O Woodstock da Tecnologia
- Em: Geral
11.02.2008
Quando recebi a notícia da realização do CampusParty no Brasil, em São Paulo, imediatamente lembrei de Woodstook. No ano que vem celebraremos os 40 anos de aniversário deste festival, sendo o mesmo o apogeu do movimento da contracultura da década de 60. Na época, o cenário tecnológico que hoje vivemos estava sendo concebido. A contracultura afetou vários segmentos da sociedade inclusive o de pesquisadores e cientistas das universidades pelo mundo. Alguns foram expulsos como foi a caso de Timothy Leary em Harvard, aliás lamento até hoje não ter tido a chance de encontrá-lo quando o mesmo visitou a USP em 1994.
No caso da tecnologia, a contracultura influenciou praticamente todos os pilares da atual sociedade da informação: o Sistema Operacional Unix (Berkeley), os primeiros circuitos integrados (”small is beautiful”), o protocolo IP, o microcomputador pessoal (Steve Jobs), a linguagem de programação C e o movimento pelo software livre (na época era o sexo e as drogas :)). Só agora estou associando porque toda esta turma de cientistas era cabeluda, barbuda e vegetariana.
No caso do Campus Party a associação é trivial, troque o campo pela cidade, os astros de rock por gurus e evangelistas tecnológicos, o psicodélico das drogas pelo psicodélico das tecnologias (games, simuladores, …) e encontramos então cientistas, programadores, público, tecnologistas, educadores, ativistas com a mesma atitute de Woodstock: mudar o mundo através da tecnologia.
A realização do CampusParty na cidade de São Paulo e na América Latina é relevante quando constatamos o incremento do abismo digital entre países ricos e pobres num recente estudo publicado pela ONU. Ao mesmo tempo disseminar ao grande público as tecnologias de ponta é essencial no Brasil que possui uma elite intelectual extremamente tecnofóbica e tecnodependente.
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