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COACHSOCIAL

QUEM SOU EU…

APENAS UM RAPAZ LATINO AMERICANO…

UMA BREVE AUTO-BIOGRAFIA            

egundo o meu registro de nascimento, nasci em 27 de Abril de 1964, mas segundo minha mãe, e outros membros de minha família, nasci nesta data, mas em outro lugar. Este lugar chama-se Poções, uma pequena cidade do interior da Bahia, localizada a 600 km de Salvador, a Capital. Em 1986, quando já tinha 19 anos, foi visitar este local. Descobri, que apesar dos quase vinte anos que minha mãe e meu pai haviam deixado aquele lugar, muito coisa não havia mudado.  Nasci numa região arida, próximo a uma vegetação do tipo catinga, condições difíceis que levaram os meus pais, como inúmeros outros sertanejos, a enfrentarem condições péssimas de deslocamento para outros centros, como São Paulo, para tentar melhorar a vida.            

Nesta época minha mãe ajudava nas tarefas cotidianas, principalmente na chamada “casa de faria”, local onde de tratava a mandioca para preparar a produção de faria, que seria utilizada para vender ou trocar e para o próprio consumo da família. Numa manhã, quando ainda estava com sete meses de gravidez, dona Inair ( minha mãe, na época com 19 anos), começou a sentir as dores de parto, em poucos minutos, a bolsa se rompeu, chamaram uma parteira, a mesma ficou sem saber o que fazer, pois o bebe era diferente. Pequeno, com peso e massa  diferente dos demais bebes que nascem no tempo certo, havia nascido de sete meses, parecia que tinha presa para vir ao mundo.            

Este foi o primeiro milagre de minha vida, pois o hospital mais próximo da época ficava a mais de 100 km, e os recursos não eram tão grandes. Após o parte, como ninguém sabia o que fazer, minha avô ( Dna. Cilira),  preparou um pequeno berço, improvisado, com pequenos gravetos e algumas palhas e um pano por cima, após me envolver em panos limpos e ter minimamente me limpado, me colocou naquele pequeno berço, e ficaram esperando, esperando o que iria acontecer com o “ Tico-Tico”, pois esta era a figura com que mais parecia, e fazia parte da realidade cotidiana destas pessoas, pois era pequeno, franzino, como um Tico-Tico.            

Passados dois dias, comecei a chorar, e minha avô, conta que ela pegou um pequeno pano limpo, molhou numa tigela que tinha sal e meu deu, e comecei a comer e mastigar este pano, viram que eu havia passado pelo primeiro e grande desafio, queria continuar a trajetória, mesmo que tivesse sido um pouquinho antecipada. Havia, na vizinhança uma senhora negra que havia dado a luz a alguns dias, a mesma aceitou me amamentar, pois minha mãe não tinha leite, e assim, fui alimentado nos primeiros dias de vida.            

Após algum tempo, cerca de 8 meses destes acontecimentos, minha família empreendeu numa viagem, junto com milhares de migrantes nordestinos para São Paulo, a cidade dos sonhos. Ficamos alguns anos morando nos fundos da casa de uma  tia. Nos primeiros anos enfrentamos muitos problemas, minha mãe ao chegar em São Paulo já estava grávida de minha irmão Cida, a segunda filha com um ano mais novo. Em seguida ao seu nascimento, ficaria grávida de um terceiro, o Arnaldo, que por complicações na gestação, nasceu, e em poucos dias veio a falecer.            

Neste período, ainda na década de sessenta, meu pai consegue comprar um pequeno terreno, num bairro chamado Jardim  Ceci, próximo de Vila Nova Cachoeirinha e Freguesia do Ó na zona norte de São Paulo, e constrói um casa simples, mas que era nossa. Tempos depois vieram outros três irmãos, em 71 a Simone, em 74 o Wilson e em 75 a Marli. Neste período meu pai entrou num processo que se tornaria um dos mais difíceis de enfrentar, o alcoolismo. De corrente a isto, aos treze anos, já estava praticamente sustentando minha família, pois meu pai afetado pelo vicio, havia perdido grande parte da capacidade  de responsabilidade de suprir as necessidades da família.              

Minha primeira experiência com trabalho, informal foi num bar/mercearia de um português conhecido como sr. Antonio, próximo de casa, como balconista. Posteriormente já com a carteira de trabalho (1979), consegui transferir o meu horário de estudo para o horário noturno, estava na época na sétima série, e consegui o meu primeiro emprego formal, em 1979, numa fabrica de artefatos de couro na Barra Funda.            

