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O pensamento complexo

08.04.2008 por João Nunes da Silva

O pensamento complexo é uma forma de pensar, analisar e agir na sociedade a partir da idéia de complexidade. Esse termo não significa aquilo que é muito complicado e, portanto, não deve ser levado muito a serio tendo em vista que nunca se entenderá mesmo.

 O termo complexidade vem de complexus e significa a totalidade, isto é, aquilo que é formado por um todo global, de modo que não podemos compreender algo se separarmos do seu conjunto. Mas, para compreender esse tipo de pensamento, precisamos nos voltar as diversas formas pelas quais o ser humano construiu para compreender a sociedade. Ao longo do tempo os homens buscaram compreender o mundo que os rodeiam.Essa ânsia tem sido cada vez maior a partir do momento em que se percebe a necessidade de viver melhor.

 A forma racional de refletir sobre o mundo a nossa volta vem, portanto, de muitos anos atrás.  Mas foi com as grandes revoluções, como a industrial e a francesa, que surgiram novas necessidades de compreensão da vida, dos problemas e, também, a tentativa de compreender como as coisas funcionam para poder controlar, planejar e galgar novos passos rumo ao progresso e a felicidade.É nesse contexto que surgiram as chamadas Ciências Sociais, tendo como primeira forma o positivismo, cujo pensamento e metodologia de estudo da sociedade se baseia nas idéias de Descartes e no evolucionismo de Darwin. Com isso, nasce uma Sociologia Positivista baseada na idéia de linearidade e de ordem.

O pensamento positivista influencia significativamente no desenvolvimento das sociedades modernas, especialmente com a industrialização e, por sua vez, a racionalidade como parte fundamental para o progresso da humanidade.As idéias positivistas, fundadas por Augusto Comte, logo se espalham pelo mundo moderno e contribuem para o surgimento de uma sociedade cientifica e tecnológica a serviço do Capitalismo, cujo principio é o lucro máximo. A partir de então, parecia que o mundo, finalmente, ficaria melhor, de modo que todas as pessoas alcançariam a felicidade, especialmente em função do capital e dos bens matérias. Essa era a lógica da sociedade moderna, cujos fundamentos estavam no Positivismo e, em seguida, no pensamento funcionalista e sistêmico.

 O funcionalismo tem como principal teórico o pensador francês Durkheim, também clássico da Sociologia. A idéia desse teórico é que a sociedade é um todo orgânico, de modo que as partes são interdependentes, assim como acontece no organismo biológico. durkheim influencia vários teóricos, entre eles, Parsons com sua abordagem O pensamento sistêmico, por sua vez, tem como principal representante, o americano Talcott Parsons. Sua idéia é que a sociedade moderna funciona como um grande sistema formado por vários subsistemas.

No caso, a sociedade é um todo sistema e que necessita de vários subsistemas para o seu funcionamento e reprodução. Tal pensamento alimentou o desenvolvimento da sociedade industrial capitalista e tem sido bastante utilizado pelo segmento do empresariado capitalista.  

A abordagem sistêmica de Parsons tem servido muito mais na ótica do produção capitalista, cujos trabalhadores são vistos como partes do sistema, assim, devem adaptarem-se aquele e, conseqüentemente, contribuir para o desenvolvimento da sociedade.

Por sua vez, a teoria da complexidade nasce a partir dos pensamentos linear e sistêmico. Pode-se afirmar que a abordagem complexa contém o pensamento sistêmico, bem como, a dialética.

 O principal teórico da complexidade é Edgard Morin (1920). As suas idéias de complexidade parte da percepção de que a sociedade moderna, mais especificamente, com o avanço da tecnologia e dos sistemas de informação, tem trazido uma dinâmica crescente e exigido novas formas de compreensão do mundo que não fosse pautado na linearidade (reducionismo), nem tampouco simplesmente no holismo, mas sim na totalidade.

 A complexidade nega a linearidade, que se traduz no reducionismo e, portanto, no determinismo. Também, embora a idéia de sistema seja importante, não se deve reduzi-lo a idéia de produção, conforme tem acontecido no meio empresarial e industrial. Para o pensamento complexo deve-se considerar que tudo faz parte de um sistema complexo em constante interação e nos dá a idéia do todo dinâmico.

Veja que a complexidade considera sim os sistemas, todavia, não se resume à ótica positivista e reducionista da sociedade industrial.  Para Morin, a complexidade está presente nas diversas relações sociais, bem como, nas instituições e organizações, mas não holisticamente e sim, considera que  o todo é maior e menor ao mesmo tempo que a soma das partes, isto é, complexo.

A complexidade considera a idéia de transacionalidade, o que significa a noção de um conjunto dinâmico com todas as suas contradições possíveis. A importância do pensamento complexo está em não se prender a modelos para se compreender as realidades as quais estão em constantes mudanças.

