Diário de Bordo

Duas “Thaises” soltas na Espanha

Santa semana santa!

Sexta-feira
17.04.2009

Dias de folga são sempre deliciosos! Meu master já está chegando na reta final e o cansaço de fim de curso já está pegando.

Aproveitei esses dias pra fazer uma das viagens que estão na minha lista de prioridades: Portugal. Tinha uma grande curiosidade de conhecer esse país, já que nós brasileiros não temos muita oportunidade de visitar países que compartilham tantas coisas conosco.

Assim que cheguei em Lisboa me senti em casa, de verdade. O ar úmido, o idioma, as calçadas de pedras portuguesas, os nomes das ruas, a comida, me fizeram sentir muito a vontade, deu até pra matar um pouco a saudade do Brasil.

E conheci tanta gente… os grandes personagens dessa viagem foram a recepcionista angolana do albergue em que fiquei, um casal de brasileiros que vive em Madrid e estava fazendo sua primeira viagem em seis anos de muito trabalho, uma enfermeira búlgara que fala cinco idiomas e que atualmente trabalha em um escritório (!) em Madrid, duas enfermeiras coreanas que trabalham como voluntárias no Senegal, um simpático casal de finlandeses que estava passeando em Portugal e que continuava achando que a língua portuguesa e espanhola são iguais além de não saber que o Peru fica na América do Sul, uma freira de 83 anos que carregava uma maleta bem pesada, uma brasileira que está estudando em Paris e, a mais engraçada de todas, uma senhora indonésia que me dizia todo o tempo que comemos muito mal, que nossa comida (a ocidental em geral) é muito chata, sem-graça e que eu deveria ir a Bali sem falta! OK, senhora, farei o possível pra seguir sua sábia recomendação!

Essa viagem foi fabulosa e voltaria a Portugal quantas vezes mais pudesse. Aí embaixo tem algumas fotos!

Beijos, abraços e abraços com beijos,

Thais L

Cantada a la lisboeta

Eu em Lisboa (torre de Belém)

Monumento aos descobridores em Lisboa

Eu e a Thais C na beira do Rio Tejo

Eu e Benedita, a recepcionista fofa do albergue

Viva a Primavera!

Quinta-feira
09.04.2009

Finalmente, o inverno se foi! E, com ele, o frio, a neve e o vento! Lembro que saía de casa com duas, às vezes três calças, varias blusas, jaqueta e cachecol. Agora, uma jaquetinha já é suficiente. Só à noite a temperatura cai um pouco, mas os dias são lindos, com sol, céu azul, nenhuma nuvem e um gostoso calorão!

O mais legal daqui é perceber com nitidez a mudança das estações, pois todas são muito marcadas. O frio é muito, muito frio e no outono todas as árvores estão completamente peladas. Passei a reparar em detalhes que passavam despercebidos no Brasil. Quando vimos que apareceram uns brotinhos verdes na árvore que tem em frente de casa, foi uma alegria só! São os primeiros sinais da primavera, quando o inverno friorento se vai. As praças da cidade já estão floridas, as árvores verdes, nada de folhas secas no chão. E quando passamos a reparar, parece que as flores e as árvores são ainda mais bonitas, são bem-vindas, esperadas ansiosamente! É um outro clima, outra vibração!

Também é incrível a mudança que o calor provoca nas pessoas! Bastou abrir um solzinho pro povo sair pra rua. Uns saem para caminhar, outros puxam a cadeira pra porta de casa e jogam conversa fora,  vemos um ou outro batendo bola, outros montam a churrasqueira e, no meio da tarde, fazem um “assado” (como eles dizem aqui). As ruas ficam muito mais animadas, as pessoas mais sociáveis e parece que fica todo mundo mais feliz.

Só falta mesmo pegarmos uma “corzinha” para tentar chegar perto do bronzeado saudável que tínhamos no Brasil e tirar um pouco desse aspecto pálido que só o inverno europeu é capaz de nos proporcionar! Quem sabe com a Semana Santa e com a viagem que faremos conseguimos ir à praia.

Na Semana Santa, viajaremos a Portugal! Não vejo a hora de me comunicar em português. Nem lembro mais como é pedir uma informação na rua, ler placas, ver televisão, ler jornal em meu próprio idioma. Nunca pensei que detalhes assim fariam tanta falta! Depois conto pra vocês como foi a sensação!

