família:
Sem esquecer a ternura…
Euclides e Adélia filhos:
Sangue da literatura…

Ano 1866:
Dia 20 de janeiro…
Nasceu Euclides da Cunha:
Pensador e engenheiro…
Revelador do massacre:
Do povo do Conselheiro… 

Eudóxia morreu jovem:
Vítima da tuberculose…
Era o “Mal do Século”
Nos idos do Dezenove:
Euclides de lá pra cá:
A sua vida nos comove…

Repórter ..Engenheiro:
Sociólogo…Historiador  
Aos três anos perdeu a mãe:
Foi grande a sua dor… 
As tias lhe educaram:
Dando a ele  muito amor…

Ano 1871:
Rosinda a lhe cuidar…
Após a morte da mãe:
Contratempo, outro lar…
Nova Friburgo,Cantagalo:
Com o pai a viajar…

Conceição de Ponte Nova:
Residiu quando menino…
Em São Fidelis morou:
Ainda bem pequenino…
Teresópolis no caminho:
Sofrimento no destino…

Na Fazenda São Joaquim:
Passa a primeira infância…
No Cinturão do Café:
A vida boa sem ânsia…
Precisava estudar:
Pra fugir da ignorância…

Cidade de São Fidelis:
A educação formal…
Francisco José Caldeira:
Professor de Portugal…
Iniciou os estudos:
No ensino colegial…

Ano 1877:
Via Rio de Janeiro…
O pai em dificuldade:
A causa era o dinheiro…
Logo no ano seguinte:
Tomou outro paradeiro…

Segue rumo à boa terra:
À capital Salvador…
No Colégio da Bahia: 
Um ensino inspirador:
Escola Carneiro Ribeiro:
Do afamado professor…

Euclides Rodrigues da Cunha:
Volta ao Rio de Janeiro…
Vai  morar com o tio Antônio:
No coração brasileiro…
Na capital do Brasil:
Euclides foi timoneiro…

Euclides estuda no:
Colégio Anglo-Americano…
Vitório da Costa,Menezes Vieira:
Estudo em  primeiro plano:
Depois no Colégio Aquino:
Em  um  ritmo bem insano…

Ano 1883:
Sua vida a trans.formar…
Aluno de Benjamin Constant:
Matemática a calcular…
Positivismo em voga:
Euclides a se formar…

Freqüentou boas escolas:
Vontade para estudar…
Ingressou na Politécnica
E na Escola Militar…
Republicano ardoroso:
Foi um às ao protestar…  

Desafiou o Ministro da Guerra
Tomás Coelho, na  monarquia…
Atirou a sua espada:
Em ato de rebeldia…
Um cadete corajoso:
Buscava a soberania…

Conselho de Disciplina do Exército:
Euclides foi afastado… 
Propaganda republicana:
Foi um homem revoltado…
Em O Estado de S. Paulo:
Seu  nome foi consagrado…

A República proclamada:
Ao Exército reintegrado…
Euclides foi promovido:
Era nome respeitado…
Na Escola Superior de Guerra:
Tenente bacharelado… 
  
Bacharel em Matemáticas:
Ciências Físicas e Naturais…
Chegou a primeiro-tenente:
Sentimentos nacionais…
Casou-se com Ana Emília:
E padeceu muitos ais… 

Ano 1891:
A Escola de Guerra deixou… 
Na Escola Militar: 
Adjunto, ensinou… 
Influência positivista:
No coração prosperou…

Ano 1893: 
Consciente se engenhou…
Estrada de Ferro Central do Brasil:
Sua arte praticou…
Foi um homem de ação:
Sempre se determinou…

Insurreição de Canudos:
Dois artigos escreveu…
Ano 1897:
Canudos não se rendeu…
Convite d`O Estado de S. Paulo:
Na luta se empreendeu…

Presenciou o conflito:
O seu lado desumano…
Covardia oficial:
O terror do desengano…
O massacre de um povo…
Foi um ato vil tirano… 

Outros livros publicou:
À Margem da História…
Castro Alves e Seu Tempo:
Foi um discurso de glória…
Contrastes e Confrontos:
Não deu mão à palmatória…

