10 09

Não existem regras rígidas que garantam sucesso na solução de problemas. Porém, é possível esboçar alguns passos gerais no processo de problema-solução e fornecer alguns princípios que poderão ser úteis na solução de certos problemas. Esses passos e princípios são tão-somente o senso comum tornado explícito. Eles foram adaptados do livro de Jorge Polya, How to Solve It.

Leia o artigo completo: Estratégias para a solução de problemas

10 07

Sala Virtual disponibiliza cursos, pré-vestibular com matrícula por disciplina e aulas particulares ou aulas para pequenos grupos pela internet em tempo real. As aulas ocorrem em um ambiente virtual que dispõe dos mais avançados recursos de e-learning como: recursos de áudio e vídeo conferência, quadro virtual interativo, chat, ferramentas de criação e edição de textos, gráficos e desenhos e um sistema de transferência, apresentação e compartilhamento de arquivos. Quer estudar com qualidade sem sair de casa? Venha para o Sala Virtual!

Assista ao vídeo de apresentação da sala de aula do curso Sala Virtual:

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09 10

Dia 10/09/2008 entra para a história como um dos dias mais importantes para a ciência contemporânea.

Cientistas do CERN (Organização Européia para Pesquisa Nuclear) iniciam uma das experiências mais fantásticas já relizadas. Usando o Large Hadron Collider (LHC), um gigantesco acelerador de partículas, eles tentarão reproduzir as condições logo após ao Big Bang, grande explosão que teria dado origem ao universo. Esta experiência é importantíssima, pois poderá comprovar várias das teorias das partículas, como por exemplo, a existência do Bóson de Higgs, a chamada partícula de Deus.

Assista às reportagens sobre o assunto:

 BBC Brasil - LHC

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Discovery - LHC e Bóson de Higgs

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Poeira das Estrelas - Big Bang

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08 28

O Sala Virtual está de cara nova.

Conheça o novo site do Sala Virtual: http://www.aulaspelainternet.com.br

07 14

A velocidade com que a informação passou a ser transmitida com o advento da Internet é impressionante.

Pessoas em todos os países do mundo estão estudando e se preparando através de cursos on-line, graças às novas tecnologias de e-learning e vídeo conferência.  Com isto, aqueles que moram nas mais remotas regiões do mundo estão tendo oportunidades que antes não tinham, pessoas que não dispunham de tempo para se deslocar, ou por algum motivo não podiam se deslocar, têm agora à sua disposição novas oportunidades.

Mas por que estudar pela Internet?

São várias a vantagens de estudar pela Internet, dentre elas podemos citar:

  • Você estuda no conforto de sua casa;

  • Não precisa enfrentar trânsito e outros inconvenientes relacionados ao deslocamento para o local de estudo;

  • O ambiente virtual permite o uso de recursos computacionais que dificilmente são usados em aulas convencionais;

  • Você tem maior liberdade para fazer perguntas ao professor;

  • O estudo pode ser melhor direcionado, atendendo às necessidades dos alunos;

  • e para encerrar as razões, senão ficariamos o resto do dia escrevendo aqui, estudar pela Internet é super legal e divertido!

É acompanhando esta nova tendência que o curso Sala Virtual disponibiliza para os internautas do Brasil e dos países de lingua portuguesa, cursos on-line em tempo real.

Assista ao vídeo abaixo:

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Se sua resposta no final foi sim, venha para o Sala Virtual - aulas pela internet em tempo real.

07 06

 Querer ensinar a uma pessoa como estudar seria muita pretensão, isto porque cada pessoa possui sua individualidade e características próprias de personalidade e formação cognitiva. No entanto, existem algumas dicas que podem ser usadas para potencializar bastante os estudos, ajudando aqueles que se encontram perdidos e encontram dificuldades nos estudos, principalmente em disciplinas como Matemática, Física e Química. Vamos a elas:

  • 1) A primeira e talvez a mais importante de todas as dicas é que estudar não pode ser feito de maneira passiva. Isto quer dizer que é preciso querer estudar e, principalmente, que ao estudar é necessário querer aprender. O estudo quando feito de maneira passiva torna-se penoso e rende poucos resultados, já que o conhecimento é transmitido quase que “goela abaixo” para o aluno. Um estudo feito de maneira ativa é essencial. Estudar de forma ativa é estudar buscando o conhecimento, é estudar de forma vigilante, tentando não deixar nada passar de forma despercebida. Estudar de forma ativa pode não parecer fácil e, em um primeiro instante, pode até parecer cansativo, mas com um pouco de disciplina e prática este nível de estudo é alcançado, os resultados obtidos através de um estudo ativo fazem com que o esforço desprendido seja plenamente recompensado. Mas como estudar de forma ativa? As próximas dicas ajudaram a responder esta questão.