Beijos e até a próxima!
Thais Colpaert

Aulas de História ao vivo

Quarta-feira
01.04.2009

Lewgoy, Colpaert e Luciana

Na porta do Santiago Barnabéu,as três brasileiras. Thais Lewgoy, Thais Colpaert e Luciana

Mesmo com muita gente já tendo falado, só fui entender aqui na Europa o que é ter, todos os dias, incríveis aulas de história! Todos aqueles acontecimentos que estudamos na época do vestibular vivenciamos aqui e em situações tão inusitadas que, aí sim, entendemos de verdade como aconteceram.

Um exemplo bem legal aconteceu quando estava indo para a aula de francês. (Explico: resolvi aproveitar que estou na Europa, não estou trabalhando e tenho grandes chances de ir para a França e comecei a estudar outro idioma. Francês era o próximo da lista e a motivação ficou maior. Muito legal, mas muito difícil também!) Voltando ao conto: estava indo para a aula de francês, no já famoso trem (contei sobre ele pra vocês) que me leva a Madrid, e, ao meu lado, sentou uma senhora. Como estava com uma amiga brasileira, a Lu - que está fazendo francês comigo também -, estávamos falando em português.

A senhora nos interrompeu e perguntou de onde éramos, pois pensou que éramos de Portugal. Começamos a conversar e a vovó contou da época em que morou na fronteira com Portugal - e por isso entendia português - e sobre como era a Espanha na época da Guerra Civil, do General Franco. Contou sobre como as mulheres passavam escondidas pela fronteira, de madrugada, sobre os amigos e aos familiares que morriam, sobre o pai que foi pra guerra.

Parecia história de filme, ali, ao vivo e a cores! Impressionante!! Nesse dia consegui entender um pouco do que realmente foi a Guerra Civil Espanhola e os impactos que teve no país. Coisas que para mim eram tão distantes, que só vi nos livros de História já faz um tempão!

Outro exemplo bem interessante eu pude ver no jogo de futebol que fui essa semana. Fomos assistir, pelas eliminatórias da Copa de 2010, Espanha x Turquia no estádio daqui de Madrid, o Santiago Barnabéu. Como disse a Thais num post anterior, aqui eles não são nada nacionalistas, são regionalistas. E me impressionou ver a quantidade de pessoas com a bandeira da Espanha, torcendo pelo país. Acreditem, isso mudou nos últimos tempos, antes não era assim. Tanto é que ainda tinha muita gente que não estava com a bandeira da Espanha, e sim com a de suas regiões, como Galícia e Astúrias.

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Um último exemplo do que me chamou a atenção é de quando fui para Roma e fiquei impressionada com as ruínas de lugares como o Coliseu e o Foro Romano. São construções incríveis, e fiquei pensando em como era a vida e a rotina das pessoas que viveram ali, naquela época. Passei a ter vontade de ver filmes, documentários e estudar mais para entender, visualizar a época. É uma aula de história incrível!!!

Fico pensando em como seria bom se todos tivessem oportunidade de viajar quando estão na escola ou no período de vestibular para ter aulas de História “práticas”. Teríamos alunos muito mais aplicados e interessados e menos pais forçando os filhos a estudar e tirar boas notas – todos sairiam ganhando!

Por isso digo sempre às pessoas que perguntam sobre meu máster que ele é só uma parte das coisas que aprendemos estando aqui. Todo dia é um aprendizado, uma lição que fica pra vida toda. Uma experiência que eu recomendo pra todo mundo!!!
Um beijo enorme e até o próximo post

Thais Colpaert

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Pílulas de Lewgoy

Segunda-feira
09.03.2009

Thais na neve

Tudo ao mesmo tempo: Andei muito ocupada com os estudos, afinal, estou aqui pra isso! Mas já estava sentindo falta de alimentar o nosso querido blog.

Tempo, tempo, passa tempo: Nesses últimos dias percebi que já passei da metade do caminho no meu Master! Como o tempo passa rápido! Parece que foi ontem que eu cheguei aqui! E, preciso confessar, me apaixonei pela Espanha e pelas experiências que estou tendo. Sinto que ter plena consciência de tudo isso faz esse período ser ainda mais especial.

