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Corruptos e corruptores

06.12.2009 por João Nunes da Silva

Imagens de corruptos e de corruptores tem sido comum no Brasil, e  isso não é de hoje. Essa história vem desde a colonização, quando os portugueses se acharam no direito de se apropriarem das nossas terras, cujos moradores e verdadeiros donos, já viviam aqui a muito tempo. Me refiro aos índios, nome esse que também não corresponde, até prefiro chamar de nativos. Mas  iniciei esse texto porque me veio na memória as imagens do governador do Distrito Federal, pego enchendo os bolsos, a cueca e as meias de dinheiro. Que vexame! Esse não é o primeiro e nem vai ser o último pego no ato, pois a sociedade brasileira tem tido um comportamento conivente com tais atos.

Na verdade, em geral podemos dizer que se há uma coisa da qual não temos o direito de reclamar, digo o povo brasileiro, é da maioria dos nossos políticos. Isto porque temos os políticos que merecemos, pois eles não surgiram por obra e graça do Espírito Santo, mas também da incapacidade e da conivência de seus eleitores. Digo isso pelo simples fato de saber que vivemos num país onde tudo é possível, onde se plantando tudo dá, inclusive, se existe algo que se planta muito bem pelo Brasil a fora é a semente da corrupção. É isso mesmo, tenho visto durante todos esses anos que muita gente se beneficia de favores políticos, muitas vezes até por um simples pá de sandália ou de um comprimido, um abraço ou um aperto de mão, dando em troca o seu voto. As pessoas preferem confiar em padrinhos políticos, em favores pessoais do que na coletividade.

Quando alguém vende o voto não tem o direito de reclamar das conseqüências depois. O mau uso do dinheiro público, os atos de corrupção, os desmandos políticos, responsáveis pelo solapamento dos problemas sociais, como a pobreza e a criminalidade, são frutos da cultura perniciosa do maldito jeitinho brasileiro. Quando se vende um voto, se vende a dignidade e o direito de cobrar pelo bom uso da coisa pública.

O problema é que o responsável por vender o voto provoca danos mais aos outros do que a si próprio. O que pensar de um indivíduo que vive de favores políticos e de uma empresa, cujos empregados são reféns dos mandatários políticos, de uma sociedade onde a honestidade em vez de ser obrigação se tornou luxo? Não podemos esperar muito de uma sociedade onde a leitura é cada vez mais rara, onde se estuda para ser ter nota, diploma e aumento de salários, em vez de se buscar criar uma cultura de discussão e de reflexão a partir de leituras sérias e não de auto-ajuda ou do engodo de palestras motivacionais, verdadeiros espetáculos para encher os olhos dos incautos e os bolsos dos charlatões.

Além disso, em meio às tragédias, temos como resultados o aumento do número de igrejas, livrarias repletas de obras de auto-ajuda e de livros que se tornaram best selers não por serem bons, mas em função do marketing e da propaganda maciça nas grandes emissoras deTV. E o que isso tem a ver com corrupção? Tudo, pois quando se tem a corrupção como cultura, tem-se a ignorância de quem a cultua. E assim a vida continua.

Em Geral, politica e sociedade

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