Escreveu Um Paraíso Perdido:
Canudos (Diário de Uma Expedição)… 
Os Sertões se sobressai:
É obra de elaboração…
Fez Peru Versus Bolívia:
E versos de conflagração…

Uma vida de conflitos: 
Drama e dificuldade…
Euclides sobrevivia:
Ante a contrariedade…
Foi morto por Dilermando:
Que não teve piedade…

Levou um tiro nas costas:
Em bárbaro assassinato…
Morreu o pensador:
A história aqui desato…
Euclides merece glórias:
Pois é um herói de fato…

Euclides nos revelou:
O valente sertanejo…
Psicologia, costumes;
Em sua obra eu vejo:
Grão-mestre da literatura:
Não é mero relampejo…

Na Academia Brasileira de Letras:
Teve o nome consagrado…
Tornou-se uma legenda:
Merece ser cultuado:
Sua obra é respeitada:
Está no nível de Machado…

Defensor da Natureza:
Precursor da Ecologia…
Criativo, luminoso:
Era ás no que fazia…
Destaque entre os melhores:
Foi crítico da tirania…

Pesquisador, cientista:
Poeta de qualidade…
Foi-se o homem, fica a obra:
Buscador da liberdade…
Exemplo para o Brasil:
Herói da nacionalidade…

Gustavo Dourado é poeta, escritor, cordelista, pesquisador, jornalista. Colunista de Cronópios. Autor de 12 livros e centenas de cordéis. Premiado na Áustria e na França. Selecionado pela Unesco. Mantêm o site www.gustavodourado.com.br e o bloghttp://www.dzai.com.br/gustavodourado/blog/gustavodourado Antologia poética na Web:www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm

E-mail: gustavodourado@gmail.com

Texto  publicado em Cronópios:

http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=3835

Cordel do Plágio…

Terça-feira
27.01.2009

Cordel do Plágio…

Gustavo Dourado 

Plágio…Multiplicação

Clone…Intertextualidade

Fazem mil reproduções

Copiam sem piedade

Roubam textos sem pretexto:

Castram a criatividade…

Samplear…Reproduzir

Pirateiam à vontade

O contexto é muito triste

Imprensaram a verdade

É a Idade do Plágio:

Desfaçatez…Duplicidade…

Caras-de-pau sem caráter

Pinóquios…Camaleões

Enriquecem com mentiras

Imagens…Tele.visões

Salafráridos…Picaretas:

Maracuteiam as ações…

Crápulas copiadores

Canalhordas sem mensagem

Metralhas da recriação

Demônio$ da rapinagem

Vão pros reinos dos infernos:

A$$e$$sorar a diabagem…

Gustavo Dourado

www.gustavodourado.com.br
www.gustavodourado.com.br/cordel.htm

Sábado
24.01.2009

Laço em laço: enlace-me:
Pindoramafra: luzilázia…
A língua de Juca Pyrama:
Zumbi(u) Camoniânima
Luxafra - brasilíndia tupiguarânia
Morenua Rósea Sertântrica…

Floresce(u) Latim por tintim:
Romamor Romãe: proema
D África: Axé-Nagogô
Brasilis-flor naturativa
Antropofálica Mistura:
Frevo-fervor: Línguímã: Nheengatu…

Por tu Guesa:faço-me errantente
Trovejo-me silen cio nuniversom
Relambeijo a Língua-gen
Dos Grãs Sertons:
Lusíadas…Veredas…

BrasiLíngua! Por(tu)Guesa:
Lusídica rosa personalizada…
Experimentalizo la langue
Nas ancas filo-lógicas do verso…

Contra.passo-lhe numbigo:
Bahianauta barrococó Gregórion
Riobaldorim Casmurro Borba
Policarpideiro Caminha Drummond
Matias, Aires, Bernardim, Vieira…

Machado! Motor-serra textual
Álvaro Ricardo Alberto
Pessoa metalingual:
Santa Cecília cancioneira…
Murilo, Jorges, Sousândrade
Andrades, Campos, Bandeiras…
Serafim Ponte
Grande Mira o Mar
Bossa Nova: Tropicália…
Cobra Cabral Macunaíma…
Lima Barretom Jobim…
Rosa de Hiroshima.
Rosa das Minas:
Guímã-Rosa do Povo:
Embaixador do Ser-Tao…

