Pois é, como todos sabemos, vivemos hoje sob a égide da Constituição Cidadã, que se preocupa em defender os direitos básicos de cada cidadão e permitindo, com isso, que esqueçamos o trauma e o fantasma da Ditadura Militar. Nossa Constituição é das mais avançadas do mundo no que se refere à defesa do cidadão. Para se ter uma idéia, nosso sistema jurídico tem o mais completo e eficaz sistema de proteção ao consumidor existente no mundo.
Porém, apesar de quase chegarmos às lágrimas ao lermos nosso Pretório Excelso, infelizmente a vida real é bem diferente.
Sim, é verdade que a ditadura militar acabou. Na verdade, de acordo com os militares que ocupavam o poder durante a época da ditadura, NUNCA houve um regime ditatorial do exército no Brasil. Pois é, quem sabe foi por isso que o golpe militar foi dado em um 1º de abril (dia da mentira), embora a data oficial seja 31 de março.
Desde que a Constituição Cidadã foi promulgada, vivemos em um Estado Democrático de Direito, com representantes eleitos pelo povo para falarem em seu nome e defenderem os seus direitos e seus interesses.
O grande problema é que ninguém explicou aos políticos que nas expressões “defender seus direitos” e “defender seus interesses”, a palavra “SEUS” refere-se aos cidadãos, ao povo, e não aos interesses e direitos dos próprios políticos. E é aí que eu me pergunto, vivemos um regime democrático ou vivemos uma ditadura democrática?
Na época da ditadura militar os “representantes” não eram eleitos. Até por que não eram representantes, falavam e agiam em nome próprio e segundo seus interesses. Será que é diferente de hoje? Vemos uma corrupção infindável das esferas do Poder no Brasil. O último caso é o dos cartões corporativos, que deu muito o que falar. e pelo que parece, vai ficar só no FALAR mesmo pois a população não tem a menor capacidade de se organizar e se rebelar contra essa patifaria toda que existe. Sim, são instauradas as CPIs para se investigar tais ocorrências. Só que no final essas comissões acabam recebendo outro nome: CPIzzas… pois muita gente fala muita coisa e ninguém resolve nada.
Antes de estourar o escândalo dos Cartões corporativos, as contas do governo eram lançadas na internet. ouvi uma vez uma notícia no rádio em que o repórter dizia que o Presidente havia se manifestado no sentido de que as contas de seus gastos devem ser sigilosas para se preservar a intimidade da figura do Presidente. Estranho…
As CPIs vão acontecendo e ninguém vai sendo punido. Quem vai ser punido renuncia ao cargo e na eleição seguinte se candidata novamente. As CPIzzas acabam sendo apenas mais um meio de se fingir que o Brasil é um país sério. E não me espantaria se após as CPIs os políticos fossem realmente comer pizzas e pagassem a conta com seus cartões corporativos.
Como nota-se, o que vivemos hoje não é totalmente diferente do vivido na época da ditadura. É verdade, não tem aquela violência toda, não há casos de desaparecidos e tal, mas a conduta dos integrantes do poder em relação às necessidades da população são muito semelhantes. Não estão nem aí. é por isso que me pergunto: vivemos realmente um regime democrático ou vivemos um regime ditatorial onde os ditadores são democraticamente eleitos por nós? Ou seja, será que estamos vivendo uma ditadura civil?
E lembrem-se, está chegando a época de “exercermos nosso direito”, refiro-me ao “Direito” ao voto. Que até hoje não entendi esse direito pois, se é um direito, por que é que sou OBRIGADO a exercê-lo?
Atenciosamente,
Luiz Felipe.
13.04.2008 às 11:06
Olá Luiz,
Adorei o texto!! Eu também não entendo que sistema é esse onde o povo elege e deixa acontecer. Onde está toda aquela expressão de descontentamento, pra onde foram os corajosos que questionavam o sistema? Estranho que é o medo que restou. Eu, se insinuo que vou participar de algum movimento já ouço “cuidado, é perigoso, vai complicar pra vc no futuro.. “. Então, o que fazer?
E também acho que deveria votar quem quer, mas temo que a classe que mais necessita de mudanças seria a primeira a desistir desse direito.
Um grande abraço,
Paula