Fonte de amadurecimento: experiências

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Fiquei 1 semana lendo, fazendo coisas que me fizessem esquecer algo que passei que não gostaria de dividir, mas a carga do fato foi tão pesada e o emocional não absorveu de forma legal mesmo.Por isso, vou relatar de forma leve:Semana passada foi bastante pesada para mim, tive muitos alunos para atender e fui à luta, atendi a quase todos que me contactaram.Dentre os muitos, 1 aluna de um colégio na Barra da Tijuca.A mãe me relatou dificuldades financeiras, quando depois descobri que morava num dos condomínios mais caros e de casas mais luxuosas do Recreio dos Bandeirantes, falou que sua filha não sabia nada, o que não vinha a ser bem o caso, e ainda por cima me disse que fosse à casa de sua mãe, que inclusive reparei que era muito religiosa por ter na sua sala 1 estante repleta de símbolos, estatuetas até do Papa João Paulo II, e tudo mais.A avó, uma senhora portuguesa me recebeu muito educadamente, mas a menina tão nervosa me bombardeou de questionamentos, inclusive escondia gabaritos e me testava o tempo inteiro.A menina gritava, mas senti que não era comigo, era o nervoso mesmo, ela estava tendo aulas na véspera da sua prova e queria um verdadeiro milagre.Ela não conversou muito só tirou muitas dúvidas, de umas diversas listas de exercícios, não teve tempo sequer de me oferecer 1 copo de água, quando pedi que me servissem 1, pois o clima estava extremamente tenso.Calmamente tentei elucidar as dúvidas da menina, acalmá-la, e nos últimos 10 minutos a menina me saca e apresenta 1 prova simulada que o professor havia pedido no mesmo dia para que fizessem, sem gabarito algum.Questionei: “Menina, como assim, nos últimos 10 minutos você me apresenta esse material? Já tirei suas dúvidas, tenho que ir para 1 colega seu, e você de repente me diz que nem gabarito ele soltou?”Ela: “Ah! Eu tenho você.”Cá pensei comigo e com meus botões: “Pois sim, ela está pensando que eu sou o quê? Quer que eu dê respostas? Não dou respostas prontas, ajudo ao aluno a chegar à respostas, não mesmo, não concordo!”Cedi e acompanhei à resolução da prova, que ela em parte sabia fazer sozinha, só nas 2 últimas questões exibiu dificuldades (diga-se de passagem a mesma do meu outro aluno que eu viria a atender logo em seguida, marcado pra meia hora depois de sua aula, pois moram relativamente próximos um do outro), e nessas que ela sem muito tempo se deu bem, pois dei a resposta e disse: “Você com a resposta e eu te explicando consegue fazer sozinha?” Pois bem, foi o que fiz, primeiro expliquei e depois dei a resposta e a orientei de refazer os exercícios.Ela ao se despedir, descendo comigo meio atarantada, percebi que lacrimejou, pois ela me perguntou se o colega não poderia ter marcado um horário antes e expliquei a ela que o colega dela chegava no mesmo horário que ela, depois das 18 h, e ela compreendeu, mas ficou frustrada.Falei que ela conseguiria, que ela se acalmasse, pois estaria sabendo a matéria o suficiente e ela me pareceu sensível, e dei-lhe um abraço como afago, e ela me abraçou desesperada e disse: “Cris, você não sabe o quanto esse professor é louco, depois eu te conto como ele é maluco, ele é capaz de tudo, e mais, vou pedir pra minha mãe pra marcar outra aula com você, obrigada, sei que marquei muito em cima, mas você foi legal, ótima mesmo.”Fiquei tranquila, e um pouco atrasada aguardei 1 kombi que peguei e por acaso ocorreu 1 fato interessante onde 1 moça me olhou feio e seu marido ao saltar do carro deixou seu celular cair, e consegui pegar na hora e gritar por ele, pedi que o motorista paresse e eu entreguei e o senhor que era até um negro, e turista, pareceu-me africano me agradeceu muito, disse ser 1 instrumento de trabalho e que sua esposa estava recém-operada de uma cesariana de seu primeiro filho. Ele me mandou tanto “Deus lhe pague”, que nossa! Entrando na kombi todos e até o motorista