Comida: Hoje (08/03/2009) foi um domingo de muito sol e céu azul, sem nenhuma nuvem (sim, o inverno está se despedindo e não me deixará saudades!). Nos reunimos aqui na minha casa e fizemos estrogonofe, um típico almoço de domingo, em família. Teve até uma típica Mama nipo-brasileira pilotando o fogão e muitas bocas cansadas de comer comida pronta, esperando ansiosas o tão esperado momento! Comemos até não agüentarmos mais e combinamos de fazer isso mais vezes, pois a nossa comida é uma coisa que realmente faz muita falta e sempre agrada ao pessoal dos outros países.

Companheiros: Morar em uma residência universitária é como criar uma nova família. Conforme o tempo vai passando, as afinidades ficam mais claras e será sempre o seu vizinho ou um companheiro de casa que virá cuidar de você quando rolar uma baixa de resistência, seja ela física ou psicológica. E você fará o mesmo por eles.

Casa: A nossa residência é meio longe do centro de Madrid, mas é divertido morar aqui. Não é nada parecida com as residências que conhecemos aí no Brasil. Vou tentar explicar mais ou menos como é: moramos em uma espécie de vila com casinhas de dois andares onde moram de quatro a oito pessoas (a casa que comporta 8 é maior), além de mim e da outra Thais, moram aqui na casa a Lorena, do México, e a Maria Luisa, chilena. Uma vez por semana vem uma senhora limpar e temos direito de usar de graça a lavanderia três vezes ao mês. Se necessitarmos mais, podemos usar pagando. Nossa casa tem todo o básico para sobreviver, só não tem televisão. Ensaiamos tanto pra comprar uma que acabamos nos acostumando com a ausência desse aparato, além do que nossa vizinha tem uma TV para situações de abstinência televisiva.

Reflexão: Andei refletindo muito sobre a importância de sempre aprender coisas novas, reciclar. Isso traz um novo ânimo, dá mais graça a tudo na vida e acho que, por puro desleixo, tinha esquecido um pouco disso, pois o trivial pode e deve sempre ter variações. Nunca mais vou esquecer disso.

Beijos com abraços, nos vemos em breve num próximo post!!

Thais L

Rotina nossa de cada dia

Quinta-feira
19.02.2009

Uma das principais diferenças desse período que estou passando aqui na Espanha é a rotina… ou a falta dela! Quando trabalhamos e acordamos no mesmo horário, levamos x horas para chegar ao trabalho, temos um horário para almoçar, voltar pra casa e então dormir, nem notamos o tempo passar… fica só a sensação de que o tempo passou voando!

Curioso que, quando não temos uma rotina assim tão rígida, o tempo passa voando também! Agora que não estou trabalhando e me dedico integralmente a estudar, além de necessitar uma disciplina muito maior, tenho muito mais tempo para fazer coisas novas e conhecer lugares diferentes, além de ter que cuidar de coisas que antes nem faziam parte da minha vida, como ir ao supermercado ou lavar roupa. E isso faz com que o tempo passe igualmente rápido, porém com muito mais intensidade.

Para entenderem um pouco como é a nova rotina, vou compartilhar com vocês um dia meu aqui:

entre 9h30 e 10h: Acordar! – sim, eu sei que não é exatamente o mais cedo para acordar, mas vocês têm que dar um desconto. Afinal, desde os meus 19 anos que acordava às 5h45 para ir trabalhar! Merecido!
10h às 11h: tomo café da manha tranqüila, aproveito para lavar a louça que ficou do dia anterior e conversar com as meninas da casa: colocar as fofocas em dia, saber como foram as aulas e trabalhos do dia anterior, quais são os planos para o final de semana.
11h às 13h: hora de lavar a roupa, aproveitar o sol bonito que tem feito esses dias para pendurar a roupa lá fora, no varal – sim, porque ultimamente, com o frio que fazia, pendurávamos toda a roupa dentro de casa, nas calefações, corrimão da escada, cadeiras e o que mais pudesse servir de varal provisório. Lá fora, com a temperatura a -2 ou -3 graus, a roupa demorava  quase uma semana para secar! Entre uma lavada e outra, o tira e põe roupa na máquina, aproveito para estudar um pouco, ler um texto, fazer mais um pedacinho do trabalho.
13h: Almoço! – preparo alguma coisa como arroz, salada e alguma proteína, geralmente ovo, peixe ou derivados de leite. Percebemos que aqui na Europa estamos virando vegetarianas! As carnes, além de uma qualidade bem pior que a nossa brasileira, são extremamente caras. Por isso, acabamos sempre comendo as mesmas proteínas e nosso almoço fica bem mais saudável: carregamos nas verduras e legumes. Ah, nessa hora também aproveito para terminar o texto que comecei lá na lavanderia ou fazer mais um pedaço do trabalho.
14h30: hora de tomar banho e se preparar para a aula.
16h: saio de casa rumo a Madri, onde fica a escola. Há duas opções de transporte: ônibus + metrô ou ônibus + trem + metrô. Ambas levam entre 1h30 e 2h para chegar. Aproveito esse tempo para estudar mais um pouco, ler o jornal ou uma revista ou mesmo escutar música, observando o movimento da cidade.
18h às 22h: Aula. 4 horas com um intervalo de 20min.
22h às 0h: hora de todo mundo voltar para casa! Mais duas horas no transporte público, mas agora acompanhada do pessoal da faculdade.
0h: para fechar a noite de maneira bem agradável, jantamos no restaurante aqui do lado de casa, todos juntos. Assim, terminamos de pôr os assuntos em dia, tomamos uma cerveja e voltamos para casa, para dormir tranqüilos e repor as energias para o dia seguinte.