  • 2) Estudar requer concentração. Procure estudar em um ambiente tranqüilo e longe de possíveis fontes de distração, como TV, rádio, ou mesmo pessoas que distraem sua atenção. Pense que sempre haverá tempo para os momentos de distração, assistir uma TV ou curtir as pessoas que você gosta, porém, a hora de estudar deve ser respeitada e obedecida.

  • 3) Estudar requer disciplina. Como foi dito no item anterior: hora de estudar é hora de estudar. Quando fingimos que estamos estudando só enganamos a nós mesmos, e isto nos leva a uma grande perda de tempo e frustração. Jogue limpo com você, estabeleça um período do dia para seus estudos. Procure encontrar seu melhor horário para estudar e crie uma rotina de estudos.

  • 4) Estude com o coração. Quando digo “estude com o coração” quero dizer que você deve colocar seu coração nos seus estudos, isto é, todo seu ser e atenção, aliás, como deveríamos fazer com tudo em nossas vidas. Pode acreditar, alcançam-se melhores resultados estudando uma hora por dia com toda sua energia e atenção, do que estudando um dia inteiro de forma ausente.

  • 5) Ao estudar localize-se dentro da disciplina que está estudando. Anote e procure sempre saber qual é o assunto que está estudando. Isto pode parecer óbvio para algumas pessoas, mas há outras que costumam não fazer a menor idéia de qual é o nome do assunto que estão estudando. Este tipo de pessoas, quando questionadas, por exemplo, sobre qual é o assunto que estão estudando em Matemática, costumam tentar explicar ou descrever a matéria, quando conseguem fazê-lo, ao invés de falar o nome do assunto que está em estudo. Um exemplo disso foi de um aluno, que completamente perdido em seus estudos, disse estar estudando um assunto, onde tinha que encontrar valores para x em uma equação, após usar um monte de “fórmulas” cujo nome ele não se recordava, quando o que ele queria dizer é que estava estudando equações do segundo grau.

  • 6) Continuando ainda a questão da localização nos estudos, mas sob um novo ponto de vista, ao estudar procure saber quais são os pré-requisitos do assunto que está sendo estudado. Certos assuntos requerem o conhecimento prévio de outros, caso contrário corre-se o risco de ficar completamente perdido e não entender o que está sendo estudado. Isto é como perder o início de uma piada e, ao final da mesma, não compreender o porquê todos riram menos você. Muitas pessoas não conseguem aprender certos assuntos exatamente por lhes faltar certos pré-requisitos. Caso você verifique que existem certos conceitos dentro do assunto que você está estudando, que você não se recorda mais ou ainda não aprendeu, volte atrás e faça uma revisão ou um novo estudo. É preferível dar um passo para trás, para em seguida prosseguir com consciência e segurança, do que correr o risco de sacrificar todo o conhecimento relacionado a um conceito mal aprendido.

  • 7) Identifique os conceitos novos. Quando estamos aprendendo conceitos novos, corremos o risco de não assimilá-los de imediato. Neste caso, ao contrário do que deve ser feito com os pré-requisitos, devemos avançar com a matéria, pois os conceitos novos são melhores assimilados com o desenvolvimento do assunto, a medida com que eles são abordados, explicados e relacionados com outros conceitos já estabelecidos, ou seja, quando os conceitos novos se tornam familiares para nós.

  • 8) Ao estudar escreva tudo que for realmente novo para você. Escrever é uma boa técnica para ajudar na assimilação de um conhecimento novo. Escreva o que for realmente novo para você, não perca tempo copiando páginas e mais páginas de assuntos que já lhe são familiares. Ao escrever procure usar as suas palavras, ao invés de copiar literalmente o texto que está estudando.

  • 9) Sempre que for possível faça desenhos, esquemas, diagramas, tabelas, gráficos ou qualquer outro recurso que possa ajudar na visualização de seu objeto de estudo, às circunstâncias e relações envolvidas. Isto se aplica tanto ao estudo do texto quanto à resolução dos exercícios.