bateram palmas para mim e eu falei: “Gente, normal, o celular não era meu, sabia de quem era e estava à vista, por que não gritar e devolver?”, foi quando o meu celular tocou coincidentemente.Era a mãe da menina aos berros me perguntando onde eu estava sem sequer se identificar. Pensei: “Pronto, é a mãe do próximo me dando um pito e não quererá nem que eu vá”, assim repetia: “Calma, eu já estou chegando a sua casa, sem problemas, atrasei 1 pouco, mas estou chegando, estou a caminho…”, foi quando me interrompeu a senhora desesperada:”Não, sou a mãe da outra aluna que você acabou de dar 2 horas de aula, onde você está que eu te pego onde você estiver, você é uma péssima professora, uma irresponsável, minha filha está confusa, aos prantos e aos berros dizendo que não sabe nada e que se você não retornar e voltar para dar 2 horas a mais de aulas pra ela eu vou procurar a revista em que você anuncia reclamarei de você, e publicarei 1 nota a seu respeito dizendo que você é uma incompetente e irresponsável, péssima profissional e não sabe nada de Química.”.Gente, eu gelei das pessoas quererem me segurar e me levar a algum pronto-socorro, posto de saúde que era perto, ou coisa parecida, mas não careceu, pois falava o tempo todo: “Senhora, se acalme, eu tirei todas as dúvidas de sua menina, ela inclusive (foi quando ouvi a sua voz gritando atrás dizendo: “Não, não faz isso mãe, ela é boa, eu queria mais aula com ela, com ela não, com essa queria mais aula, não faz isso!”) teria sido no final grata e que estaria td certo, só que ela deveria se acalmar, e tudo mais.Ela repetia que se ela se desse mal na prova do dia seguinte, eu seria a culpada e que ela acabaria com a minha raça, caçaria meu diploma, coisas dessa natureza.Perguntei se ela queria que eu devolvesse o seu dinheiro, que eu retornaria, que me atrasaria e ligaria pra outra mãe e devolveria o seu dinheiro e ela disse no ato que não, que não precisava disso, que só retornasse se fosse pra dar mais 2 horas de aulas, e perguntei se seriam de graça, ela afirmou que não, e perguntou-me porque havia marcado horas de aula com outro aluno após a filha dela, eu falei que eu que dou conta de minha agenda e assim ela bateu com o telefone na minha cara.Liguei pra mãe do outro aluno que cheguei 1 pouco atrasada e ela ouvindo minha voz afoita me disse que não retornasse nada e fosse até a sua casa e foi o que fiz.Lá chegando, ela e o filho conversaram comigo, me deram 1 lanche, 1 suco e conversamos até iniciar a outra aula, e foi quando me acalmaram, soube inclusive de algumas coisas que me fizeram entender o fato todo e depois calma dei aula até às 23 h, sendo tarde a outra mãe me acolheu e dormi na casa deles.Conversamos mais um pouco, essa mãe que me acolheu disse: “Ela não fará nada, ela sabe que não poderá que é passível de processo e a revista também não fará, pois também poderá estar sofrendo processo e ter de pagar indenização…”, falei que sou pobre e não posso com gente de dinheiro, eles têm advogados e eu nem teria tempo de recorrer a algum defensor público, e foi quando ela disse: “Qualquer coisa, se ela fizer algo, me fale…” (pra bom entendedor…)Enfim, dessa história toda que não foi nem pela metade o final de meu fim de semana de trabalho e fatos inusitados, mas tirei a seguinte questão central: “No que a mãe iria lucrar e o que a mãe iria ganhar em prejudicar alguém muito menor a ganhar a única fonte de renda e denegrir a pessoa na única mídia que faz?”, “Que exemplo essa mãe passa a essas filhas, sim, pois são 2 adolescentes?” e “Que mulher religiosa faz esse tipo de maldade?”Pois bem, queria trazer o fato e as questões e deixá-los a vontade a debater, o que vocês pensam desse tipo de situação?Bem, aliviada, até porque liguei pra revista onde anuncio há anos e já me acalmaram quanto aos delírios dessa senhora, ou seja, não fará nem que pague 1 milhão, porque ética ainda não se tem preço!Um abraço a todos!Comentem!