 Nesse sentido, para atuar na sociedade e saber lidar com as diversas situações, cabe a idéia de complexidade, quando não reduzimos essa noção a uma posição meramente sistêmica em favor da ordem vigente. Melhor dizendo, a teoria da complexidade surge pela necessidade de uma sociedade cuja dinâmica favorece varias situações. Nas ciências sociais, a complexidade tem sua utilidade, não como modismo, mas sim como uma visão flexível para se analisar os fenômenos sociais. 

 Links sobre complexidade

1.    http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v12n36/a10v1236.pdf

2.     http://www.iecomplex.com.br/textos/pensamento_complexo.pdf

3.     http://www.ufrrj.br/leptrans/link/_O_que%20_e_o_Pensamento_Complexo.rtf

4.     http://biodanca.blogspot.com/2007/09/o-pensamento-complexo-teorias-da.html

 5.     > http://www.planetanews.com/produto/L/207666/pensamento-complexo-humberto-mariotti.html

6.     http://edgarmorin.sescsp.org.br/

7.     http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Morin

Em Geral, Sociologia

6 comentários

  1. Michelle Carneiro BRAZIL

    Professor João,
    Adorei o post sobre o Pensamento Complexo. Gostei muito da sa pelestra na ULBRA também. Um abração!!!!

  2. Ricardo BRAZIL

    Caros,

    Considero, que o bom e velho filósofo Edgar Morin fala muitas coisas interessantes porém há muitas coisas, não dá para engolir. Por exemplo, ele afirma que um componente, isto é,” um pedaço de um sistema tem a informação do todo.”. Fico pensando, que insanidade: se um computador é um sistema e ele tem placa de vídeo, conectores, monitor, fonte, processador, etc… será que um conector terá a informação do todo? O exemplo de Morin, me pareceu mais válido para alguns aspectos da sociedade, mas não para toda a mesma. Outro exemplo de Morin: “uma célula pode conter a informação do todo, do organismo…” Mas que coisa estranha! Uma célula pode possuir a informação genética, porém o que dizer da informação social, da informação que se adquire da experiência, da praxis? Gosto do pensamento de Morin, porém, não considero a tal complexidade tão complexa assim, pois também vejo contra-exemplos, acho que a mesma vale mais para as ciências sociais, mas o que dizer da Internet, Web, do espaço cibernético, atemporal, sem distância… no espaço virtual valem outras regras de modo que a complexide de Morin, ainda não a entendi no todo (risos). Também não entendi a questão de que “um copo de vinho pode ter uma molécula ou átomo do início do universo”. Que estupidez? Pode-se provar isso? Quem falou que um átomo do início do universo estará aqui no copo de vinho? Como provar isso? Outro aspecto que me chamou a atenção foi o da ordem e desordem. Ora, na minha opinião, só existem o caminho para a desordem pois a tendência é a entropia. Qualquer tentativa de se construir algo, só gera mais entropia ou desordem portanto, no cômputo ou balanço ou contabilidade final, não vejo a tal ordem e desordem, e sim, somente desordem em maior ou menor grau. O exemplo: para nos arrumarmos, isto é, pentear o cabelo, tomar banho, nos vestirmos, tivemos antes que almoçar. Ora no almoço comemos o trigo que foi ceifado (cuja vida, precocemente foi tirada), comemos um belo bife (cuja vida do boi, também foi ceifada)e assim por diante… temos que impor mais desordem para gerarmos alguma ordem que no cômputo geral leva a uma quantidade maior de desordem que alguma ordem, em outras palavras: vou construir uma hidrelétrica (gerar alguma ordem) destruindo o meio ambiente (gerando muito mais desordem e desequilíbrio e aquecimento global) e por isso há mais desordem do que um pouco de ordem e em suma o que impera é a desordem (risos). Quem não entendeu, é porque é complexo mesmo (risos). Super abraço,

    Ricardo

  3. Ricardo BRAZIL

    Gosto do Morin, porém em alguns aspectos, considero seu pensamento simplista D+ (risos). Abraços fraternais,

    Ricardo

  4. luis fernando lopes BRAZIL

    Um computador não é um sistema… Não tem nada ver uma coisa com a outra.
    Como está afirmado para outras coisas a outras regras, isso é o pensamento complexo. Dessa forma, não reduzirá o pensamento de Morin.

  5. Mira BRAZIL

    Boa noite Professor,
    Li no seu texto e gostaria de perguntar-lhe sobre “A complexidade nega a linearidade, que se traduz no reducionismo e, portanto, no determinismo”.

    A complexidade nega a linearidade?
    Obrigada,
    Mira

  6. Rogério

    O complexo se revela por aquilo que é dado pelo significado. Redes lógicas de pensamento, ação e direção, redes de símbolos, signos e significados que dão ordem (e desordem) ao mundo(ou além dele). Não se pode explicar, apenas se compreende e se vive.

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