Gustavo Dourado. Poeta e cordelista. Letras (UnB). Pós-graduação em artes, literatura, teatro, gestão e linguagens artísticas. Autor de doze livros. Premiado na Áustria. Selecionado pela Unesco. Tema de teses de mestrado e doutorado. www.gustavodourado.com.br

http://cordel.zip.net
http://www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm
E-mail: gustavodourado@yahoo.com.br

Cordel do Ano-Novo

Segunda-feira
29.12.2008

Cordel do Ano-Novo
Gustavo Dourado


 

Festival do Ano-Novo
Desde a antiguidade…
Na velha Mesopotâmia:
Foi grande festividade…
Nos meus tempos de criança:
Festejei a novidade…

2.000 a.C:
Começou o Festival…
Na antiga Babilônia:
Foi festa primordial…
Equinócio da primavera:
Lua Nova magistral…

Festejava-se em março:
Era festa de primeira…
O povo aproveitava:
Sacudia a pasmaceira…
Saudava o Sol nacente:
Depois da noite festeira…

A 23 de setembro:
Ano-Novo celebrado…
Pérsia, Assíria, Fenícia:
No Egito… Sol adorado…
Na Grécia em dezembro:
Era bem comemorado…

Na Roma antiga o festejo:
No mês de março era dado…
Depois  passou a janeiro:
Por ser Jano cultuado…
Há muito tempo o Ano-Novo:
Pelo  povo é celebrado…

Em 153 a.C:
O ano-novo romano…
A festa consolidou-se:
No calendário juliano…
Dia 1º de janeiro:
Calendar gregoriano.

Em 25 de Março:
Era o ano festejado…
Chegava a  primavera:
No mundo do outro lado
Até 1º de Abril:
Novo ano cultuado…

Gregório XIII instituiu:
O 1º de Janeiro…
Hoje é comemorado:
No  Ocidente  inteiro…
Até mesmo no Oriente:
Já é ato costumeiro…

Mudou-se o calendário:
O povo festeja a mil…
Resquício da tradição:
O 1º de Abril…
É o Dia da Mentira:
Na Europa e no Brasil…

Na noite de São Silvestre:
O povo fica acordado…
Para a virada do ano;
É preciso estar ligado…
Nessa noite não se dorme:
É costume consagrado…

O Ano Novo chinês:
É móvel no calendário…
Em janeiro ou fevereiro:
Li no Perpétuo Lunário…
Luzes…Pirotecnia:
Fluem do vocabulário…

A 19 de março:
Do calendário atual…
Ano-Novo esotérico:
De cunho espiritual…
Resgata a tradição:
Do tempo imemorial…

Hégira… Rosh Hashaná:
Buda…Moisés…Maomé…
Cristo Jesus em Belém:
Menino de Nazaré…
Harmonia para Gaza:
Menos bomba, mais café…

Pé de porco e lentilha:
Gritar, correr e dançar…
Bombons, balas e doces:
Festejos a beira mar…
Oferendas para os santos:
Fogos explodem no ar…

Pra você tudo de bom:
Saúde…Felicidade…
Novo ano de harmonia:
Luz…Solidariedade…
Paz…Amor e Alegria:
Sucesso…Fraternidade…

Espantem os maus espíritos:
Chega de insanidade…
Viva-se a comunhão:
Basta à barbaridade…
É hora de união:
Paz, amor e liberdade…

Fogos e oferendas:
E gritos de alegria…
Chega de guerra e terror:
Fome, ódio, hipocrisia…
Paz e amor para todos:
Saúde e sabedoria…

Belos fogos de artifício,
Abraços e buzinada…
Sonhos e esperança:
Nossa alma renovada…
Pelo fim da violência:
Paz e amor  na  jornada…

Abraçe, beije, comemore:
Faça a renovação…
Troque a roupa,os lençois:
Alivie a tensão…
Sorria e se ilumine:
Faça uma boa ação…

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1:
A contagem regressiva…
Um adeus ao ano velho:
Viva a vida progressiva…
Sem guerras e atormentos:
Consciência reflexiva…

