03 Set
Postado por: emoblog em: SERVIÇO SOCIAL
Prof. Dr. Edson Marques Oliveira
Profa. Ms. Noeci Carvalho Messias
Queremos iniciar nossas observações usando uma expressão típica no Serviço Social, queremos repudiar a nota pública da ABEPSS, que é espúria, hipócrita, reducionista e míope. Explicamos melhor.
Primeiro, a EaD não é um fenômeno casuístico e banal, como alguns queiram mostrar. É uma área cientifica com largo espectro teórico-metodológico, técnico-operacional e histórico. E que, diga-se de passagem, amplamente aplicado não só por países capitalistas, mas utilizado também por países tidos comunistas como é o caso da China, e isso desde 1960, ou seja, muito antes que o Brasil.
Segundo, os estudantes e professores da EaD em geral, e da Unitins em especifico, são antes de tudo cidadãos, seres humanos, pessoas que pensam que tem discernimento. Os alunos, como cidadãos tem todo o direito, inclusive garantindo por lei, de acessar a educação, como um dos maiores e mais importantes direitos de cidadania, seja ele, presencial, EaD, público ou privado.
E como direito e ação livre e consciente os alunos tem que ser respeitados como cidadãos por suas escolhas. E não serem desrespeitados e desqualificados por essas escolhas.Os professores, além de também serem cidadãos, são profissionais qualificados gozando de todos os seus direitos e de sanidade mental, física e legal, são pessoas que conseguem pensar por si mesmas, tem autonomia intelectual e são profissionais que podem exercer suas atividades, não são obrigados (as) a seguir uma única linha política e ideológica. Pois, fazemos parte de uma profissão e não de uma religião ou partido político, podemos, devemos e temos o direito de fazer nossas escolhas teóricas, políticas e profissionais e devemos ser respeitados por isso, afinal tem um elemento no nosso código de ética que só serve de enfeite, pluralidade, que significa, de forma simples, mais do que um.
Mas isso ao que tudo indica, pouco importa. Terceiro, em 2008 na 19ª Conferencia Internacional de Serviço Social, o Prof. Edson Marques fez uma intervenção no debate sobre a precarização do ensino em Serviço Social, tendo como mote a EaD. Antes de iniciar a minha sua defesa solicitou aos presentes, cerca de 2.000 pessoas, que levantassem as mãos as pessoas que estão em formação ou que já se formaram em uma IES pública. Dá para imaginar que um número muito reduzido, não mais do que 30% desse público levantou a mão. Em outros termos, se não fosse os cursos das IES particulares, não teríamos cerca 70% dos profissionais formados no Brasil, e acreditamos que a ABEPSS, por exemplo, que é sustentada por mais de 60% (se não for mais) das IES privadas, nem existiria.
Ou seja, está na hora de mudar esse discurso, e ao invés de ficar “cobrando e criticando”. Pois esse discurso e grupo no Serviço Social estão a mais de trinta anos “pressionando”, “criticado”, “cobrando” e o que tem acontecido é o crescimento das IES e de outras estratégias para atender essa demanda, e, diga-se de passagem, no governo Lula.
É preciso propor formas de qualificação de melhoria do ensino, e melhorar o que já temos e garantir a ampliação do serviço público nessa área, mas fundamentalmente trabalhar com o que se tem, pois essa utopia utópica messiânica do Estado bancar tudo já é retórica falida mundialmente. Vamos acordar. Isso não significa que concordamos com o viés mercadológico predominante, e não precisa ser marxista para ter essa visão e posicionamento e compressão contraria a mercantilização da educação. Bom censo basta.
O fato é que se precisa fazer algo além de criticar e pressionar.Logo, é repugnante dizer que o ensino é precário por causa da EaD e pelas IES privadas, e isso como se as IES públicas fossem as melhores do mundo, será mesmo? Por que não se faz uma avaliação austera da mesma forma com que se faz com a EaD e as IES particulares? Como se pode dizer que a formação em EaD é precária se nem temos ainda profissionais formados atuando no mercado? Até onde sabemos quem está atuando no mercado, é formado pela modalidade presencial.
E ao contrário tem muitos estudantes de EaD que estão sendo aprovados em vários concursos públicos e com boas colocações, concorrendo de igual modo com outros já formados, isso não diz nada?Com essas considerações é possível fazer as observações com a tal nota pública.
OBSERVAÇÃO 01
Queremos denunciar a falácia e a hipocrisia contida no seguinte trecho: “… recebemos a notícia do descredenciamento dos cursos da UNITINS com a seriedade que a situação requer: os arautos da mercantilização, da precarização e da desqualificação sofreram uma derrota, em meio a tantas vitórias desde a aprovação da LDB que trouxe em seu bojo o laisser-faire do mercado para a educação brasileira, especialmente de nível superior.” (grifo nosso) A seriedade real está no e-mail que a presidente da ABEPSS enviou para várias IES, como pode ser visto na cópia abaixo:
To: abepss Cc: albatereza@uol.com.br ; samyarr@uol.com.br ; josisoares@hotmail.com ; liduoliveira@ig.com.br ; liliapenha@hotmail.com ; lewgoy@terra.com.br ; abepss.leste@gmail.com ; reginass@cultura.com.br
Sent: Friday, August 21, 2009 11:18 AMSubject: Re: MEC DESCREDENCIA A UNITINS PARA OFERTA DO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL À DISTÂNCIA Olá ABEPSS,
realmente esta é uma boa notícia. Tem desdobramentos para o Conjunto CFESS CRESS quanto ao credenciamento de “profissionais” formados para os quais serão tomadas medidas jurídicas. Dou mais notícias em breve.
abraços,
Elaine Rossetti Behring
Presidente da ABEPSS
Ressaltando o trecho, “esta é uma boa noticia…” e “ao credenciamento de “profissionais” formados para os quais serão tomadas medidas judiciais.”
Isso é seriedade? Desqualificar os profissionais que nem se formaram? Ameaçar os alunos de forma vexatória com medidas jurídicas? Que seriedade é essa? A seriedade de fato está ai, e principalmente em estimular “uma postura política anti-EaD” que se transformou num verdadeiro caça as bruxas, com direito a exorcizar o pobre endemoniado mesmo que se perca o corpo, e pior, a seriedade é vista na postura de muitos (graças a Deus não são todos) profissionais de campo que negam, de forma discriminatória, os espaços de realização de estágio aos alunos de EaD da Unitins, e depois a ABEPSS cobra que se faça estágio presencial, como se isso está sendo sistematizadamente cerceado?
O que fere a Constituição Federal Brasileira quanto ao direito de ir e vir e fere, também o código de ética do Assistente Social em vários de suas partes, mas principalmente no que diz respeito ao impedimento de acesso as informações e a pluralidade.A seriedade está em chamar os professores de EaD de “animadores de programa de TV”, como fez a presidente do CFESS em evento em Palmas-TO em maio de 2008.
