26 Ago
Postado por: emoblog em: 1, SERVIÇO SOCIAL
Continuando o relato do debate na 19ª Conferencia Mundial, na segunda vez que tive a oportunidade de falar, onde os dois minutos voaram rápido de mais, não pude responder as questões colocadas e reafirmadas pela representante do Brasil e os que seguiram atrás de seu raciocínio. Só para recordar, em síntese os pontos e criticas à EaD no Serviço Social foram os seguintes:
a) formar mais profissionais do que a existência de vagas no mercado,
b) cursos sem qualidade,
c) sem privilegiar a dinâmica acadêmica (interação, pesquisa, ensino e extensão),
d) EaD um mero instrumento de acumulação de riqueza,
e) não somos contra a tecnologia e sim contra a exploração lucrativa,
f) os estágios são inadequados apresentando comprometimento na formação e ao projeto ético-político profissional.
Vejamos o outro lado da moeda.
a) FORMAR MAIS PROFISSIONAIS DO QUE A EXISTÊNCIA DE VAGAS NO MERCADO. Pensar que formar muitos profissionais irá saturar o mercado de trabalho, e por isso justifica-se conclamar nacionalmente toda uma categoria profissional para ir contra e ainda “exigir” o fechamento de cursos? É no mínimo uma visão superficial desta real possibilidade. Um bom exemplo, são os cursos de direito, administração, contábeis, só para citar os mais conhecidos, que formam muitos profissionais todo ano, e há cursos e mais cursos sendo abertos, no entanto não se vê a categoria se mobilizando para fechar os cursos.
Diga-se de passagem, um dos cursos em EaD com grande número de alunos é o de Administração, que na modalidade presencial já contava com um número expressivo de profissionais formados todos os anos, além dos tecnólogos e seqüenciais, que ainda não existem no Serviço Social.
Outro ponto a ser observado, é o seguinte. Será que todos que estão fazendo Serviço Social, vão exercer a profissão? Estamos fazendo vários levantamentos, um deles, numa enquete realizada junto aos alunos da Unitins/Eadcon, apontam que muitos são vereadores, secretarias de assistência social, presidentes de ONGs, aposentados, servidores públicos, etc. E que muitos só querem fazer um segundo curso, ou um curso superior para elevar pontos no plano de carreira.
Além do que, a vida nos ensina algum muito importante, o mercado é o melhor teste de proficiência, gente incompetente tem em todas as áreas, e formado de diversas formas, não é a EaD em si que será a causa de uma formação sem qualidade e muito menos saturar o mercado de trabalho.
Ainda sobre estão questão, é muito restrito pensar que o assistente social só pode atuar como assistente social. Tem vários casos de pessoas que exercem outras atividades, inclusive de liderança em várias áreas principalmente por ter uma formação em Serviço Social. Eu mesmo já exerci o cargo de Diretor de Recursos e Assessor de Planejamento, não tinha o cargo de assistente social, mas nunca deixei de ser assistente social, logo, a nossa formação é mais do que ampla. Isso sem falar nas possibilidades de atuação como consultor…
E apesar de não ter nenhum incentivo e preparado para atua nesta modalidade, o que na EaD está sendo corrigido, e em alguns cursos presenciais já se vê a disciplina assessoria e consultoria em Serviço Social, pois se vê que a formação nega mas o mercado exige este preparo. E como dizia o meu professor de Historio, Prof. Pedro, “para bons profissionais, sempre há espaço…”
b) CURSOS SEM QUALIDADE. Falar que os cursos de EaD em Serviço Social não tem qualidade, já virou mais uma das cantigas de papagaios de pirata, é o que mais se houve. O triste é de que qualidade está se falando? E pior, como dizer de qualidade de uma formação que ainda não tem ninguém formado? Com base em que se pode fazer tal afirmação? São algumas questões que não se calam e é preciso mais do que mera retórica ideologizada para respondê-la, tão pouco se basear em “causos” episódicos.
Primeiramente, se é para falar de qualidade na formação do assistente social, e para ser “plural e respeitoso” devemos ampliar essa discussão e olhar bem atentamente para os cursos presenciais, tanto públicos como privados, pois salvo melhor juízo, os profissionais que ai estão no mercado, ainda são em sua maioria, formados pela modalidade presencial.
