04 12

Pois é, como todos sabemos, vivemos hoje sob a égide da Constituição Cidadã, que se preocupa em defender os direitos básicos de cada cidadão e permitindo, com isso, que esqueçamos o trauma e o fantasma da Ditadura Militar. Nossa Constituição é das mais avançadas do mundo no que se refere à defesa do cidadão. Para se ter uma idéia, nosso sistema jurídico tem o mais completo e eficaz sistema de proteção ao consumidor existente no mundo.

Porém, apesar de quase chegarmos às lágrimas ao lermos nosso Pretório Excelso, infelizmente a vida real é bem diferente.

Sim, é verdade que a ditadura militar acabou. Na verdade, de acordo com os militares que ocupavam o poder durante a época da ditadura, NUNCA houve um regime ditatorial do exército no Brasil. Pois é, quem sabe foi por isso que o golpe militar foi dado em um 1º de abril (dia da mentira), embora a data oficial seja 31 de março.

Desde que a Constituição Cidadã foi promulgada, vivemos em um Estado Democrático de Direito, com representantes eleitos pelo povo para falarem em seu nome e defenderem os seus direitos e seus interesses.

O grande problema é que ninguém explicou aos políticos que nas expressões “defender seus direitos” e “defender seus interesses”, a palavra “SEUS” refere-se aos cidadãos, ao povo, e não aos interesses e direitos dos próprios políticos. E é aí que eu me pergunto, vivemos um regime democrático ou vivemos uma ditadura democrática?

Na época da ditadura militar os “representantes” não eram eleitos. Até por que não eram representantes, falavam e agiam em nome próprio e segundo seus interesses. Será que é diferente de hoje? Vemos uma corrupção infindável das esferas do Poder no Brasil. O último caso é o dos cartões corporativos, que deu muito o que falar. e pelo que parece, vai ficar só no FALAR mesmo pois a população não tem a menor capacidade de se organizar e se rebelar contra essa patifaria toda que existe. Sim, são instauradas as CPIs para se investigar tais ocorrências. Só que no final essas comissões acabam recebendo outro nome: CPIzzas… pois muita gente fala muita coisa e ninguém resolve nada.

Antes de estourar o escândalo dos Cartões corporativos, as contas do governo eram lançadas na internet. ouvi uma vez uma notícia no rádio em que o repórter dizia que o Presidente havia se manifestado no sentido de que as contas de seus gastos devem ser sigilosas para se preservar a intimidade da figura do Presidente. Estranho…

As CPIs vão acontecendo e ninguém vai sendo punido. Quem vai ser punido renuncia ao cargo e na eleição seguinte se candidata novamente. As CPIzzas acabam sendo apenas mais um meio de se fingir que o Brasil é um país sério. E não me espantaria se após as CPIs os políticos fossem realmente comer pizzas e pagassem a conta com seus cartões corporativos.

Como nota-se, o que vivemos hoje não é totalmente diferente do vivido na época da ditadura. É verdade, não tem aquela violência toda, não há casos de desaparecidos e tal, mas a conduta dos integrantes do poder em relação às necessidades da população são muito semelhantes. Não estão nem aí. é por isso que me pergunto: vivemos realmente um regime democrático ou vivemos um regime ditatorial onde os ditadores são democraticamente eleitos por nós? Ou seja, será que estamos vivendo uma ditadura civil?

E lembrem-se, está chegando a época de “exercermos nosso direito”, refiro-me ao “Direito” ao voto. Que até hoje não entendi esse direito pois, se é um direito, por que é que sou OBRIGADO a exercê-lo?

Atenciosamente,

Luiz Felipe.

04 04

Pois é, mais uma vez um caso polêmico toma conta da mídia em geral. Trata-se do assassinato da jovem Isabella, que foi, SUPOSTAMENTE, cometido por seu pai, de acordo com o que nos é “informado” pela mídia.

A mídia televisiva é um importante meio de informação? Claro que é. Muitas vezes sendo o único meio de informação a que temos acesso. Porém, não devemos nos esquecer que as notícias alí veiculadas são apresentadas por seres humanos, que são os mesmos que “elegem” as notícias que serão veiculadas nos jornais e DE QUE FORMA serão passadas ao público alvo. Não podemos nos esquecer do fato de que a mídia “vive” de vender notícias e “informação”. O grande problema é que muitas vezes essas informações se tornam HISTÓRIAS e acabam se afastando terrivelmente da realidade dos fatos.

Quem não se lembra do Caso ESCOLA BASE? Para os que não se lembram, foi um caso em que mães de algumas crianças dessa escola denunciaram os donos da escola e alguns professores por praticarem abusos sexuais contra seus filhos. A imprensa divulgou o “caso”, fazendo com que a HISTÓRIA tomasse proporções descomunais. Os donos da escola e os professores acusados foram praticamente crucificados pela sociedade e pela opinião pública. A escola foi depredada e fechada. Os acusados correram sérios riscos de serem agredidos na rua. E adivinhem só: TODOS ELES ERAM INOCENTES. O caso não passou de uma HISTÓRIA contada pelas mães das crianças. A emissoras de televisão que crucificaram os acusados no caso Escola Base foram processadas e pagaram indenizações altíssimas por terem ACABADO com a vida de todos eles.

E quem não se lembra do caso do Promotor de Justiça Thalles? Todos já o condenaram. Se depender da opinião pública em geral e da mídia televisiva, o acusado já está preso e condenado à pena de prisão perpétua (embora não exista no ordenamento jurídico brasileiro). Só tem um detalhe: Alguém aqui leu o processo em questão? Alguém aqui foi conversar com o acusado para saber a versão dele dos fatos? Pois é, só temos a versão passada pela mídia, que em nosso país é extremamente sensacionalista, e quer a todo custo vender a notícia/história para o público.

O que quero dizer com este artigo é que não devemos condenar o pai e a madrasta da criança assassinada. Não nos esqueçamos que em nosso ordenamento jurídico “TODOS SÃO INOCENTES ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO”. Nosso ordenamento jurídico se baseia na presunção de inocência dos cidadãos e, até que fique cabalmente provado e até que a sentença seja transitada em julgado, não devemos sair por aí dizendo que eles são culpados ou inocentes, devemos acompanhar o desenrolar processual do caso e aguardar a decisão do juiz, condenando-os ou absolvendo-os, e aceitar a decisão, sem nos deixarmos ser levados pela interminável gana da maior parte da mídia de MOLDAR nossa opinião, e não de nos fornecer elementos para que FORMEMOS NOSSA PRÓPRIA OPINIÃO.

Atenciosamente,

Luiz Felipe.