Daí para frente, mesmo com os grandes problemas, típicos do cidadão morador de periferia, assalariado, tendo que trabalhar e suprir as necessidades básicas minhas e de meus familiares, prossegui  com a vida, sempre estudando, mesmo tendo sido reprovado em alguns anos e em muitos momentos estar desempregado, tendo muitas vezes de enfrentar a informalidade. É neste momento que também tive a minha primeira experiência espiritual, numa igreja evangélica de cunho pentecostal no bairro em que morava. Esta experiência, face ao contexto e os desafios vai ser e tem sido, a grande base e pilar de sustentação para enfrentamento de outros grandes desafios que a vida apresentou e com certeza, ainda apresentará.

Encontrei na comunidade cristã, uma outra perspectiva, que aliada a outras pessoas, professores, também cristãos, destaca-se a minha professora, e posteriormente amiga Rosinha. Pude melhor direcionar minha vida, ter outras perspectivas, diferente da que se apresentava para mim e outros adolescentes de minha época.

Em 1986 iniciei meus estudos superiores, na Faculdade Paulista de Serviço Social de São Paulo, no Bairro da Barra Funda. Escolha este, profundamente influenciada pela perspectiva espiritual e de experiência política estudantil vivenciada no colegial, que teve como principal influência um professor de história chamando  Pedro, que me ensinou a ver além do aparente, mas com moderação e entusiasmo pela vida e por uma sociedade mais justa para se viver.            

Foram quatro anos também de grande luta, para pagar os estudos, para manter a minha família e continuar a viver com dignidade. Não é preciso nem descrever, são as mesmas dificuldades dos inúmeros estudantes-trabalhadores para obter sua formação. Neste período, trabalhei em varias funções, inclusive de vendedor de sapatos, no final do ano de 1988, quando não tinha estágio e nem trabalho.

Fiz vários estágios, desde a área da saúde, HC, até empresa, área que viria dar maior preferência. Em 1989, me formei, em 1990, em seus primeiros meses, consegui uma vaga como assistente social num Hospital psiquiátrico em Guarulhos-SP, após três meses nesta organização, uma empresa, dentre as inúmeras que havia prestado seleção, me chamaram.

A empresa era ZF do Brasil, com sede em São Caetano do sul, em São Paulo e uma grande filial em Sorocaba-SP, a 75 Km da Capital para onde fui trabalhar em agosto de 1990, atuando na área de RH.  Em 1992 me casei, com a Marta e em 1994 nasce o meu primeiro filho, o Gabriel, no dia em que o Brasil foi tetra campeão.

Neste mesmo ano, após tantas alegrias, em Julho fui demitido, após a um processo de demissão, como tantos outros cortes de funcionários da era Collor, em agosto de 1994 estava desempregado.  Em março deste mesmo ano, havia iniciado o mestrado em Serviço Social na PUC-SP. Neste momento, de minha demissão, fui acometido pelo vírus do empreendedorismo, e resolvi que queria ser consultor.

E em outubro de 1994, abri em Sorocaba, um escritório para prestar serviços de consultoria na área social e de gestão de RH. Já iniciei com um cliente, que após o processo de diagnostico organizacional, e decorrente aos efeito do Plano Collor, não pode dar continuidade ao projeto. Consegui ainda mais dois clientes, que posteriormente não deram continuidade aos projetos pelo mesmo motivo.

Com pouco menos de oitos meses de trabalho de consultoria, me associei a um grupo de psicólogos, ampliamos os serviços e investimentos, mas a economia falou mais alto, e em julho de 1995, tivemos que fechar o escritório para não termos mais prejuízos, pois os gastos eram fixos, e as entradas, bem variáveis, coisas do capitalismo.            

Neste mesmo tempo, e paralelo a este processo, estava me preparando para o exame de qualificação do mestrado na PUC-SP, que ocorreu no final de julho de 94, neste meio tempo rRecebi o convite para dar aula na Unioeste em Toledo-PR . Em julho de 95 fiz o teste de seleção, passei e em 7 de agosto de 95 estava dando a minha primeira aula como professor universitário de Serviço Social.

Antes de ir para Toledo-PR já havia passado pelo exame de qualificação, e dei continuidade a pesquisa, mesmo debaixo de grande carga de trabalho, cheguei a trabalhar de manhã, a tarde e a noite, com dividas da experiência da consultoria e com um salário bem reduzido, e uma criança com menos de um ano de vida, passamos alguns “bons” bocados. No ano seguinte, houve a abertura de concurso nesta mesma universidade, prestei e passei, isto ocorreu em 6 de fevereiro de 1996, em 19 de setembro do mesmo ano, defendi minha dissertação de mestrado. Já era mestre e professor assistente efetivo do Estado do Paraná.