Um Ano-Novo de luz:
O novo sol vai brilhar…
Que tudo se concretize:
Possa tudo melhorar
Multiverse o dia-a-dia:
O novo ano vai raiar…

Feliz Ano-Novo…

Gustavo Dourado
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ABC de Vladimir Carvalho

Sexta-feira
21.11.2008

ABC de Vladimir Carvalho

Vladimir Carvalho, Gustavo Dourado, Carlos Alberto Matos, Cinememória
e o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro convidam  para  o  lançamento dos  livros
ABC de Vladimir Carvalho(de Gustavo Dourado) e Pedras na Lua e Pelejas no Planalto(de Carlos Alberto Matos),
na  pérgola do Hotel Nacional de Brasília.
 
Data: 22 de novembro de 2008 - Sábado.
Horário: 17 horas.
Local: Hotel Nacional…

Domingo
16.11.2008

Poema-Cordel que canta e conta as nossas principais festas.

Festa do Interior. Festicidade. Festivais. Carnaval. Quaresma.

Romarias. Procissões. São-João. Natal. Ano-Novo…

Relata/enumera os diversos ciclos de nossas festividades… Vai do sagrado ao profano… Mescla…Mistura…Miscigena…

Terça-feira
28.10.2008

Cordel reforça voz no mundo virtual (14/9/2008)

Bruno Ribeiro - Correio Popular

Entre as tradições populares mais antigas do Brasil está a literatura de cordel. Sua origem está localizada no período colonial, quando à trova portuguesa somou-se a poética nativa do caboclo. Da mistura do épico medieval com o olhar picaresco sobre o cotidiano nascia não somente um novo tipo de poesia naïf, mas um ritmo essencialmente sertanejo e tropical. O cordel consagrou-se como sinônimo da criatividade e do humor nordestino, apesar de nunca ter sido
reconhecido como arte pela academia. O gênero sobreviveu, ao longo dos séculos, à invasão cultural norte-americana mas, curiosamente, ganhou fôlego com o aparecimento da internet — um meio de divulgação que, na teoria, seria a própria negação do sentido original do cordel.
Para o cordelista Gustavo Dourado, professor e autor de 11 livros sobre o tema, o uso da internet não trouxe prejuízos para a criação espontânea da poesia popular. “Com a internet, o cordel conquistou uma divulgação mais ampla e alcançou um público mais abrangente, principalmente estudantes e jovens leitores”, diz. Ainda segundo ele, antes de cair na rede mundial de computadores, o cordel era tido “como coisa meio folclórica, mas hoje se tornou base para centenas de
monografias, teses de mestrado e ponto de apoio para diversos segmentos da criação artística como a música, o teatro, as artes plásticas e o cinema”, afirma, em entrevista publicada em seu site www.gustavodourado.com.br
— onde boa parte de sua obra pode ser acessada.
Dourado não é o primeiro e nem o único cordelista conectado na web. Se antes os poetas se encontravam em praças, mercados e feiras livres para “pelejar”, ou seja, disputar esperteza e rapidez em versos que seguem a métrica do cordel, hoje é mais comum encontrá-los na rede, duelando virtualmente em blogs, sites e comunidades do Orkut. Alguns nomes já são bastante conhecidos dos internautas: Almir Alves Filho, Anízio Guimarães, Benedito Generoso, Rubênio Marcelo e o próprio Gustavo Dourado, entre outros.
O cordel é uma realidade no mundo virtual. Os autores, porém, negam que o computador levará ao fim dos folhetos — parte fundamental da cultura cordelista. “O cordel adaptou-se à linguagem digital. Temos folhetos virtuais que podem ser escaneados, digitalizados e impressos. Ou usa-se a internet ou publica-se o texto tradicional a um custo exorbitante e quase proibido para o cidadão comum. A internet quebra a velha estrutura dos cânones acadêmicos, midiáticos e editoriais”, analisa Dourado.