Segundo, todas as argumentações neste item são infundados, são só por se basear em casos isolados, sem ter uma pesquisa séria, além de não haver evidências concretas, só pré-conceitos e a explicitação nítida da ignorância sobre o tema.
Terceiro, enfatiza-se só os problemas apresentados na EaD, que existem sim, mas não tão diferentes dos que existem nos cursos presenciais, mas não existem só problemas há também impactos muito positivos. Cidadãos brasileiros que se dependessem da iniciativa pública e até privada presencial, não teria condição ter acessar um curso superior.
A maior parte das pessoas de regiões distantes além de fazerem um curso superior e alterar a sua realidade, é permanece no local, influenciado de modo positivo nos rumos e na qualidade das políticas públicas, como já temos observado.
E qualquer profissional do ensino superior em Serviço Social, que for honesto/a, tem que concordar que existem muitos problemas na modalidade presencial, seja no ensino, na pesquisa ou na extensão, no estágio e no TCC, entre outras coisas mais.
Quarto, eu estou farto de ver em vários espaços as IES privadas e agora a EaD, serem colocadas como vilas deste processo, e as públicas como as perfeitas, quem está por dentro sabe a verdade. As IES privadas representam mais de 80% das escolas de formação de assistente sociais deste país, no referido evento fiz novamente a solicitação para que o público presente (mais de 2.600) levantassem as mãos os que eram formados ou estavam em formação em IES pública, numa multidão de mais de 2600 pessoas, era nítido a minoria que este grupo representava em nossa realidade. Em outros termos, se não fosse a iniciativa priva, não teríamos os mais de 70.000 profissionais formados no Brasil.
O que isso significa? Que temos que ter um outro olhar sobre está questão da privatização do ensino em Serviço Social, e ter mais respeito com os profissionais e alunos envolvidos neste trabalho de formar pessoas, seja na modalidade presencial, EaD, ou em IES públicas ou privadas. Mas principalmente em EaD, em que adjetivos não respeitosos já foram dirigidos, tais como “pseudo-aprendizado” e que os professores de EaD não “são professores, e sim animadores…”
c) EaD NÃO PRIVILEGIA A DINÂMICA ACADÊMICA (INTERAÇÃO, PESQUISA, ENSINO E EXTENSÃO), apesar de não ter expressado por completo, mas por não atende a dinâmica acadêmica, pressupõe os elementos essenciais desta atividade. Além da relação tradicional e formal do contato direto entre professores e alunos.
Novamente se vê o desconhecimento sobre o tema EaD, que tem em si um arcabouço teórico, e uma formatação estratégica consolidada, em outros termos, pensar linearmente e de forma reducionista, é pensar que o aprendizado, na atual conjuntura das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), só pode ser presencialmente.
Em outros momentos já mencionei isso, mas não custa repetir. Trabalho como docente presencial a mais de 12 anos, tanto em cursos de graduação como pós-graduação, tanto no Serviço Social como em outras áreas. A partir da experiência com EaD tenho chegado a seguinte conclusão. Os alunos, não só do Serviço Social, sofrem hoje de uma síndrome que denomino “síndrome de velório”, ou seja, o corpo, como de um defunto, está presente, mas a alma, o espírito, a mente, está bem longe.
Cresce a cada dia, as dificuldades de animar, estimular, de fazer com que os alunos presenciais interagem, me parece, e talvez seja só comigo, a cada dia que passa, tenho a nítida impressão que os estudantes estão mais distantes de atender uma estudo com maior empenho, logo, estar só o corpo presente, sem a alma e o espírito, não faz diferença fazer o curso presencial ou EaD. O que conta mesmo, é o empenho de cada um, seja na modalidade presencial ou EaD.
Mais um aviso, se as pessoas pensam em fazer EaD por ser mais “fácil”, os desavisados podem ter uma surpresa, EaD não é para qualquer pessoa, é preciso ter auto-controle, disciplinado e sobre tudo saber trabalhar em grupo, e aprender-a-aprender saber pensar. Não há facilidade, tem que estudar tanto quanto no presencial, quando não um pouco mais.