  • 10) Ao estudar não deixe de fazer os exercícios e questões relacionadas ao assunto estudado. Os exercícios, muito além de indicadores do conhecimento assimilado, são parte integrante na formação do conhecimento de um assunto. Por esta razão, não encare os exercícios e as questões sugeridas pelos professores, ou em um livro texto, como se fossem objetos à parte, com um papel secundário no aprendizado de um novo assunto. Há exercícios que explicam muito mais do que páginas e páginas de texto. É claro, no entanto, que é imprescindível a leitura do texto e em seguida, como parte intrínseca do aprendizado, a resolução dos exercícios propostos. Resolver exercícios é de fundamental importância ao aprendizado, principalmente em se tratando de disciplinas como Matemática, Física e Química. Além de tudo que já foi dito, existem erros conceituais, ou mesmo a ausência do conhecimento de certos conceitos, que só são detectados durante a resolução de exercícios, quando descobrimos que erramos a resolução ou mesmo quando vemos que não sabemos nem mesmo por onde começar uma resolução. Desta forma, a resolução de exercícios é de fundamental importância no aprendizado e na verificação de possíveis falhas do aprendizado. Uma boa dica de estudo é começar a resolver os exercícios, pelas questões já resolvidas pelo professor ou por exercícios resolvidos em um livro texto. Leia e estude as resoluções como parte integrante do texto, em um primeiro momento. Assim que terminar este estudo, volte e tente resolver, você mesmo, os exercícios resolvidos, sem recorrer à resolução do professor ou do livro. Caso sinta dificuldades, releia novamente o texto, busque os elementos do texto que possam ajudá-lo na resolução. Enquanto estiver tentando resolver o exercício por você mesmo, não recorra à resolução do professor ou do livro, recorra novamente à resolução somente se for absolutamente necessário, depois que todos os recursos anteriormente citados já tiverem se esgotado.

  • 11) Faça exercícios e questões selecionados de uma maneira racional. Os exercícios e questões devem ser escolhidos e organizados de forma a favorecer a evolução dos conceitos e em um número adequado para favorecer a fixação destes conceitos. Fazer exercícios sem uma correta seleção, em exagero e de forma repetitiva não é estudo e sim adestramento, além de levar a um enorme desperdício de tempo e energia. Muito mais importante que a quantidade é a qualidade dos exercícios que nos propomos a resolver.

  • 12) Nunca desanime. A vitória não é alcançada sem esforço e determinação. Disse o grande inventor Thomas Edson que seu sucesso era devido a 99% de transpiração e 1% de inspiração, ou seja, o sucesso é fruto de muito trabalho. Lembre-se que grandes realizações demoram um certo tempo para serem construídas, não se ergue um edifício da noite para o dia. É necessário força para superarmos a inércia que nos mantém presos a uma condição de acomodação e nos projetarmos à frente, em busca de novas possibilidades. Todos sabem que grandes jornadas começam com um primeiro passo. Sabemos também que aqueles que se dispõem a subir em uma montanha são recompensados ao chegarem ao topo por uma belíssima vista. Então não desanime nunca, continue seus estudos mesmo se encontrar grandes dificuldades pelo caminho, os desafios servem para consagrar nosso esforço, ao fim sua persistência será recompensada por grandes conquistas e realizações.

Espero que estas dicas possam ajudar aqueles que se encontram perdidos ou em dificuldades em relação aos estudos. Se este artigo lhe for útil, faça seu comentário, compartilhe com seus amigos e colegas de estudo.

Desejo a todos muito sucesso nos estudos!

 

O professor Breno P. G. de Souza é formado em Química pela UFMG e atualmente leciona no Sala Virtual

07 05

A discussão sobre “Matemática Escolar e Matemática Acadêmica” é muito bem abordada e explorada no livro: A formação matemática do professor: licenciatura e prática docente escolar, MOREIRA, P. C. e DAVID, M. M. M. S., que usam as expressões Matemática Científica e Matemática Acadêmica como sinônimos, que se referem à Matemática como corpo científico de conhecimentos, segundo a produzem e a percebem os matemáticos profissionais. E Matemática Escolar, referindo-se ao conjunto dos saberes “validados”, associados especificamente ao desenvolvimento do processo de educação escolar básica em Matemática. Eles entendem que a Matemática Escolar, com esta formulação, inclui tanto os saberes produzidos e mobilizados pelos professores em sua ação pedagógica na sala de aula, quanto resultados de pesquisas que se referem à aprendizagem e ao ensino escolar de conceitos matemáticos, técnicas, processos etc. Com esta abordagem, eles tomam a Matemática Escolar para além de uma disciplina ensinada na escola, e a apresenta como um conjunto de saberes associados ao exercício da profissão docente.