A DITA seriedade está em nunca ter promovido um debate com os profissionais que estão nesse campo de trabalho, que diferente dos demais optou por estar dentro da questão e lutar pela qualidade, ética e dignidade da formação ao invés de ficar na posição de “sou contra tudo e todos”, e isso sem conhecer o que é de fato ser professor de EaD e como de é o funcionamento do processo.
A seriedade está nos representantes estudantis de Serviço Social taxar os alunos de EaD como escória, e anti-éticos, como ocorreu com o aluno Paulo em Palmas quando das eleições de representantes regionais da ENESSO em 2009.
A seriedade está em só focar a questão mercadológica e IGNORAR que a EaD é um fenômeno mundial no atual século XXI e no Brasil totalmente amparado por lei e por medidas sérias, e IGNORAR que os profissionais e alunos são cidadãos que tem liberdade de escolha, e estão sendo desrespeitados por essas escolhas, sendo execrados e tidos como párias de um processo que não tem recebido a devida atenção. Não se separa o trigo do joio, tudo não presta todos são culpados pela precarização, são neoliberais, conservadores, etc.
Mas onde está a categoria que defende um projeto ético-político contra a injustiça, e vira as costas para os profissionais que estão lutando para fazer um trabalho descente, mas encontra barreiras de todos os lados, seja pelas pressões institucionais e por sua própria categoria? Quantos se preocuparam em conhecer e saber o que se passa no centro de toda essa desordem política e descaso de gestão que está ocorrendo com a Unitins? Será que os alunos e professores devem pagar por aquilo que não fizeram? Como vocês acham que estamos aqui na Unitins? Podemos dizer que estamos angustiados e de mãos atadas, pois somos pressionados por todos os lados, além de nossa própria consciência e dever ético, e também pelos nossos empregos, nossas famílias, nossa saúde física, mental e espiritual, e sobretudo o nosso futuro profissional.
Logo, é fácil fazer o discurso do somos contra, da precarização, de rotular as pessoas de arautos da mercatilização, e fazer isso de uma posição cômoda, concursado, vendendo livros, realizando palestras e dizendo o que bem entende, sem nada acontecer, pois o seu, já esta garantindo. Que ética é essa? Que projeto é esse? E que postura é essa que nos coloca como se estivéssemos numa luta livre, onde há vitoriosos e derrotados?
Palmas- TO, 26 de Agosto de 2009
Prof. Dr. Edson Marques Oliveira
Minhas reflexões são para as alunas e alunos do Serviço Social EAD, de forma geral e principalmente da UNITINS.
Não entrem em pânico, e prestem bem atenção aos fatos, e vejam além do aparente. Sobre os fatos. A Nota Aberta da ABEPSS como essa Portaria do CFESS são provas documentais e explicitas do preconceito e ignorância da direção que essas organizações estão tomando. Agora mais do que nunca vocês tem elementos materiais de fazer o que mais se ensina no Serviço Social, inclusive pessoas que estão assinando esses documentos em seus livros, BUSCAR OS SEUS DIREITOS… vocês alunos/nas e nos professores não somos criminosos para serem tratados dessa forma.
A questão da Unitins, não é só política, nem técnica, é muito complexa, e não pode tratada com simplismo, ufanismo e romantismo ideológico. Temos vidas em jogo. Mas é importante que se deixe claro.
Não estou ignorando a existência de problemas, mas não se pode rasgar o projeto e discurso de garantia de direitos, para os outros, e negar isso para nos mesmos. Na Unitins, entre os demais cursos e autoridades, é muito comum, ouvir dizer o seguinte. “Essa sua categoria é problemática, encrenqueira mesmo em !” Fazendo referencia a ação contraria ao EaD, e por ser o único, até onde se sabe, órgão de categoria que vem se posicionando dessa forma. Sobre isso tenho feito a seguinte defesa e esclarecimento.
O CFESS e CRESS podem até apresentar excessos ideológicos e posicionamento político que não concordo, mas tenho defendido que o Serviço Social historicamente é uma categoria seria e combativa, e não se poderia esperar algum menos do que as ações em defesa da qualidade da formação de seus profissionais.
Neste sentido, o CFESS e CRESS, no que tange as suas competências, estão mais do que corretos em denunciar o que está errado. No entanto, peca, e ai seria sim querer defender o indefensável, quanto se negar a existência da EaD e ser contra essa modalidade sem dar a devida fundamentação para essa negação e consideração de que outras pessoas tem outras idéias, e não pé por que são diferentes que são inferiores ou estão a serviço dessa ou daquela ideologia ou classe social. Sobre isso, bem nós ensina Hannah Arendt, “ Política diz respeito à coexistência e associação de homens diferentes.” ( A promessa da política, 2008, p.145) [grifo nosso]
Em outros termos, a critica é opaca pela fragilidade de sua sustentação e de suas ações, a meu ver, discriminatórias num momento de fragilidade institucional. Creio que coexistir significar saber respeitar a posição dos outros, mesmo e principalmente quando é contraria, e aqui reside a veracidade da adesão, tanto do s professores como dos alunos a modalidade EaD, o processo do ponto de vista técnico e científico é sim eficiente e eficaz, não é para qualquer pessoa, requer um perfil específico de aluno.
Mas como tudo no sistema capitalista, existe o processo de coisificação e mercantilização, mas nem tudo está pautado nessa lógica, acreditamos em outras possibilidades, e só no dialogo e respeito é que encontraremos as soluções mais adequadas. Isso significa que andar juntos, mesmo tendo discordâncias, é preciso que se respeite a opinião e opção dos outros. Creio que nesse ponto, temos muito mais elementos convergentes, do que divergentes, queremos uma formação ética, critica e criativa.
Só os modos de efetivar isso é que são diferentes. Neste sentido sou a favor sim da vigilância epistemológica e ética da formação, mas não aceito uma posição política sem uma fundamentação inteligente frente à complexidade que é a EaD, e de ações que são discriminatórias e injustas.
Novamente o EaD no Brasil é legal, a Unitins está sendo descredenciada, não esta sendo descredenciando e nem invalidado a formação de seus alunos/nas, ao contrario, prestem bem atenção na resolução do MEC que descendência a Unitins, pois a mesma também deixa claro e explicito que os cursos estão RECONHECIDOS PARA EMITIR OS CERTIFICADOS, e é lógico, dos alunos que cumpriram com todos os requisitos legais, institucionais e acadêmicos.
A questão é clara, não é necessário nenhuma “sustação”, pois a única, vejam bem, a única hipótese de impedimento da inscrição dos alunos seria o curso não ser reconhecido pelo MEC, órgão competente e de direito responsável por essa tarefa. CRESS e CFESS são responsáveis pelo exercício da profissão, só.