Fonte: www.brasilquele.com.br/baixar_texto.php?texto_id=3837&area=6

Bruno Ribeiro - Correio Popular

Terça-feira
14.10.2008

Castro Alves: Condoreiro Do Sertão

Gustavo Dourado

Castro Alves Popular
Poeta bem brasileiro
Telúrico…Espiritual
Libertador altaneiro
O Poeta dos Escravos
Nosso eterno condoreiro

Bardo sempre iluminado
Sol Poeta Menestrel
Trovador de alto brado
Alquimista…Bacharel
Repentista de primeira
Foi precursor do Cordel…

Na Fazenda Cabaceiras
O grande Poeta nasceu
No dia 14 de março
A Poesia floresceu
Em Mil 800 e 47
O Poeta apareceu…

Cabaceiras do Paraguaçu
De Muritiba, freguesia
Comarca de Cachoeira
No Estado da Bahia
Surge Antônio Frederico
Transmutador da Poesia

Poeta de boa estirpe
Nasceu no Interior
Pai: Antônio José Alves
Grande médico de valor
Clélia Brasília, a mãe
Mulher de fibra e amor…

Aos 5 anos de idade
A família se mudou
Residência em Muritiba…
Em São Félix…morou
Na famosa Cachoeira
Castro Alves…Estudou…

José Peixoto da Silva
O primeiro professor
O poeta bem infante
Sente a essência do calor
Recebe do amado mestre
A sinergia do Amor…

Em Mil 800 e 54
A família em Salvador
Lá na Rua do Rosário
Num sobrado encantador
Lá morreu Júlia Feital
Baleada pelo “amor”…

Mudou para a Rua do Paço
Logo no ano seguinte
Foi estudar no Sebrão
Mui atento bom ouvinte
Já gostava de Poesia
Da alma: constituinte…

No ano de 58
Vai pro Ginásio Baiano,
De Abílio César Borges
Asas ao Poeta Cigano
Treme a terra…brame o mar:
Multiversoteropolitano…

Fixa moradia em Brotas
Na Chácara da Boa Vista
Castro Alves vive a vida
Com a alma de ativista
Surgem os primeiros versos
Do monumental artista…

Dona Clélia Castro Alves
Falece em 59
É grande a emoção
O Poeta se comove
Grande baque na Família
A dor à Poesia sorve…

Em 1860
Mês setembro dia 9
Recita os primeiros versos
O Uni Verso se move
A estrela da Poesia
Pelo céu se loucomove…

Versos ao Doutor Abílio
Criativo educador
Ás do Ginásio Baiano
Seu dinâmico diretor
O Barão de Macaúbas
Grande Mestre…Professor…

3 de Julho…1861
O Poeta a declamar
Poema ao 2 de Julho
Sua verve a consagrar
O Poeta dos Escravos
Poesia a nos libertar…

Dr. Antônio José Alves
Busca o amor novamente
Maria Ramos Guimarães
Para cuidar da semente
Antônio e José Antônio
Tem Recife pela frente…

Ano 1862…
A 25 de Janeiro
Parte para o Recife
O Poeta condoreiro
Na Veneza brasileira
Faz-se vate guerrilheiro…

Publica no Jornal do Recife
“Destruição de Jerusalém”
Versos arrebatadores
Uma poesia do além
Poeta crítico altaneiro
Além do Mal e do Bem…

Surge Eugênia Câmara
Teatro Santa Isabel
Nasce o vate repentista
Vigoroso menestrel
O Amor queima a alma
Como fogo no papel…

“A Canção do Africano”
Publica em ” A Primavera”
Maio…17… 1863…
O Canto de uma Nova Era
Poeta abolicionista
Construtor da Primavera…

Eugênio Câmara no lance
Início de uma paixão
O poema “Meu Segredo”
Germina do coração
Sofre uma hemoptise
Sangue que vem do pulmão…

Primeiro ano jurídico
Após a morte do irmão
“O Futuro” ele redige
Em Arte de depuração
A Poesia toma forma
Na luta da abolição…

“Mocidade e Morte”
É poesia de primeira
“O Tísico” ele escreve
Poesia na dianteira
Sofre com o pulmão
Dor profunda e verdadeira…

Interrompeu os estudos
Volta para Salvador
Início de tuberculose
Sofre o Poeta do Amor
Tem o curso interrompido
Nosso vate sedutor…