As diferenças entre a Matemática Acadêmica e a Matemática Escolar, apresentadas pelos autores, são significativas e substantivas. A começar pela prática do matemático e a prática do professor de matemática, como descrevem os autores:

 A prática do matemático tem como uma de suas características mais importantes, a produção de resultados originais de fronteira. Os tipos de objetos com os quais se trabalha, os níveis de abstração em que se colocam as questões e a busca permanente de máxima generalidade nos resultados fazem com que a ênfase nas estruturas abstratas, o processo rigorosamente lógico-dedutivo e a extrema precisão de linguagem sejam, entre outros, valores essenciais associados à visão que o matemático profissional constrói do conhecimento matemático. Por sua vez, a prática do professor de Matemática da escola básica desenvolve-se num contexto educativo, o que coloca a necessidade de uma visão fundamentalmente diferente. Nesse contexto, definições mais descritivas, formas alternativas (mais acessíveis ao aluno em cada um dos estágios escolares) para demonstrações, argumentações ou apresentação de conceitos e resultados, a reflexão profunda sobre as origens dos erros dos alunos etc. se tornam valores fundamentais associados ao saber matemático escolar. (pág. 21) 

Em relação a esta diferença, os autores citam SFARD, A., que em “On the dual nature of mathematical conceptions: reflections on processes and objects as different sides of the same coin” desenvolve uma análise dos processos de abstração da matemática, relacionando o aspecto operacional (em que o conceito é visto como processo) e o estrutural (o conceito como objeto). Uma implicação da tese de SFARD para a educação escolar seria a insuficiência e a inadequação de uma visão do conhecimento matemático como um sistema formal-dedutivo, próprio da Matemática Acadêmica, uma vez que as definições formais representam os conceitos já no seu aspecto estrutural e, de certa forma, ocultam as etapas de interiorização e de condensação que facilitam a construção da reificação (nome que ele dá quando o processo se transforma finalmente em objeto).

Uma das distinções importantes que os autores fazem entre a Matemática Acadêmica e a Matemática Escolar é a que se refere ao papel e aos significados das definições e das demonstrações:

 No caso da Matemática Científica, devido à sua estruturação axiomática, todas as provas se desenvolvem apoiadas nas definições e nos teoremas anteriormente estabelecidos (e evidentemente nos postulados e conceitos primitivos). Isso exige uma formulação extremamente precisa para as definições, pois ambigüidades na caracterização de um objeto matemático podem produzir contradições na teoria. As definições formais e as demonstrações rigorosas são elementos importantes tanto durante o processo de conformação da teoria – nos momentos em que a comunidade avalia e eventualmente acata um resultado novo, garantindo-se, então, a sua incorporação ao conjunto daqueles já aceitos como válidos – quando no processo de apresentação sistematizada da teoria já elaborada. (pág. 22) 

No caso da Matemática Escolar, estão permanentemente em cena dois elementos fundamentais que modificam significativamente o papel das definições e das provas. O primeiro se refere ao fato de que a “validade”dos resultados matemáticos a serem discutidos no processo de escolarização básica não está posta em dúvida; ao contrário, já está garantida, a priori, pela própria Matemática Acadêmica …  O problema que se coloca no ensino escolar não é o de demonstrar um fato como esse rigorosamente, a partir de definições precisas e de resultados já estabelecidos, como no processo axiomático científico. A questão fundamental para a Matemática Escolar – esse é o segundo elemento, sempre presente no cenário educativo – refere-se à aprendizagem, portanto ao desenvolvimento de uma prática pedagógica visando à compreensão do fato, à construção de justificativas que permitam ao aluno utilizá-lo de maneira coerente e conveniente na sua vida escolar e extra-escolar. (pág. 23) 

Sobre a importância da demonstração para a Matemática Escolar e para a Matemática Acadêmica, os autores fazem a seguinte distinção:

 … para a Matemática Escolar, não faz nem sentido argumentar: qualquer tipo de argumentação teria que pressupor a aceitação, sem provas, de afirmações mais complexas e menos evidentes do que a própria tese a ser provada. No entanto, para a Matemática Acadêmica, a demonstração faz sentido: entre outros objetivos possíveis, ela explicita para o futuro matemático em processo de formação essa espécie de “suspensão de certeza” a que devem ser submetidos todos os enunciados – até um como esse, impensável de se colocar em dúvida dentro da cultura escolar – para que se processe rigorosamente esse tipo de organização lógica da Matemática Científica, que é a axiomática. (pág. 24) 