Não se justifica impedir o fluxo natural das coisas e da vida dos muitos alunos que já estão com seus empregos garantidos, no caso dos que passaram em concursos públicos e fizeram a colação de grau de gabinete, necessitando da sua inscrição no órgão profissional. Outro ponto muito estranho, tem CRESS que está exigindo dos alunos ( da EaD Unitins) , ata de aprovação do TCC, isso é ABSURDO, não existe isso, não aceite esse tipo de provocação e discriminação, muito ao contrario as normas desse procedimento são para todos. Caso isso ocorra com algum aluno/na da Unitins, solicitem qual portaria, regulamentação ou normatização do CFESS/CRESS que determina isso, solicitem as normas e fluxo normal de procedimento para a inscrição, e não precisa se justificar ou ficar constrangido por ser curso EaD e nem muito menos da Unitins, se a instituição de ensino forneceu o documento que é exigido por lei para garantir a emissão da identidade profissional provisória, que basta só a declaração da Unitins, até que o certificado seja confeccionado, é o que basta, a não ser que já criaram alguma outra resolução, e mesmo assim, o tratamento tem que ser o mesmo.
Tanto para alunos presenciais como EaD. Eu tenho 20 anos de carreira, fui membro do CRESS em SP, nunca vi isso, exigir ata de nenhum procedimento de formação. Novamente e bem grande ISSO É UM ABSURDO… O que me leva a trabalhar com a seguinte hipótese, tal atitude só tem uma única intenção, é expor, ainda mais, e aprofundar, ainda mais, a idéia de desqualificação da formação de profissionais na modalidade EaD, e levar ao constrangimento esses alunos/nas que agora são profissionais.
E isso, apesar de serem melhores que muito profissionais já formados pelo sistema presencial, conseguindo colocações exemplares em concursos públicos com ampla concorrência, inclusive aqui no Estado do Tocantins. Temos que ver além do aparente, e como seria isso? Com essa atitude, como a Nota aberta da ABEPSS e demais posturas e cartas abertas que vem sendo emitidos, leva os/as alunos/nas, agora profissionais, e também nos professores e supervisores, a serem expostos nacionalmente como pessoas que não tem uma formação ética e qualificada, ou compromisso ético profissional, como mostra a compreensão desse grupo na nota aberta da ABEPSS e agora nessa Portaria do CFESS. E ao direcionar especificadamente o nome da Instituição é como colocar uma marca, uma pecha nesses profissionais.
No cotidiano dirão, e como já estão dizendo: “Ah, você é formada/o (ou trabalha ou trabalhou) naquela instituição que foi descredenciada, e que o CFESS/CRESS negou a inscrição profissional e que disse que quem se forma (ou trabalha lá) não tem ética e é desqualificado?????” Ou seja, as pessoas estão marcadas, rotuladas, a meu ver essa é a grande intenção, mas do que impedir o acesso ao registro, ou da continuação dessa modalidade, o que está por traz dessas ações, já que tecnicamente, politicamente e legalmente não é possível impedir (salvo melhor entendimento ) que se crie uma imagem distorcida, denegrida desses “profissionais” como foram taxados pela presidente da ABEPSS em seu e-mail para as IES associadas.
É importante que se diga, alunos/nas EaD, são as ( e nossas, professores) ações, práticas e compromisso ético, é que dirão se poderão ser considerados “profissionais”, ou profissionais. Eu tenho clareza que nem todos, serão bons profissionais, como acontece também na formação presencial, mas tenho certeza que não é a formação por ser EaD, que fará de vocês “profissionais”, mas acredito que o empenho a dedicação e o esforço extra que terão que fazer, irá provar que vocês são profissionais sem aspas.
Como muitos já estão provando, ao serem classificados em concursos públicos e com boas colocações. Podemos ser julgados pelos rótulos que nos colocam, mas a vida, o cotidiano e nossas ações e resultados falam mais alto. É como Jesus, há muito tempo nos ensina, “é pelos frutos que conhecereis as árvores”, os incompetentes que tem medo de competição no mercado de trabalho, que se cuidem, o mundo não vai parar por que um grupo se posiciona “politicamente” contra a EaD.
Se as pessoas não forem formadas pelo Serviço Social, serão formados por outros cursos, e o campo social não é exclusivo do assistente social, seja ele formado pela EaD ou presencial. Vamos abrir os olhos, e ver além das aparências. Não se deixem intimidar, é isso que essas pessoas querem, e vem fazendo há muito tempo, eu tenho sentido isso na pela a muito tempo, através de práticas de desmoralização, fragilização moral, de gerar divisão e destruir a alto-estima das pessoas. Isso não é ser justo, não é buscar e muito menos garantir direitos. E como dizia Cora Coralina, “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”, ao que parece no Serviço Social, muita coisa fica muito bonita nos livros e nos discursos mas na prática cotidiana deixa a desejar. Sejamos congruentes com nossas falas, escritos e ações práticas, quem viver, verá.
Primeiramente, é importante que se deixe claro que não sou marxista, o que não significa que não conheça e até admire o autor e sua obra, e também, por mais obvio que pareça, não significa que desconsidere ou deixe de valorizar vários aspectos dessa perspectiva.Por exemplo, admiro Marx por sua tenacidade no estudo e investigação dos temas que se propôs a estudar.
Não precisa ser nenhum especialista para perceber que ao discutir o tema capital, Marx o fez com competência mas sobre tudo com verdadeiro senso critico e autonomia intelectual, o que permitiu a originalidade de sua obra. Mas não fez essa construção do nada, não tirou da cartola uma brilhante teoria social simplesmente de sua cabeça, mas sim do dialogo profícuo com pensadores do quilate como Adam Smith, Stuart Mill, David Ricardo, entre outros, que em seu tempo eram, e ainda são, referencias quanto as bases filosóficas do sistema capitalista.
Ao fazer a análise critica do capitalismo, Marx foi na fonte, estudou, verificou, apreendeu tanto a totalidade, como a singularidade, das origens e do desenvolvimento desse sistema, como nem os próprios capitalistas até hoje não o fizeram.
É aqui que reside a minha admiração por Marx, ele ao se propor falar de algo, antes de tudo foi entender, foi saber do que se tratava, só depois de exaurir o estudo sobre o tema, é que ele formulava a sua opinião.
Mas o que isso tem haver com a EaD no Serviço Social? É que se Marx fosse vivo, e presenciasse o advento da EaD, de forma geral, e de forma específica no Serviço Social, tenho certeza que antes de emitir sua opinião, ele iria ler o trabalho de Otto Peters, um alemão, seu conterrâneo, que é considerado um dos maiores responsáveis pela base teórica e histórica da EaD no mundo, tenho certeza que ele leria o trabalho A educação a distância em transição, do mesmo autor, e também, devoraria A educação a distância: o estado da arte, de Litto Formiga, e também não perderia tempo e aprofundaria sua visão sobre o assunto a partir da obra de Michael Moore e Greg Kersley, Educação a distância: uma visão integrada.