Claro que muita coisa varia de um dia para o outro. Por exemplo, nos dias que não tenho aula, estudo no período da tarde e pela manha vou ao supermercado. Ou então, num período mais apertado, passo o dia inteiro estudando e o mercado, a roupa e a louça vão acumulando.

É por isso que digo que, ao mesmo tempo em que temos total liberdade para organizar nossos horários, precisamos de muita disciplina e organização. Mas isso tem sido excelente! É bom para nosso crescimento pessoal, profissional e até mesmo para melhorar nosso relacionamento com as pessoas que estão ao nosso redor. Afinal, aqui todos somos, ao mesmo tempo, amigos e família. E, como toda família, tem a parte boa e as festas, mas também as brigas e discussões. E assim vamos crescendo!

Aproveito para agradecer mais uma vez o carinho de todos que estão acompanhando nosso blog! É muito bom saber que podemos ajudar de alguma maneira e tentaremos responder às dúvidas sempre que possível! Aproveitem para ver a nossa nova foto lá no Universia. É só clicar aqui!

Um beijo enorme,
Thais Colpaert

Chega de dúvidas!

Quarta-feira
11.02.2009

Muito bom saber que esse espaço está cumprindo a sua missão! Quando a gente começa a pensar em estudar fora, é sempre bom conhecer alguém que passou (ou está passando) por essa experiência pra poder fazer umas perguntinhas. Eu mesma tinha o meu “oráculo”. Por isso, vamos às respostas para o pessoal que andou comentando por aqui:

Rayssa: Tenha certeza de que a experiência vale muito a pena, mas cuidado, quando você menos esperar uma outra Rayssa pode aparecer!

Marcio: As residências da Universidade de Alcalá de Henares ficam na própria Alcalá, a aproximadamente 30 km do centro de Madrid. O sistema de transporte público funciona muito bem e geralmente levamos uns 50 minutos (o que é até rápido para paulistanas que somos) pra ir do CIFF, em Madrid, até a CRUSA (residência onde moramos em Alcalá de Henares).

Thayse: Você está no lugar certo para buscar esse tipo de informação! No Universia, no canal de Mobilidade você encontra muita coisa a esse respeito, inclusive que a Fundação Carolina está com as inscrições abertas para concorrer a diversas bolsas de estudo na Espanha.

Pessoal, boa sorte! Quem sabe não nos cruzamos por aqui!