Os autores chamam a atenção para as complicações que demonstrações menos formais podem trazer, tais como: a possibilidade de estímulo de um relaxamento exagerado, a possibilidade da promoção de uma compreensão equivocada do papel e da necessidade de validação dos resultados e das sentenças e a possibilidade de reforçar concepções inadequadas (misconceptions) do aluno, as quais podem eventualmente funcionar como um obstáculo à aprendizagem da Matemática Escolar. No entanto, eles alertam para as grandes dificuldades que são detectadas quando o trabalho docente fica restrito às provas dedutivas nos moldes prescritos pela Matemática Acadêmica, como por exemplo, que essa subordinação atua no sentido de censurar demasiadamente o processo de desenvolvimento de tentativas (ensaio e erro) ou de busca de uma compreensão não-formal do resultado a ser demonstrado.

Os autores resumem os papéis da demonstração na Matemática Acadêmica e na Matemática Escolar da seguinte forma:

 … enquanto o papel central das demonstrações na Matemática Acadêmica refere-se à inscrição de um determinado resultado entre os aceitos como verdadeiros pela comunidade científica, na educação matemática escolar a demonstração desempenha papéis essencialmente pedagógicos, tais como:

a)       Contribuir para a construção de uma visão da disciplina na qual os resultados sejam tomados não como dados arbitrários, mas como elementos de saber socialmente construídos e aceitos como válidos através de negociação e argumentação;

b)       Desenvolver a capacidade de argumentação. Por exemplo, a atividade pedagógica que consiste em submeter à crítica dos outros alunos uma determinada cadeia de argumentos construída por um deles pode levar a um entendimento mais significativos do resultado que é objeto da argumentação; pode levar também a um refinamento dos próprios argumentos ou mesmo da linguagem utilizada para apresentá-los. (pág. 28) 

Sobre o papel das definições, os autores argumentam:

 No que concerne às definições, Poincaré também se refere a uma diferença entre o rigor necessário e conveniente à Matemática Científica e aquilo que seria adequado a um processo educativo. Ele diz: “o que é uma boa definição? Para o filósofo ou o cientista é uma que se aplica a todos os objetos a serem definidos, s somente a eles. Mas em educação não é isso; é uma que pode ser entendida pelos alunos”. Além do fato de que os alunos devem entender a definição, há que se considerar também a necessidade e a conveniência, no contexto escolar, de se apresentar uma definição formal para os objetos matemáticos em estudo. Enquanto na Matemática Científica a caracterização através da definição formal é central para o desenvolvimento rigoroso da teoria, na Matemática Escolar, muitas vezes, não é adequado utilizar esse tipo de identificação do objeto. (pág. 29) 

E citam um trecho do artigo de VINNER, S. O papel das definições no ensino e no aprendizado da Matemática: “A definição cria um sério problema para o aprendizado da Matemática. Ela representa, talvez mais do que qualquer outra coisa, o conflito entre a estrutura da Matemática, como a concebem os matemáticos profissionais, e os processos cognitivos de aquisição dos conceitos.”

Eles sintetizam esse conflito nos seguintes termos:

 … para a Matemática Científica, a definição expressa o que o objeto é (como objeto matemático), enquanto do ponto de vista do processo cognitivo, o conhecimento do objeto pelo estudante parece se desenvolver através da construção de uma espécie de mosaico de representações pessoais desse objeto (não necessariamente livre de inconsistências), o qual pode ou não conter a definição formal como uma de sua peças. (pág. 31) 

A forma como o erro é entendido e tratado apresenta-se como um outro diferenciador entre a Matemática Acadêmica e a Matemática Escolar, conforme tratam os autores:

 Para a Matemática Científica, o erro é um fenômeno lógico que expressa uma contradição com algum fato já estabelecido como “verdadeiro”. Para a Matemática Escolar, no entanto, é importante pensar o erro como um fenômeno psicológico que envolve aspectos diretamente relacionados ao desenvolvimento dos processos de ensino e aprendizagem. (pág. 32) 

Segundo os autores, para a Matemática Escolar o erro desempenha um importante papel de indicador didático e pedagógico:

 Os erros, antes de se reduzirem a uma simples manifestação de desconhecimento ou de fracasso, podem ser entendidos como um indicador didático-pedagógico, Referindo-se simultaneamente ao aluno e ao saber a ensinar, o estudo dos erros é peça fundamental no trabalho de planejamento das atividades de ensino escolar. (pág. 32) 

Ainda sobre os erros os autores dizem que uma das vertentes de análise de erros que interessa diretamente à Matemática Escolar é a que trata dos misconceptions, fenômeno da internalização de conceitos numa forma considerada inadequada, que induzem a erros ou limitações no uso de conceitos matemáticos.