E com certeza, daria uma boa lida em trabalhos pioneiros como dos professores da Universidade Federal do Paraná, Onilza Borges Martins, Ymiracy Nascimento de Souza Polak e Ricardo Antunes de Sá, na obra organizada pelos mesmos, Educação a distância: um debate mutitidicplinar.
E eu tenho certeza que só então, ele emitiria uma opinião. Infelizmente, não é isso que tem acontecido com os seus seguidores dentro do Serviço Social, que ao contrario emitem opiniões destituídas de conhecimento de causa, colocam o método crítico na frente dos fatos, não a base teórica, muito menos fática, só preconceito e ideológia.
E novamente repito, problemas existem, a lógica mercadológica é preponderante, não há dúvidas, nem precisa ser critico para saber disso, mas existem outros pontos a serem observados e considerados entre eles, de que a EaD é uma tendência mundial, e não uma mera e simples decadência ou precarização do ensino, até por que não existe só cursos ofertados pela iniciativa privada, a exemplo da UAB – Universidade Aberta do Brasil.
Faz parte de uma constelação enorme de mudanças no mundo das tecnologias e novos paradigmas epistemológicos, e da influência e impactos da tecnologias da informação e da comunicação, da semiotização da vida, dos paradoxos e das incertezas postas num mundo em constante mutação. Entre outros pontos que deve ser levado em consideração é o impacto e alcance social da EaD.
Um bom exemplo disso, é o caso de um grupo de alunas da região de Pernambuco, que fazem parte de uma tribuna indígena e são alunas do curso de Serviço Social EAD. As conhece em um evento que estive em Itabuna-BA no mês de maio 2009.
Conversando com elas pude perceber o compromisso e seriedade com os seus estudos, a sua fome e sede por saber mais, e se preocupar em ser bons profissionais e ajudar o seu povo. Lugares e populações como essas, nem o Estado e nem a iniciativa privada convencional se propõe a atender.
Creio que Marx levaria isso em consideração, e saberia criticar as dimensões que são devidas, e quem sabe, ouso dizer que não apoiaria, mas iria admirar essa possibilidade de impacto junto as populações excluídas e a classe trabalhadora, principalmente se favorecesse a transmissão de ideias revolucionarias em tempo real para uma grande quantidade de pessoas.
Como é feito no curso de pós-graduação em Serviço Social da UnB. Creio que Marx também levaria em consideração que na China comunista, desde os anos 60 estão sendo formados profissionais de várias áreas, inclusive engenharia, através dessa modalidade. Com isso, quero afirmar minha posição quanto a EaD no Serviço Social.
A EaD enquanto estratégia e metodologia de ensino e aprendizado, é importante, é eficiente é eficaz, e não deixa nada a desejar do ensino presencial, mas requer preparo e investimento para que seja adequado. Creio também que a EaD não é para qualquer tipo de estudante, é preciso mais agilidade, maturidade e auto-disciplina, e saber trabalhar em grupo e ter uma postura investigativa e estratégica acentuada.
E condeno, a visão meramente mercadológica, pobre e insustentável, que mesmo considerando a EaD como negócio, é feito de forma amadora, superficial e sem a devida competência e respeito aos seus alunos, como é o caso das organizações que estão sendo saneadas pelo MEC, pois mesmo sendo um negócio, não pode ser levado de qualquer maneira, tem que se respeitar a lei, os princípios e características de formação de cada profissão. Como é o caso do Serviço Social.
Neste sentido, o Conselho Federal junto com os Conselhos Regionais, apesar de não ser de sua competência, ao se posicionar pela exigência da qualidade no ensino, e principalmente pelo estágio, teve nesse processo um ponto muito positivo, o de colocar a tona uma posição de seriedade e exigência da qualidade na formação de assistentes sociais.
No entanto, pecou, e tem pecado, no tom agressivo e destemperado, e no ufanismo de proclamar uma cruzada nacional ante-EaD, e pior, sem nem conhecer a fundo essa temática, fazendo com que fosse gerado uma casada as bruxas e gerando um sentimento de desprezo e desqualificação das pessoas envolvidas nesse processo, sejam os professores como os dos alunos, como tem ocorrido nos espaços abertos em vários estados e cidades do pais. Creio que é urgente, mudarmos a retórica e abrirmos a compreensão que estamos no século XXI, é um novo tempo, com velhos e novos desafios, que requerem um tipo diversificado de visão de mundo, uma visão monolítica, leva a um compreensão míope e uma ação ainda mais restritiva.
E sobretudo, temos que respeitar esses alunos, que serão nossos colegas de trabalho, eles precisam se formar, mas com qualidade e respeito, seja pelas autoridades e IES, mas principalmente pela categoria, são cidadãos que fizeram uma opção de acessar um direito que é a educação, numa modalidade legitima, legal e efetiva, não podem ser condenados e execrados por essa escolha. Façamos como o grande Marx, “vamos a raiz do problema” que é o próprio homem.
Edson Marques Palmas-TO 01 de Agosto de 2009
01 Ago
Postado por: emoblog em: SERVIÇO SOCIAL
A DITA POSIÇÃO POLÍTICA DA CATEGORIA EM RELAÇÃO A EAD NO SERVIÇO SOCIAL, EM ESPECÍFICO EM RELAÇÃO AO ESTÁGIO, SE CARACTERIZA COMO UM ATO POLÍTICO OU É UM ATO DE XENOFOBIA DISFARÇADA? Essa foi a ideia que me veio a partir de vários fatores e evidencias cotidianas. Vejamos algumas:
1) O aluno Paulo, da EaD Serviço Social da Unitins do Tocantins, participou de um encontro regional do ENESSO – Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social, ocorrido esse ano em Palmas-TO, onde houve o processo de mudança da diretoria executiva. O aluno relata que ao se identificar como aluno de EaD foi surpreendido pelo tratamento que recebeu dos dirigentes da UFT na época dirigentes da ENESSO, onde disseram que só a presença do aluno e demais alunos da EaD se caracterizava como uma falta de ética por parte dos mesmos.
2) Recentemente um grupo de profissionais de Serviço Social de Santa Catarina assinaram um documento explicitando a “posição política” contraria a formação de profissionais de Serviço Social EaD, justificando que essa formação é uma afronta ao projeto ético-político do Serviço Social, e um processo de precarização do ensino superior, logo eram contra abrir espaço de supervisão de estágio para alunos dessa modalidade.