Beijos e até os próximos posts,

Thais L e Thais C

Estudos e irmãos

Segunda-feira
02.02.2009

Estudando, estudando, estudando, estudando… Apesar de não parecer, é assim que passo a maioria dos dias na Espanha.
Meu curso é dividido em nove módulos, isso significa que em cada um deles são abordados aspectos diferentes do direito empresarial. Tenho aula todos os dias e o sistema de avaliação é continuado, em outras palavras, somos diariamente testados, há exames orais com uma constância maior do que em qualquer outro curso que eu já tivesse ouvido falar.
A pressão imposta pelo curso tem a intenção de recriar um ambiente real de trabalho, onde existem prazos apertados, clientes questionadores. Enfim, o curso é bastante intenso, pesado e exige muita dedicação se você quiser tirar um bom proveito da experiência.
Nesse caso, se propor a fazer este curso quer dizer passar algumas (muitas) noites em claro, se arriscar, falhar um par de vezes e ter sucesso em outras, assim como em quase tudo na vida.
O auto-estudo é uma constante e, para que a metodologia usada tenha êxito, bastante disciplina é necessária. Costumo comentar com meus amigos e família que nunca tinha estudado tanto na vida, pois, para conseguir acompanhar as aulas, preciso me dedicar muito mais do que quando estudava em português. Sem contar que o direito comunitário (o direito da comunidade européia) era, até muito pouco tempo atrás, desconhecido para mim.
Além de tudo isso, entre um módulo e outro, tenho aulas de direito corporativo em inglês e nesses dias o chip precisa ser trocado uma vez mais… geralmente, termino esses dias totalmente esgotada.
Depois de tanto trabalho, sempre encontro horas pra diversão, mas disso vocês já sabem!

Bem, ultimamente muitas novidades têm acontecido na minha vida, e a mais fantástica de todas aconteceu na semana passada… depois de tantos anos ganhei mais um irmão! Agora sou a mais velha de dois garotos (um já tem 23 anos e está babando tanto quanto eu) e me sinto muito especial por isso. Bem-vindo ao mundo José Eduardo, conhecer você será a primeira coisa que eu farei quando voltar!!!

Thais Lewgoy

Cadê o Carnaval?

Sexta-feira
23.01.2009

Começo de ano, começo das aulas e algo me chama a atenção: o ritmo já é de força total!  Muita coisa para estudar, trabalhos para entregar, reuniões todos os dias com o grupo de estudos. Até o metrô está estranho, cheio de gente, e nas ruas o transito continua caótico!

O que aconteceu com a paz que reina em nossas vidas no mês de janeiro?
Então me dou conta: aqui na Espanha não temos Carnaval! Por isso, as coisas funcionam em janeiro! A famosa frase “Ah, no Brasil as coisas só começam a funcionar mesmo depois do Carnaval” é realmente verdade. Aqui não há férias escolares em janeiro. Com as crianças na escola, os pais não tiram férias. Portanto, o trânsito continua um caos. Essas pessoas, que não tiraram férias, já começam a te cobrar várias coisas no trabalho logo na primeira semana do ano! Na volta para casa, milhares de pessoas lotam os metrôs porque não tiraram férias porque não está sol. Por isso, não estão na praia, o que é uma pena, porque nem vão emendar o Carnaval! Olha o caos que provoca a falta de um Carnaval.

Estamos realmente mal acostumados. Essa história de pegar o ritmo antes de fevereiro não é nada animadora. Eu voto a favor do Carnaval no mundo todo!

Em meio a essa tentativa de ajustar os fusos e os costumes, além da calefação, me dou conta de um fato bastante animador: já consigo fazer anotações da aula em espanhol! Pode parecer um detalhe bobo, mas até então conseguir prestar atenção na aula, decodificar o que os professores falam - e os espanhóis falam muito rápido -, fazer anotações e ainda interagir com professores e colegas, tudo isso ao mesmo tempo, era uma tarefa bem difícil Por isso, se avaliarmos as anotações em classe, passamos de anotações feitas 100% em português para o famoso “portunhol”. Agora, finalmente, anotações 100% em espanhol.

A satisfação de poder escutar, interpretar e registrar tudo em espanhol, sem tentar traduções para o português para entender e ser entendida, já vale mais do que todas as aulas particulares ou um dez na prova de espanhol! Devido a esses detalhes que me dou conta de que todo esforço está valendo a pena e que o que no começo parecia difícil vai sendo assimilado de maneira mais fácil do que imaginava! Até o esforço de perder o Carnaval!!

Aproveitem bastante o Carnaval por nós, com todas as vantagens que ele traz mesmo antes de começar!!

Grande beijo,
Thais C.

Que venha 2009!!

Quarta-feira
14.01.2009

Geralmente, no começo de um novo ano, paramos por alguns momentos para fazer um “balanço geral” do ano anterior. Refletir sobre o que foi bom, o que foi ruim, o que poderia ter sido melhor e, principalmente, sobre o que poderíamos ter feito diferente. Mais do que isso, é quando o ano inicia que começamos a traçar objetivos, metas, indicadores e, até mesmo, surgem algumas promessas de mudança!