Os autores resumem a importância do erro para a Matemática Escolar e para a Matemática Acadêmica da seguinte forma:

 Na Matemática Escolar, o erro desempenha um papel positivo importante: fornece elementos para o planejamento e a execução das atividades pedagógicas em sala de aula. Para a Matemática Científica, por outro lado, a função do erro, embora também muito importante, é essencialmente negativa: indica a inadequação ou a falsidade de resultados, formas de argumentação etc. (pág. 34) 

Os autores encerram a discussão ressaltando a idéia de se reconhecer como distintas as formas de saber correspondentes à Matemática Acadêmica e à Matemática Escolar, especialmente nas relações entre formação e prática do professor. Eles chamam a atenção para não se perceber a Matemática Escolar como mero subconjunto da Matemática Acadêmica, o que levaria a uma conseqüente desqualificação do conhecimento matemático escolar. Para eles,

 A matemática escolar constitui um amálgama de saberes regulado por uma lógica que é específica do trabalho educativo, ainda que envolva uma multiplicidade de condicionantes. Dessa perspectiva, uma reflexão profunda sobre o papel da Matemática Escolar no currículo da licenciatura ode contribuir para introduzir uma referência mais direta e intrínseca da prática escolar no processo de formação inicial do professor. (pág. 35) 

E é sobre os saberes profissionais e sobre o processo de formação dos professores que resulta uma outra percepção da complexidade da Matemática Escolar. Assim, citando os autores:

 … ao tomar cada uma dessas faces do conhecimento matemático em suas especificidades, um leque de importantes questões que interessam diretamente à formação do professor perde o caráter de pressuposto natural e põe-se em discussão na condição de objeto ou problema de investigação teórica e de pesquisas empíricas. (pág. 36)  

 MINHA OPINIÃO 

Concordo com os autores do livro “A formação matemática do professor: licenciatura e prática docente escolar” quando os mesmos reconhecem, de forma clara e distinta, duas formas de abordagem do conhecimento matemático, às quais eles definem como Matemática Escolar e Matemática Acadêmica. Os alunos do curso de licenciatura em matemática tomam contato, já nos primeiros períodos do curso, com estas duas formas, tão distintas e ao mesmo tempo tão próximas, do conhecimento matemático, e acabam aprendendo na prática que estas diferenças devem ser reconhecidas e respeitadas.

Dentre as tantas diferenças entre a Matemática Escolar e a Matemática Acadêmica citadas pelos autores, como a prática do matemático e do professor de matemática, o papel e os significados das definições e das demonstrações e a forma como o erro é entendido e tratado, acredito que a última diferença se apresente como a mais significativa. O tratamento dado aos erros pelas duas formas de abordagem do conhecimento matemático são bastante distintas, e mesmo a forma como o erro é entendido e manipulado tem suas próprias singularidades em cada uma das abordagens. Assim, ao meu entender, o tratamento e o significado dos erros é um ponto chave na diferenciação da Matemática Escolar e a Matemática Acadêmica.

Acredito, assim como os autores, que a idéia de se conhecerem como distintas as duas formas de saber correspondentes à Matemática Escolar e à Matemática Acadêmica é fundamental para a formação e a prática do professor de Matemática. Acredito também que a discussão, a investigação e as pesquisas dessas faces do conhecimento matemático podem trazer grandes contribuições para a formação docente e para o desenvolvimento da Matemática, como ciência e como disciplina escolar.

 

A professora Sara Liriã de Souza é formada em Matemática pela UFMG e atualmente leciona no curso Sala Virtual

06 29

Em breve estaremos disponibilizando neste espaço dicas, de grandes autoridades do assunto, de como estudar de forma mais eficiente Matemática, Física e Química. Não percam!

Visite o novo site do curso Sala Virtual - aulas pela internet em tempo real: http://www.aulaspelainternet.com.br

06 23

Está sendo criado na internet um novo jeito de estudar e se preparar para vestibulares, provas, etc.

Uma excelente opção é oferecida pelo site Sala Virtual, no endereço: http://www.aulaspelainternet.com.br que disponibiliza aulas em tempo real pela internet, utilizando os mais sofisticados recursos de e-learning e video conferência. Confira!