3) Uma aluna da região da Bahia, diz após seguir o procedimento de abertura de estágio supervisonado em um órgão público, recebeu o indeferimento da solicitação, a justificativa da responsável seria que a assistente social, que seria responsável pela supervisão direta, disse que se recusaria a supervisionar alunos de Serviço Social da EaD pois a mesma tinha “ um pacto de não supervisionar esses alunos”. Essa mesma aluna relata que participou de um evento cientifico em sua região. Nesse evento encontrou uma amiga de sua infância e adolescente que também era assistente social. Quando a aluno disse que estava fazendo Serviço Social na modalidade EaD sua “amiga de infância” mudou seu comportamento, disse que fazia parte do CRESS e que era contra essa modalidade, a partir desse dia a “amiga” mudou totalmente o tratamento com a aluna. A aluna relata que se sentiu como se fosse uma criminosa, uma pessoa que está fazendo uma coisa errada.
Eu mesmo, senti de perto esse sentimento e tratamento, quando em agosto de 2008 no 19º Conferencial Internacional de Serviço Social em Salvador-BH, na presença de mais de 2000 profissionais e alunos do Brasil e de várias partes do mundo, fui vaiado quando tomei a palavra para fazer uma defesa as criticas a EaD, e desde de esse momento tenho recebido um tratamento ofensivo e discriminador em diversos espaços por parte de vários profissionais, sendo taxado de neoliberal, positivista, conservador, entre outros derivados, isso por escrever e defender idéias sobre empreendedorismo social entre outros temas que não são da chamada hegemonia.
Essas evidências mostram claramente que de posição política não existe nada, na prática os alunos, professores e supervisores desses alunos estão sendo execrados e rotulados de conservadores e anti- éticos.
Salvo melhor entendimento, o assistente social não é obrigado a supervisionar estágio, e pode até alegar que não há condições para isso, mas afirmar que não faz isso pelos alunos serem de EAD… isso no mínimo é um crime, é um uma ação sim anti-ética, que fere não só o código de ética do Serviço Social, mas a constituição de nosso país e os direitos humanos. E que projeto ético-político é esse que discrimina cidadãos que optaram por uma modalidade de acesso a um dos direitos prioritários da vida e de cidadania que é a educação????
Novamente reitero a minha posição e compreensão sobre esse processo. Existem falhas, existem problemas na EaD, tanto no Serviço Social como em outros cursos, na modalidade presencial, diga-se de passagem, a maior parte dos profissionais que apóiam essa xenofobia disfarçada de “posição política” são formados na modalidade presencial, isso sem dúvida é uma deformidade ética, uma distorção da verdadeira ética, e do direito a liberdade de escolha, do acesso aos direitos elementares e principalmente a sua dignidade humana e pessoal.
Se não bastasse o descaso das organizações que deixaram chegar a essa situação, e lógica mercadológica que vem permeando esse processo de desenvolvimento da EaD no Brasil, e também do ensino superior presencial, ainda os alunos se sentem discriminados, rotulados e taxados como criminosos, imorais e parias sem consciência do que é certo ou errado.
Ao invés de discriminar, e dar orientações que não são da competência do CRESS e CFSS, com relação a educação, deveriam sim apoiar os alunos e profissionais que estão agindo em prol do acesso, da melhoria e da luta por dentro da EaD para que a mesma seja um processo de qualidade.
Não vamos confundir um ato político com um ato xenofobico disfarçado de um discurso e atitudes de discriminação e descaso, não é possível separa as pessoas (alunos/as) do processo ( EAD) , são coisas interligadas , ser ético, democrático e humano é saber separar o trigo do joio, antes que o trigo (alunos e professores EaD) sejam queimado e jogados no lixo como se fosse joio.
Vamos abrir nossos olhos, ouvidos e coração, precisamos nos unir mais do que separar e discriminar. Precisamos sim exigir das organizações competentes de assumam a responsabilidade de cumprirem com sua obrigação, que no mínimo é dar as condições precisas e necessárias para um ensino de qualidade dentro dos parâmetros e regras já estabelecidas.
Edson Marques Oliveira
Palmas-TO 01 de Agosto de 2009
“Aquele que não consegue mudar o próprio tecido de sua maneira de pensar; nunca conseguirá mudar a realidade. (…) Que mudança você quer fazer em sua vida?.” Marilee G. Adams
Edson Marques Oliveira (1)
Mudança é uma palavra que pode suscitar medo e expectativa. Na primeira, quando se esta acomodado, esta na zona de conforto, mudar significada abrir mão de uma certa estabilidade, mesmo quando as vezes não é favorável. Expectativa, quando se tem o desejo profundo de querer mudar, de fazer algo diferente de não se importar em sair da zona de conforto, principalmente quando a mesma é desconfortável, ou então esta expectativa pode gerar uma paralisia e dificuldade em continuar a jornada. Neste caso a palavra chave é ação, ou seja, se não agirmos, nada ocorrerá. Se continuarmos a fazer as mesmas coisas, teremos sempre os mesmos resultados. Mas mudar não é difícil, estamos a todo momento mudando, o difícil mesmo, é permanecer na mudança. Uma especialista no assunto, Françoise Kourilsky-Belliard, no livro “Do desejo ao Prazer de mudar”, afirma que “… mudança provém de uma reiterpretação dos dados vistos como problemáticos e não de uma explicação destes dados”, em outras palavras, perdemos muito tempo focando o problema e a necessidade de mudar, e pouco entendemos o que se deve mudar. Assim a verdadeira mudança ocorre na ação. E a ação só é possível quando estabelecemos um melhor entendimento do momento em que estamos vivendo. É neste ponto que reside a maior dificuldade para realizarmos mudanças efetivas em nossas vidas, ter clareza de nossa realidade atual e para onde queremos ir.
Assim, é necessário mudar a percepção de nossa realidade. Para isso acontecer é necessário realizar uma recontextualização, o que significa mudar o modo de pensar e ver as velhas coisas com um novo olhar, ou seja, “…mudar o ponto de vista perceptual, conceitual e/ou emocional através do qual uma dada situação é percebida, para deslocá-la a outro contexto que se adapta igualmente bem ou ainda melhor aos fatos concretos da situação, e que irá alterar todo seu significado.”(idem).
Neste sentido, o coaching tem sido uma das ferramentas mais procuradas para efetuar o processo de mudança, alguns autores, como Blacherd e Homan, no livro, “Alavanque seu potencial”, afirmam que o coaching é um processo de alavancagem, pois o “… o coaching ajuda as pessoas a terem melhores conversas com elas mesmas, ajuda as pessoas a tomarem melhores decisões sobre o que é melhor para elas de minuto a minuto. Grandes coaches [treinadores] não dizem às pessoas o que fazer; eles as ajudam a construir seu próprio sistema personalizado para descobrirem sozinhos o que fazer.” E como isso é realizado? No processo de coaching começamos analisando o estado atual do cliente, o que chamamos de ponto A. É realizando entre o cliente e o seu coach um processo literal de recontextualização e com isso se identifica o que e o como se pode processar a mudança para se chegar a um ponto B o que chamamos de estado desejado.