Ao Recife ele retorna
Com o Fagundes Varela
Castro Alves condoreiro
Poeta de vida bela
Apesar do sofrimento
Fez poesia para ela…

Logo à lida retornou
Ao Recife pra estudar
Segundo ano jurídico
O Poeta vai cursar
Sociedade abolicionista
Pra escravidão acabar…

Declamou “O Século”
Sessão comemorativa
Amante de Idalina
Vida sensual…ativa
Sofria com a escravidão
Da plebe negra cativa…

Cria com Rui Barbosa
Núcleo pela abolição
Regueira Costa - Plínio Lima
Companheiros de ação
O Poeta dos Escravos
Queria a libertação…

Lança o Jornal A Luz
E ilumina o ambiente
Com o Tobias Barreto
Polemiza no Repente
O conflito das idéias
Faz germinar a semente…

Compõe “Horas de Martírio”
Na cela de um convento
Lá fez o seu habitat
Transmutou o sentimento
Navegante do eterno
Luminar de um movimento…

Declamação de “Pedro Ivo”
Teatro Santa Isabel
Poesia diamantina
Do famoso menestrel
Castro Alves precursor
Do Repente e do Cordel…

Amante de Eugênia Câmara
Teatrólogo - tradutor
Cultivou a sua dama
Com Poesia, fé, fervor
Traduziu duas peças
Dramaturgo de valor…

Poesia de indignação
Divulga em “O Tribuno”
Versos “O Povo no Poder”
Impressões de um aluno
Ativista ator libertário
Feito Giordano Bruno…

Conclui o drama Gonzaga
Ou a Revolução de Minas
No povoado do Barro
Poesias cristalinas
É nome reconhecido
Pelas plagas nordestinas…

Na Rua do Imperador
Dirigiu-se à multidão
Crítica à arbitrariedade
Do Sistema da Opressão
Torres Portugal espancado:
Protesta a população…

Teatro Santa Isabel:
Do Gonzaga fez leitura
Círculo de intelectuais
Amigos da literatura
Artistas e admiradores
Castro Alves se estrutura…

Em 1867
Volta para Salvador
Deixa de vez o Recife
Com Eugênia…Grande Amor
Retorna à Boa Terra
Bahia de Nosso Senhor…

Se instala na Bahia
Tem uma peça aprovada
Recital ao 2 de Julho
Em cena ovacionada
No Teatro São João
Tem poesia declamada…

“O Livro e a América”
Por Eugênia recitado
Em benefício do Grêmio
Com sucesso renovado
O Poeta Castro Alves
Tem seu nome elevado…

Estréia da peça Gonzaga
Dia de consagração…
O Poeta é carregado
Com louvor e devoção
Coroado pelo povo
Como às da criação…

Apresentações do drama
O Poeta é coroado
Gonzaga traz-lhe a glória
É muito bem representado
Castro Alves cria fama
É pelo povo respeitado…

Após o drama Gonzaga
Dedica-se a escrever
“Sub Tegmini Fage”
“Os Escravos” a tecer
Na bela chácara Boa Vista
Vai com Eugênia conviver…

Escreve várias poesias
Vai ao Rio de Janeiro
Acompanhado por Eugênia
Vai cantar noutro terreiro
Da Bahia para o Rio
Em 8 de Fevereiro…

Na Capital do Brasil
Vai a José de Alencar
Lê Gonzaga e poemas
Ao escritor popular
O criador de Iracema
Soube bem recomendar…

Diário do Rio de Janeiro
Gonzaga: apresentação…
A jornalistas e letrados
E Notáveis da Nação
É consagrado no Rio
No calor da emoção…

Alencar recomendou:
Foi ouvido por Machado
Que leu a peça e poemas
E exaltou a nosso bardo
Machado de Assis gostou
E demonstrou seu agrado…

Castro Alves fez sucesso
No Rio foi glorificado
Banquete de alto nível
Seu nome: homenageado,
Por Emílo Zaluar
E pelo Poetariado…

“Pesadelo de Humaitá”
Recita à multidão
Na sacada do Diário
Toca a população
O Poeta Castro Alves
Alquimista da Paixão…