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Profª Cristiana de Barcellos Passinato em 02.10.2009 in Geral, alunos, educacao, ensino, química

A Necessidade Da Complementação E Tutoria Escolar

Profª Cristiana Passinato*

 

Nos últimos 15 anos, atuo no eixo Barra-Recreio – onde residi na maior parte desse tempo – como professora, tutora e orientadora dos estudos de muitos alunos na região. Percebe-se o crescimento imenso no número de escolas particulares, atendendo à demanda crescente da população, principalmente de jovens desses bairros.

       Fato importante, porém há de se considerar que não há como acompanhá-lo a pequeno prazo, o que se acarreta na não adequação e na falta de infraestrutura das escolas de acordo com as exigências do seu público-alvo.

Muitos colégios possuem instalações, equipe, corpo docente, funcionários, coordenação pedagógica e direção muito competentes, porém o aumento de alunos repentinamente ou mesmo crescimento do bairro são fatores complexantes na qualidade do ensino oferecido.

Turmas grandes, professores distanciados dos alunos, realidade não só das escolas particulares dos locais que cito, mas de quadros e cenários globais e emergentes, muito avaliados por especialistas, médicos e ainda retratados na mídia. Até assunto de novela se tornou, vejam bem?

O que quero salientar é que a Educação tem que ser parceria: pai e mãe + Coordenação e Direção da Escola.

          Seria perfeito se o ambiente escolar fosse ampliado para vida e cotidiano do aluno. A escola deveria ser inserida de forma agradável, bem como o pensador Daniels propôs em suas teorias e escola na Inglaterra, pois se inspirava e escrevia embasado na teoria de Vygotsky que preconizava uma escola como um ambiente mais social, socializante, acolhedor e atendendo às necessidades do indivíduo crescente, incompleto e ser formado, mesmo Daniels mostrando-se leitor assíduo e admirador da obra de Piaget que se restringia ao estudo da divisão do cérebro e da inteligência como algo mais biológico e científico, sem contar muito com as preocupações de Vygotsky, numa leitura mais referente à didática e não socialista da sua obra.

Sendo assim, seria interessante um tutor que orientasse aos alunos perante dificuldades e confusões em sala de aula, ou mesmo falta de maturidade e grau de independência encontrados. Um suporte, inclusive no meio mais agradável atualmente para os jovens e crianças que é a internet passou a ser visivelmente necessário e relevante para encontrá-los e trazê-los para o interesse para os estudos e assuntos escolares.

Com essa necessidade e a concorrência árdua dos “explicadores”, “professores particulares” e “apoios escolares” que se estabeleceram na região, estabeleceram-se pontes como tentativa de diferencial de relação mais atrativa e diferente com o meu alunado. Aproximação através de site que se atende às suas dúvidas por comentários, e-mail, Orkut, MSN, e outras ferramentas aproximando-os e efetuando uma comunicação muito melhor.

O maior comprometimento chegou a um ponto de muitos alunos marcarem suas aulas através do Orkut, comunicarem-se muito por MSN e e-mail, trazendo questões, mostrando mais interesse pelos assuntos estudados.

Ou seja, é urgente e necessária a diferenciação e ampliação dos canais de comunicação e aumento do leque de opções para o alunado e clientela no nosso bairro, pois o seu nível permite tais diferenciais e atrativos ao serviço de auxílio personalizado e em domicílio, não se destinando somente ao momento da aula em si, de duas ou uma hora.

Esse tipo de trabalho é feito com sucesso quando o professor pesquisa, procura sobre a metodologia, cria didaticamente artifícios e laços com professores do ambiente escolar, se comunica com diretores e coordenação pedagógica buscando o desenvolvimento completo do aluno e não só a reprodução dos conteúdos programáticos, tão somente afim de uma aprovação e resultados que venham a ser traduzidos em mais clientes, marketing e monetarização dessa atividade.

O marketing e resultados são advindos do resultado positivo de um trabalho mais interpessoal e amoroso perante o exercício do educar, ensinar e crescer junto.

 
*Profª Cristiana de Barcellos Passinato é professora, bacharel e técnica em Química, ingressou esse ano no curso de Especialização em Polímeros, na UERJ. Escreveu um livro de poesias que foi editado pela USP e divulgado (destaque na Bienal de SP) pela EDUSP e ainda fundou e coordena a equipe do site Pesquisas de Química (http://pesquisasdequimica.com). Seu currículo Lattes (CNPq) pode ser apreciado em:http://lattes.cnpq.br/4511971498276781

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Profª Cristiana de Barcellos Passinato em 21.05.2009 in Geral