Entre entes dois pontos, A e B, é estabelecido uma trajetória que se materializa num plano de ação com metas, objetivos e estratégias efetivas, que são desenvolvidas, executadas, apoiadas e estimuladas no processo de coaching. Logo, o coaching funciona como uma alavanca de apoio e um processo de estimulação a ação para realizar mudança.
Esse processo pode ser realizado através de um exercício que auto-coaching, a partir da elaboração de perguntas chaves, que denominamos de perguntas poderosas. São elas: O que deve acontecer? Como isso pode ser realizado? Quando isso será realizado? Como posso saber que isso foi realizado? Outro principio importante no coahcing é que as grandes mudanças começam com pequenos passos, celebre as pequenas mudanças e viva intensamente cada vitória, por pequena que possa parecer, são as pequenas mudanças cotidianas que nos fortalecem e nos faz sentir felizes. O que você que mudar? Quando vocês vai dar o primeiro passo?
Gostaria de saber sua opinião sobre os artigos de coaching, dê o seu recado: emocoaching@yahoo.com.br
(1) Coaching internacional pela Lambent do Brasil e certificado pela ICC, doutor em Serviço Social pela Unesp-Franca-SP, e-mail: emocoaching@yahoo.com.br, (63) 81165077
Com todos os últimos acontecimentos em relação a modalidade da EaD no Serviço Social, me veio uma reflexão sobre o movimento estudantil, essa reflexão é quase uma nostalgia de tempos memoráveis em que no período de 1986 a 1989, fui estudante em São Paulo.
E desde o primeiro ano participei do Diretório Acadêmico 3 de março da FAPSS-DP. Depois no segundo ano com tesoureiro, no terceiro ano como secretario e no quarto ano como presidente. Na ocasião do quarto ano, isso em 1989, também fiz parte de uma comissão representante da então SESSUNE, subsecretaria de serviço social da UNE.
Me lembro que esse negócio de subsecretaria era uma piração, não gostávamos nada disso, até que anos depois mudou para a atual organização ENESSO. Mas naquela época, me lembro que participamos de discussões profundas, entre elas: estágio, mudança do currículo nacional, representação sindical, entre outros.
Havia uma vontade de resgatar o movimento estudantil dos indos de 1960, fizemos varias passeatas, na avenida paulista, na época contra o Sr. Sarney. Lembro-me de um refrão bem reverente que cantávamos junto com outros estudantes de outros cursos, era assim: “ Oh, seu Sarney, vê se te orienta, assim dessa maneira o nego, agente não agüenta…”, riamos muito, vibrávamos muito e percebíamos as ações voltadas para questões vitais.
Me lembro da participação do grupo no encontro preparatório para um 4 CBAS, fizemos varias intervenções quanto a questão da lei de estagia e a banalização do uso do estágio como mão-de-obra-barata, e isso em 1989…
Tudo isso estou salientando para compartilhar minha decpção quanto ao atual movimento estudantil em Serviço Social, pois quando vejo os estudantes passivamente assinado os manifestos elaborados pelo CRESS e CFESS contra EaD, e isso sem falar, sem conversar sem dialogar com os alunos da EaD, me deixa muito triste, a impressão que me passa é que estão ignorando a existência destes alunos.
Pois não importa se são alunos de cursos presenciais ou EaD, o que importa é que são alunos de Serviço Social. Outro dia li numa das comunidades contra EaD que os estudantes presenciais não era contra os estudantes EaD, mas sim ao curso EaD.
Ora, como se pode separar uma coisa da outra? E pior sem conversar, sem falar, dialogar com estes estudantes que antes de tudo são cidadãos que fizeram uma opção.
Mais triste ainda, é quando percebe que as questões estão criticas, e onde está o movimento estudantil? Estou vendo só alguns alunos e grupos individualmente reclamarem, mas e o CA, e o DCE? Será que realizar cursos e eventos científicos é mais importante que reivindicar os direitos dos alunos?
Onde estão as ações de democracia, luta por direitos? Será que não passou da hora de se fazer algo? E fazer algo organizado pelas instâncias competentes? Será que o movimento estudantil de Serviço Social não deveria pensar por si, como categoria estudantil, ao invés de ficar só seguindo as diretrizes dos outros órgãos representantes? Onde está a capacidade de se pensar por si?
Oh saudade dos tempos dos meus tempos de movimento estudantil….
PS: Algumas semans depois de ter escrito essa reflexão, recebi a noticia de que na executiva da região norte e dordeste, temos na liderança um aluno de Palmas-TO, da Unitins EaD como o mais novo eleitor representante da ENESSO, parabens, uma luz no final do tunel…
05 Mai
Postado por: emoblog em: SERVIÇO SOCIAL
As coisas estão cada vez mais confusas… Os alunos serão transferidos para outros cursos, a permanência dos professores, é incerta… Segundo a direção, estão “se empenhando” e fazendo o possível para garantir os salários e os empregos… O governador está em vias de ser casado, mas jura de pés juntos que é inocente e isso não passa de perseguição política da oposição (rsr, rs, rs) ora o curso de Serviço Social fica na Unitins, ora os alunos serão transferidos… mas a determinação do MEC é para que todos os alunos de todos os cursos, ficando só com alguns alunos.
Em outra ocasião nesse blog eu já havia sinalizado que o golpe de misericórdia do MEC seria exatamente o que está acontecendo.
De dentro não se tem idéia do que esteja acontecendo, as informações vão chegando aos poucos, tipo, conta-gotas, e com pouca precisão. Os salários e a vida dos professores, tanto quanto o destino dos alunos, são incertos, a cada hora surge uma novidade… não muito agradável…
Uma coisa é certa, o MEC está efetivamente com o processo de intervenção efetivado, os rumos são de terminar esse modelo, formar os alunos, através de outras IES EaD, e ficar com os que não conseguirem se transferir, e transformar os cursos presenciais e EaD de forma pública e gratuita.
O curso de Serviço Social internamente leva a pecha de “curso problemático”, tenho procurado rebater essa pecha, afinal o mesmo sempre representou cerca de 30% do total de alunos, em épocas de vagas gordas não era um curso problemático.
Tenho afirmando que até existiram excessos, e talvez posturas equivocadas da categoria, exemplo, uma postura política contra EaD, o que se transformou numa demonização e perseguição as bruxas, tanto aos alunos de EaD como aos professores e supervisores que vêem atuando nessa área.
Mas as exigências dos órgãos representativos quanto ao cumprimento legal das diretrizes curriculares e da Lei de estágio federal e da resolução do Conselho Federal são legitimas e devem ser respeitadas.
