RESUMO O coaching tem surgindo na atualidade como uma atividade profissional em plena expansão, tanto no exterior como no Brasil. O mesmo se caracteriza como um processo de orientação para o desenvolvimento, tanto humano como organizacional. Ao estudar os elementos processuais, técnicos, teóricos e metodológicos do coaching é possível constar certas similaridades com a prática do Serviço Social, em específico da orientação social, e do método clássico de estudo de caso social individual (case work). O objetivo deste estudo é apresentar essas semelhanças e destacar que o coaching pode ser considerado um “novo” espaço profissional que pode ser ocupado pelo assistente social, e ser utilizado como uma estratégia de intervenção profissional, e ser aplicada nos mais variados espaços e segmentos da prática profissional, e isso através da orientação social que se constitui como uma competência profissional específica do assistente social, que tem o respaldo e garantia legal através da Lei  8.662/1993 que regulamenta a profissão. 

PALAVRAS-CHAVE:  coaching, orientação social, espaço e intervenção profissional, Serviço Social Aplicado.  

INTRODUÇÃO

É inegável o avanço teórico que o Serviço Social vem apresentando nas últimas décadas, mas também é inegável o crescimento das novas demandas para nossos profissionais, e isso decorrente as várias mudanças no campo societário, e dos paradigmas científicos, onde se verifica um retorno e ênfase em temas que ficaram algum tempo fora da lista de preocupação tanto da prática como da construção teórica, exemplos: avaliação, família, religião, individuo, grupo, cultura, entre outros. Vemos também a passagem de uma revolução quanto à mudança do paradigma científico, onde uma lógica linear cartesiana e uma visão mecanicista e positivista de mundo são substituídas por uma visão cada vez mais circular, conectiva e interativa, por tanto mais holística e sistêmica. (Cf. VASCONCELLOS, 2002).

Prova disso, é o surgimento de ações profissionais sistematizadas, e aplicáveis principalmente no tratamento e apoio do individuo de grupos e de organizações.  Destacamos a proposta do coaching, que surge em meados da década de 1990, nos Estados Unidos e na Europa, e vem impactando as empresas e profissionais no Brasil a partir da década de 2000. O mesmo apresenta certa semelhança com a prática do Serviço Social, principalmente no método clássico o Case Work, daí o termo “novo” estar entre aspas, pois não é tão novo, mas inova em determinados aspectos, principalmente por não se basear numa visão puramente psicológica, e amplia a aglutina outras abordagens que não sejam psicanalíticas e por tanto não se caracterizam como uma abordagem terapêutica. Como ocorreu com o Serviço Social de Caso ou Serviço Social Clinico.  

No presente artigo, apresento alguns resultados do estudo teórico e prático que venho realizando sobre o coaching, e a sua aproximação no campo do Serviço Social. Para tanto, apresento inicialmente alguns termos usuais neste campo, em seguida apresento os principais aspectos teóricos, metodológicos e técnicos do processo de coaching, comparando com o Serviço Social, finalizando, apresento uma proposta de aplicação do coaching no Serviço Social, tanto como um campo de atuação do profissional, como uma ferramenta processual da prática profissional.