Das Noites Brancas para a Virada Cultural
Uma curiosidade que só vim saber há algumas horas atrás é que a Virada Cultural foi inspirada nas Noites Brancas, ou Nuit Blanche, uma miscelânia cultural que acontece no primeiro sábado de outubro desde 2002 em Paris, capital da França. Foi criada pelo então prefeito Bertrand Delanë para marcar o fim do verão.
A escritora francesa Marie Darrieusecq conta em um artigo para a Folha (2005) que a expressão Noite Branca, em francês significa uma noite voluntariamente passada “em claro”. Foi criada para aproveitar o que Paris tem de melhor, ou seja, as galerias de arte, museus, jardins, os monumentos e as próprias ruas. “A noite parisiense é feita de bares, restaurantes, museus, teatros, cabarés, boates e também de passeios a pé ou de bicicleta pela cidade, à beira do Sena”, relata Marie. Ela também conta que em uma das edições da Nuit Blanche, a artista Sophie Calle instalou um quarto de dormir no alto da Torre Eifell e convidou os visitantes para sussurrarem-lhe uma história ao ouvido para fazê-la adormecer. Uma idéia certamente saída dos contos de fadas. Numa outra edição, em 2005, Grégory Chatonsky instalou cabines telefônicas que acendiam luzes ao ritmo do toque. Quem atendia escutava a voz de um desconhecido do outro lado da linha. “O desconhecido diz seu nome, conta sobre sua vida… A mensagem finaliza e outra voz pergunta ‘Quem é você?’ A pessoa que atendeu, por sua vez, deixa uma mensagem”, como explica o site oficial da Nuit Blanche.
São muitos os relatos de Marie sobre a velha sempre nova Paris, e também sobre a Nuit Blanche cultural e as noites brancas da maternidade, que por muitos anos fizeram-na permanecer acordada. Paris é mesmo a cidade Luz e as “noites em claro” só poderiam ter surgido lá, e é claro que a idéia se espalhou pela Europa. O blog 180° conta que na edição anterior (2007) os eventos começaram na Letônia, passaram por duas cidades da Itália, pela capital da Bélgica, para finalmente chegarem em Paris.
Esta edição foi dedicada a Ingrid Betancourt, política franco-colombiana que foi levada pelas FARC em 2002, uma homenagem que Paris fez para sua Cidadã de Honra.
Paris é mesmo uma festa!
Acesse o site Paris.fr para conhecer todas as edições da Nuit Blanche e visite a galeria de fotos.
Nuit Blanche à brasileira
E como o brasileiro adora uma festa, São Paulo também não fica atrás em sua versão sul-americana das noites brancas européias. De Paris à São Paulo, a 4ª Edição da Virada Cultural acontecerá a partir das 18 horas do dia 26 e terminará 24 horas depois. Para 2008 os números previstos são bastante expressivos. Tudo dobrou, o número de palcos, a verba investida, as atividades a serem realizadas. Estão programadas 800 apresentações com 5 mil artistas envolvidos (EstadoOnLine e ServidorPúblico.net), e os R$3,7 milhões investidos em 2007 subiram para quase R$7 milhões em 2008. Um diferencial desta edição será a concentração das atrações na região central, mas a Praça da Sé, palco também de um confronto entre público e polícia no ano anterior, está fora do roteiro deste ano. O evento também se espalha na cidade pelos 24 Centros Educacionais Unificados (CEU) paricipantes, além dos museus e outros espaços públicos, da rede Sesc e das inúmeras apresentações de rua e dos espaços inscritos para fazerem parte das atrações da Virada. Os estabelecimentos que desejarem aderir ao evento poderão se inscrever pelo email (viradacultural2008@gmail.com).
Veja informações no site. –>> http://viradacultural.org/node/69
Os números da Virada
A prefeitura espera dobrar ainda outros números da Virada, como as 3 milhões de pessoas presentes e cerca de R$45 milhões arrecadados em 2007. Deste público, 150 mil eram visitantes vindos de diferentes localidades e de acordo com estimativas da SPTuris, este ano o evento deverá atrair 300 mil turistas.
Para São Paulo essa movimentação de pessoas vindas de outras cidades para a capital é interessante não só pelo fator econômico, mas de acordo com o site oficial da Virada Cultural, “à pluralidade de que normalmente é feita a cultura de São Paulo, somam-se, portanto, novos sotaques e cores”.
A Programação
A cantora Cesária Évora, de Cabo Verde, ajudará nesse mix de sotaques e cores de que é feita São Paulo e abrirá oficialmente a programação da Virada Cultural com sua apresentação às 18h no palco principal, que sairá do Boulevard São João e funcionará ao lado da Praça Julio de Mesquita. Nele se apresentarão outros artistas e grupos coloridos e expressivos no cenário nacional como Gal Costa, Zé Ramalho, O Teatro Mágico, Marcelo D2, entre outros. O encerramento será com Jorge Bem Jor, às 18h do dia 27. Salve Simpatia!
Um dos espaços que merece destaque é o Palco das Meninas, localizado na Av. Ipiranga, esquina com a Rua Araujo, onde se apresentarão apenas novas cantoras da MPB. Consulte a lista preliminar da programação de palco e veja quem mais estará presente para dar cor a este cenário.
Vale destacar outro grande parceiro da Virada Cultural e principalmente da cidade de São Paulo. A rede Sesc está com sua programação atraente, rica, interessante e diversificada como sempre, contemplando diferentes faixas etárias e diversas atividades e expressões artísticas como teatro, dança, audiovisual, oficinas, artes plásticas e visuais, literatura.
São apenas 24 horas para tanta coisa boa. Conforme mencionei num post anterior, continuarei dando dicas de algumas atrações imperdíveis da virada. Façam o roteiro de vocês para aproveitar melhor o tempo. Pra quem já foi sabe que o roteiro é beeem flexível pois sempre encontramos algum conhecido perdido (ou achado) no meio da multidão, ou perambulando de uma atração à outra. Se perder do pessoal que combinou de encontrar e encontrar pessoas que nem imaginava, por si só já é uma atração “tradicional” da Virada. E nessa virada toda os destinos sempre se alteram e o roteiro raramente permanece intacto, mas certamente muito bem aproveitado.
Nos vemos por aí!