Se, ser um “curso problemático” é por não abrir mão da qualidade e de acertar as coisas respeitando os princípios postos em nosso código de ética, as diretrizes e resoluções de nossos órgãos, e o padrão de qualidade na formação profissional, quero ser mais chato e problemático ainda…
Quero também afirmar que tenho claro que o problema não é a modalidade EaD, a tecnológia, a metodologia as estratégias de ensino nessa modalidade, pois por si só, provam sua importância e qualidade, o problema são dois fatores: a) A visão mercadológica que infiltrou e foi priorizada em um determinado momento do desenvolvimento do curso, e b) Da ganância, incompetência e leviedade e descaso político de determinados gestores desse projeto, que foram literalmente empurrando com a barriga até chegar a essa situação, a qual, a atual gestão nada, ou pouco pode fazer.
Também se ressalta o descaso e desconsideração de não ouviram, e nem levaram em conta as várias observações, apelos e orientações da equipe e profissionais de Serviço Social, do afastamento e do diálogo desde o início com os representantes dos órgãos da categoria e descrédito quanto as especificidades do curso, quanto ao fazer correto no processo de condução das especificidades de nossa categoria.
O Serviço Social na Unitins, tem sido visto como o curso “problemático”, eu e meus/minhas colegas temos defendido que somos uma categoria séria, participativa, e como poucas categorias, (que não são problemáticas), prezamos pela qualidade, seriedade, ética e transparência em nossas práticas. Se isso for, problematico, creio que estamos no caminho certo, pois não há meio termo, não há prechas, é preciso cumprir com o estabelecido em cada curso e suas respectivas especificidades.
Espero, que tanto os alunos da EaD em Serviço Social, e a ampla maioria de nosso categoria, consigam ver além da opacidade de uma crítica de só vê a questão de mercado, mas não consegue ver a veracidade de nossa adesão a esse projeto de formação, pois, creio que se não fosse a presença de profissionais sérios dentro do curso e dessa instituição, e do empenho de nossa categoria (apesar dos excessos) as coisas poderiam estar ainda piores.
É um momento critico, onde podemos e devemos aprender, a saber, discernir, como já sinalizei, entre o trigo e o joio, entre quem seja os bandidos e os mocinhos e mocinhas dessa história, o que só o tempo histórico, poderá nos dizer… espero resistirmos a esse momento…
Divulgue essa reflexão…
Decorrente aos vários acontecimentos do reordenamento institucional da Unitins, o I Congresso Brasileiro de Ensino a Distância em Serviço Social foi cancelado, mais informações no site, que terá um comunicado oficial da Pró-Reitoria de extensão. Os alunos que fizeram a inscrição serão ressarcidos. Aos que apoiaram e acreditaram nesse ideia o meu muito obrigado. E vamos a luta companheiro/a.
Os últimos acontecimentos sobre EaD em Serviço Social, em específico na Unitins, bem como as reações diversas que tem causado, face as notícias criticas a esse sistema, me levam a crer que é necessário fazer uma reflexão mais acertada e ponderado sobre o assunto.
Estou me valendo da metáfora entre o trigo e do joio, muito conhecida no meio religioso, principalmente pela parábola de Jesus, onde o trigo são os filhos de Deus e o joio a representação do mal. Mas não quero somente destacar a polarização entre o bem e o mal, mas principalmente chamar a atenção para dois outros aspectos que essa metafora nos ensina.
O primeiro é que o trigo e o joio são muito parecidos, uma pessoa que não sabe muito bem a diferença pode comprar joio como se fosse trigo. Por isso tenho defendido que criticar a EaD no Serviço Social, e para ser uma crítica séria, deve se ter antes um conhecimento prévio sobre a matéria, caso não fica uma critica pela critica onde só um ponto é visto e e ângulo são enfatizados.
O segundo ponto é que a principal diferença entre o trigo e o joio está nos frutos, ou mais precisamente, o joio não dá frutos, mas o trigo sim. E mais, o trigo passa por um processo de transformação visceral, e para isso há duas conseqüências.
Os seus grãos voltam para a terra para reproduzir outros grãos e dar continuidade a vida do trigo, e para isso ele tem que morrer, e outros grãos, são moídos para se transformar em farinha e depois em pão que vai alimentar as pessoas que vão para a vida se alimentarem não só do pão, mas dos sonhos, das conquistas, que também passam por um processo como o do trigo, que para nascer outros é preciso morrer, ser moído e conseguir se renovar a cada dia. Igual aos nossos alunos, alunas e profissionais de EaD, são moidos mas o fruto certamente será benefico, pois a EaD não é um acontecimento episodico e muito menos só mercadológico, é uma tendência tecnológico de ensino e aprendizado.
O novo não nasce sem que o velho morra, é a lei da natureza, trigo que não morre ou não é moído, não gera vida nem frutos, e asim como acontesse com o joio, de nada serve a não ser para se jogar no lixo e queimar. Pois o joio, é uma erva que só suga os nutrientes da terra, e confunde e ocupa os espaços, trazendo confusão e discórdia, não alimenta ninguém, não produz uma nova vida a não ser ervas daninhas, tristeza e desalento.
Semelhantemente está ocorrendo com a EaD no Serviço Social. É sem dúvidas uma estratégia e metodologia de aprendizado revolucionária e de qualidade e eficiência. Não é para qualquer pessoa, exige do aluno, dos professores e das IES uma nova postura e quebra de paradigmas instrucionais.
A interação assume novos contornos, e ao contrario do que alguns pregam, a interação é muito mais dinâmica, mas não ocorre de forma convencional, mas é tão intenção quanto a presencial.
A prova disso são as inúmeras noticias que nos chegam sobre alunos de Serviço Social da EaD que nem terminaram sua formação e já estão passando em concursos públicos, competindo com profissionais já formados e alunos da modalidade presencial. Esse é um exemplo de trigo.
Ao passo que vemos profissionais com uma formação no mínimo duvidosa, e até agora só temos profissionais formados na modalidade presencial, ou seja, problemas existem, é claro que sim, e com certeza outros surgirão, mas isso não é só na EaD, é também no presencial, logo, joio vamos encontrar tanto em uma modalidade como em outra. E isso tanto na qualidade das IES como dos professores como dos alunos.
O que é preciso ficar claro é que na EaD tem três grandes eixos em sua operacionalização. A primeira no tocante a área didático-pedagógico. A segunda na área de tecnologia e a terceira de gestão administrativa e financeira. Na atualidade, e no caso da Unitins em específico, os problemas estão principalmente na gestão administrativa.
Poderia discorrer sobre vários pontos desta tematica, tais como a questão de contratação, condições de trabalho, equipamento, a cobrança das mensalidades, o repasse e contrato de parceria entre a Eacon, etc.
Grande parte dessas questões está na mídia e amplamente divulgada pelo MEC, além de outras questões. O fato é que não se pode execrar e desacreditar o modelo EaD em Serviço Social por questões de ordem mais administrativa do que didático pedagógica, e muito menos de formação.