Claro que isso sempre acontece comigo também e sempre faço planos tão difíceis que alguma coisinha acaba ficando pra trás, sem se realizar durante todo o ano… E o que acho mais curioso é que esperamos tanto pelo ano novo para fazer esses planos e, no fim, é mais ou menos como esperar pelo aniversário. Você espera um tempão a chegada do “grande dia” e, quando chega, acaba sendo um dia normal.

Mas teve algo que me chamou muito a atenção nesse fim de 2008 e começo de 2009. Tudo aconteceu justamente de forma oposta ao que sempre acontece! Estive viajando por várias cidades da Europa com a minha família e nem deu tempo de esperar ansiosa pela chegada do ano novo. Cada dia era tão cheio de novidades que, acreditem, não deu nem tempo de fazer planos para 2009! Os dias foram tão intensos e tão divertidos que quando acabavam caía morta na cama pra recuperar forças pro dia seguinte.

Pra começar, ou melhor, pra acabar 2008, o Natal não poderia ter sido mais “abençoado”. Estávamos em Roma e no dia 25 fomos até a Praça São Pedro assistir à missa do Papa. Quem diria que algum dia eu veria o Papa!

Depois, estivemos em Paris e pudemos curtir a beleza e charme da Torre Eiffel de pertinho, na virada do ano. Por fim, enquanto estivemos em Madrid, houve a maior nevasca dos últimos dez anos, deixando a cidade inteira coberta de neve. Nesse dia, realizamos um grande sonho, que acredito ser o sonho de muitos que vivem em um país tropical como o Brasil: fazer guerra de bolas de neve e criar bonecos e desenhos na neve de diferentes formas e tamanhos. E o melhor, melhor mesmo, é que tudo isso foi acompanhado da minha família: pai, mãe, irmão, irmã, cunhado e primos. Pessoas muito queridas que fizeram com que cada momento fosse ainda mais especial.

Com tudo isso de novidade, a ficha só caiu mesmo quando voltei pra casa, no dia 11. Aí, então, pude parar um pouco pra pensar o que seria do meu ano novo e o que eu espero dele. Cheguei à conclusão de que durante essa viagem aconteceram coisas tão novas e tão mágicas que se o meu ano de 2009 seguir no ritmo desses primeiros dias, não precisarei de planos nem de promessas para que ele seja muito bom!

Que venha 2009!!

Beijos e um 2009 cheio de sucesso, saúde e festa

Thais Colpaert

Ano

Ano novo com a família em Paris

Neve em Madrid

Neve em Madrid

Identidade espanhola

Quinta-feira
08.01.2009

Por mais que se passe a vida toda estudando um idioma, é um choque tomar contato acadêmico e ficar 100% do tempo imersa nele. No início pensei: “Minha nossa! Acho que não sei tanto quanto eu pensava que sabia”, mas essa fase passa logo no primeiro mês. Você dá um salto “vocabular”, quero dizer, aprende em um mês mais do que tinha aprendido em muitos anos de estudo! Isso é muito gratificante, e o aprendizado segue diariamente. É uma delícia aprender palavras novas todos os dias. E a vantagem para mim, nesse ponto, é conviver com pessoas de diferentes países cuja língua materna é o castelhano. Assim vou descobrindo também os regionalismos.

Estive de férias nos últimos dias e tive a oportunidade de conhecer um pouco mais a Espanha. Fui a Granada, Sevilla e Barcelona. São muitas Espanhas em uma só, e o estranho é que aqui eles não têm uma identidade nacional muito forte. Para alguns chega a ser até vergonhoso estender sua bandeira na janela (Fernando Alonso, Rafael Nadal e o basquete espanhol estão ajudando a mudar essa história).

Fiéis mesmo eles são primeiro à cidade onde nasceram, depois à região e, apenas por último, ao país. Se disser a um senhor de Vigo que ele é espanhol, imediatamente ele te corrigirá dizendo: “não, não, eu sou é Galego!!!”. Aqui quase ninguém veste a camisa do país ou usa as suas cores, como nós costumamos fazer. Tanto que outro dia queria comprar um “pin” da bandeira espanhola pra usar na minha mochila, mas fiquei com receio de ofender algum local. Ainda não entendi completamente esse assunto, e vou explicando conforme tudo ficar mais claro pra mim.

Meu ano velho terminou muito bem e o novo começou idem. Espero que assim também tenha sido o de vocês.

Um beijão,
Thais L.

Thais Lewgoy em Barcelona

Thais Lewgoy Luduvice em praia de Barcelona

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