Pois a interação não ocorre só com a presença física, mas no uso de meios como a internet, a leitura de livros, material de apoio, através dos grupos de estudos. Logo, cada aluno é que faz a qualidade de seu curso não a modalidade em si, a qualidade e a dinâmica são revolucionados, são vivenciados novas práticas de aprendizado e novas sínteses de conhecimentos, isso é preciso deixar claro. No próximo texto eu continuo a dizer o que pensei e não falei…
4 comentários
Eliana Pires da Fonseca
17|Set|2008 1Bom Dia Professor Edson, sou sua aluna do 6° periodo de Serviço Social, sou de Cândido Mota -SP. Lendo seu artigo a respeito da 19ª Conferência Mundial de Serviço Social, fiquei sem palavras para argumentar com tanta discriminação em torno da ead.Concordo com suas colocações que em ead temos que estudar mais, estarmos compromentidos com nossa formação, e que “não dá para empurrar com a barriga”e concordo com tudo mais… Participei de diversas discussões nas várias comunidades de Serviço Social, que criticavam de forma grosseira os alunos de serviço social ead, só faltavam nos taxar de “burros”, e resolvi me desligar delas, pois os assistentes sociais, envolvidos nos debates, não estavam dispostos a conhecer a ead, realizar um debate saudavel, de troca de informações e conhecimentos, onde pudessemos enriquecer nossa formação. O preconceito e a discriminação, eram muito grandes. É lamentavel que sua ida até a Conferencia, que até onde sei, deve ser um espaço democrático, tenha sido em vão, e sei que nossa luta com a ruptura dos pré- conceitos sobre ead, esta apenas no começo.Vamos mostrar para todos que somos excelentes profissionais, utilizandos todos os recursos que vcs nos oferecem. Muito obrigada por contribuir com minha formação e por defender nossa modalidade de ensino. abraços
Emanuel
26|Nov|2008 2…!
Aldemir
30|Nov|2008 3Olá Profº Edson.
Realmente não só na conferencia mas também por todos os CRESS no Brasil o Curso de Serviço Social EAD esta sendo rejeitado
sem ao menos tentarem conhecer a estrututa que é oferecida. O Novo traz receios eu também senti isto ao me ingressar no
Curso de Seviço Social EAD onde hoje 28/11/2008 estou feliz por concluir o 4º módulo pela UNOPAR. Posso dizer que, chegar
até aqui não foi fácil pois tenho muitos amigos de formação de Assistente Social e alguns aceitam e outros descriminam. O curso
em sí traz muitas exigencias não pense que estar conectado uma vez por semana significa qué é mais facil, só sossego. Pelo contrário temos que nos preocupar muito em estarmos atualizados fazendo muita leitura, pesquizas, grupos e buscar no dia a dia algo muito importante que um profissional de Serviço Social precisa que estar atualizado em contato com realidade.
Abraços e fico mais confiante que vamos vencer esta etapa e também fazer parte da história.
Abraços a todos .. Aldemir - São Paulo - UNOPAR-EAD - Serviço Social
Aldemir
30|Nov|2008 4Olá Profº Edson.
Realmente não só na conferencia mas também por todos os CRESS no Brasil o Curso de Serviço Social EAD esta sendo rejeitado
sem ao menos tentarem conhecer a estrututa que é oferecida. O Novo traz receios eu também senti isto ao me ingressar no
Curso de Seviço Social EAD onde hoje 28/11/2008 estou feliz por concluir o 4º módulo pela UNOPAR. Posso dizer que, chegar
até aqui não foi fácil pois tenho muitos amigos de formação de Assistente Social e alguns aceitam e outros descriminam. O curso
em sí traz muitas exigencias não pense que estar conectado uma vez por semana significa qué é mais facil, só sossego. Pelo contrário temos que nos preocupar muito em estarmos atualizados fazendo muita leitura, pesquizas, grupos e buscar no dia a dia algo muito importante que um profissional de Serviço Social precisa que estar atualizado em contato com realidade.
Abraços e fico mais confiante que vamos vencer esta etapa e também fazer parte da história.
Abraços a todos .. Aldemir - São Paulo - UNOPAR-EAD - Serviço Social
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