Para completar a alegria, após ter efetuado um trabalho de planejamento estratégico no campus de Toledo-PR, voluntariamente, na Unioeste, e decorrente aos resultados, fui convidado para ser assessor de planejamento do Centro de Ciências Sociais.           

A Unioeste estava passando por um processo de transição, e neste momento, quando ainda não havia completado um ano no cargo de assessor e professor, recebi outro convite. Assumir a diretoria de RH da universidade, com a tarefa de modernizar e colocar em ordem este setor e melhor dinamiza-lo. Neste mesmo período, agosto de 1997, nasce a minha filha Louise.            

Foram três anos, como diretor de RH, de 1997 a 1999, como pode ser visto no CV, realizei muitas coisas, mas também sofri grandes problemas, pois uma organização pública com uma cultura arcaica, não estava preparada para uma mudança tão dura quanto ao processo de modernização de gestão, principalmente de pessoas, como estava sendo requerido. Bem disse Jesus, “ Vinho nova em odre velho” não combinam, o vinho novo, tem fermento forte, o odre velho não suporta e logo quebra.             No ano de 1999 teve novas eleições, perdemos (situação), logo voltamos para o campus para só dar aula, descobri que numa organização de ensino público, é o lugar melhor para estar.             Em 2001,  durante três meses, consegui sair  de licença premio. Neste período trabalhei como coordenador e professor de uma  faculdade de Serviço Social de Medianeira, trabalhando inclusive na elaboração e implementação do plano político pedagógico do mesmo.

Também neste período prestei consultoria para uma Fundação em Toledo, para implementar u  sistema de análise socioeconômica e estudo para implantar o Serviço Social Escolar e um Núcleo de Gestão do Terceiro Setor. Voltando dei entrada no processo de saída para o programa de capacitação docente, em  novembro do mesmo ano, fui aprovado e aceito no programa de pós-graduação da Unesp-SP, e iniciei os estudos para o doutorado em março de 2002.

Foi com a família para Franca-SP, lá ficamos dois anos, após defender a tese de doutorado retornamos para Toledo-PR.  Na verdade quando defendi a tese, em 12 de fevereiro de 2004, já estava em Toledo-PR.

Neste mesmo mês apresentei um projeto de extensão onde procurei aplicar os conhecimentos gerados no doutorado. O nome era Projeto Casulo Sócio-tecnológico de empreendedorismo e responsabilidade social, em parceria com a ACIT, Associação Comercial e Empresarial de Toledo, realizamos grandes ações.

A maior foi a criação de uma cooperativa de mulheres, a COOPEMESA, e a implantação de um sistema e uma política de responsabilidade social na ACIT, única no Brasil até os dias de hoje (agosto/2008).

Foram muitas lutas, e até humilhações, resistência ao novo dentro de minha profissão sofri, mas tão grandes quanto foram as lutas,  como grandes também foram e tem sido as vitórias.

Foram publicados mais de 20 artigos, a publicação de um livro, Empreendedorismo social: da teoria à prática, do sonho à realidade, pela Ed. Qualitymark do RJ, onde o título expressa com precisão o que tem ocorrido.

Foi vencedor do  Prêmio Ethos/Valor de Responsabilidade Social categoria professor, projeto de extensão.

E em agosto de 2008, em Foz do Iguaçu, a Faciap, Federação das Associações Comerciais do Paraná  anunciou o vencedor do Prêmio Responsabilidade Social, categoria Associação Grande, a ACIT, pelo projeto COOPERMESA e pela implantação dos sistema de gestão, foi considerada vencedora, entre cerca de mais de 200 outras associações existem no Estado.

 Hoje (setembro/2008) estou trabalhando na Unitins, curso de Serviço Social, modalidade EaD e na Ulbra, Serviço Social, modalidade presencial, e faço consultoria na área de empreendedorismo e responsabilidade social, além da área de coaching executivo, de vida e carreira.

            As lutas continuam, a vida tem muito a nos oferecer, creio estar contente, pois represento uma minoria, e quero honrar esta oportunidade, que creio Deus ter me concedido, bem como, pelo esforço e determinação que tenho tido. Como diz um amigo meu, em tom de brincadeira, mas que é uma grande e triste verdade, “ Para um baiano até que você foi longe”.

E realmente, quem imaginaria, que de Tico-Tico, eu me tornaria (me tornarei) Doutor, escritor e gestor ? Espero honrar esta oportunidade e fazer de minha profissão e do produto de meu trabalho, seja como docente, pesquisador, cristão e cidadão, contribuir para construir um mundo e um país em que outros tantos Tico-Ticos, possam um dia vir a ser doutores., não necessariamente do titulo acadêmico, mas da vida com dignidade e justiça.  É isso ai…

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