17 Mai
Postado por: emoblog em: REFLEXÕES (IM)PERMITINENTES...
Quero iniciar algumas reflexões que certamente alguns vão considerar impertinentes, e outros como eu, muito pertinentes ao Serviço Social inserido no contexto do século XXI. Qualquer dicionário de língua portuguesa sinalizará que a palavra pertinente compreendido como “pertencente, concernente, próprio” entre outros significados. E que impertinente designe, “incômodo, molesto, estranho ao assunto, que não vem a propósito, inoportuno, inconveniente” entre outros.
Existe alguns assuntos que parecem ser indigestos para o Serviço Social na atualidade, e principalmente para uma ala que se autodenomina corrente hegemônica. Que nas últimas duas décadas cercou todos os espaços de representação, formação e produção do Serviço Social no Brasil, arquitetando e engendrando uma cultura de extremos, de intolerância e repudio a tudo que não reze a mesma cartilha, a marxista é lógico. É importante salientar que não são todos os adptos a esse paradigma que são extremados, mas infelismente uma maioria apresenta este comportamento. A crítica é a grande arma destes, mas a autocrítica, não é muito agradável. E com isso a disseminação de uma grande falácia quanto aos verdadeiros conceitos de democracia e pluralidade.
E por que quero refletir sobre isso? É simples, nos últimos 20 anos de carreira tenho me deparado com situações as mais inusitadas. Veja algumas delas:Estes dias (25 de abril 2008) estive em Londrina-PR participando de uma banca de mestrado, como avaliador, e um das pessoas que assistia a defesa era uma psicóloga que estava estudando o trabalho do psicólogo junto ao CRAS/SUAS, entre várias coisas o que mais me deixou perplexo foi ela afirmar que os psicólogos estão sendo chamados para ensinar aos assistentes sociais a trabalharem com grupos…Esta é a ponta do fracasso da atual direção que o curso tomou nos últimos anos, jogou toda uma construção de quase meio século no lixo, desprezando tudo o que foi feito e rotulando como conservador e instrumento de manutenção do sistema vigente.
Não tivemos a sabedoria e nem o respeito para com essa construção que, diga-se de passagem, os E.U.A , Europa e alguns países da América Latina preservaram e avançaram em sua atualização. E nos no Brasil, temos que ouvir que produzimos tanto quanto outras ciências sociais, no entanto dê uma olhada na literatura sobre questão social e outros afins de outras áreas, e veja quanto das nossas estrelas teóricas estão sendo citadas? Quantos projetos e ações coordenadas por assistentes sociais têm recebido visibilidade nacional?
Quantos assistentes sociais estão de fato a frente de grandes projetos nacionais? O que tenho visto é um discurso sobre a transformação, mas ações não passam de paliativas, só que com um discurso diferente. Tem pessoas que dizem, por exemplo, que Responsabilidade Social Empresarial não é demanda para o Serviço Social, creio que se não for para os assistentes sociais, deve ser para o padeiro da esquina…
Hora, tenhamos um pouco mais de sensatez… Ainda sobre a colega psicóloga, perguntei para ela o que os assistentes sociais fazem no CRAS, ela disse: “preenche o cadastro, faz encaminhamentos, e…. só”(sic). Será que para fazer isso, mesmo que com qualidade, é preciso fazer quatros anos da faculdade? Certa vez, uma aluna de quarto ano, durante uma supervisão de estágio, disse que teria que fazer uma proposta de mudança no sistema de atendimento no local de estágio, que era um Hospital. Quando sugeri que ela utilizasse o fluxo-grama para mapear o processo, a mesma me disse, “Professor, se o senhor me perguntar alguma coisa sobre Marx. Se eu não souber sei onde encontrar, mas sobre fluxo-grama nada sei…”(sic)
Um aluno de Serviço Social segundo ano, no primeiro dia de aula, me pergunta, “ Professor, para ser assistente social eu preciso ser marxista?”(sic). Enviei dois artigos para a Conferencia Mundial de Serviço Social que ocorrerá no Brasil em Salvador no mês de agosto (2008), um foi aprovado, sobre empreendedorismo social, outro sobre Educação a distância no Serviço Social foi reprovado, solicitei as razões pela reprovação, qual a resposta, nenhuma até o momento (junho 2008).
Mas estou curioso… Mas sei que vem bomba…Essa necessidade de discutir estas questões já é um dos primeiros temas que quero chamar a atenção. É hora de fazermos a autocrítica, estamos indo para onde? O que se estabeleceu como objeto, objetivo, valores, diretrizes de formação, código de ética, nos permitem de forma objetiva e clara dizer a que viemos? É congruente entre o que se fala e o que se faz? Existe alinhamento entre teoria e prática ? Há resultados mensuráveis? Será que temos coragem de fazer estas reflexões (im)pertinentes?
Não estou sozinho nesta idéia. Poucas pessoas tem coragem de dizer abertamente, pois a tal hegemonia se tornou hábil em inibir as pessoas, e voraz na perseguição e aniquilação da oposição, tal qual a lógica leninista na antiga União Soviética. Se você quiser saber mais, entre no site do Prof. Emilio E. Dellasoppa, professor Adjunto, Faculdade de Serviço Social da UERJ. O seu blog é bombástico, confira.
http://www.geocities.com/dellasop/novas/falacia.html Até as próximas reflexões (im) pertinentes…
1 comentário
Sonia G. M. Seixas
02|Ago|2008 1Edson:
Perfeito o seu comentário.
O que mais me intriga é o temor que uma maioria de profissionais sente em se expor, de lutar e de afirmar que não estudou (e continua estudando) para ser subutilizada, tratada como “auxiliares” da equipe interprofissional.
Às vezes me pergunto se somos “poliqueixosos crônicos”, ficamos na queixa, mas na hora de agir para mudar, há uma espécie de inibição, que paralisa as pessoas…
Caso para estudo.
Abraços,
Sonia
Assistente Social e Psicanalista.
Comentar!