É importante que se deixe claro que neste campo também apresenta problemas, mas nada diferenciado do presencial, vide a questão do estágio supervisionado, TCC entre outros, como o proprio interesse dos alunos.
Outro ponto a ser diferenciado são os profissional de Serviço Social que estão trabalhando nesta área de formação da EaD em Serviço Social, seja como professores, supervisores e tutores. Não posso afirmar e dizer pelos outros, mas certamente as/os colegas, vão concordar comigo, na afirmação de que nos não somos joio, somos trigo.
Pois optamos por estar na luta pela qualidade dessa modalidade de formação profissional por dentro, e não ficar só na critica ou pior num posicionamento político simplesmente sem considerar os alunos/cidadãos envolvidos nesse processo e a ocupação de um espaço e momento histórico não só do Serviço Social, mas de outras áreas do conhecimento humano, EaD repito, não é modismo e nem só uma estratégia mercadologica, é uma tendência e realidade concreta do século XXI.
Em momento algum deixamos de ser críticos, ou de não termos comprometimento ético. Como em tatos outros espaços ocupacionais, a EaD não foge a regra, as relações institucionais são fortes e o enfrentamento por parte dos profissionais tem seus limites concretos. E, o que pode ser feito, nós temos feito para sinalizar as ações que são adequadas e justas quanto às diretrizes curriculares, a qualidade da formação e o compromisso ético com as múltiplas demandas e desafios do mercado de trabalho e das questões sociais.
Logo, o joio dessa história está muito próximo do trigo, é sem dúvida é a lógica mercadológica capitalista e acrítica obtusa e ideologizada. A primeira, vem ao longo do processo de criação da EaD no Brasil se sobrepondo lógica educacional, a qualidade de ensino.
A segunda, pela visão restrita e preconceituso de algo novo, de algo ainda em construção, e como tal, passivel de erros e da necessidade de acertos.
E aqui deixo claro que não tenho nada contra ao ensino privado, e também sou favorável ao ensino gratuito, no entanto, tanto um como outro, não podem deixar de zelar pela qualidade, pelo respeito e compromisso com um sujeito que é quase esquecido nessa história e é a razão de ser das IES, tanto EaD como presencial, o aluno, o cidadão.
Na EaD um dos frutos é a permanência dos mesmos em seus locais de residência, o que impacta sensivelmente o poder local que terá profissionais qualificados para dar contas das demandas dessa área.
Outro fruto são as várias autoridades como secretarias de assistência social, vereadores, etc, que estão fazendo o curso, e antes de se formarem já estão alterando suas ações, dando qualificação política e técnica para pessoas que antes não tinham acesso a informação e formação de qualidade no campo da gestão social, principalmente pública.
Logo, EaD e Serviço Social, os alunos, os professores, os tutores e supervisores, são tribo de boa qualidade, e apesar de estarmos sendo “amassados”, acredito que resultará em pão que alimenta a vida e semente que germina a sua continuidade. Não é fácil passar por esse processo e momento, afinal, o novo para surgir e se manter, precisa por algum tempo conviver com o velho, com o convencional.
O tempo será por testemunho onde trigo e joio serão diferenciados, e a grande diferença está nos frutos, destes egressos de EaD, bem como, em nossa capacidade como categoria de dar o acolhimento e respeito necessários e de manter a luta pela qualidade do ensino e da ética e respeito ao diferente, ao novo.
Ser trigo não é facíl, mas vale apena, principalmente pelos frutos. Isso serve principalmente para os nossos representantes, demais profissionais, alunos e professores da modalidade presencial, não é aceitavel uma postura limitada que só vê um ponto da questão, e por mais acertado que seja esse ponto (o mercadológico) a questão não se restringe ao mesmo. Isso é visão e critica tipo joio, não produz frutos, só drena a energia e não aponta soluções.
E por enquanto, até que essa sabedoria não chega, vamos ficar atentos entre o que é trigo e o que joio, não vamos mandar para o fogo os feixes de trigo, imaginando que são joio, caso contrario, poderemos esta matando o nosso próprio futuro. “Quem viver verá.”
24 Nov
Postado por: emoblog em: REFLEXÕES (IM)PERMITINENTES...
Salta aos olhos que é evidente o processo literalmente de intervenção do MEC quando aos rumos da EaD, não somente no caso do Serviço Social mas de todos os cursos. Algumas questões são necessárias serem evidenciadas:
1) A que se tomar certo cuidado, pois as noticias são ambivalentes, o MEC aparece como se fosse o grande xerife do processo, colocando ordem na casa, de fato já deveria ter feito isso a muito tempo, o que causa espanto é por que isso ocorreu somente agora? Por que deixou chegar a esse ponto? Principalmente o crescimento numérico das IES?;
2) E por que só agora esse tratamento de qualidade? Será que as IES são vilas? Claro que não. Problemas têm, certamente tem e teremos o que não é diferente da situação da modalidade presencial, o que remete sempre a uma compreensão mais ampla do processo educacional em nosso país;
3) As informações que chegam não são claras, tanto pela impressa quanto pelos órgãos oficiais, o fato é que em tese tudo irá continuar, sendo que existe um conjunto de ações a serem realizadas para que aja o tal choque de qualidade;
4) Esse processo e as exigências do MEC não mais são do que o que nunca deveria ter deixado de existir, ou seja, manter o crescimento da EaD numa dimensão muito mais acadêmica do que mercadológica, sobre isso recentemente apresentei um artigo na UNIFAE sobre sustentabilidade dos negócios e a EaD, no qual enfatizo que a educação é antes de tudo um bem comum, um direito do cidadão, e caso seja encaro como “negócio” deve ser levado a sério, a começar pela escolha dos executivos e dirigentes, os mesmos tem que ser do ramo, da educação, não dá pra ser diferente;
5) Isso não exime o governo de fazer sua parte, que é normatizar e fiscalizar, e não deixar o barco correr e só aparecer em momentos mais ou menos convenientes;
6) De tudo isso, tanto IES como governo, não estão dando a devida atenção ao principal sujeito desse processo, o ALUNO o cidadão, muitos alunos estão sem entender nada do que está acontecendo, estão temerosos quanto ao futuro de suas profissões e curso de formação, é preciso deixar mais claro o situação presente e futura destes alunos;
7) Para o Serviço Social as últimas medidas tomadas pelo Conselho Federal quanto ao estágio, ao meu ver expressa o papel efetivo desta organização, e só trará benefícios de qualidade ao processo de formação profissional, tanto EaD como presencial, e não poderia ser diferente;
Outro ponto é que se cumprido a rigor, é o que esperamos, deverá trazer no médio e longo prazo a abertura de novos postos de trabalho, junto a supervisão dos estágios;
9) Creio que rumamos para um caminho ainda nublado, porem não devemos perder a esperança, e como dizem o mais experientes, no andar da carruagem, as aboboras se assentam. Vamos dar tempo ao tempo.
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