A partir do exemplo do CDI, é possível fazer algumas afirmativas, quanto a pergunta inicial, o que é empreendedorismo social ? Primeiramente o empreendedorismo social, pode ser considerado como uma derivação do empreendedorismo empresarial, mas com diferenças significativas, entre elas, a busca por resultados não individuais mas coletivos, e retorno social e não só financeiro.

Se caracteriza por uma ação inovadora voltada para o campo social, é neste sentido um processo, que se inicia com a observação de uma determinada situação-problema local, em seguida procura-se elaborar uma alternativa para enfrentar está situação.

 Esta idéia tem que apresentar algumas características fundamentais. A primeira é ser uma idéia inovadora, a segunda uma idéia que seja realizável, terceiro que seja auto-sustentável, quarto que envolvam várias pessoas e segmentos da sociedade, principalmente a população atendida, quinto que provoque impacto social e que possa ser avaliada os seus resultados. Os passos seguintes é colocar esta idéia em prática, institucionalizar e gerar um momento de maturação até ser possível a sua multiplicação em outras localidades, criando assim um processo de rede de atendimento ou de Franquia Social, e até se tornando em política publica.  No exemplo do CDI nós encontramos todos estes elementos:

1º)  é uma idéia inovadora, ninguém havia realizado tal ação;

2º) uma idéia que foi realizada;

3º) se tornou auto-sustentável;

4º) envolveu várias pessoas e segmentos da sociedade ( principalmente a população atendida);

5º) provocou impacto social, local e global, e que podem ser avaliados os seus resultados e retorno do investimento aplicado;

6º)  foi multiplicada e aplicada em outras regiões e até em outros países;

7º) se transformou  em política pública, exemplo do Paraná Digital e outros que estão sendo implementados a semelhança desta proposta.    O empreendedorismo social, também pode ser considerado um novo paradigma na intervenção social, pois mostra um novo olhar e leitura da relação e integração entre os vários atores e segmentos da sociedade. É também um processo de gestão social, pois apresenta, como vimos uma cadeia sucessiva e ordenada de ações, que pode ser resumido três fases: 1) Concepção da idéia; 2) Institucionalização e maturação da idéia e 3) multiplicação da idéia. O que é semelhante ao processo da metamorfose da lagarta, que entra no casulo e que sai uma borboleta.   

O empreendedorismo social também é uma arte e uma ciência, uma arte pois permite que cada empreendedor aplique as suas habilidades e aptidões e por que não seus dons e talentos, sua intuição e sensibilidade na elaboração do processo do empreendedorismo social. É uma ciência, pois utiliza meios técnicos e científicos, para ler, elaborar/planejar e agir sobre e na realidade humana e social.  Nesta perspectiva é considerada também como uma nova tecnologia social, pois sua capacidade de inovação e de empreender novas estratégias de ação, fazem com que sua dinâmica gere outras ações que afetam profundamente o processo de gestão social, já não mais assistencialista e mantenedora, mas empreendedora e emancipadora.

Para Ler… DEMO, Pedro Solidariedade como efeito de poder São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2002 ( Coleção Prospectiva; v.6) . 

Neste trabalho, o Prof. Dr. Pedro Demo, faz uma brilhante análise do conceito de solidariedade, como fator relacionado a política social e as ações de enfrentamento à pobreza. Com um suporte analítico aguçado e crítico, nos leva a refletir os aspectos ambíguos e contraditórios da solidariedade em nossos dias, que tanto pode ser efeito de libertar, como de manutenção do estado de pobreza, onde os “ajudados” se tornem receptores passivos de uma “solidariedade” que só aplaca a consciência dos que dizem estar “ajudando”, ou seja, “ […]  a solidariedade que produz ajuda assistencialista representa fantástico processo de imbecilização.” (DEMO, 2002, p.40).

 

Leitura indispensável a todos que queiram fazer a coisa certa, principalmente em se tratando de “ajudar” no enfrentamento da pobreza e exclusão social de nosso país e principalmente de nossa cidade, pois muita gente tem agido por uma solidariedade que prende, que não liberta. É hora de acordarmos, e estarmos atentos quanto ao tipo de solidariedade que estamos praticando. 

 Para saber mais… 

Feliz, não há receitas propostas, se quiserem lhe dar uma, desconfie, mas segundo o Dr. Cury, (Augusto Cury, Dez leis para ser feliz, Rio de Janeiro: Sextante, 2003, 117) felicidade é mais do que somente ter e também e principalmente, uma questão de ser , em suas próprias palavras:   “ Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.” [grifo nosso]  

Seja feliz… Não deixe que nada e ninguém roube isso de você.

 Para pensar… 

“Intelectuais, políticos, empresários e pesquisadores sociais apontam distorções, culpam o governo, criticam as políticas públicas e identificam gestores e instituições corruptas, ineficientes e ineficazes. Muito se fala, e pouco se faz de concreto e efetivo. Muitas vezes o que se fala esconde a inércia, o conformismo, a visão banalizada dos problemas, o ceticismo diante das questões sociais.”

(MELO NETO e FROES, 2002, p. 15)