Levou o Povo ao delírio
Despertou o sentimento
Coração de estudante
Alma em vôo no firmamento
Militante da Poiesis
Nas ondas do movimento …

Viaja para São Paulo
Com Eugênia e Rui Barbosa
Terceiro ano jurídico
Muita poesia e glosa
Sabia o segredo do verso
E o mistério da Rosa…

“O Livro e a América”
Recita em congraçamento
Sua estréia em São Paulo
No calor do movimento
Arquivo jurídico e literário
Promoveu o seu talento…

No Teatro São José
Triunfa em declamação
Segundo Joaquim Nabuco
Testemunha da ação
Sua “Ode ao 2 de Julho”
Recebeu aclamação…

Com o poema “Pedro Ivo”
Exalta a abolição
Prenuncia a República
Com fervor no coração
Na Paulicéia Desvairada
Faz sua Revôolução…

Discurso a José Bonifácio
Recita “O Navio Negreiro”
Triunfa em sessão magna
Com ares de condoreiro
Prega contra a escravidão
Pede o fim do cativeiro…

Gonzaga faz sucesso
No Teatro São José
Poeta glorificado
Escritor de muita fé
Castro Alves luminoso
Na Boa Terra do Café…

Nos seus atos escolares
O poeta foi aprovado
Sucesso com a Poesia
Na Escola, respeitado
Reconhecido pelo Povo
Que gostava de seu brado…

No dia 11 de Novembro
Um fato desagradável
Dizem que numa caçada
Um tiro foi disparado
Com uma bala na perna
Foi ferido o grande bardo.. .

É um fato muito estranho
Que não dá pra entender
Foi um ato complicado
Não dá pra compreender
É uma história esquisita
Que é preciso esclarecer…

No Quarto Ano jurídico
Começa a estudar
Com o problema no pé
Agrava a dor pulmonar
Tem a saúde agravada
E não pode mais estudar…

Tem a saúde abalada
Vai pro Rio de Janeiro
Luís Cornélio dos Santos
Recebe o vate condoreiro
Começa o sofrimento
Do gigante brasileiro …

Teve um pé amputado
Na mesa de operação
Não pôde ser anestesiado
Muita dor e emoção
Para dominar os nervos
Gracejou seu coração…

“Corte-o, doutor”…
O Poeta proferiu
“Terei menos matéria”
Castro Alves só sorriu
Mesmo com a imensa dor
O Poeta não desistiu…

Teatro Fênix Dramática
Com Eugênia… encontrou
Uma ano de ruptura
No período completou
Despediu-se de Eugênia
Deu “Adeus ” e embarcou…

Foi embora pra Bahia
Terra de São Salvador
Segue para Curralinho
Nas Terras do Interior
Depois em Itaberaba
Reconquista o Amor…

No sertão renasce o vate
Vive um sonho cristalino
No amor…o platonismo
No sertão diamantino
Sonha com a bela Nídia
Novo amor em seu destino…

Seis meses no Sertão
Na Chapada Diamantina
Fazenda Santa Isabel
Terra de Gente Fina
Retorna a Salvador
Pra mudar sua rotina…

No retorno a Salvador
Encontra admiradores…
Cachoeira de Paulo Afonso
Declamação com fervores
O Poeta dos Escravos
Com versos libertadores…

Lança Espumas Flutuantes
Expressão do Sentimento
Obra-Prima de Um Mestre
Gênio de um Movimento
Estrela do Romantismo
De Social Pensamento…

Agnèse Trinci Murri
Uma nova inspiração
Sente-se arrebatado
No enlevo da emoção
Com a poesia “A Violeta”
Transparece a paixão…

Declama pela última vez
No dia 10 de Fevereiro
É o último ato público
Do romântico brasileiro
Nossa expressão maior
Vate…eterno condoreiro…

Na noite de São João
Agravou o seu sofrimento
Sangrou com o Mal do Século
Na alma, o padecimento
Expirou em 6 de Julho
E voou pro firmamento…

Castro Alves é exemplo
Para o povo brasileiro
Amante da Utopia
Realista…guerrilheiro
Cantador da Primavera
Nosso Poeta primeiro…

Gustavo Dourado

www.gustavodourado.com.br

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