Caros colegas, não é possível deixar passar em branca mais uma de nossa categoria.

Confirmando a minha tese de que “em casa de ferreiro espeto é de pau”, igual no Serviço Social. Hoje (11/6/08) fiquei sabendo de um fato que é inédito, as pessoas conseguem ter pré-conceito do pré-conceito. Em vários sites dos Conselhos Regionais de Serviço Social, mais em específico do CRESS de SP, no painel de empregos, é apresentada uma vaga na área da saúde para assistentes sociais. Até ai, nada de novo, mas prestem atenção no anuncio:

CONCURSOS SITE CRESS SÃO PAULO, ACESSO EM 11/06/2008

São Paulo / SP
Instituição/empresa O Hospital Universitário da USP
Descrição Processo Seletivo Salário R$3.134,22 Regime CLT
Cargo Assistente Social
Número de Vagas 1
Carga Horária 40 horas Semanais em escala de revezamento
Taxa de Inscrição R$47,00
Requisitos Possuir o curso de graduação em Serviço Social, na modalidade presencial, com carga horária mínima fixada pelo MEC
Registro no CRESS
Conhecimentos de informática.
Informações completas e ficha de inscrição através do edital HU 59/2008
Período de Inscrição Inscrições de 11 a 13/06/ e de 16 a 17/06/08
Site site http:// www.hu.usp.br, clicar em Recursos Humanos

 Notem, um salário razoável, uma área interessante, mas atenção para o item requisitos: “possuir o curso de graduação em serviço social, na modalidade presencial”. Eu posso estar errado, sei lá, síndrome de perseguição, como já me falaram uma vez, mas o pessoal consegue ter pré-conceito mesmo não tendo pessoas formadas na modalidade EaD, ou seja, pré-pré-conceito.  E me desculpe as colegas, mas já trabalho a mais de 20 anos área organizacional, principalmente em RH, fiz uma ocasião uma pesquisa sobre os anúncios de vagas para assistentes sociais, inclusive de jornais deste mesmo conselho, que fiz parte um dia como membro de uma de suas diretórias, e nunca vi este tipo de “requisito”.  Meus amigos e amigas, onde vamos parar???? É preciso ter uma visão mais ampla e contextualizada pois, já existe RESIDÊNCIA MÉDICA  À DISTÂNCIA, JUIZES ESTÃO JULGANDO PRESOS À DISTÂNCIA, E VARIOS OUTROS TIPOS DE SERVIÇOS SÃO REALIZADOS NA MODALIDADE À DISTÂNCIA POR UMA VARIEDADE ENORME DE PROFISSIONAIS SEM NENHUMA PERDA DE “QUALIDADE”.   

Muitos afirmam que ser formado, tanto na graduação como na  pós-graduação na modalidade presencial, é que dá mais “qualidade à formação profissional”. Alguns dizem que até aceitam pós- semipresencial, outros até toleram pós em EaD, mas graduação jamais…Na verdade, tanto pós-graduação como graduação, o que temos que entender é que o termo,  distância é mais um conceito pedagógico do que físico e geográfico, e sinceramente, o fato da pessoa estar presente não significa que o seu aproveitamento será melhor. Na verdade, eu tenho cada vez mais me decepcionado com alunos, principalmente de pós-graduação, não só de Serviço Social, que é presencial no projeto pedagógico, pois uma grande parte, não todos é claro,  mais faltam e se ausentam do que efetivamente participam do processo.

Quando não, esta com o corpo presente (tipo velório) mas a mente e alma estão em outros lugares.  Logo, estar presente, ou semipresente,  não quer dizer que seja sinônimo de “qualidade”.  Além do que, o curso à distância não é para qualquer pessoa, é preciso saber se organizar e ter antes de tudo, disciplina, para organizar melhor os horários de estudo, que não se limitam as teleaulas, e também se organizar em grupos de estudos para aprofundar os elementos e tópicos programados. Neste sentido  temos que abrir nossa visão e não sermos “conservadores”, problemas existem? Lógico que sim, principalmente quando algo ainda é novo, mas será que o presencial é 100%?

Lógico que não, em tudo precisamos primar pela ética, qualidade e seriedade, o que, depende mais de cada pessoa e organização. O que não dá, é dizer uma coisa e fazer outra, ou seja, casa de ferreiro… Vamos ser congruentes minha gente…

Pois acredito que temos que abrir os olhos para outras possibilidades, a EaD pode não ser a solução/salvação, mas creio que pode ser uma alternativa, na medida em que procuramos dominar essa estratégia e colocamos ela a nosso favor, ficar na negação, e no pré-pré-conceito, com certeza não trará solução, muita retórica sem efetiva ação é mera pretensão, o que não move e não transforma nada, é preciso fazer mais do que só ser contra ou a favor, além de não esquecer de que na outra ponto, os alunos e futuros profissionais formados nesta modalidade são também cidadãos, em busca de uma vida melhor e que conseguiram acessar um direito que é a educação por esta modalidade, como fica  não poder concorrer a uma oportunidade de emprego por que foi formado numa modalidade que não é a presencial????? E os direitos, e a luta contra a discriminação?

Tenho Ouvido muito o seguinte argumento, “não somos contra os alunos de EaD, e sim a modalidade EaD”, mas como isso pode ser separado? Se os alunos fazem parte desse processo? Se alguem souber, esta aberto o espaço.

Um grande abraço.  

Edson Marques Oliveira