a internet e seu uso
A internet é uma realidade na vida de muitas pessoas, de modo que algumas não conseguem sequer passar um dia sem acessar seus sites preferidos, como é o caso dos jovens, os quais são os principais navegantes da rede. Há inclusive aqueles que não conseguem sair da frente do computador, pois sua vida parece conectada unicamente ao mundo da web. Nesse caso, temos os webmaniacos.
Será que a internet deixa as pessoas alienadas, a ponto de esquecerem do mundo material no qual estão inseridas? Afinal, a internet é boa ou é má? Na opinião de Mark Bauerlein, professor da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, a internet não é tão boa quanto se possa pensar, pois, ela tem deixado as pessoas mais burras.
O professor é taxativo, para ele , “é preciso tirar os jovens da rede para que passem mais tempo com os pais, e, assim, fiquem mais inteligentes”. As considerações de Bauerleim, que não deixam de ser provocativas, são baseadas em dados como, por exemplo, “em 2001, 52% dos teens americanos não sabiam que a União Soviética foi aliada dos EUA na 2ª Guerra Mundial”. Outro dado é que o jovens de 15 a 24 anos lêem só 8 minutos por dia (será que no Brasil chegamos a isso? Se for já é considerável), mas passam 4 horas vendo TV.
Em sua opinião a realidade tem demonstrado que os jovens tem passado mais tempo na internet do que no convívio com a família, com isso ficam cada vez mais alienadas, tendo em vista que passam o tempo somente em site de relacionamentos, enquanto que a leitura de livros, jornais e revistas é uma coisa rara, especialmente entre os adolescentes.
A falta de convivência com os pais ou com outros adultos deixam os jovens internautas ignorantes frente à realidade que os cerca, alega o professor Bauerlein. Sem dúvida, a preocupação apontada pelo professor é importante, pois trata de algo que é concreto em nossos dias, isto é, muitos jovens tem trocado a família e a escola pela web, mais precisamente pelos sites de relacionamentos, como o Orkut, entre outros. A culpa , então, está na internet?
A questão não é considerar a internet como extremamente negativa. Assim como muitos pensavam que, no auge da televisão, por exemplo, a TV era um grande problema, também se faz o mesmo em relação à internet.
Portanto, colocar a culpa na web por tudo, não deixa de ser uma ignorância ou, no mínimo, ingenuidade. A questão é, como estamos usando a internet? E, em relação aos pais, será que não estão usando a internet como a nova babá dos seus filhos?Como diz um velho ditado popular, “tudo de mais é veneno”. Ou seja, deixar os adolescentes totalmente a mercê de suas vontades na web, sem que se faça nenhum acompanhamento, com certeza, os problemas virão. Não é por acaso que já foram pegos jovens utilizando a web para aplicar golpes, extorquir pessoas, além de outras ações criminosas.
Na sociedade da informação, na qual vivemos, a internet consiste numa importante ferramenta de relacionamentos, mas não somente para isso, pois, pesquisas importantes podem ser feitas com apenas um clique. Há uma gama de sites de institutos de pesquisas, revistas especializadas, artigos, eventos, entre outras oportunidades para ampliar o conhecimento; evidentemente que isto serve para quem estar interessado de fato em aprender.
Considerando a web como um meio de educação, não faltam opções para realização de estudos e de pesquisas na rede, todavia, percebe-se ainda que uma grande maioria prefere o famoso Control C e Control V para fazerem seus trabalhos escolares. Há inclusive uma variedade de sites picaretas os quais vendem trabalhos prontos na web, inclusive monografias. Quer dizer, assim como na sociedade de modo geral existem pessoas honestas e pessoas desonestas, na web não poderia ser diferente. Assim, cabe ao internauta fazer a filtragem do que considera sério para que não seja enganado.
Na verdade a web é um ambiente no qual muitos podem ganhar com comunidades e pesquisas. Não é o caso de condenar a internet, mas sim, de saber usá-la. Como afirma o filósofo David Weinberg (Superinteressante, edição 256, set 2008) “a internet permite que as pessoas discutam e, assim, compreendam melhor o mundo”.